Letrux no CCSP
Letícia Novaes apresenta seu Em Noite de Climão nesta quinta-feira em São Paulo no CCSP (mais informações aqui) e aproveitei a deixa para pedir para que ela dissecasse seu disco faixa a faixa abaixo:
Letícia Novaes apresenta seu Em Noite de Climão nesta quinta-feira em São Paulo no CCSP (mais informações aqui) e aproveitei a deixa para pedir para que ela dissecasse seu disco faixa a faixa abaixo:
O grupo indie norte-americano já mostrou duas músicas de seu próximo disco, Sleep Well Beast, e tanto “The System Only Dreams in Total Darkness” quanto “Guilty Party” mostram que a banda está em seu auge de composições. A recém-lançada “Carin at the Liquor Store” segue a mesma linha e reforça a possibilidade do disco que será lançado setembro ser o melhor disco da carreira da banda, ouça:
O disco já está em pré-venda (inclusive a edição especial que ilustra este post) no site da banda.
O canadense Dan Bejar, da banda New Pornographers, acaba de anunciar mais um disco gravado sob o codinome Destroyer. Ken teve seu título inspirado a partir de uma história que o próprio Bejar conta no release de anúncio do novo álbum, que está programado para ser lançado em outubro:
“Em algum momento do ano passado, descobri que o título original para ‘The Wild Ones‘ (uma das maiores baladas em inglês dos últimos cem anos e poucos) era ‘Ken’. Tive uma epifania, eu fui fisicamente atingido por essa informação. Em tentativas de reter esse sentimento, decidi pegar o título original daquela música e usá-lo para meus próprios propósitos. Não sei direito quais são esses propósitos ou qual é a conexão. Eu não estava pensando no Suede quando gravei esse disco. Estava pensando nos últimos anos da era Thatcher. Eram anos em que a música me veio como uma doença, que eu sentia forte. Talvez ‘The Wild Ones’ converse com esse sentimento, provavelmente é por isso que o Suede nunca fez sentido nos Estados Unidos. Acho que ‘Ken’ quer dizer ‘conhecer’.”
A primeira música revelada do novo disco é a faixa de abertura, “Sky’s Grey”:
O disco já está em pré-venda e abaixo você vê a capa e a ordem das músicas do álbum, que será lançado no dia 20 de outubro:
“Sky’s Grey”
“In the Morning”
“Tinseltown Swimming in Blood”
“Cover From the Sun”
“Saw You at the Hospital”
“A Light Travels Down the Catwalk”
“Rome”
“Sometimes in the World”
“Ivory Coast”
“Stay Lost”
“La Regle du Jeu”
Mais uma música nova do grupo da Filadélfia War on Drugs, “Pain” segue aumentando a expectativa para o próximo disco do grupo, A Deeper Understanding, que chega no final do mês.
O grupo já havia mostrado a canção ao vivo no fim do mês passado:
E além de “Pain”, o grupo já havia mostrado as músicas “Thinking of a Place” e “Holding On”, além de “Strangest Thing” (abaixo).
Todas ótimas.
Menos de um ano depois de lançar seu álbum de estreia, Yoncalla, o quarteto neo-zelandês Yumi Zouma anuncia seu segundo disco, Willowbank, que já está em pré-venda e vem anunciado pelo delicioso single “December”:
A capa é esta imagem que abre o post e as músicas, na ordem que entram no disco, são estas:
“Depths (Pt. I)”
“Persephone”
“December”
“Half Hour”
“Us, Together”
“Gabriel”
“Carnation”
“In Blue”
“Other People”
“A Memory”
“Ostra”
“Depths (Pt. II)”
Esta é a capa de American Dream, quarto disco em estúdio do grupo de disco-punk LCD Soundsystem que chega ao mundo no primeiro dia do mês que vem. O disco já está em pré-venda e estes são os títulos das faixas novas na ordem em que aparecem no álbum.
“Oh Baby”
“Other Voices”
“I Used To”
“Change Yr Mind”
“How Do You Sleep?”
“Tonite”
“Call the Police”
“American Dream”
“Emotional Haircut”
“Black Screen”
O disco de estreia do Pink Floyd completa meio século de vida e eu escrevi sobre sua importância lá no meu blog no UOL.
