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Quem quer acreditar em mais uma volta de Arquivo X?

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A Fox ainda acredita em Arquivo X, tanto que renovou com o criador e os protagonistas do clássico seriado por mais uma temporada – falei sobre isso no meu blog no UOL.

Agoniza, mas não morre. A emissora norte-americana Fox acaba de encomendar mais uma batelada de dez episódios de Arquivo X, a extensa saga sobre investigadores do FBI que lidam com casos sobrenaturais, segundo a revista Variety. Criada por Chris Carter nos anos 90, Arquivo X tornou-se uma das principais referências para o formato televisivo que levou à atual era de ouro da TV, em que seriados são tão importantes (em alguns casos, bem mais importantes) do que filmes de Hollywood. O casal protagonista Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) são ícones da cultura pop da virada do século, bem como sua obsessão por conspirações governamentais e alienígenas.

A próxima safra de episódios começa a ser filmada ainda este ano e deve estrear na temporada de séries do final de 2017, continuando no início de 2018. O problema é que a safra de episódios exibida em 2016, que ressuscitou o Arquivo X depois de mais de uma década esquecido, não só não chegou aos pés da expectativa, como trouxe alguns dos piores episódios da história do seriado, além de terminar com um final que aparentemente é um beco sem saída para a essência do seriado. Mas mesmo com uma história fraca, a temporada teve bons números de audiência, o que fez a emissora insistir no revival.

Abaixo, a imagem de divulgação da nova ressurreição de Mulder e Scully.

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Os 100 primeiros dias de Trump, vistos pelos Simpsons

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Os Simpsons fizeram uma retrospectiva dos 100 primeiros dias da presidência de Donald Trump e o resultado é triste:

E, como eles mesmos lembra, ainda faltam mais de 90% do mandato. Ah se fizessem um desses por aqui…

Qualé, Radiohead?

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O Radiohead abriu os trabalhos em suas redes sociais (tanto no Facebook quanto no Twitter e no Instagram) neste mês de maio com este vídeo cheio de onda, pra variar:

Alguém conseguiu entender algo que é dito? É só a letra de “Climbing Up the Walls” mesmo? E esse um O seguido de um K nas últimas telas – será que é algo sobre os 20 anos do OK Computer? Uma caixa? Um show? E aquele REM na última tela?

Semana passada aparecerem uns cartazes espalhados em algumas cidades do mundo dando a entender que o grupo está prestes a comemorar aniversário de seu primeiro disco clássico (desculpaê, fãs do The Bends):

Há duas semanas, o designer Stanley Donwood, responsável pela arte do grupo desde o segundo disco, postou o seguinte comentário em seu próprio Instagram:

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A post shared by @stanleydonwood on

Ou será que é disco novo?

O melhor filme de Demme? Stop Making Sense

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Show dos Talking Heads dirigido pelo recém-falecido Jonathan Demme também redefiniu o conceito de música com imagens – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

Jonathan Demme, cuja morte foi anunciada nesta quarta-feira, era um diretor de trajetória única na história do cinema. Foi cult e pop, célebre e desconhecido, comercial e alternativo, embora não tenha uma filmografia robusta para exibir. É autor de filmes importantes como Filadélfia e O Silêncio dos Inocentes ao mesmo tempo em que flerta com o trivial em comédias aparentemente leves (Totalmente Selvagem, Melvin e Howard e O Casamento de Rachel) ou com o meramente comercial (como o remake desnecessário – mas bem executado – de Sob o Domínio do Mal). Do ponto de vista estritamente cinematográfico, ele é um Ridley Scott menos comercial, um Ron Howard com voz própria, um Spielberg menor. Mas sua importância cresce quando vemos que sua relação com a cultura vai além do cinema e que ele é destes raros cineastas que entende tanto de cinema quanto de música.

Demme dirigiu videoclipes no início de sua carreira, como o de “The Perfect Kiss” do New Order, o da versão de “I Got You Babe” que o UB40 fez com a Chrissie Hynde nos anos 80 e o de “Streets of Philadelphia” de Bruce Springsteen, que trouxe para a trilha sonora de seu filme sobre Aids, o primeiro a tratar do assunto. Sua relação com a música seguiu nos anos seguintes, quando dirigiu uma trilogia de documentários com Neil Young (Neil Young: Heart of Gold, Neil Young Trunk Show e Neil Young Journeys), outro sobre o músico inglês Robyn Hitchcock e acompanhando a turnê do disco mais recente de Justin Timberlake, em seu último filme, Justin Timberlake + the Tennessee Kids, do ano passado.

