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A última vinda do Pink Floyd

Nick Mason e Roger Waters, em evento de lançamento da exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains

Nick Mason e Roger Waters, em evento de lançamento da exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains

Em uma entrevista coletiva para falar sobre a nova exposição inspirada no Pink Floyd, o baterista Nick Mason e o baixista Roger Waters deram a entender que podem fazer um último show da banda no festival de Glastonbury – falei sobre essa possibilidade no meu blog no UOL.

Embora David Gilmour tenha matado o Pink Floyd logo após o lançamento do disco Endless River em 2014, os três integrantes remanescentes do grupo estão trabalhando juntos num projeto com o nome da banda. A exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains deve estrear ainda este semestre em Londres, reunindo toda espécie de material sobre a banda com a curadoria do guitarrista, do baixista Roger Waters e do baterista Nick Mason. É a primeira vez que os três se reúnem desde o show que fizeram juntos ao tecladista Rick Wright no evento Live 8, em 2005, três anos antes da morte de Wright. Mas agora dois integrantes da formação original da banda cogitam a possibilidade de voltar aos palcos com o nome que lhes deu fama.

“Seria legal acrescentar algumas coisas à lista. Eu nunca toquei em Glastonbury. Seria divertido, mas não acho que seja muito provável”, disse o baterista Nick Mason em um evento realizado para divulgar a exposição na semana passada, em Londres. Waters, que também esteve no evento e já tocou no festival como artista solo, completou a declaração do amigo baterista. “Eu toquei em Glastonbury uma vez. Acho que estava muito frio. Mas tinha muita gente, eles pareciam muito felizes eu gostei. Sim, eu tocaria lá de novo.”

A declaração dos dois colide de frente com as intenções do guitarrista, dono dos direitos do uso do nome da banda após uma exaustiva disputa judicial com Roger Waters, com quem tem uma relação complicada. Em entrevista ao jornal inglês Telegraph em 2015, Gilmour comentou sobre ter encerrado as atividades do Pink Floyd e sua relação com Waters. “Eu não me iludiria a não apreciar os ótimos momentos que tivemos juntos. Ao cantar ‘Us and Them’, eu penso como a música é brilhante e relevante, e eu não escrevi nem a letra nem a música. Ainda amo poder tocá-la. Eu não quero fazer mais isso com o resto destes caras. Rick morreu. Roger e eu não nos damos particularmente bem. Ainda conversamos. É melhor do que já foi. Mas não funcionaria. As pessoas mudam. Roger e eu nos superamos um ao outro e acho que seria impossível que nós trabalhássemos juntos de uma forma realista.”

A exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains estreia dia 13 de maio, no V&A Museum, em Londres

A exposição Pink Floyd: Their Mortal Remains estreia dia 13 de maio, no V&A Museum, em Londres

Mas o fato é que Gilmour e Waters vêm trabalhando juntos na exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains, que estreia no museu londrino Victoria and Albert no dia 13 de maio até outubro deste ano e já está com ingressos à venda. Inspirada no sucesso da exposição de David Bowie, a exposição reúne 350 itens usados pela própria banda, que vão desde instrumentos e equipamentos de som, a itens pessoais, manuscritos de letras e até a vara de bambu que surrava os integrantes da banda quando eles ainda eram crianças, na escola (pois até os anos 50, professores ingleses podiam repreender fisicamente seus alunos). O dia do lançamento da exposição coincide com o lançamento do primeiro single da banda, “Arnold Layne”, dos tempos em que o grupo era liderado pelo visionário psicodélico Syd Barrett, que só gravou o primeiro disco com a banda e morreu em 2006.

A última vez que os integrantes da fase clássica do Pink Floyd tocaram juntos, em 2005 (David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright)

A última vez que os integrantes da fase clássica do Pink Floyd tocaram juntos, em 2005 (David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright)

A relação tensa entre os integrantes da banda já foi bem pior, mesmo antes do grupo terminar no início dos anos 80, quando Waters, que então via-se como o líder e principal compositor do Pink Floyd, demitiu o tecladista Rick Wright do último disco que gravou com o nome da banda, The Final Cut, de 1983. Nos anos 80, quando Gilmour, Wright e Mason ganharam na justiça o direito de usar o nome Pink Floyd sem a permissão Waters, a relação ficou ainda pior, principalmente porque Waters continuava fazendo shows com o mesmo material que o grupo também fazia ao vivo. Os quatro voltaram a se conversar no novo século, quando Waters participou de um show do Pink Floyd em 2005, tocando juntos pela última vez numa aparição surpresa no festival Live 8.

