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Wry e Lava Divers de graça no CCSP

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Wry, clássica banda indie de Sorocaba e o novato grupo mineiro Lava Divers fazem show juntos neste sábado no Centro Cultural São Paulo – e o melhor, de graça (mais informações aqui). A banda paulista está prestes a entrar em uma nova fase com mais um álbum e fechou acordo com a gravadora Deck. “Estamos em fase de pré-produção”, explica o vocalista e guitarrista Mario Bross. “Já decidimos dez faixas, e serão em português e inglês. Agora além de guitarra, eu toco sintetizador. A ponto de exercício, e também de desafio, temos versão em português de todas as 10 faixas. Antes do álbum novo vamos lançar dois singles que não farão parte desse disco, mas que são inéditas: ‘She’s Falling’ , que sairá via Deckdisc e já tem vídeo pronto, e ‘Life is Like a Dream’, cujo vídeo estamos produzindo nesse momento.” Já o Lava Divers apresenta pela primeira vez ao vivo em São Paulo seu recém-lançado disco de estreia Plush, que acaba de sair pelo selo Midsummer Madness.

“Remember when you were young…”

pink-floyd-exposicao

Visitei a inacreditável exposição em homenagem aos 50 anos do Pink Floyd em Londres e contei o que vi lá no meu blog no UOL.

Réplicas de objetos de cena utilizados pelo grupo no final dos anos 70

Réplicas de objetos de cena utilizados pelo grupo no final dos anos 70

O mesmo museu que mergulhou na vida e obra de David Bowie na excelente exposição David Bowie Is em 2013 agora convida para uma viagem pela carreira de uma das bandas mais influentes da cultura contemporânea. A exposição Their Mortal Remains, organizada pelo museu londrino Victoria & Albert ao lado dos três remanescentes do grupo (David Gilmour, Nick Mason e Roger Waters), disseca 50 anos de carreira do Pink Floyd em várias dimensões, levando em consideração todo o impacto cultural – e não apenas musical – exercido pelo grupo desde seus primeiros anos. Em uma visita que durou algumas horas, fui transportado para um documentário cronológico sobre a história da banda em que os principais artefatos de sua existência eram exibidos um a um.

Um dos grandes trunfos de Their Mortal Remains é a forma como os fones de ouvido distribuídos à entrada ajudam na imersão na exposição. Como são aparelhos sensíveis aos movimentos, eles sintonizam músicas do grupo de acordo com a parte do museu em que você está, além de se conectarem automaticamente ao som de monitores de TV que exibem entrevistas com os integrantes do grupo e seus contemporâneos quando chegamos a poucos metros de distância. É um recurso incrível, que torna o didatismo da exposição ainda mais intenso.

A mostra começa com o tom psicodélico do início da carreira do grupo. A opção por contar a história a partir do momento em que a banda assume o nome que a tornou famosa elimina da história os anos de formação do grupo, quando, altamente influenciado pelo rhythm’n’blues norte-americano, teve encarnações com nomes como Sigma 6, The Meggadeaths, The Abdabs, The Screaming Abdabs, Leonard’s Lodgers, The Spectrum Five e Tea Set. Mas ao definir o ano de 1967 como ponto de partida, a exposição acerta ao mostrar o momento em que o grupo também começa a se preocupar com o impacto visual de suas apresentações. Liderado pelo ícone da psicodelia londrina, Syd Barrett, o Pink Floyd mostra-se extramusical desde seus primeiros registros fonográficos.

Outra opção curiosa da exposição é usar cabines telefônicas como marcos temporais. A cada início de década, surge uma cabine telefônica inglesa típica, com recortes de jornais da época e caracterizada com cores e desenhos do período que demarca.

Entrada da exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains no Victoria and Albert Museum, em Londres

Entrada da exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains no Victoria and Albert Museum, em Londres

Carta que Roger Waters escreveu para os pais logo na primeira ida do grupo para Londres, em 1967 (na foto, a van com uma listra branca que ele desenha na carta)

Carta que Roger Waters escreveu para os pais logo na primeira ida do grupo para Londres, em 1967 (na foto, a van com uma listra branca que ele desenha na carta)

A cada vitrine nos deparamos com itens pessoais de cada um dos integrantes do Pink Floyd, desde diários escritos à mão a cartas enviadas para os pais contando os primeiros dias como músicos profissionais, além de peças de roupas, equipamentos e instrumentos musicais. Na primeira fase da exposição, cada fase é definida em um disco e cada disco funciona como uma vitrine exibindo itens pessoais do grupo ao mesmo tempo em que contam suas histórias.

Vitrine com as influências musicais do grupo no inicio, Elvis Presley e velhos blueseiros norte-americanos

Vitrine com as influências musicais do grupo no inicio, Elvis Presley e velhos blueseiros norte-americanos

Vitrine relativa à primeira fase do grupo, com as guitarras personalizadas por Syd Barrett e os singles lançados antes do primeiro álbum

Vitrine relativa à primeira fase do grupo, com as guitarras personalizadas por Syd Barrett e os singles lançados antes do primeiro álbum

Um dos primeiros aparelhos a tornar o show do Pink Floyd fora do comum, este refletor permitia a projeção de slides sobre a banda, no meio da imagem, as lentes utilizadas para tirar a foto da banda na capa de seu primeiro disco

Um dos primeiros aparelhos a tornar o show do Pink Floyd fora do comum, este refletor permitia a projeção de slides sobre a banda, no meio da imagem, as lentes utilizadas para tirar a foto da banda na capa de seu primeiro disco

Apetrechos cênicos que o grupo começou a usar no palco – a flor espelhada entre 1973 e 1975 e os aviões do período de transição na virada dos anos 60 para os 70. A bicicleta é a que Syd tinha aos 9 anos de idade.

Apetrechos cênicos que o grupo começou a usar no palco – a flor espelhada entre 1973 e 1975 e os aviões do período de transição na virada dos anos 60 para os 70. A bicicleta é a que Syd tinha aos 9 anos de idade.

Um dos inúmeros teclados de Rick Wright

Um dos inúmeros teclados de Rick Wright

Pôsteres, equipamentos e roupas do grupo em sua fase psicodélica. Abaixo, o clássico Azimuth Co-ordinator, aparelho com o qual o grupo conseguia fazer efeitos utilizando o som quadrafônico de algumas casas de show

Pôsteres, equipamentos e roupas do grupo em sua fase psicodélica. Abaixo, o clássico Azimuth Co-ordinator, aparelho com o qual o grupo conseguia fazer efeitos utilizando o som quadrafônico de algumas casas de show

A clássica Stratocaster preta de David Gilmour e alguns pedais que ele utilizava no início

A clássica Stratocaster preta de David Gilmour e alguns pedais que ele utilizava no início

A guitarra pedal steel dupla que o grupo usava no início dos anos 70

A guitarra pedal steel dupla que o grupo usava no início dos anos 70

Mais uma vez a bicicleta laranja que Syd Barrett tinha aos 9 anos de idade, inspiração para a música "Bike", que encerra o primeiro disco da banda

Mais uma vez a bicicleta laranja que Syd Barrett tinha aos 9 anos de idade, inspiração para a música “Bike”, que encerra o primeiro disco da banda

Nesta primeira fase o que impressionam são os instrumentos modificados por Syd Barrett, bem como suas próprias pinturas, os teclados analógicos de Rick Wright, fotos alternativas de capas de discos e outras relíquias, como a bicicleta que Syd Barrett tinha aos nove anos de idade. A cada vitrine a exposição vai mostrando como o grupo superou a saída do líder, como a entrada de David Gilmour aos poucos foi mexendo no som da banda, abrindo espaço para viagens instrumentais que favoreciam a cozinha formada pelo baixista Roger Waters e o baterista Nick Mason.