E, claro, sua grande obra, Stop Making Sense, que também é o melhor registro em filme de uma banda ao vivo, gravado com os Talking Heads em 1984. É por O Silêncio dos Inocentes que Demme sempre será lembrado, principalmente por levar o grand slam do cinema comercial norte-americano ao ser dos raros filmes que ganharam os cinco prêmios principais do Oscar (melhor filme, melhor ator, melhor atriz, melhor diretor e melhor roteiro). A sombra da influência do filme que conta a história de um canibal elegante paira sobre nossa cultura pop até hoje – desde a sobriedade firme dos agentes do FBI depois da Clarice Starling de Jodie Foster até a violência gratuita e gráfica que permeia as principais obras norte-americanas deste século.

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Mas Stop Making Sense, o filme em que Demme filma um show dos Talking Heads em seu auge, é mais do que isso: é a obra-prima de Demme. Ele está sim contando uma história, a história não-verbal que é um show de rock. Vai desenvolvendo um crescendo literal ao colocar músico a músico no palco ao mesmo tempo em que mostra um show sendo montado no palco, com os instrumentos entrando pouco a pouco enquanto o palco também vai sendo montado. É como se o show fosse também o making of do show.

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Ele também encontra em David Byrne o ator perfeito para seus delírios visuais. O gestual de Byrne e seu olhar perdido, sua dança robótica e sua interação com o público (“alguém tem alguma pergunta?”, diz após o súbito fim de uma música) acompanhada de um groove pós-punk pesado, em que a edição e a forma como os músicos são mostrados acompanha o ritmo de perto. O ritmo do show é incessante e tanto a banda quanto seus convidados (o tecladista do Parliament-Funkadelic Bernie Worrell, o guitarrista dos Brothers Johnson Alex Weir, o percussionista Steve Scales e as vocalistas Lynn Mabry e Ednah Holt) não param de dançar um minuto. Sem contar os elementos de palco inventados pelo diretor junto com a banda, como os telões monocromáticos, o hoje clássico enorme paletó de David Byrne ou a inclusão de um abajur como objeto cênico – e parceiro de dança.

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Stop Making Sense é como o show reage a era do videoclipe, novidade comercial do mundo da música no início dos anos 80, mas também reposiciona o espectador de volta à plateia. Antes dele, filmes de shows clássicos – como o Last Waltz que Scorsese dirigiu para a The Band ou The Song Remains the Same do Led Zeppelin – colocam o espectador bem próximo da banda, criando uma cumplicidade inexistente em shows daquela proporção. São filmes que mostram o público como a banda o vê, uma situação que, de verdade, a audiência nunca irá passar. Demme posiciona a maioria de suas câmeras no público e assistimos ao show como se estivéssemos na plateia. E assim ele isola uma sensação que a maioria dos diretores de shows tenta recriar até hoje: a que realmente estamos assistindo a um show como se estivéssemos lá. Poucos diretores chegaram perto disso (Scorsese mesmo é um deles, principalmente no Shine a Light que filmou com os Stones), mas nenhum conseguiu de forma tão empolgante quando o falecido Johnathan Demme.

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Veja com seus próprios olhos:

Barro, por Lorena Calábria

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Integrante da Banda Dessinée, Filipe Barros encurtou o nome artístico para Barro e assim lançou seu primeiro disco solo, Miocárdio, uma das boas surpresas do ano passado. Agora colhe os frutos do primeiro álbum, como a turnê em que atravessa a Itália lançando um single gravado em italiano, “Restiamo Cosi”.

O clipe da mesma música em sua versão em português, “Ficamos Assim”, é outra novidade de Barro para celebrar sua turnê e foi dirigido pela jornalista Lorena Calábria, que vem mostrando suas garras atrás das câmeras. “Gosto de trabalhar com quem tenho afinidade, não só musical”, me explica Lorena, por escrito, quando lhe pergunto sobre o contato com o Barro. Ela o conheceu por amigos em comum e quando o músico soube que ela estava começando uma produtora audiovisual, chamada La Strada, ele a convidou para dirigir um clipe. “Falei pra ele: ‘topo dirigir, mas você não vai aparecer cantando. Chega de lipsync em clipe’. E ele topou. Teve que se virar como “ator'”, ri a diretora, que cita surrealismo, cinema francês (Jean Cocteau e Alan Resnais) e a capa do disco de estreia de Barro como referências para o clipe.

De quebra, o making of do mesmo clipe:

Phoenix está renascendo…

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O grupo pop francês Phoenix prepara seu retorno em uma versão diurna com sotaque italiano, avisando que seu próximo disco chama-se Ti Amo e reflete “um paraíso perdido formado de eternos verões romanos (com muita luz, muita claridade, gelato de pistache), jukeboxes nas praias, Monica Vitti e Marcello Mastroianni, desejo implacável e antigas estátuas de mármore”, como escreveram ao anunciar a capa, a ordem das faixas (abaixo), a data de lançamento – dia 9 de junho e o primeiro single, repleto de teclados, chamado apenas de “J-Boy”:

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“J-Boy”
“Ti Amo”
“Tuttifrutti”
“Fior Di Latte”
“Lovelife”
“Goodbye Soleil”
“Fleur De Lys”
“Role Model”
“Via Veneto”
“Telefono”

O grupo já havia mostrado o trecho de uma de suas músicas novas (“Fior Di Latte”) em um comercial de roupas íntimas da Calvin Klein dirigido por Sofia Coppola, esposa do vocalista da banda, Thomas Mars, e estrelado por atrizes como Rashida Jones, Kirsten Dunst e Lauren Hutton.

E a faixa-título já foi registrada no show que a banda deu na Antuérpia, na Bélgica, na semana passada:

Molto bene.

Haim 2017: “Saying that you need me babe”

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As irmãs Danielle, Este e Alana Haim anunciam o disco novo de sua Something to Tell You com a bela balada “Right Now”, cujo clipe é uma ótima e minimalista gravação da banda ao vivo no estúdio, dirigida por ninguém menos que Paul Thomas Anderson.

Esse meio de ano promete.

Greve

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Dia de parar tudo… É só o primeiro?

Guardiões da Galáxia 2 sem spoilers

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Escrevi sobre como o novo filme da Marvel é de chorar – sem estragar surpresas – lá no meu blog no UOL.

O ideal é assistir a filmes sem saber nada sobre o que vai ser visto. Em muitos casos, até a mais simples sinopse pode entregar o susto de uma cena, uma reviravolta inesperada, a expectativa por um determinado tom ou conclusão. Ainda mais hoje em dia, quando os trailers, na ânsia de chamar atenção, trazem todas as principais cenas do filme para aquele minúsculo curta que deveria funcionar apenas como um aperitivo para o filme. Por isso, se você quer mesmo ter o prazer completo do segundo volume da série de filmes Guardiões da Galáxia, pare de ler este texto agora e apenas o retome após tê-lo assistido. Mesmo que eu vá comentar o filme sem entregar nada grave sobre o filme, tudo que eu possa descrever a seguir pode interferir na fruição da obra. Mas se você precisa ser convencido a assistir ao novo filme de James Gunn e não liga de ter uma ideia geral antes de assistir a um filme, vamos lá.

Guardiões da Galáxia 2 não chega a superar as expectativas porque sua mira foca em um rumo completamente inusitado. A ação e a comédia continuam lá, intactas e até melhoradas em relação ao primeiro filme, mas este segundo filme não diz respeito apenas ao grupo de mercenários que virou herói sem querer – e sim a cada um de seus indivíduos. A história principal acompanha a fuga do grupo após uma brincadeira de Rocket, o guaxinim modificado geneticamente dublado por Bradley Cooper, mas ela pouco importa e serve apenas como gancho para o principal trunfo do filme: Guardiões da Galáxia 2 é uma aventura sentimental.

