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Dia da mulher no CCSP

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Nesta quarta, o Centro Cultural São Paulo celebra o dia da mulher com a primeira atividade do Women’s Music Event, que eu trouxe para ser realizado no CCSP. Além de detalhar a incrível programação do evento, haverá a exibição do documentário sobre a guitarrista que inspirou Elvis Presley e Chuck Berry, Sister Rosetta Tharpe, e um debate que contrapõe técnica e feeling com as presenças de Sandra Coutinho (das Mercenarias), Elisa Gargiulo (do Dominatrix), Carol Navarro (do Supercombo) e da DJ Cinara Martins, além da mediação da mestra Claudia Assef. Tudo de graça, a partir das 19h (mais informações aqui). Vamos?

Miami Horror de volta aos anos 80

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O grupo australiano Miami Horror anunciou o lançamento do disco The Shapes, com apenas cinco faixas, em que prometem “sair de sua zona de conforto”, apontando para os anos 80 dos Talking Heads experimentando com percussão e bandas vocais da época da new wave. A primeira faixa, “Leila”, dá o tom do disco – e parece “I Look to You”, que eles gravaram com a cantora Kimbra em seu disco de 2010, Illumination, como se fosse regravada pelo Human League.

Olha o Fleet Foxes chegando…

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A banda folk de Seattle Fleet Foxes está prestes a lançar seu terceiro disco, batizado de Crack-Up (capa acima). O título do disco veio de um ensaio escrito por F. Scott Fitzgerald e o primeiro passo rumo ao álbum é um single de quase nove minutos. “Third of May” / “Ōdaigahara”, abertamente dividido em duas metades, contrapõe o tradicional estilo afirmativo do grupo a uma segunda parte etérea e abstrata, resvalando em uma psicodelia peculiar, mais centrada e intimista, como é caro à sua obra. Que ver se o disco vai mesmo para estes rumos, porque parece prometer…

Los Amigos Invisibles no grau

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O grupo venezuelano Los Amigos Invisibles lançou seu novo disco El Paradise no mês passado, ao mesmo tempo em que o inglês Ray Mang lançou a versão instrumental abaixo para “Stay“, do disco anterior do grupo, Repeat After Me, como parte de um single dedicado à versões disco music do grupo latino. E sem o vocal de Julio Briceño a música perde todo seu clima melancólico e desce tão melhor…

Trainspotting 2 está chegando…

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Mark Renton volta pra casa na continuação de Trainspotting, que estreia este mês no Brasil, e a trilha sonora conta com Clash, Iggy Pop remixado pelo Prodigy, Blondie e Run DMC, entre outros… Escrevi sobre o filme lá no meu blog no UOL.

Eis o último trailer de Trainspotting 2, que mostra o protagonista Mark Renton (vivido por Ewan McGregor) voltando para sua cidade-natal depois de morar um tempo em Amsterdã, na Holanda. Os flashbacks são inevitáveis, bem como as referências ao primeiro filme e os reencontros, que parecem dar a tônica da continuação do clássico que Danny Boyle dirigiu no meio dos anos 90.

Acompanhando a trajetória de uma turma de viciados em heroína na capital escocesa, Edimburgo, o filme de 1996 entrou para a história do cinema ao capturar a sensação dos anos 90 como poucos filmes conseguiram – e nisso a trilha sonora funcionava como uma arma secreta, misturando hits da época com clássicos de outras eras para traduzir em música a colagem de sensações proposta pela história, inspirada no hoje clássico livro homônimo de Irvine Welsh. A continuação, que conta com todos os atores do elenco original, segue as pegadas do primeiro filme e escala uma trilha igualmente misturada, que conta com o clássico de Iggy Pop, “Lust for Life” (trilha da antológica cena de abertura, citada no novo trailer), desta vez remixado pelo Prodigy, uma das principais bandas de música eletrônica da década do primeiro filme. O resultado é uma pedrada:

Mas o carro-chefe da trilha do novo filme é a contagiante “Shotgun Mouthwash”, do High Contrast, alter ego do produtor Lincoln Barrett, que recria a base de “Ooh La La“, do grupo Goldfrapp, como se fosse um riff de rock, capturando o clima sujo, dance e violento que paira sobre o que associamos a Trainspotting.

