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A Força desperta o último Jedi

(O diretor Rian Johnson mostra o início do próximo filme em sua conta no Instagram)

(O diretor Rian Johnson mostra o início do próximo filme em sua conta no Instagram)

Junte os dois títulos dos episódios mais recentes de Guerra nas Estrelas e temos uma frase – falei sobre o significado disso no meu blog no UOL.

As especulações correm soltas desde que a Lucasfilm anunciou o título do Episódio VIII de Guerra nas Estrelas, que estreia no final deste ano. O nome The Last Jedi, em inglês, não entrega nem gênero nem quantidade de Jedi – palavra que, na mitologia da série, não tem a letra “s” em seu plural – que podem estar sendo mencionados no título? Das quatro variações possíveis – O Último Jedi, A Última Jedi, Os Últimos Jedi e As Últimas Jedi – só a a última não parece fazer sentido. As três primeiras são possíveis e apontam primeiro para Luke Skywalker, depois para Rey (que ainda não sabemos o sobrenome) e finalmente para os dois juntos.

Se o último Jedi for mesmo Luke, isso significa que nenhum novo personagem poderia ser o protagonista que batiza o novo filme. Muitos apostam nessa hipótese e usam como referência o letreiro do O Despertar da Força, que menciona literalmente Luke como sendo “o último Jedi”. É um bom argumento.

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Mas a referência a Luke como tal acontece antes dos fatos de O Despertar da Força – portanto, antes de um possível renascimento Jedi que é um dos grandes mistérios do Episódio VII. Quem despertou? Rey quando encostou no sabre de luz que foi de Darth Vader? Ou Finn, o primeiro stormtrooper rebelde? Ou talvez até mesmo Kylo Ren, possa estar voltando para o lado certo da Força? Quem sabe o despertar aconteceu com os três?

Mas alguns fãs perceberam a possibilidade dos dois títulos dos novos episódios indicarem algo em conjunto – e aí novamente esbarramos com uma questão de tradução. O Despertar da Força é uma adaptação – e não uma tradução literal – do título original do sétimo episódio, The Force Awakens. A tradução correta deveria ser A Força Desperta – ou A Força Acorda. Desta forma, quando colocamos os nomes dos episódios VII e VIII lado a lado, vemos mais do que dois títulos e sim uma frase completa:

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“A Força desperta o último Jedi”

Ou “A Força acorda a última Jedi” ou “…os últimos Jedi”, você entendeu. Ao transformar os dois títulos em uma frase, o argumento que firma Luke como sendo o último Jedi perde um pouco a força (hehe) e pode incluir a própria Rey – ou outro novo personagem além do irmão da general Leia – como o possível personagem que batiza o novo filme. E abre a especulação inclusive para que o terceiro filme possa ter um título que complemente ainda mais a frase, fazendo os três filmes da terceira trilogia serem reunidos por uma única mensagem. Sei lá, A Força Desperta o Último Jedi Para Sempre ou A Força Desperta o Último Jedi Antes do Fim – use sua imaginação (Star Wars: Forever ou Star Wars: Before the End são títulos brega, mas teriam um grande impacto, diz aí). Ou seu humor, como alguns têm feito online:

https://twitter.com/outstarwalker/status/824238111722967045?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E824238111722967045&ref_url=https%3A%2F%2Fmatias.blogosfera.uol.com.br%2F2017%2F01%2F28%2Fthe-force-awakens-the-last-jedi-e-uma-frase%2F

“A Força desperta o último Jedi de seu cochilo”

A cor vermelha do logo da série no novo filme também é um mistério: é a primeira vez que o nome Star Wars não aparece pintado de amarelo.

Outra especulação que corre a internet diz respeito especificamente ao letreiro de abertura do novo filme, pois o ele começaria exatamente no ponto em que o filme anterior terminou – com Rey finalmente encontrando Luke Skywalker. Se isso for verdade, o que restaria para ser contado no clássico letreiro de abertura, uma vez que ele sempre narra fatos que aconteceram meses entre os diferentes filmes da série?

Em todo caso, é demais poder estar vivenciando o desenrolar desta história novamente com empolgação. Parece até que os episódios I, II e III nunca existiram!

Quem quer ir no show do Guizado neste domingo?

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O trompetista Guilherme Mendonça – que todos conhecem por Guizado – começa mais uma jornada rumo a um novo disco neste domingo, em São Paulo. Depois de pairar sobre o chão com o Voo do Dragão (de 2015) rumo ao espaço sideral em seu Orbital (do ano passado), ele agora conta com a supervisão do produtor Carlos Eduardo Miranda para a produção do novo disco, a primeira vez que Guizado abre mão de produzir seus próprios discos. O show de início desta nova fase acontece neste domingo, dia 5, na Casa do Mancha (mais informações aqui), quando ele mais uma vez divide o palco com o guitarrista Allen Alencar, o tecladista Zé Ruivo ,o baixista Meno Del Pichia e o baterista Richard Ribeiro e descolou cinco pares de ingressos para sortear por aqui. Basta dizer nos comentários deste post que música que ele poderia interpretar ao vivo e porquê. As cinco respostas mais simpáticas ganham os pares de ingressos. Não esqueça de deixar seu email. Ele escreveu para o Trabalho Sujo sobre sua nova fase:

A preocupação com timbres específicos, como os sintetizadores analógicos da década de 70 e 80, baterias eletrônicas clássicas como a 808 e a Linndrum, o uso de processamentos eletrônicos no som do trompete, o cuidado com uma gravação e mixagem especial, que fuja do convencional: tudo isso junto representa parte fundamental de tudo fui descobrindo e se tornando parte de meu estilo de produção musical.

No meu disco O Voo do Dragão, essa preocupação se mantém super presente: timbres especiais, detalhes interessantes na mixagem e tudo mais. No entanto, esse disco marca uma preocupação maior com a composição, harmonias mais complexas, formas musicais mais estruturadas com diferentes partes. Considero esse disco o início de uma evolução do meu lado compositor.

E a partir do segundo semestre do ano de 2016 até agora venho me dedicando ao trabalho de preparar o meu quinto disco, para ser lançado em 2017. E venho sentindo um claro desenvolvimento em minha forma de criar nesse novo trabalho, uma evolução natural de razões multifatoriais no processo de criação.

Em 2007, mais ou menos na época da concepção do Punx, meu primeiro disco, aprendi a usar samplers e sequenciadores no palco tocando junto com a banda, isso me deu inúmeras possibilidades sonoras, possibilitando criar camadas densas de sinths, baterias eletrônicas e diversos sons sampleados. Isso criou nossa identidade de som: massivo e pesado.

Porém para a arte se desenvolver é necessário agir de forma desconstrutiva, para chegar a lugares aonde a mente com sua racionalidade e logica não são capazes de atingir. Esse pensamento esta bem claro no momento de produção atual, estou pensando muito mais como compositor e como integrante de uma banda, usando menos a máquina, trabalhando de forma muito mais humana, resolvendo questões de timbre junto com meus parceiros durante o ensaio, ao invés de chegar com uma série de sons processados e sequenciados em um sequenciador. Com isso as possibilidades de composição se tornaram ilimitadas, pois a máquina por ser máquina dificulta muito a disrupção da criação, a variação humana, a respiração.

É como na mensagem principal do filme Metrópolis de Fritz Lang que diz que a mente – robô – e a ação devem ter como intermediário o coração. Então, dentro dessa forma disruptiva de criar, descriar e recriar estamos juntos encontrando uma forma muito bonita e estimulante de fazer música.

BaianaSystem invisível

baianasystem-invisivel

O grupo baiano BaianaSystem aproveita o dia de Iemanjá para soltar uma faixa que poderia estar em seu Duas Cidades, com vocais do BNegão e de Russo Passapusso. “Invisível” fala sobre o contraste entre duas camadas da sociedade brasileira – a que se acha protagonista e a que se vê como coadjuvante.