E o melhor: sem sentimentalismo barato de cunho romântico. Todos os personagens passam por momentos em que eles entram em contato com suas próprias dores internas, revelando que aquela gangue é, antes de tudo, uma reunião de desamparados. Todos têm seus momentos profundamente terapêuticos em frente às câmeras; uns mais do que os outros. A Gamora de Zoe Saldana não consegue expor seus próprios sentimentos; o Drax de Dave Bautista tem uma profundidade intensa por trás da casca abobada; personagens coadjuvantes como a Nebula de Karen Gillan e o Yondu de Michael Rooker ganham um vínculo emocionante com o grupo principal que não era nem aventado no primeiro filme. A nova personagem Mantis, vivida por Pom Klementieff, tem poderes que basicamente atuam sobre o lado sentimental do grupo. Até o cinismo cruel de Rocket, despido racionalmente em outra sessão de análise grupal, é exposto sem rodeios.

Mas é o drama pessoal do Peter Quill de Chris Pratt a grande mola-mestra do filme. Se havia comparações entre o primeiro filme e o Guerra nas Estrelas original, lançado há 40 anos, não há dúvida que este segundo filme é um Império Contra-Ataca. Mas ao contrário do que poderíamos prever, seu tom não é mais sinistro, violento e sombrio – pelo contrário. É um dos filmes mais coloridos da Marvel, de causar repulsa ao fã da DC que mora naquele universo de Zack Snyder em que o sol só sai durante quatro horas por dia. Guardiões da Galáxia 2 é solar, reluzente, diurno até mesmo em suas cenas sob o infinito do espaço. Mas ele têm seus momentos “Luke, eu sou seu pai” – forçando em cima de várias questões paternais mal-resolvidas de Peter Quill.

São cenas em que a trilha sonora rouba a atenção – tornando a sensação provocada pela cena ainda mais emotiva. Não vou mencionar que músicas ou intérpretes para deixar que a surpresa tome conta do momento. É uma das armas secretas do filme, utilizada de forma ainda mais precisa do que no primeiro filme. Nestas cenas específicas Guardiões da Galáxia 2 deixa de ser um filme de super-herói ou uma comédia de ficção científica e faz o público segurar o fòlego para não desaguar no choro. James Gunn maneja magistralmente as emoções do público – e usa a trilha sonora como o arco de seu violino.

Isso sem contar Baby Groot. O personagem dublado por Vin Diesel rouba a cena toda vez em que ele aparece – e isso não é exagero. Na verdade, é deixado bem explícito logo na primeira cena, uma espetacular cena de luta filmada de um ponto de vista extraordinário, temperada com uma música que é o motivo para a Electric Light Orchestra ter existido. Uma cena que pouco traduz o clima do resto do filme – é uma montanha-russa de pura diversão -, mas que mostra exatamente o drama sentimental daquele pequeno ser vegetal: ele é um filhote indefeso e todos os Guardiões estão tomando conta dele. É uma das grandes cenas do filme, mas não se iluda – é apenas uma grande cena para ter trechos utilizados no trailer.

Durante o filme, vimos a aparição de novos personagens vividos por velhas caras conhecidas – nem leia quais são estes novos atores para não se divertir com as surpresas. E eles aparecem até mesmo nas cenas dos créditos finais.

Guardiões da Galáxia 2 funciona tanto como uma sequência perfeita (em alguns momentos melhor que o filme original) como um filme que pode ser visto por qualquer um, mesmo sem saber nada sobre o universo Marvel. Há pistas que o envolve aos poucos com este universo (tive a impressão de ver algo do terceiro filme do Thor num momento em que a nave “pula” pelo hiperespaço) e este talvez seja seu único problema, que ele não parece se encaixar no resto da história que envolve todos os heróis da Marvel. Era uma das expectativas para este filme, mas até as cenas escondidas (são cinco – e o pato Howard não está em nenhuma delas) parecem apontar mais para o terceiro Guardiões da Galáxia do que o futuro próximo da Marvel. Mas isso não é propriamente um problema. A não ser que os personagens vistos na aparição de Stan Lee tenham a ver com a história principal desta nova fase.

O primeiro filme de 2017 da Marvel deve desfazer facilmente a má impressão causada pelo Punho de Ferro (que foi lançado em parceria o Netflix no mês passado) e deixar o caminho livre para que o estúdio siga bem o resto do ano como seu novo filme do Homem Aranha e o terceiro Thor, ambos com trailers tão divertidos quanto o trailer deste novo Guardiões. Resta saber se eles guardam algumas surpresas, como este Guardiões nos revelou.

Até o final da semana eu comento o filme com as referências, citações e relações do filme com o resto do universo Marvel. Enquanto isso, pode ir pro cinema sem medo que a diversão é garantida.