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Mashups do Carnaval 2017

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Raphael Bertazi prepara mais uma leva de axés bahindie que mistura Daft Punk, Ivete, Beyoncé, Clash, Franz Ferdinand, É o Tchan, Daniela Mercury e Criolo – se prepara:


Daft Punk & Companhia Do Pagode – “Robozinho Empinadinho (Bertazi ‘Axé Bahindie’ Remix)”


Beyoncé & Daniela Mercury – “O Boy Mais Belo Dos Belos (Bertazi Mashup)”


Clash & Ivete Sangalo – “Céu De London (Bertazi ‘Axé Bahindie’ Remix)”


Franz Ferdinand & É o Tchan – “Me Bota Pra Fora (Bertazi ‘Axé Bahindie’ Remix)”


Criolo & LCD Soundsystem – “SP, I Love You But You’re Bringing Me Down (Bertazi Mashup)”

Busy P 2017: “Take what you want”

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O ex-empresário do Daft Punk e dono da gravadora Ed Bangers volta dar o ar de sua graça, desta vez muito bem acompanhado pelo Mayer Hawthorne. Pedro Winter – mais conhecido por Busy P – dispara mais um hit que poderia ter sido lapidado nos anos 80, movido pela disco music e pelo proto-eletro – com a dose de soul exata dada por seu ilustre convidado. O clipe – solto na pista – da o tom do hit.

A volta das Shaggs!

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Autoras do disco considerado “o pior de todos os tempos”, as três irmãs voltam à ativa para um show de rock naïf – escrevi sobre elas no meu blog no UOL.

“Precisamos gravá-las enquanto elas ainda estão quentes!”, empolgava-se, segundo a lenda, Austin Wiggin, o pai de um grupo de três irmãs que ele achava que se tornaria um grande sucesso no auge do rock clássico, final dos dos anos 60. Sem o menor tino comercial – muito menos musical -, ele colocou suas filhas para tocar na marra sem se preocupar em ensinar música para elas e depois de anos de treino levou as Shaggs para gravar o disco Philosophy of the World, considerado o pior disco de todos os tempos. Tosco e completamente torto, o disco é uma obra de arte naïf da era elétrica e, fadado ao desaparecimento, construiu, posteriormente, uma reputação e um legado incrivelmente bizarros, que permitiram que a banda voltasse à ativa para participar da quinta edição do festival organizado pelo grupo Wilco, o Solid Sound, que acontece entre os dias 23 e 25 de junho deste ano.

“Philosophy of the World é o disco mais impressionantemente terrível e maravilhosamente doentio que ouvi em eras”, assim a escritora Debra Rae Cohen apresentava a obra máxima das Shaggs ao público da revista Rolling Stone norte-americana em 1980, mais de uma década após o lançamento original do disco. “Como uma família Trapp lobotomizada (em referência à família cantora do filme A Noviça Rebelde), as Shaggs berram letras de cartões de festa num uníssono feliz quase sem graça junto a frases ostensivas de melodia enquanto batem suas pequenas guitarras como se fossem alguém preocupados com o zíper. A baterista bate decididamente ao ritmo de outra inspiração, como se ela tivesse que acertar toda vez que música as outras estão tocando – errando todas as vezes”.

Não é exagero. O disco que as irmãs Helen, Betty e Dorothy – também conhecida como Dot – Wiggin gravaram no dia 9 de março de 1969 é uma tortuosa e quase infantil tentativa de fazer música pop sem a menor noção musical. Perto das três Shaggs, os primeiros punks eram músicos virtuosos. As Shaggs não tinham a menor noção de nada: ritmo, sincronia, conjunto, composição, interpretação – nada. O disco parece ter sido feito por crianças que pegaram instrumentos pela primeira vez na vida e, entendendo minimamente como cada um deles funciona, gravaram as primeiras ideias que vieram em suas cabeças, sem combinar nada umas com as outras.

De certa forma, era exatamente isso que acontecia. O pai das meninas transformou-as em um grupo por uma profecia de sua mãe, que leu a mão do jovem Austin Wiggin e disse que ele casaria com uma loira, que teria dois filhos depois que ela morresse e que suas filhas, juntas, seriam um grupo musical de sucesso. Como as duas primeiras previsões aconteceram, Austin preferiu não esperar o acaso e forçou suas filhas a terem uma banda. “Ele era teimoso e podia ser temperamental. Ele nos dirigia. Nós obedecíamos. Fizemos o melhor que podíamos”, contou Dot ao escritor Irwin Chusid, autor do livro Songs in the Key of Z: The Curious Universe of Outsider Music. E arrumou um lugar para as meninas tocarem ao vivo toda semana.

A tiragem inicial do disco, de mil cópias, foi quase inteiramente roubada em um assalto a um depósito de discos e as cem cópias restantes frustraram o sonho de sucesso que o pai tinha para suas filhas. No entanto algo improvável aconteceu: o disco se tornaria um item colecionável por fãs de música estranha, uma nova categoria de ouvintes que surgia entre os anos 60 e 70, buscando discos horríveis e mal gravados que seus autores achavam que poderiam fazer sucesso. Um destes principais colecionadores era o radialista Barry Hansen, que apresentava o programa que levava seu apelido, Dr. Demento, que passou a tocar músicas das Shaggs em seu programa. Em um deles, Demento recebeu Frank Zappa como convidado, que pediu para tocar várias faixas do disco Philosophy of the World, que ele considerava “melhor que os Beatles”.

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O estranho culto às Shaggs via a tosqueira das meninas como um ponto positivo. Não importava que a música soasse pueril ou que não tivesse nenhuma relação com a forma tradicional de se fazer música. As Shaggs eram punks além dos punks pois não sabiam nada sobre música e mesmo assim foram lá e gravaram um disco. E a bizarrice, por esse ponto de vista, levava o instinto primitivo das garotas para outras praias musicais, como a música atonal, o folk experimental, o free jazz. Foi a esta luz que o grupo country NRBQ convenceu sua gravadora, Rounder, a relançar o disco no início dos anos 80, além de um segundo disco, Shaggs’ Own Thing, a partir de gravações que a banda fez em 1975. A reverência ao “pior disco de todos os tempos” ultrapassou a ironia e Philosophy of the World ganhou o status atual, de disco cult e influente, mesmo que sua influência seja mais conceitual que prática. O crítico Lester Bangs imortalizou a frase de Zappa ao colocá-la como título do texto que escreveu sobre as garotas no jornal Village Voice, em 1981: “As irmãs Wiggins – um antipower trio – não apenas redefinem a arte, como têm um coerente Weltanschauung em seu primeiro disco, Philosophy of the World.”

Por isso não é uma surpresa que a volta das Shaggs em 2017, quase cinquenta anos após o lançamento do disco que lhes deu fama, não seja a primeira vez. A banda foi recriada em 1999, quando o grupo NRBQ fez seu aniversário de 30 anos, em Nova York. Dois anos depois, o disco Better than the Beatles foi lançado em tributo ao grupo. A baterista Helen morreu em 2006 e Dot lançou seu primeiro disco solo em 2013, pela gravadora Alternative Tentacles, do fundador dos Dead Kennedys, Jello Biafra. As Shaggs foram citadas em filmes como As Vantagens de Ser Invisível, Empire Records, Ken Park e na série Gilmore Girls, além de Philosophy of the World estar em quinto lugar na lista dos 50 melhores discos de Kurt Cobain, como ele escreveu em seus Diários – a história da banda virou até peça de teatro na Broadway. Philosophy of the World, inclusive, foi relançado em vinil no ano passado numa edição limitada da caprichosa gravadora Light in the Attic.

Além das Shaggs, o festival Solid Sound terá duas apresentações do próprio Wilco, além de shows do Television, Kurt Vile & the Violators, Kevin Morby, entre outros, além de projetos paralelos da banda que faz a curadoria do festival, como Tweedy, The Autumn Defense, On Fillmore e o Nels Cline Four. Os ingressos já estão à venda no site do evento.

Spoon 2017: “I’ve been working on a plan, yeah”

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E esse disco novo do Spoon, olha… Tá demais. E eles liberaram mais uma música esses dias, com clipe (bizarro) e tudo mais. Aumenta o som pra “Can I sit next to you?”:

O disco sai no meio de março pela Matador – e aprofunda-se ainda mais na escuridão sutil do último disco, They Want My Soul. Filmei os caras quando eles vieram pro Brasil da última vez, no ano desse disco (meu disco favorito de 2014, aliás):

Tom Zé e a imprensa cantada

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Já que a imprensa como um todo prefere mugir bovina ao tétrico desenrolar da política no Brasil deste início de ano, coube a Tom Zé resgatar a canção como veículo jornalístico em mais uma série de músicas que apontam o dedo para feridas que o Brasil parece fingir não sentir. “Queremos as Delações”, “Sabatina em Latim para a Indicação de um Juiz do Supremo”, “Homologô (Marcha do Bloco)” e o “Samba da Comissão de Linguiça” – sobra pra todo mundo!

É carnaval, afinal! Sempre!

Sinkane 2017: “You keep callin’ me, callin’ me…”

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Um dos carros-chefe do novo disco do músico sudanense Sinkane – o recém-lançado Life & Livin’ It – é a sinuosa “Telephone”, que ele havia apresentado num clipe escorregadio no mês passado. G-funk pesado com ecos de guitarra high-life.

E agora que o disco foi lançado, ele começa a abrir para os remixes – e “Telephone” é uma das primeiras a passar por esse processo, caindo num groove houseiro clássico pelas mãos do produtor alemão Roosevelt.

Ficou fino.

Andando com Blubell

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Blubell escolheu a música “Cosmos”, de seu Confissões de Camarim, lançado no ano passado, para pedir para seus fãs caminhar ao lado dela. Ela pediu para que os fãs postassem imagens com a hashtag #andandocomblubell e a partir da coleção de fotos que obteve, montou um novo clipe, que ela mostra em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Eu gosto dessa proximidade com as pessoas que curtem o meu trabalho, então essa foi mais uma maneira de manter essa relação, de incluí-los no meu processo criativo”, ela me explica por email, contando que foi essa proximidade que a fez assumir a própria edição do clipe. “Amei receber tantas imagens lindas de lugares tão distintos. Eles emprestaram as imagens e eu fiz questão de emprestar o meu olhar. Também foi um prazer editar porque aprendi a editar com ritmo, eu já sabia, mas agora estou craque no Final Cut”, brinca.

Para 2017, ela segue com fazendo shows do disco do ano passado, além do espetáculo Blubell canta a Madonna, que também apresenta há um tempo. “Também comecei um projeto filantrópico com Webster Santos, guitarrista que já tem um projeto chamado Música que Cura e Jesus Sanchez, do Los Piratas, e a produtora Amanda Souza, vamos começar quinta-feira que vem a cantar nos asilos, com um repertório de hits das antigas e tá todo mundo amarradão”, conta.

Vida Fodona #552: Não vou entregar o ouro ainda

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Vamos aos poucos…

Shaggs – “Who Are Parents?”
Aretha Franklin – “Drown in my Own Tears”
Tim Maia – “Juras”
Alan Parsons Project- “Eye in the Sky”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Katy Perry – “Chained to the Rhythm”
Thundercat – “Friend Zone”
Spoon – “Hot Thoughts”
Chaz Bundick + Mattson 2 – “JBS”
Grimes + Janelle Monáe – “Venus Fly”
Alessandra Leão – “Mofo”
MCG15 – “Meu Pau Te Ama”
Shakira – “La Tortura (Shaketon Remix)”
Costa Gold + Marechal + Luccas Carlos – “Quem Tava Lá”
AlunaGeorge – “Atracting Flies”
Cassiano – “Onda (Poolside + Fatnotronic Edit)”
Madonna – “La Isla Bonita”
Lana Del Rey – “Love”
Scanners – “Bombs (Rene Goulet’s Dollar Slot Bump)”
Pretenders – “Brass in Pocket”
Bruno Mars – “24K Magic”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Daft Punk – “Oh Yeah”

E aqui tá a versão do Spotify…