E eu falei que eles vão tocar em São Paulo fim de semana que vem, né? Melhor show do ano passado fácil!

“Vamos caçar monstros!”

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O ator David Harbour faz um apaixonado discurso anti-Trump ao receber o prêmio em nome do elenco de Stranger Things na premiação SAG deste ano. Veja o discurso lá no meu blog no UOL.

A série de ultrajes políticos que o presidente norte-americano Donald Trump tem cometido diariamente desde que assumiu o cargo no meio de janeiro tem servido de combustível para toda uma sorte de discursos e ações contra as intenções mesquinhas deste vilão de desenho animado da vida real. Não foi diferente no palco da 23ª premiação do Screen Actors Guild, mais conhecido como SAG, que aconteceu no domingo passado no Shrine Auditorium em Los Angeles, nos Estados Unidos. E entre discursos pesarosos e tiradas fortes, os apresentadores e vencedores da premiação mostraram o quanto são contra o perigoso rumo político para onde os EUA caminham.

O destaque ficou para o discurso do ator David Harbour, que falou em nome do elenco da excelente série Stranger Things. Visivelmente emocionado, o ator, que na série faz o policial Jim Hopper, parecia não acreditar ter desbancado os elencos de pesos pesados como The Crown, Game of Thrones, Westworld e Downton Abbey. Mas ele deixou a emoção de lado e leu um discurso forte e emotivo, que mesmo sem mencionar nominalmente o novo presidente norte-americano, funcionou como uma convocação para aqueles que trabalham com comunicação e cultura. Vale a transcrição na íntegra:

“À luz de tudo o que está acontecendo no mundo hoje, é difícil celebrar a já celebrada Stranger Things. Mas este prêmio vem de vocês, que levam seu ofício a sério e sinceramente acreditam, como eu, que uma grande atuação pode mudar o mundo, é uma convocação de nossos colegas artistas homens e mulheres para ir mais fundo e, através da nossa arte, lutar contra o medo, o egocentrismo e a exclusividade de nossa cultura predominantemente narcisista. E através do nossa arte, cultivar uma sociedade mais compreensiva e com mais empatia, que revela verdades íntimas que funcionam como um forte lembrança para as pessoas de que, quando elas se sentem mal ou com medo ou cansadas, elas não estão sozinhas. ”

“Estamos unidos, no sentido em que somos todos seres humanos e estamos todos juntos neste passeio horrível, doloroso, alegre, emocionante e misterioso que é estar vivo. Agora, enquanto agimos na narrativa contínua de Stranger Things, nós, os moradores do meio-oeste de 1983 brigaremos contra os valentões, abrigaremos os esquisitos e estranhos – aqueles que não têm nenhuma esperança. Vamos ultrapassar as mentiras. Vamos caçar monstros! E quando estivermos perdidos em meio à hipocrisia e à violência casual de certos indivíduos e instituições, vamos, como o chefe Jim Hopper, dar um soco na cara de algumas pessoas quando elas tentam destruir os fracos e os desamparados e os marginalizados. E faremos tudo com alma, com coração e com alegria. Agradecemos por essa responsabilidade.”

A reação da Wynona Rider ao discurso é uma atração à parte. E ele tem razão: é disso que precisamos.

Jarvis Cocker e Chilly Gonzales num quarto de hotel

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O líder e vocalista do Pulp Jarvis Cocker e o músico e produtor canadense Chilly Gonzales (que já trabalhou com Peaches, Feist, Drake, Jamie Lidell e Daft Punk) já trabalharam juntos várias vezes, mas pela primeira vez criam uma obra inteira ao apresentar o disco Room 29, que será lançado no início de março, pela Deutsche Grammophon.