Rascunhos do grupo de design Hypgnosis para a capa do clássico The Dark Side of the Moon

Rascunhos do grupo de design Hypgnosis para a capa do clássico The Dark Side of the Moon

Mais artefatos da era Dark Side – as moedas à esquerdas foram costuradas como um chocalho para a introdução da música "Money"

Mais artefatos da era Dark Side – as moedas à esquerdas foram costuradas como um chocalho para a introdução da música “Money”

A exposição muda de tom a partir do mítico Dark Side of the Moon, o disco de 1973 que eternizou a importância do grupo e os transformou em popstars de primeira grandeza. A parte da exposição dedicada ao disco inclui desde rascunhos da capa do disco a instrumentos pouco convencionais usados em sua gravação (como o chocalho de moedas tocado em “Money”) até um holograma em 3D com a capa do disco girando ao som de “The Great Gig in the Sky”. A parte seguinte à do disco mostra como o grupo se aventurava no estúdio e usa um recurso simples e genial para mostrar como o grupo produzia seus discos, a espalhar pequenas mesas de som onde é possível manipular os canais da música “Money” ouvindo os instrumentos separadamente.

Em uma das melhores partes interativas da exposição, o público pode ouvir as faixas separadas de todos os instrumentos na faixa "Money", isolando, à sua escolha, bateria, sax, vocais, duas guitarras, baixo e efeitos sonoros

Em uma das melhores partes interativas da exposição, o público pode ouvir as faixas separadas de todos os instrumentos na faixa “Money”, isolando, à sua escolha, bateria, sax, vocais, duas guitarras, baixo e efeitos sonoros

A partir daí há uma parte inteira da exposição dedicadas a equipamentos e instrumentos musicais, mostrando peças que foram partes importantes tanto na criação dos discos quanto na divulgação em turnês.

Um dos primeiros sintetizadores, instrumentos que o Pink Floyd abraçava logo que eram lançados, utilizando-os em suas aventuras sonoras

Um dos primeiros sintetizadores, instrumentos que o Pink Floyd abraçava logo que eram lançados, utilizando-os em suas aventuras sonoras

Várias guitarras utilizadas por David Gilmour – e um baixo de Roger Waters – a partir dos anos 70

Várias guitarras utilizadas por David Gilmour – e um baixo de Roger Waters – a partir dos anos 70

A clássica bateria de Nick Mason nos anos 70

A clássica bateria de Nick Mason nos anos 70

Mais instrumentos de Gilmour, entre eles um bandolim elétrico

Mais instrumentos de Gilmour, entre eles um bandolim elétrico

A exposição retorna ao ritmo dos discos a partir de Wish You Were Here, de 1975, e também vai mostrando como o Pink Floyd foi crescendo para se tornar um dos maiores nomes do showbusiness. O uso de telão e de infláveis no show, novidades inventadas pela banda, aliam-se aos temas cada vez mais polêmicos e controversos do grupo, culminando com o épico egotrip The Wall, de 1979. Neste período o grupo alcance uma escala que o torna um dos maiores nomes da história do pop moderno até hoje.

A parte da exposição dedicada ao disco Wish You Were Here

A parte da exposição dedicada ao disco Wish You Were Here

Contato com as fotos utilizadas na capa do disco Wish You Were Here

Contato com as fotos utilizadas na capa do disco Wish You Were Here

Caderno com as letras da banda, "Have a Cigar", entre elas

Caderno com as letras da banda, “Have a Cigar”, entre elas

Polaróide da visita de Syd Barrett ao estúdio da banda, em 1975. Gordo, careca e com as sobrancelhas raspadas, ele estava irreconhecível.

Polaróide da visita de Syd Barrett ao estúdio da banda, em 1975. Gordo, careca e com as sobrancelhas raspadas, ele estava irreconhecível.

Réplica da camiseta do grupo usada por Johnny Rotten, dos Sex Pistols, com a frase "I Hate" ("eu odeio") escrita sobreo nome da banda.

Réplica da camiseta do grupo usada por Johnny Rotten, dos Sex Pistols, com a frase “I Hate” (“eu odeio”) escrita sobreo nome da banda.