A trilha oficial ainda conta com três faixas dos novatos Young Fathers, Run DMC remixado por Jason Nevins e hits imbatíveis do Queen, Blondie e Clash, além de uma resposta do próprio Underworld para a música que o catapultou para o sucesso junto com o filme, “Born Slippy”. “Slow Slippy” parece que foi remixada pelo Primal Scream do início dos anos 90:

A trilha completa é esta:

Iggy Pop – “Lust For Life (The Prodigy Remix)”
High Contrast – “Shotgun Mouthwash”
Wolf Alice – “Silk”
Young Fathers – “Get Up”
Frankie Goes To Hollywood – “Relax”
Underworld & Ewen Bremner – “Eventually But”
Young Fathers – “Only God Knows”
The Rubberbandits – “Dad’s Best Friend”
Blondie – “Dreaming”
Queen – “Radio Ga Ga”
RUN-DMC vs. Jason Nevins – “It’s Like That” –
The Clash – “(White Man) In Hammersmith Palais”
Young Fathers – “Rain or Shine”
Fat White Family – “Whitest Boy On the Beach”
Underworld – “Slow Slippy”

Trainspotting 2 está previsto para estrear no Brasil no dia 23 de março. Também não vejo a hora.

Matrix… 4?

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Keanu Reeves tirou o gênio da lâmpada ao cogitar voltar a viver Neo – com algumas condições… Escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

John Wick é fácil fácil um dos melhores filmes de ação da década e sua continuação – que ainda está em cartaz nos cinemas – consegue manter bem o ritmo do original. Parte do mérito vem do fato de seu diretor, Chad Stahelski, haver sido dublê e saber tanto coreografar cenas de luta como filmá-las. A outra parte é culpa de Keanu Reeves, que não tem o physique du role apropriado para um matador de aluguel temido pela simples menção de seu nome, mas que funciona bem e não compromete o filme em nenhum momento, saindo-se melhor do que o previsto nos dois filmes feitos até agora.

Stahelski e Reeves já haviam trabalhado juntos anos atrás, quando o primeiro foi o dublê do segundo no papel do mítico Neo da trilogia Matrix – aquela que começa com o filme brilhante de 1999 e termina com o vergonhoso filme de 2003. Mas a parceria da dupla, além de um ótimo e inesperado easter egg no decorrer do segundo filme e a sanha atual de indústria de entretenimento norte-americana por continuações, remakes e revivals, tornava inevitável a possibilidade da série original ser ressuscitada e o primeiro passo foi dado por Keanu Reeves, em entrevista à sucursal inglesa do site Yahoo Movies.

“As Wachowskis teriam de estar envolvidas”, cravou o ator sem pestanejar logo que o repórter lhe cogita a possibilidade de um Matrix 4, mencionando as autoras da saga, os antigos irmãos Larry e Paul Wachowski, que mudaram de gênero e agora atendem por Lana e Lilly Wachowski. “Elas teriam que escrever e dirigir. E aí veríamos qual seria a história, mas, sei lá, seria estranho, mas, por que não? As pessoas morrem, as histórias não. As pessoas nas histórias não”, empolgou-se o ator.

Não custa lembrar que o terceiro filme termina em aberto, com a possibilidade de um novo capítulo, que poderia materializar-se mais rápido que imaginamos. Afinal os três atores que protagonizaram a trilogia, Reeves, Carrie Anne Moss e Laurence Fishburne, se reencontraram em público em uma das sessões de lançamento do novo filme de Stahelski, no início do ano.

Mas será que Matrix 4 é uma boa ideia? Isso também é uma questão deixada em aberto – vamos ver como isso se desenrola…

15 anos de Tatá Aeroplano: Frito Sampler!

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Acontece nesta segunda, dia 6 de março, minha estreia como curador de música do Espaço Cultural Centro da Terra e a primeira atividade que bolei foi uma temporada de quatro shows diferentes de um mesmo artista experimentar novos formatos de show. E para a grande estreia, sinto-me honrado de contar com a presença deste que é um dos artistas mais inquietos da cena paulista atual, o grande Tatá Aeroplano, que desdobra-se em quatro facetas para fazer uma retrospectiva dos primeiros quinze anos de sua carreira. O show desta segunda é o lançamento do novo disco de seu projeto Frito Sampler em que, ao lado de Júlia Valiengo, cantam músicas pop em inglês onomatopaico. Conversei com ele sobre como esta temporada tem mexido com seu processo de criação, como ele vê as mudanças na música neste tempo de carreira e as expectativas para o primeiro show. O Centro da Terra fica na rua Piracuama, 19, atrás da Alfonso Bovero, numa travessa da Apinajés, entre o Sumaré, Perdizes e Pompeia. O show começa às 20h e só cabem 100 pessoas no lugar, por isso garanta logo seu ingresso – mais informações aqui.