E nunca foi segredo nenhum que o dono do festival Glastonbury, Michael Eavis, sempre quis ter o Pink Floyd na história do evento. Será?

15 anos de Tatá Aeroplano

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O espaço cultural Centro da Terra me para fazer a curadoria de shows de música em suas premissas, aqui na região entre o Sumaré, Perdizes e Pompeia. Com shows realizados todas segundas-feiras, a temporada visa dissecar diferentes facetas ou mostrar outras personalidades de artistas estabelecidos em quatro shows por mês, cada um com a sua cara. O primeiro fruto da parceria é a temporada que comemora 15 anos da carreira do músico, cantor e compositor paulista Tatá Aeroplano. São quatro shows diferentes que mostram as diferentes caras do Tatá, que já é um dos principais nomes da cena independente brasileira.

Os shows acontecem todas segundas-feiras e serão divididos com diferentes formações e projetos – clássicos e novos – da carreira de Tatá. O primeiro show é o lançamento do disco Cosmic Damião, da dupla Frito Sampler, composta também por Julia Valiengo (dia 6 de março), seguido do show inédito ao lado de Bárbara Eugênia, mostrando o disco composto em dupla que será lançado no meio de 2017 (dia 13 de março). O terceiro show é uma apresentação do projeto Zeroum, ao lado do músico Paulo Beto (dia 20 de março) e encerrando com a apresentação do disco Step Psicodélico. Você pode comprar ingressos para cada um dos shows (aqui para o do Frito Sampler, aqui para o show com Bárbara Eugenia, aqui para o show do Zeroum e aqui para o show do Step Psicodélico) ou comprar para assistir aos quatro shows (aqui) e ter a experiência completa pagando menos. Mais informações no site do Centro da Terra.

Frito Sampler

Frito Sampler

O show do Frito Sampler com sua banda chamada Hippie Hunters é uma experiência musical_/visual como poucas na obra de Tatá. Mistura cinema, teatro, quadrinhos e contracultura numa performance ousada e dançante. O Frito Sampler é um personagem criado por Tatá Aeroplano, que sobe no palco acompanhado por Julia Valiengo (Trupe Chá de Boldo), Pedro Gongom (Gustavo Galo), Otávio Carvalho (Vitrola Sintética), Marcos Till (Tigre Dente de Sabre) e Moita Mattos (Porcas Borboletas). Com esse show, Tatá Aeroplano encarnando Frito Sampler, resgata as performances nonsense e marcantes que apresentava com a banda Jumbo Elektro. Ingressos aqui.

Frito Sampler – “Cosmic Damião”

Frito Sampler – “Aladins Bakunins”

Bárbara Eugênia & Tatá Aeroplano

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Em novembro de 2014 Tatá Aeroplano e Bárbara Eugênia passaram alguns dias na Fazenda Serrinha com o objetivo de compor material para um álbum inédito da dupla. Eles voltaram pra sampa cheios de músicas na bagagem e agora se preparam para registrar esse novo álbum com Bruno Buarque, Dustan Gallas e Junior Boca. Antes de entrar em estúdio, eles apresentam as novas canções em show intimista, dia 13 de março, no Centro da Terra. Ingressos aqui:

Bárbara Eugênia & Tatá Aeroplano – “Vida Ventureira”

Zeroum

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Zeroum é um projeto idealizado pelo mestre Paulo Beto, que também dirige as bandas Anvil Fx e Frame Circus e é um dos principais produtores musicais atuando no Brasil. Atualmente como duo, Tatá Aeroplano e Paulo Beto, Zeroum é uma experiência psicosônica rock/eletrônica inspirada na cena alemã dos anos 70, na cena No Wave de Nova York nos anos 80. O conceito do trabalho é baseado em estruturas simples que se sobrepõem formando desenhos complexos. Uma inflamada mistura de inspiração, improvisação e bases eletrônicas contagiantemente dançantes. Bases demolidoras com sons digitais e analógicos e vocais altamente insanos. A dupla entrou em estúdio recentemente e lançam o disco no segundo semestre. Ingressos aqui:

Zeroum ao vivo

Step Psicodélico

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Acompanhado de Dustan Gallas (Cidadão Instigado), Junior Boca (Otto), Bruno Buarque (Karina Buhr), Dj Marco (Criolo) e Julia Valiengo (Trupe Chá de Boldo), Tatá Aeroplano aterrissa cantando canções dançantes, alegres e envolvente, presentes no álbum Step Psicodélico, indicado como um dos melhores lançamentos de 2016 pela APCA. No repertório, além das músicas do novo disco, ele faz um passeio por seus dois discos anteriores com músicas emblemáticas como “Tudo Parado na City”, “Night Purpurina” e “Entregue A Dionísio”, entre outras. Nesse show Tatá resgata o espírito festivo e maluco beleza das bandas Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro! Ingressos aqui:

Tatá Aeroplano – “Step Psicodélico” (ao vivo no Cultura Livre)

Tatá Aeroplano – “Eu Inezito” (ao vivo no Cultura Livre)

Temporada 15 anos de Tatá Aeroplano
Local: Centro da Terra (rua Piracuama, 19, Sumaré)
Horário: 20h
Capacidade: 100 pessoas
Preço: R$30 Inteira
R$15 Meia

Pacific Rim 2 a caminho!

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Contei o que já sabemos sobre a continuação do épico de monstros e robôs gigantes de Guillermo Del Toro no meu blog no UOL.

Um dos grandes filmes de ação de 2013, Pacific Rim também foi mais um exercício de nerdismo em grande escala por parte do diretor mexicano Guillermo Del Toro, colocando monstros para lutar contra robôs gigantes em diferentes cidades ao redor do Oceano Pacífico, onde estava localizada a falha geológica que batiza o filme (que, no Brasil, foi batizado de forma indecifrável como Círculo de Fogo). Apesar de contar uma história com começo, meio e fim, o filme original sempre veio associado à ideia de uma continuação – e talvez tornar-se uma franquia. E depois de muitas especulações sobre este segundo filme, eis que este mês de fevereiro trouxe uma série de novidades em relação ao segundo volume da história.

A principal delas é a que o personagem vivido por John Boyega é mesmo o filho do personagem de Idris Elba no primeiro filme. A revelação veio na forma de um tweet de Boyega, o Finn do Episódio VII de Guerra nas Estrelas, que havia sido confirmado no elenco do filme no meio do ano passado.

Mais do que revelar a primeira imagem oficial do filme, o texto da publicação era bem claro: “Eu sou Pentecost, 2018”, numa referência ao sobrenome do protagonista que, no clássico trailer original, avisava que estava “cancelando o apocalipse!”. O parentesco, no entanto, não diz respeito apenas aos personagens dos dois filmes, mas, principalmente, em relação à distância entre as duas histórias. Até então não sabíamos quanto tempo havia se passado entre os dois filmes e mesmo se ambos se passavam com o mesmo grupo de personagens.

O tweet também oficializou o título do novo filme, que não se chamará Pacific Rim 2 ou mesmo Pacific Rim: Maelstrom, como era especulado anteriormente. O nome oficial da continuação do filme é Pacific Rim: Uprising e seu logotipo foi revelado nesta sexta-feira na conta do Instagram do diretor novato Steven S. DeKnight.

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A tradução para “maelstrom” varia entre “turbilhão” e “redemoinho”, dando tanto a ideia de intensidade e velocidade como a de algo acontecendo embaixo d’água. “Uprising”, por sua vez, pode significar tanto “revolta”, “levante” e “insurreição” quanto “renascimento”. O que dá uma dica do que virá por aí: a falha sob o Pacífico não pode ser fechada e os kaiju – a forma como os monstros são referidos no universo de Pacific Rim – irão voltar.

A própria escalação de DeKnight para a direção é outra grande mudança nos rumos do filme, mas Del Toro segue como produtor, dando pitacos na história que criou. DeKnight é conhecido pelas diferentes séries Spartacus, do canal norte-americano Starz, e por ter pego a segunda temporada do Demolidor da Marvel depois da saída de Drew Goddard, mas nunca dirigiu um filme. E ao que tudo indica, depois do novo Pacific Rim, ele volta para a televisão, para dirigir a primeira temporada de outro personagem da Marvel, o Justiceiro.

Do elenco original, foram confirmadas as participações de Rinko Kikuchi, de volta ao papel de Mako Mori, e dos dois principais cientistas do filme, o Dr. Hermann Gottlieb vivido por Burn Gorman e o Dr. Newton Geiszler, de Charlie Day. Este, inclusive, pode ser o motivo do levante do título, uma vez que ele pode entrar na mente de um kaiju, uma espécie cuja consciência é coletiva, como uma colmeia de abelhas. Não há referências sobre a volta de Clifton Collins Jr. como o operador Tendo Choi ou de Ron Perlman como Hannibal Chau, embora a ausência de Charlie Hunnam, um dos principais atores do primeiro filme, já tenha sido confirmada, por questões de agenda do ator.

O novo Pacific Rim já está sendo filmado na Austrália e deve estrear só no ano que vem – a data exata de lançamento nos Estados Unidos é dia 23 de fevereiro de 2018.

Katy Perry 2017: “It goes on, and on, and on”

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“Chained to the Rhythm”, o single novo da Katy Perry, é o hino à passividade da cultura pop atual que precisávamos ouvir, servida mastigada para reforçar o consumismo, a apatia e o conformismo. “Estamos malucos? Vivendo nossas vidas através de lentes, presos em nossas cercas brancas como ornamentos, confortáveis vivendo em uma bolha, confortáveis em não ver o problema. Você não se sente só aí em cima na utopia, onde nada será suficiente?”, ela canta sobre uma base dance ironicamente genérica, para reforçar, no refrão, “aumente o volume, é sua música favorita! Dance, dance, dance ao som da distorção. Vamos, aumenta, deixa repetir, se sacudindo como um gasto morto-vivo. É, achamos que estamos livres, beba, essa é por minha conta. Estamos todos acorrentados ao ritmo.”

Qual ritmo? O da pista de dança? O da política? O do Facebook? O do shopping center? O da televisão? O do trânsito? Abrindo a geladeira mesmo sem ter fome, como se só precisássemos saber que tudo continua exatamente do mesmo jeito. E tanto o lyric vídeo com seus hamsters vendo hamsters e suas comidinhas de brinquedo ao fato do single ter sido lançado junto com o momento “Katy Perry ficou loira” reforçam o protesto. Sem contar sua apresentação minimalista no Grammy deste ano, em que ela parte do conceito dos cercados individuais que comenta na letra para uma crítica contra o muro de Trump – e contra o muro político que é Trump.

Já é um dos grandes acontecimentos de 2017.

Lana Del Rey 2017: “You know you’re the coolest”

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“Você se apronta, se arruma toda – para ir para nenhum lugar em especial”, Lana Del Rey canta em “Love” ,o primeiro single de seu novo disco, ainda sem título nem data de lançamento. O andamento sóbrio da balada – marcada por um baixo que caminha a passos firmes e por explosões de cordas – e a forma como ela se refere ao ouvinte – “Look at you kids… – deixa claro que ela cada vez mais assume o papel de madrinha, no caso, dos próprios fãs. A citação a “Don’t Worry Baby”, dos Beach Boys, deixa isso ainda mais evidente.

Autoramas: “Olha o robô!”

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O programa No Ar, da emissora de rádio estatal portuguesa Antena 3, registrou um especial sobre a passagem do grupo Autoramas por terras lusitanas em que eles aproveitaram para eternizar sua versão que fazem para o clássico new wave tuga do grupo Salada de Frutas, “Robot”, que tocam quando se apresentam no país.

E aqui vem a íntegra do programa, que ainda traz apresentações ao vivo das músicas “Quando a Polícia Chegar”, “Paciência”, “Música de Amor” e “Verão” e uma entrevista em que o casal Érika Martins e Gabriel Thomaz defende sua já clássica filosofia sobre rock’n’roll e diversão.

E se você não conhece o “Robot” original, prepare-se:

Siba e Nação Zumbi juntos na Troça Elétrica

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Dois ícones da música pernambucana se reúnem para brincar o carnaval paulistano no Vale do Anhangabaú, quando a Naçao Zumbi recebe Siba para a segunda edição de sua Troça Elétrica: “As troças carnavalescas são agremiações onde amigos se juntam para saírem pelas ruas animando os foliões com instrumentos acústicos e estrutura menor que os grandes blocos de carnaval”, explica o baterista da Nação, Pupilo. O termo “troça” escancara o aspecto zombeteiro da brincadeira, que a Naçao transformou em uma versão elétrica no ano passado.

“A primeira edição aconteceu em 2016, no Rio de Janeiro, com a participação da banda Eddie e a Orquestra de Frevo Henrique Dias. O intuito é fazer de forma intinerante para interagir e ajudar a formatar o carnaval em outras cidades”, continua o baterista, que explica a conexão com o convidado deste ano, Siba. “Siba é um amigo e parceiro de longa data. É um folião e uma figura importante no resgate da cultura popular, inclusive no carnaval, com um trabalho maravilhoso junto aos maracatus rurais da zona da mata pernambucana.” Além de Siba, a Orquestra de Frevo Henrique Dias repete sua participação.