Quando o Pink Floyd lançou seu disco de estreia, The Piper at the Gates of Dawn, há exatos cinquenta anos, no dia 5 de agosto de 1967, a cultura mundial estava em pleno processo de transformação. O amadurecimento da primeira geração das bandas de rock e a consolidação da indústria fonográfica e da cultura pop coincidiu com a afirmação de diversas tendências comportamentais que corriam mundialmente no underground – os beats norte-americanos, a nouvelle vague francesa, a ascensão do feminismo e dos movimentos pelos direitos civis em todo o mundo, o uso recreativo de drogas alucinógenas, a causa hippie, o orgulho negro, o free jazz e a pop art. O mágico ano de 1967 prenunciava uma era de renovação, uma revolução cultural que nos levaria a um novo estágio – um novo nível de consciência, a idade espacial ou a era de Aquário. E o Pink Floyd apontava os rumos a serem seguidos.
Em apenas dois anos, o grupo inglês formado por três ex-estudantes de arquitetura e um estudante de arte ultrapassou a fase de blues elétrico que dominava a Londres do meio dos anos 60 em busca de horizontes que nunca haviam sido explorados pela música pop. Liderados pelo único não-arquiteto da banda, o carismático Roger “Syd” Barrett, que pouco a pouco se transformava em guru de uma geração, o grupo formado pelo baixista Roger Waters, o tecladista Rick Wright e o baterista Nick Mason aos poucos abandonou a estrutura básica do rhythm’n’blues norte-americano para usar e abusar de novos formatos de composição.
Syd foi um dos primeiros entusiastas do LSD na Inglaterra, substância descoberta por acaso pelo cientista suíço Albert Hoffmann em uma tarde de 1943 que ficou restrita ao círculo farmacêutico até ser descoberta e utilizada pelo cientista norte-americano Timothy Leary no início dos anos 60. Os efeitos da dietilamida do ácido lisérgico, que ainda era uma droga legal, na mente criativa de Syd fez que ele levasse o rock para outra dimensão em todos os sentidos: não só a estrutura das canções mudava drasticamente (bebendo de fontes alternativas – e inglesas) bem como o tema e suas apresentações ao vivo. E embora os outros integrantes da banda não fosse usuários aficionados como Syd, todos eles deixavam-se levar pela onda alucinógena que o vocalista e guitarrista emanava. O próprio nome da banda era uma prova de como estes limites poderiam ser explorados. Syd sugeriu batizá-los de Pink Floyd a partir de uma explicação lisérgica, mas ele apenas reuniu o prenome de dois de seus bluesmen favoritos, Pink Anderson e Floyd Council.
Ao vivo, a banda, vestidas com roupas coloridas, camisas bufantes, chapéus, franjas e botas, entregava-se ao improviso e às divagações musicais de Syd, que graças às inéditas fórmulas de iluminação no palco, quando projeções gelatinosas eram miradas sobre a banda, parecia tornar-se um sacerdote místico. Exímio guitarrista, ele também levava seu instrumento a paisagens distantes da primeira geração do rock ou do movimento mod que dominava a Londres do período. Em shows que duravam horas, o Pink Floyd aos poucos foi construindo sua reputação como um dos principais faróis de um novo movimento: a psicodelia.
Era uma transformação comportamental que inevitavelmente caía sobre o rock. Os ecos destas mudanças aconteciam em vários lugares do mundo, principalmente na Califórnia e na Inglaterra, e o Pink Floyd era o principal motor deste movimento, que contava com outros ícones bem próximos, como o guitarrista norte-americano Jimi Hendrix (que foi criar seu Experience em Londres) e, claro, os Beatles.
O grupo de Liverpool estava trancado no estúdio 2 de Abbey Road desde o início de 1967 e já haviam lançado o compacto com as faixas “Strawberry Fields Forever” e “Penny Lane” quando o Pink Floyd assinou com a EMI para gravar seu disco de estreia no estúdio 1, vizinho ao que os Beatles gravaram Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. O disco do Pink Floyd foi produzido pelo engenheiro Norman Smith., que já vinha trabalhando com os Beatles há tempos. A troca de informações entre os dois discos e as duas bandas ainda são um assunto intocado, bem como quem influenciou quem. O disco dos Beatles foi lançado dois meses antes da estreia do Pink Floyd, mas os dois discos ficaram prontos praticamente ao mesmo tempo.
E o disco do Pink Floyd era muito mais ousado que o dos Beatles. Embora Sgt. Pepper’s tenha causado ao reunir uma orquestra inteira para tocar o crescendo de “A Day in the Life”, costurado o carrossel de colagens de “Being for the Benefit of Mr. Kite!”, citado a sigla de LSD em “Lucy in the Sky with Diamonds” e posto oriente e ocidente para duelar em “Within You Without You”, The Piper at the Gates of Dawn (título tirado de um capítulo do clássico infantil Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame, sobre o deus grego Pan) ia além.
Talvez não tivessem os recursos que os Beatles tinham, mas isso não tornava suas viagens mais tímidas. Ia do espaço sideral (com a faixa de abertura “Astronomy Domine” e o longo improviso instrumental de “Interstellar Overdrive”) ao I Ching (“Chapter 24”), da visita de seres míticos (“The Gnome”) à infância (“Bike”), sempre ao som de progressões de acordes incomuns, solos melancólicos, riffs destrambelhados, fractais em teclados elétricos, bateria desenfreada, baixo melódico e duro, efeitos eletrônicos e sonoplastia. The Piper at the Gates of Dawn é quase um OVNI que pousa no meio daquilo que hoje conhecemos como rock clássico, acendendo luzes que apontam para rumos que nunca haviam sido cogitados.
Parte de seu brilho talvez venha de sua velocidade. Do mesmo jeito que ascendeu, Syd Barrett pifou. O mesmo LSD que o fez visionário, o cegou de forma brutal, transformando-o em um Ícaro psicodélico, a primeira vítima séria da era hippie, que mesmo que não tivesse sido fatal, transformou-se em um peso morto que constrangia a banda ao vivo. Por diversas vezes ficava imóvel no palco, não dublava a própria voz em programas de TV e o grupo teve de chamar um quinto músico para que a banda pudesse funcionar – e em pouco tempo David Gilmour o substituiu, levando a banda para um limbo estético que durou vários discos – e que forjou uma das principais lendas da história do rock.
Mas a influência de Syd sempre esteve presente. O próprio clássico Dark Side of the Moon é uma ode à loucura e funciona como um questionamento em relação ao que aconteceu com o amigo do grupo – que batizou o álbum de forma que a palavra “Side” ecoasse o nome do fundador da banda. O disco seguinte, Wish You Were Here, foi mais direto – e além da descarada declaração de amizade da faixa-título (“Queria que você estivesse aqui”) dedicava a longa suíte “Shine On You Crazy Diamond” ao pai da psicodelia inglesa. Mas seu recado já estava dado em The Piper at the Gates of Dawn – e ecoa firme até hoje. Brilha muito.
Alguém notou uma certa semelhança entre as duas aparições do Dr. Amp na nova temporada de Twin Peaks e emparelhou as duas cenas – a primeira do quinto episódio, a segunda do décimo segundo – e o resultado é de tirar o fôlego!
Pode ser só coincidência, mas não foi a primeira vez que isso aconteceu – você viu aquela cena da caixa de vidro…
Participo de duas mesas na primeira edição do festival brasiliense neste fim de semana. No sábado faço a mediação em uma mesa sobre música e empreendedorismo e no domingo participo de outra sobre jornalismo e música. Mais informações abaixo:
Sábado, 5 de agosto
15h
Música ilimitada: o empreendedorismo musical
Cases de músicos e suas empresas que diversificam no mercado.Sinopse: Vender discos e fazer shows? Muito além disso! Artistas e produtores contam como criaram formas próprias de crescer no novo mercado da música e hoje são exemplos de empresas bem sucedidas e sólidas.
Com Tomás Bertoni (Scalene) e Diego Marx (Rockin’ Hood), Evandro Fióti (Lab Fantasma), Helô Aidar e Mariana Aydar (Brisa).
Mediador: Alexandre Matias.
(Sala Buriti de 156 lugares)
Domingo, 6 de agosto
15h
Além da Crítica Cultural: Veículos de imprensa que se tornam plataformas multidisciplinares de conteúdo de músicaSinopse: Em tempos de espaços reduzidos para a música nos meios tradicionais, críticos musicais viram curadores ou realizadores de iniciativas diversas que assumem um papel primordial para a promoção de novos artistas, como festivais de música, projetos independentes e/ou plataformas de conteúdo. Seriam esses novos canais capazes de substituir de vez o jornalismo e a crítica tradicional na função de disseminar novas tendências artísticas?
Com Afonso de Lima (Popload), Pedro Antunes (O Estado de S.Paulo), Adriana Izel (Correio Braziliense), Lucas Breda (Rolling Stone), Luccas Oliveira (O Globo), Alexandre Matias (Trabalho Sujo), Pedro Alexandre Sanches (Carta Capital), Tony Aiex (TMDQA).
Mediação: Claudia Assef (Music Non Stop)
(Sala Buriti de 156 lugares)
Mais informações no site do festival.