15 anos de Tatá Aeroplano: Quatro shows em um mês
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-quatro-shows-em-um-mes

15 anos de Tatá Aeroplano: Como a temporada mexeu com o processo de criação
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-como-a-temporada-mexeu-com-o-processo-de-criacao

15 anos de Tatá Aeroplano: O que mudou na música brasileira nestes últimos quinze anos
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-o-que-mudou-na-musica-brasileira-nestes-ultimos-quinze-anos

15 anos de Tatá Aeroplano: O que é o Frito Sampler
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-o-que-e-o-frito-sampler

15 anos de Tatá Aeroplano: O que esperar deste primeiro show
https://soundcloud.com/trabalhosujo/15-anos-de-tata-aeroplano-o-que-esperar-deste-primeiro-show

Alex “Don KB” Cecci (1969-2017)

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Vi num post do Magrão compartilhado pelo Nuts e não botei fé – mas era verdade: Alex Cecci, o Don KB, havia sofrido um infarto fulminante na praia de Maresias neste sábado e não resistiu. Morreu antes de completar seus 50 anos – um produtor, promotor e DJ que ajudou a moldar a São Paulo (e o Brasil) musical que vivemos hoje.

Nos tempos em que as poucas casas noturnas decentes que existiam em São Paulo tinham maior foco em um só gênero musical, o Jive, que fundou com seu irmão Marcio, surgiu como uma alternativa que mostrava que a cultura DJ ia para muito além de um único estilo musical. Depois de começar na Rua Caio Prado, estabeleceu-se em seu endereço mais tradicional – no número 376 da Alameda Barros -, ao lado do tradicional Clube Piratininga, em Santa Cecília. Decorado com as pinturas com motivos tiki do MZK, o clube era gerido por Don KB, que, ao lado do próprio ZK, era seu principal DJ e cuidava da programação da casa. Além de discotecagens de monstros das picapes brasileiras de todas as vertentes (de Nuts ao DJ Hum, do Tony Hits ao DJ Primo, do DJ Patife ao KL Jay), a casa também recebeu shows de artistas que o próprio KB agenciava, como o Mamelo Sound System, Black Alien, Max BO e Speedy e até um dos pais fundadores do hip hop, Afrika Bambaataa, que ele trouxe três vezes ao Brasil – duas em aniversários de sua casa.

Era uma época em que quem curtia rock só ouvia rock, o povo do samba não se misturava com o pessoal do reggae e muitas festas black não tocavam hip hop. Era uma época também que a internet começou a demolir barreiras entre gêneros, quando novos colecionadores de música juntaram-se aos escavadores de sebos de disco fuçando em HDs alheios discografias inteiras e raridades lendárias surgiam gravadas em CD-Rs. Isso ajudou a popularização do samba-rock, gênero até então considerado “menor” no cânone da música brasileira, educou uma nova geração de rappers, DJs e MCs, ajudou a proliferação do dub e pérolas desconhecidas de gêneros diferentes começavam a se popularizar nas pistas. Outros lugares tiveram seu papel nesta transição musical – como o AfroSpot, o KVA, o Susi, o Sarajevo, o Grazie a Dio, o Green Express, o Avenida Club e o Hole -, mas o Jive com certeza era o mais ousado, abrindo espaço até para rock e para uma noite de música da Polinésia.

Se hoje a cultura de São Paulo respira a música dos vinis, vive a conexão direta entre a África e o Brasil, transita bem entre gêneros de diferentes naturezas e seu hip hop vai muito além do gangsta dos anos 90, não há dúvida que isso aconteceu por causa de uma série de transições musicais que tiveram no Jive seu ponto de encontro, seu trampolim, sua inspiração. Claro que Don KB não foi o único responsável por isso – a abertura do Jive foi consequência de uma transformação que ele havia detectado -, mas não dá para dissociar seu nome da raiz desta fase atual.

Pedi pro Nuts escrever sobre a importância dele pra cena:

“Os seus sets ajudaram a revelar o samba rock para um público jovem e até então norte-americanizado, Uma opção fora do circuito tradicional de bailes de nostalgia, eu aprendi aplicar muitas dessas musicas na pista com ele, comecei a visualizar que seria possivel utilizar esses discos que até então estavam só na prateleira. Alguns desses temas marcaram a época do Jive, vejo assim, depois junto com o Zé e DJ Primo tive a oportunidade de fazer uma festa de rap semanal sempre fui bem recebido pelos dois irmãos e equipe todos firmeza, descanse em paz Cabeçada”

Valeu, KB! Seguimos por aqui, inspirados pelo que você conseguiu mostrar e fazer por todos nós.

Segue uma amostra de seu som num set gravado ao vivo há três anos, no DJ Club: