Quem se animou com o andamento dance à la New Order da música? Lorde pode ser uma boa porta-voz contra a nuvem pesada que paira sobre o mundo com a ascensão de Trump, por isso a expectativa sobre seu próximo disco aumenta ainda mais…
Enquanto Beck não solta o álbum que vem adiando desde o ano passado, eis que surgem duas faixas inéditas que ele compôs para a trilha sonora do filme Eu Sou o Número Quatro, do diretor D.J. Caruso. A fonte é o próprio diretor, que passou “Curfew” (que pode ser ouvida rapidamente no filme) e uma faixa instrumental sem título através de um link do Dropbox para um fã do cantor em uma conversa pelo Twitter.
Não é nenhuma novidade o cunho político das músicas e das apresentações do BaianaSystem – na verdade, a fusão entre festa e protesto está na gênese do grupo baiano e toda sua obra reflete essa dicotomia. Por isso era mais que natural que seu trio Navio Pirata cutucasse velhas feridas abertas recentemente a partir do tenso clima político no Brasil principalmente por ser um pleno carnaval. Russo Passapusso começou o protesto no meio da instrumental “Forasteiro”, enfileirando “golpistas, machistas e fascistas” para ouvir um “não passarão” em uníssono do público. E nem precisou mencionar o nome do presidente postiço para que a multidão emendasse o grito de guerra “fora Temer”. Veja só:
A manifestação pode ter valido a ausência da banda do próximo carnaval, segundo o Conselho Municipal do Carnaval de Salvador, cujo presidente disse que “o código de ética é claro, é terminantemente proibido que o artista use o carnaval para denegrir alguém, como foi feito pelo BaianaSystem. Há um risco concreto de punição grave, que seria a exclusão deles”, explicou ao Correio da Bahia (de onde também saiu a foto que ilustra este post).
Mas tem que ver pra quem essa regra vai valer, porque manifestação a favor também é manifestação política? Sem contar que Caetano Veloso puxou um “fora Temer” no Pelourinho e o prefeito ACM Neto foi vaiado em plena concentração do Ylê Ayê:
E isso que é só domingo de carnaval… Abaixo, mais Baiana em Salvador em 2017. Que delírio:
“Quando der meia-noite: 24 de fevereiro, 26 de março, 24 de abril, 23 de maio”, ela twittou uma maldição que deve ser repetida nestas quatro datas, “os ingredientes podem ser encontrados online”. Segundo o site AV Club, o feitiço está sendo invocado globalmente nas datas de lua crescente, para impedir que Trump continue presidente dos EUA. Os ingredientes mencionados são uma foto ruim de Donald Trump, a carta Torre do tarô, uma vela laranja pequena, um alfinete ou prego pequeno, pequenas bacias contendo tanto água quanto sal, uma pena, fósforos e um cinzeiro. O site avisa que se você não tem uma vela laranja pode usar uma cenoura baby.
Enquanto isso, Lana falou à radialista Jo Whiley da BBC sobre seu próximo disco, que ela “começou pensando que todo o álbum teria uma vibe anos 50, anos 60, com algum tipo de influência das Shangri-Las e de Joan Baez no início da carreira. Mas à medida em que o clima se tornou mais quente em termos políticos, eu percebi que todas as letras estavam se referindo diretamente a isso e, por causa disso, o som deu uma atualizada e eu vi que tinha que falar com o lado mais jovem do meu público. Acho que ele tem um lado um pouco mais consciente em termos sociais. Acho que é um sentimento global.”
Lana acaba de lançar o primeiro single de seu novo disco, “Love“, que tem exatamente essa abordagem que ela se refere a seu público mais novo…
“Me sinto mais forte, mas estou mais fraco”, diz o velho Leonard Cohen no início do clipe póstumo para “Traveling Light”, de seu último disco, You Want it Darker, lançado meses após sua morte.
O impacto do musical La La Land já pode ser sentido através de paródias, que incluem versões Muppets, Nintendo e Lynch – juntei-as no meu blog no UOL.
Mesmo que você não goste de musicais, não dá para não reconhecer o impacto que La La Land provocou nos cinemas no final do ano passado, quando não só colocou o gênero de volta em pauta como trouxe questões relacionadas a otimismo e nostalgia de volta à tona – além de chancelar o trabalho de seus protagonistas Emma Stone e Ryan Gosling rumo ao primeiro escalão da atual Hollywood. Mas a influência deste tipo de filme não é medida apenas em números de prêmios ou de bilheteria, mas também a partir do número de paródias e subprodutos criados a partir da ideia original.