O recorte original das letras de revistas e jornais que serviram de base para a capa do primeiro disco dos Sex Pistols

O recorte original das letras de revistas e jornais que serviram de base para a capa do primeiro disco dos Sex Pistols

A animação de Ian Emes que passava no telão do grupo quando tocava a música "Time"

A animação de Ian Emes que passava no telão do grupo quando tocava a música “Time”

Réplica da capa do disco Animals e o professor inflável de The Wall

Réplica da capa do disco Animals e o professor inflável de The Wall

Teclado e guitarra usados pelo grupo no final dos anos 70

Teclado e guitarra usados pelo grupo no final dos anos 70

Mais infláveis da fase The Wall, no final dos anos 70

Mais infláveis da fase The Wall, no final dos anos 70

Máscaras usadas pelo grupo na turnê do disco The Wall

Máscaras usadas pelo grupo na turnê do disco The Wall

A punição física ainda era utilizada como método pedagógico na Inglaterra depois da Segunda Guerra Mundial e esta bengala foi responsável por surras em Roger Waters e Syd Barrett, ainda crianças, o que fez o primeiro a escrever uma ode contra o sistema educacional inglês no disco The Wall

A punição física ainda era utilizada como método pedagógico na Inglaterra depois da Segunda Guerra Mundial e esta bengala foi responsável por surras em Roger Waters e Syd Barrett, ainda crianças, o que fez o primeiro a escrever uma ode contra o sistema educacional inglês no disco The Wall

Mais uma vez, o professor inflável original

Mais uma vez, o professor inflável original

Réplica do quarto de hotel Tropicana, utilizado como cenário no trecho do show em que o grupo cita a letra que batiza a exposição, "Nobody Home"

Réplica do quarto de hotel Tropicana, utilizado como cenário no trecho do show em que o grupo cita a letra que batiza a exposição, “Nobody Home”

Farda fascista que Roger Waters utilizava durante a turnê do disco The Wall. Esta versão é a do show que ele fez em Berlim após a queda do muro.

Farda fascista que Roger Waters utilizava durante a turnê do disco The Wall. Esta versão é a do show que ele fez em Berlim após a queda do muro.

Embora Roger Waters tenha desfeito o grupo no início dos anos 80 e David Gilmour, ao lado de Mason e Wright, tenham conseguido seguir com o nome do grupo, a discografia a partir dos anos 80 segue sendo detalhada mas, naturalmente, sem a importância das fases anteriores. A exposição termina com o disco The Endless River, de 2014, feito com sobras de gravações do disco The Division Bell, lançado duas décadas antes. E embora o fim seja melancólico – principalmente ao nos depararmos com a enorme loja de souvenirs do grupo e do museu -, a exposição é um sonho para todo fã do grupo. Ela fica em cartaz em Londres até o início de outubro (mais informações no site do museu) e seus organizadores tem a intenção de fazer que ela viaje pelo mundo. Vamos torcer para, que como a de David Bowie, ela também venha para o Brasil.

Catálogo da turnê mundial do Pink Floyd no final dos anos 80

Catálogo da turnê mundial do Pink Floyd no final dos anos 80

Réplica da fantasia utilizada na capa do disco ao vivo Delicate Sound of Thunder

Réplica da fantasia utilizada na capa do disco ao vivo Delicate Sound of Thunder

Contato com as fotos que iriam para a capa do disco A Momentary Lapse of Reason

Contato com as fotos que iriam para a capa do disco A Momentary Lapse of Reason

As máscaras de ferro utilizadas na capa do disco The Division Bell

As máscaras de ferro utilizadas na capa do disco The Division Bell

Nana 2017: “Nadar contra a maré”

nana-2017

A baiana Nana, baiana que mora em Berlim, está prestes a lançar seu segundo álbum, CMG-NGM-PDE, e apresenta o primeiro single com exclusividade para o Trabalho Sujo. “Copacabana”, como o nome entrega, tem pouco da Alemanha e muito menos da Bahia, buscando uma sonoridade essencialmente carioca, que resvala na bossa nova e no sambinha indie do grupo Los Hermanos. “O clipe foi todo feito de forma muito espontânea; filmamos procurando achar o caminho que as imagens estavam apontando, ao invés de forçar uma direção. A arte, as cores, tudo foi surgindo muito naturalmente, como iam se apresentando, e eu acho que isso tem muito a ver com a música, que tem como inspiração essa desatenção dos amores digitais, o descompromisso das coisas feitas pra serem deletadas. O distanciamento entre mim e Thales (o ator Thales Cavalcanti, protagonista do vídeo) no clipe reflete um pouco disso; todo mundo acaba se sentindo meio stalker em algum ponto de um relacionamento. Não é exatamente uma crítica, mas mais uma vontade de retratar esses tempos às vezes confusos de internet.”