A Troça Elétrica de 2016 (Foto: Alfredo Alves/Dom B Produções)

A Troça Elétrica de 2016 (Foto: Alfredo Alves/Dom B Produções)

Mas a brincadeira não disfarça o tenso clima político pelo qual o Brasil atravessa, pauta dos dois artistas, que não deve ficar de fora do carnaval: “A arte sempre estará pronta para apontar e se manifestar contra o que é nocivo ao povo. Mas é preciso construir algo que saia do campo das manifestações e entre na consciência política como um fator de mudanças concretas. Estamos orfãos de lideranças com capacidade intelectual para nos representar lá onde as decisões são tomadas.”

A edição deste ano da Troça Elétrica acontece neste domingo, dia 19, no Vale do Anhangabaú, a partir das 19h e a entrada é gratuita. Mais informações aqui. O grupo também faz outra versão da Troça na quinta-feira antes do carnaval, desta vez no Recife, ao lado do grupo Bixiga 70 (mais informações aqui).

Olha só quem voltou…

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Genndy Tartakovsky ressuscita seu Samurai Jack para uma última e definitiva temporada – escrevi sobre o novo clássico lá no meu blog no UOL.

A criação mais radical de Genndy Tartakovsky parece que finalmente vai encontrar seu destino. Depois de anos vagando como a possibilidade de se transformar em um longa, a conclusão do épico marcial Samurai Jack finalmente acontece a partir do mês que vem, quando a quinta temporada do desenho animado encerra a saga de seu personagem-título. Serão dez episódios que resolvem uma série de questões que as quatro primeiras temporadas haviam deixado em aberto, além do drama principal de Jack. A nova temporada estreia no dia 11 de março, no canal norte-americano Adult Swim.

Samurai Jack é um samurai atirado num futuro após matar um mago vilão, Aku, seu principal nêmese. Vivendo numa época completamente diferente da sua, resta a Jack matar robôs enviados por Aku para destrui-lo. A nova temporada apresenta Jack cinquenta anos no futuro, sem envelhecer (efeito colateral das viagens no tempo), de barba e familiarizado com armas de fogo. Eis seu primeiro trailer:

Tartakovsky, cujas principais criações são os clássicos desenhos Laboratório de Dexter e Meninas Superpoderosas, além da série de longas de animação Hotel Transilvânia, decidiu retomar o desenho porque sempre que participava de eventos em escolas e universidades, ele era questionado sobre o final de Samurai Jack, cujas quatro primeiras temporadas aconteceram entre 2001 e 2004. Em entrevista à revista Empire, o artista disse que a conclusão exibida este ano é o final que ele sempre quis contar e que quebrou a cabeça nos últimos oito anos para transformar em um longa de animação. “É algo que sempre quis fazer em animação, na verdade, por muito tempo. É muito desafiador, mas se fizermos direito, vai deixar as pessoas às lágrimas.”

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A ressurreição de Jesus & Mary Chain

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Março está chegando e com ele virá o primeiro disco que o Jesus & Mary Chain lança desde o longínquo Munki, a obra-prima auto-indulgente que o grupo lançou em 1998 como se fosse seu Abbey Road. Mais de uma década depois de voltar à estrada, a banda liderada pelos irmãos Reid voltou ao estúdio no final do ano passado e seu Damage and Joy foi produzido pelo músico Youth, o fundador do Killing Joke que já trabalhou com Cult, Sugarcubes, The Verve, Paul McCartney e The Orb. E além da faixa “Amputation”, que o grupo revelou ainda no final do ano passado…

…agora eles mostraram mais um novo single, “Always Sad”, este acompanhados pelo doce vocal de Bernadette Denning.

As duas faixas apontam um rumo interessante para o novo álbum: mais melódico que de costume, as composições de Jim Reid parecem abandonar a jaqueta de couro do rock’n’roll para vestir a camisa de flanela do pop perfeito perseguido por conterrâneos escoceses anteriores (Bay City Rollers, Aztec Camera, Simple Minds, Wet Wet Wet, Cocteau Twins, Pastels) e posteriores (Belle & Sebastian, Teenage Fanclub, Franz Ferdinand, Primal Scream, Delgados, Bis) à sua revelação. As duas canções são barulhentas mas não propriamente pesadas, esvaziando o tradicional wall-of-sound que o grupo jogou sobre esta tradição do pop da Escócia e que ajudou a mante-la acesa até nos anos menos melódicos do pop (da virada dos anos 80 para os anos 90) e encaixando-se perfeitamente neste cânone, sem precisar do alarde que precisou para entrar na história da música pop e do rock independente.