Uma delas, feita pelo site Funny or Die, troca o protagonista pelo sapo Caco, dos Muppets:
Outra, feita pelo canal Cinefix, transforma o filme em um jogo do tipo “adventure”, típico dos consoles da Nintendo na virada dos anos 80 para os anos 90:
O mesmo Cinefix aproveitou-se do fato de que o filme se passa na mesma Los Angeles dos sonhos de David Lynch e recriou o musical como um dos bizarros pesadelos cinematográficos do autor de Twin Peaks e Cidade dos Sonhos:
E, em tempo, gostei bastante de La La Land. É clássico e vintage à primeira vista, mas reconecta-se à história do cinema norte-americano de forma ousada e surpreendente, mesmo que seguindo as regras deste à risca. Não duvido que ele dê início não apenas a uma nova onda de musicais mas também espalhe para os cinemas uma sensação classuda e nostálgica que já toma conta da produção para a TV recente – que conecta Mad Men a Stranger Things, The Americans e Downton Abbey.
Depois de lançar, no fim do ano passado, uma caixa de CDs com toda sua discografia, o mestre Guilherme Arantes está repassando sua carreira gravada em seu canal no YouTube, lembrando de momentos clássicos e outros mais obscuros de sua trajetória. No vídeo abaixo, por exemplo, ele relembra de seu disco homônimo de 1982, seu disco mais “solar”, que trazia o hit “Lance Legal”, além do que ele aprontava ao lado de Nelson Motta, Júlio Barroso e as Absurdettes naquele início de década.
É com imensa satisfação que anuncio a primeira atividade da minha curadoria de música no Centro Cultural São Paulo, que sediará a parte de workshops, palestras e discussões idealizado pela Claudia Assef e pela Monique Dardenne – o Women’s Music Event discute o papel da mulher no mercado da música e acontece nos dias 18 e 19 de março, com a cantora e compositora Marina Lima como madrinha da primeira edição. E o CCSP ainda terá shows gratuitos no sábado! Tenho certeza de que serão dias históricos para a música brasileira deste século. A programação inteira você confere aqui. You go, girls!
Após anúncio de um sistema solar habitável há 40 anos-luz da Terra, a Nasa acrescenta mais um pôster à sua incrível coleção – reuni todos eles lá no meu blog no UOL.
Nesta quarta-feira, a Agência Espacial Norte-Americana – a Nasa – parou o mundo para anunciar que havia descoberto um sistema solar habitável em nossas proximidades galáticas. Girando ao redor da estrela chamada Trappist-1 (“It’s a trap”?), foram descobertos sete planetas com dimensões próximas às da Terra sendo um deles, o quinto, chamado pelo nome código de Trappist 1E, contém água, indicando a possibilidade de vida, como conhecemos, fora deste planeta. O diretor da área de missões científicas da agência, Thomas Zurbuchen, foi além: “A descoberta nos dá uma pista de que encontrar outra Terra não é uma questão de ‘se’ (ela existe), mas de ‘quando’.”
Enquanto isso, o Jet Propulsion Laboratory recebeu a notícia com mais um de seus esplendorosos pôsteres que exaltam o turismo espacial, mostrando como a notícia está tão perto da realidade quanto da ficção científica. Além da visão gloriosa do céu vermelho refletido em seu oceano sob as órbitas dos outros planetas do sistema, o cartaz ainda lembra que o exoplaneta (como nos referimos aos planetas fora do sistema solar) foi “votado como a melhor ‘zona habitável’ para as férias – a apenas 12 parsecs da Terra”. Parsec – embora Han Solo tenha nos feito imaginar que é uma unidade de tempo – é uma unidade de distância que corresponde a 3,26 anos-luz. A distância de 12 parsecs, portanto, equivale a meros 40 anos-luzes, o que faria uma viagem até o novo sistema solar durar “apenas” 700 mil anos. O cartaz que festeja a descoberta do sistema Trappist-1 não é o primeiro – veja abaixo outros pôsteres feitos pela Nasa para manter o turismo espacial como uma possibilidade de futuro.
O mago norueguês da space disco Todd Terje ensaia o lançamento do novo disco para este ano e chama os dois velhos comparsas Prins Thoams e Four Tet para remixar a a inédita “Jungelknugen”, primeira música do sucessor do brilhante It’s Album Time, um dos grandes discos de 2014.