O vídeo, dirigido por Marccela Moreno, é o primeiro gostinho do disco que foi produzido por ela e por Habacuque Lima, mixado por Diogo Strausz e com participações de Lulina e Felipe S., do Mombojó. É o primeiro trabalho dela desde o EP Berli(m)possível, de 2015, e deve sair no meio de setembro.

A incrível reinvenção do Audac

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A banda de tecnopop curitibana Audac passou por uma drástica transformação nos últimos anos. A vocalista e compositora Alyssa Aquino desfez a formação original do quarteto e a retomou em outro formato, em dupla com o músico e produtor Matheus Reinert, seu atual parceiro de composições e de vida. Mas a mudança é ainda mais radical no som: a veia eletrônica persiste, mas sem a pegada rock que atravessava a maioria das canções. A nova formação cai para a introspecção e a produção é mais recatada, quase caseira – além das agora serem em português. O primeiro single desta nova fase é a deliciosa faixa “Hollanda”:

“A ‘Hollanda’ é uma música que é para a minha vó, Dona Hollanda”, me explica Alyssa. “Quando ela faleceu eu escrevi a canção para ela – e clipe são imagens da minha família, que meu pai fez em super 8 quando visitou Curitiba entre os anos 70 e 80. E eu editei quarenta anos depois.” A sonoridade do single é prima do chillwave, com aquela vibe de dance music feita no quarto, embora os dois não gravem em casa. “A gente compõe junto, mas não tem uma fórmula. Cada um vem com uma ideia e a gente vai mexendo, vai gravando em casa, aos poucos e assim vão surgindo as músicas. Temos uma plaquinha de som, um microfone, guitarra, baixo, mas tudo é bem na fuleiragem mesmo, só pra gravar as ideias”.

Audac-2017-

“Hollanda”, o primeiro single da nova fase, foi gravada ao lado dos músicos BRZLN AIR e o Yan Lemos e levou mais tempo que eles queriam para chegar ao formato final. “Essa música foi bem demorada, a gente nunca gravava porque nunca estava do jeito que a gente queria. Até que o Matheus, por causa das discotecagens que ele faz, teve essa ideia pro baixo, meio groove e pediu pro Yan fazer. A gente gravou e ficou bem feliz com o resultado. E grande parte da sonoridade também vem da produção do Ramon Fassina e Stefanos Pinkuss que entenderam muito o som. Melhor do a gente mesmo”, ri a vocalista.

Mas as referências são pouco contemporâneas. “A gente ouve Tom Jobim, Carpenters, Marcos Valle, Cassiano, muita trilha sonora: Piero Piccioni, Ennio Morricone… Radiohead… Essa pergunta sempre é dificil”, ela ri de novo. De bandas novas ela cita apenas o Boogarins, mais especificamente o disco mais recente do grupo goiano, Lá Vem a Morte.

A dupla, no entanto, ainda não tem formato definido para shows. “A gente quer terminar de gravar as músicas novas pra voltar a fazer show em breve. A gente quer ter dois formatos: banda e dupla, para poder tocar mais. As vezes não dá pra bancar as viagens em quatro, cinco pessoas”, explica. Mas eles não têm pressa. Melhor assim.

Queens of the Stone Age ♥ Gorillaz

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Em sua participação no festival japonês Fuji Rock, o grupo Queens of the Stone Age voltou para seu primeiro clássico, o épico “Feel Good Hit of the Summer” de seu primeiro disco, depois de encaixá-lo em uma versão para “Clint Eastwood”, dos Gorillaz. Ainda bem que tinha gente da plateia filmando esse ótimo mashup.

De outro ângulo:

“Was He Slow?”

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Que filmaço que é Baby Driver! Escrevi sobre ele pro meu blog no UOL.