A obra, que também será apresentada ao vivo em diversas ocasiões durante a primavera e o verão no hemisfério norte, conta a história mal-assombrada de um piano num quarto do hotel Chateau Marmont, clássico refúgio hollywoodiano que foi palco para biografias de personagens tão diferentes quanto Jim Morrison, Sofia Coppola, Billy Wilder, Hunter S. Thompson, James Franco, F. Scott Fitzgerald, Tim Burton, Oliver Stone, Lana Del Rey, Dorothy Parker, Sharon Tate e Roman Polanski. Além do trailer acima, a dupla liberou duas músicas cossangüíneas, “Tearjerker” e “The Tearjerker Returns”, ouça-os:

A colaboração mais conhecida da dupla até então era sua participação no filme Six by Sondheim, da HBO, cantando a clássica “I’m Not Here” de Stephen Sondheim, no trecho dirigido por Todd Haynes.

Bom demais.

Rodrigo Amarante sozinho no palco

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O hermano Rodrigo Amarante volta para São Paulo com a turnê de seu primeiro disco solo em três shows no primeiro fim de semana de fevereiro, no Sesc Pinheiros. Depois de passear com seu disco Cavalo pelo Brasil, Estados Unidos e Europa, ele topa encerrar o ciclo do disco sozinho no palco, somente ao piano e ao violão, tocando músicas que foram agregadas ao repertório na turnê. Ele aos poucos prepara o lançamento de seu segundo disco solo, o terceiro depois do hiato eterno dos Los Hermanos, se contarmos o que ele gravou como integrante da banda Little Joy. Mais informações no site do Sesc.

Monstro solar

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Fiel escudeiro e copiloto das viagens de Lulina, o pernambucano Léo Monstro prepara-se para o voo solo e lança o primeiro clipe de seu disco de estreia Solar (capa acima) em primeira mão no Trabalho Sujo. “Solar é meu primeiro álbum solo, é a primeira vez que lanço um trabalho com meu nome”, ele me explica por email. “Comecei a trabalhar nas músicas que viriam compor o disco no segundo semestre de 2013, após umas aulas de canto que fiz, juntamente com Lulina, pra ela se preparar para as gravações do Pantim (disco mais recente de Lulina). Como, até então só tinha composto músicas (para voz, no caso) com ela e cantava sempre a acompanhando, com as temáticas que ela propunha, nunca tinha explorado minha voz muito além. Durante essas aulas eu fui descobrindo novas possibilidades de cantar, novos registros, e isso me instigou a começar as composições, num celular – devo essa descoberta – e serei eternamente grato – a Sandra Ximenez. A partir daí as músicas foram aparecendo e fui percebendo que tinha um trabalho novo em mãos, dessa vez composto por mim pra eu mesmo cantar. Em 2014 a idéia se transformou em vontade e decidi que iria lançar meu primeiro álbum como Monstro. Como já era conhecido por esse nome, foi natural.”

“A partir da decisão de lançar o álbum fui focando mais e mais nas composições pra minha voz e, em no começo de 2015, tinha as músicas prontas – a última da leva foi ‘Analog Days’ (a música do primeiro clipe). Daí procurei o Pedro Penna com as bases do álbum já pré-produzidas e fomos ouvindo tudo, pensando em como incrementar aquilo. Este processo demorou quase um ano e meio, foi longo, mas permitiu que a gente trabalhasse bem cada música individualmente. No final de 2016 – finalmente! -, tava com tudo em mãos e pronto pra lançar. Aí foi só esperar aquele ano pesado terminar pra começar este ano com novas energias.”

“Durante todo este longo processo de 3 anos, fui registrando, com o mesmo celular que usei pra compor e pré-produzir o álbum, todos os lugares por onde passei, aleatoriamente”, ele explica o clipe da música que apresenta o disco. “Em nenhum momento, enquanto estava gravando, pensei em usar essas imagens, afinal eram imagens de viagens, amigos, festas – coisas que a gente faz hoje em dia sem nem perceber. Até que um dia peguei resolvi usar algumas dessas imagens – as mais abstratas e solares, a princípio – pra fazer um teaser pro lançamento do álbum. As imagens foram ganhando novo sentido conforme fui editando e, quando percebi, tinha virado clipe. Um clipe que funcionou como meu álbum de memórias, com lugares, amigos e situações pelas quais passei durante a concepção e gestação do Solar.”