Antes de mais nada, Baby Driver – ou Em Ritmo de Fuga, como prefere a versão em português para o primeiro filme norte-americano do inglês Edgar Wright que estreia esta semana no Brasil – não é um musical per se. Mas também não é um mero filme de perseguições de carro, thriller policial ou sobre assaltos a banco. O trailer engana – se não o assistiu, não faça isso para não perder metade da surpresa. Porque Baby Driver também é comédia romântica, tem elementos de terror psicológico e de filmes de ação, é paródia, sátira e homenagem, além de lidar com conflitos sobre amadurecimento e cuspir referências e citações como se fosse um filme de Quentin Tarantino. E, como dizia-se antigamente, é cool até dizer chega.

Tudo isso sustenta-se, no entanto, sobre a música. Mais que a trilha sonora das fugas enlouquecidas do personagem calado vivido por Ansel Elgort, ela é o eixo da história principal e dá ritmo e sentido a todo o filme. Só que ao contrário dos antigos musicais, ela não surge dos lábios dos protagonistas enquanto um diálogo torna-se uma canção. Ela está entre os fones de ouvido do personagem principal, que tem, em sua coleção de iPods, playlists offline para todas ocasiões.

E não há um gênero que prevaleça – ouvimos não só hits obscuros da soul music como pérolas do rock clássico, passando por músicas sampleadas em hinos do rap, rock de garagem, dance music, indie rock, jazz, glam rock, folk contemplativo e funks da pesada. E a coleção de artistas que passeia pelos ouvidos do público vai do Queen a Barry White, Beck e Martha & the Vandellas, T-Rex (“trex”, hehe) e Quincy Jones, Run the Jewels e Beach Boys, Ennio Morricone e Dave Brubeck Quartet, Blur e Focus, The Damned e Simon & Garfunkel – cada um deles lembrados por músicas que fogem de seus hits inevitáveis.

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Sobre esse fio condutor Edgar Wright constrói um filme que é ao mesmo tempo épico e modesto, espalhafatoso e delicado, violento e apaixonado. Ele põe todos os personagens do filme sincronizados com essa irresistível trilha sonora. Da mesma forma que ninguém canta de verdade durante o filme, quase ninguém dança – quase toda a coreografia é feita por carros e armas, pelo movimento das ruas e das perseguições de tirar o fôlego conduzidas por um motorista impassível, que nunca tira seus óculos escuros. Um caubói moderno, um Han Solo terráqueo que aparece inclusive na primeira cena com o traje parecido com o do mercenário coreliano.

Pelo decorrer de Baby Driver, nos encontramos com atores do calibre de John Hamm, Jamie Foxx, Kevin Spacey e Jon Bernthal, duas atrizes novatas perfeitas – a sagaz Eiza González (descoberta por Robert Rodriguez na versão em seriado para Um Drink no Inferno) e a encantadora Lily James (do Cinderela de 2015), além de pontas de nomes do mundo da música, como a cantora Sky Ferreira, o baixista dos Red Hot Chili Peppers, Flea, Paul Williams (o desconhecido compositor de hits como “We’ve Only Just Begun”, “Rainy Days and Mondays” e “Rainbow Connection”), Big Boi do Outkast, Killer Mike do Run the Jewels e Jon Spencer, do grupo Jon Spencer Blues Explosion cuja “Bellbottoms” dá o tom inicial do filme numa sequência sensacional.

Logo em seguida, “Harlem Shuffle”, que a maioria das pessoas conhece pela versão que os Rolling Stones gravaram em seu Dirty Work, surge em sua versão original, que hoje é mais reconhecida pelo sample que o House of Pain usou no início de seu hit “Jump Around”, acompanha o protagonista passeando a pé pelas ruas enquanto a música se materializa em gestos, pixações e vitrines.

É um musical feito para uma geração que cresceu com fones no ouvido, melhorando situações triviais do dia-a-dia com a trilha sonora correta, escolhida exatamente para aquele momento. É o extremo oposto de La-La-Land, que recria uma época em que as pessoas queriam cantar para expressar felicidade ou tristeza. Baby Driver abandona qualquer referência clássica para se metamorfosear em um musical pós-moderno, que faz carros dançar enquanto riscam os pneus nos asfalto e metralhadoras cuspir junto com a bateria e a percussão. É o musical que o século 21 estava esperando.

Como o incensado segundo filme de Damien Chazelle, o sexto filme de Edgar Wright enche-se de citações e referências, mas vivas e reconhecíveis, não feitas apenas para fanáticos por Hollywood clássica ou por gente com mais de meio século de vida. Wright é pop maiúsculo e Baby Driver encaixa-se perfeitamente em sua filmografia, fazendo par tanto com o seriado cult Spaced, a trilogia que fez com Simon Pegg e Nick Frost (Todo Mundo Quase Morto de 2004, Chumbo Grosso de 2007 e Heróis de Ressaca de 2013) e o videogame em carne e osso de Scott Pilgrim Contra o Mundo. E por mais que sua história tenha começo, meio e fim, o que importa é a viagem e a trilha sonora – tudo muito alto astral. Aumenta o som!

Mostra de Cordas Dedilhadas

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O mês de agosto do Centro Cultural São Paulo é dedicado a derrubar barreiras entre música erudita e popular – e a Mostra de Cordas Dedilhadas, cuja décima sexta edição ocupa diversos espaços do CCSP, é o carro-chefe desta transformação, apresentando obras que vão de recitais e concertos clássicos a apresentações que flertam com o teatro e a música flamenca, além do cinema. A mostra traz apresentações de nomes nacionais e internacionais, como Angela Muner, Rémy Reber, Esdras Maddalon, Flávio Apro, Andrea Roberto, Fabio Moraes e um sarau em homenagem a Ronoel Simões, um dos maiores colecionadores de gravações de violões do mundo, cujo acervo foi adquirido recentemente pelo próprio Centro Cultural. Até os Concertos de Discos deste mês, que anuncio em breve, vão para esta vertente. Abaixo, o texto de apresentação que escrevi para o catálogo da mostra, que está sendo distribuido gratuitamente em todas as apresentações. A programação completa você vê no site do CCSP.

Uma só música
A Mostra de Cordas Dedilhadas deixa clara que a divisão entre música popular e erudita é artificial

Em algum momento na virada do século dezenove para o século vinte, a música virou duas. Novas invenções passaram a permitir a gravação e reprodução de músicas sem que fosse preciso a presença de um músico, mas aquela novidade tecnológica vinha com uma desvantagem – havia uma limitação de tempo de registro e nos poucos minutos que a gravação podia ser realizada, não cabiam obras e peças inteiras que foram compostas nas décadas e
séculos anteriores.

A partir desta inovação, o foco da história da música deixa de ser estético e passa a ser comercial, fazendo que os novos empreendedores do incipiente mercado fonográfico deixassem conservatórios e salas de concerto em segundo plano em busca de músicos que tocassem na rua, em bailes, festas e saraus. Estes novos músicos, que cantavam e tocavam melodias que não exigiam partitura e muitas vezes abriam espaço para o improviso, a informalidade e até o duplo sentido, aos poucos foram sendo os criadores da canção, este novo formato musical que tornou-se padrão naquela nova forma de se comercializar música.

Assim aconteceu a separação entre a música popular e a música erudita – e enquanto a primeira foi se tornando cada vez mais abrangente e passou a ditar as regras do jogo, a segunda encolheu-se, vestiu fraque e passou a tocar em locais cada vez mais restritos e isolados.

Com a Mostra de Cordas Dedilhadas, a curadoria de música do Centro Cultural São Paulo quer abolir esta barreira, mostrando que estas duas facções na verdade fazem parte de uma mesma essência, pura e indivisível – a música em si. Ela pode ser acessível a ouvidos cultos e incultos, seja composta e executada por virtuoses ou diletantes. A divisão da música em duas categorias reforça uma separação social e econômica mais do que cultural e tanto artistas quanto públicos eruditos e populares não apenas podem como devem se misturar e conhecer uns aos outros.

A arte e a cultura devem aproximar e não afastar. Agregar e não elitizar. Uma só arte, uma só cultura. Uma só música.