Sem alarde, Kurt Vile e Courtney Barnett lançam o primeiro single de sua colaboração mútua junto com o clipe de “Over Everything” – que música boa! Lotta Sea Lice vê a luz do dia no dia 13 de outubro – a capa é essa aí em cima e a ordem das faixas (que inclui Kurt regravando “Outta the Woodwork” de Courtney e Courtney regravando “Peeping Tomboy” de Kurt) vem abaixo do clipe.
“Over Everything”
“Let It Go”
“Fear Is Like a Forest”
“Outta the Woodwork”
“Continental Breakfast”
“On Script”
“Blue Cheese”
“Peepin’ Tom”
“Untogether”
Saulo Duarte está começando a definir sua carreira solo. Não, ele não abandonou a Unidade, grupo com o qual se estabeleceu na última década, mas busca pouco a pouco encontrar uma voz própria, paralela à de seu trabalho no grupo. “Ao longo desses nove anos com a Unidade eu compus outras músicas que não entraram nos discos da banda por não pertencerem àquele universo musical”, ele me explica por email. Sua carreira solo começa esta semana quando ele revela a primeira faixa de sua nova fase, ao lançar “O Lance” em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Ela fala um pouco sobre o flerte, sobre isso de conhecer alguém, trocar poucas palavras e o indizível ficar no ar, as possibilidades variadas, a imaginação…”, ele continua. “É um devaneio dividido em algumas partes acompanhadas pela a parte instrumental: a parte 1 é conhecer a pessoa, parte 2 é o devaneio do ‘sonho/pesadelo’, a parte 3 é a constatação do que aconteceu e a parte 4 é o deleite de voltar pra casa com o lance que não precisa acontecer pra existir – lalalala”, brinca. A música carrega o que deve ser a marca dessa nova fase da carreira do compositor paraense: as parcerias com outros músicos e produtores. “Ela foi gravada no estúdio Navegantes pelo Ze Nigro e produzida pelo Curumin. Chamei esse nucleo do Curumin e os Aipins porque a gente já toca junto na banda do Russo Passapusso e na banda do próprio Curuma e já existe uma afinidade sonora, um gosto compartilhado. Foi fácil direcionar as idéias com eles porque já ia tudo pra mesma direção de forma natural, aí tem o Lucas Martins na guitarra, o Mauricio Badê na percussão, além do Curumin e do Ze Nigro tocando também. Ela foi mixada pelo Gustavo Lenza e masterizada pelo Felipe Tichauer”. O lançamento oficial é pela gravadora YB e chega às plataformas digitais nesta sexta-feira.
Sobre a sua banda oficial, ele acalmma os fãs. “A Unidade não acaba, todos da banda estão envolvidos em outros trabalhos atualmente e isso faz com que sigamos de uma forma diferente, mas a gente segue conversando sobre música e planeja lançar um próximo disco no futuro”, continua. “Agora estou envolvido no processo do meu disco e é minha prioridade. Essa diferenciação dos trabalhos acho que quem gosta do som naturalmente vai sacar, existem diversas semelhanças porque é o mesmo compositor, então diria que são diferenças sutis no texto, nos detalhes do som, mas é continuidade também.”
A previsão de lançamento do disco é para o ano que vem, mas ele planeja liberar outros singles antes do disco ficar pronto. “Quero ir fazendo essa transição de forma suave, é do meu desejo fazer um disco de música brasileira, com referências brasileiras, com o violão junto da banda novamente, fazendo riffs. Já tenho as músicas todas compostas, agora estou organizando para entender de que forma vai se dar essa narrativa.”
Uma boa alma fez o favor de colocar online a trilha que o Metá Metá fez para do espetáculo de dança do Grupo Corpo em homenagem a Exu, chamado Gira, que ainda tem Elza Soares no vocal de duas canções.
As Caravanas, recém-lançado disco de Chico Buarque, é o disco que esperávamos que Chico lançasse há anos, mas que ele preferia manter-se na inércia de seu último grande disco, Para Todos. Desde o início dos anos 90 Chico vem lançando álbuns mornos (o último realmente interessante é As Cidades, do século passado) numa inércia que vinha pela idade, pela preguiça (um direito sagrado, não custa frisar) e pela dedicação à sua produção literária, onde parecia estar dedicando-se mais.
Mas veio a polarização política do Brasil, Chico tornou-se alvo de uma ideologia retrógada que insiste em dar as cartas no Brasil, virou meme e viu-se empurrado mais uma vez para o holofote das discussões. E não apenas lança um disco com o esmero e amplitude sonora de seus grandes trabalhos como compõe esta que já é uma de suas grandes canções, a faixa que batiza o disco, que dá pra cravar, sem crise, que é a música mais importante do ano.
Resposta dura e sofisticada à depredação moral que vem se abatendo sobre o país, “As Caravanas” é irmã caçula de “Vai Passar”, mas o foco é dedicado à parte tensa desta outra canção (“Dormia / A nossa pátria mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída/ Em tenebrosas transações”) do que ao regozijo com a passagem do sanatório geral citado ao final. Parecia que tinha passado, não passou e amanhã ainda há de ser outro dia, mas Chico prefere falar do hoje, do agora – e mostrar como o passado segue firme, presente, ao nosso redor (com o arranjo dramático e a guitarra de Luiz Cláudio Ramos e o beatbox de Rafael Mike, do Dream Team do Passinho).
“É um dia de real grandeza, tudo azul
Um mar turquesa à la Istambul
Enchendo os olhos
E um sol de torrar os miolos
Quando pinta em Copacabana
A caravana do Arara
Do Caxangá, da Chatuba
A caravana do Irajá
O comboio da Penha
Não há barreira que retenha
Esses estranhos
Suburbanos tipo muçulmanos
Do Jacarezinho
A caminho do Jardim de Alah
É o bicho, é o buchicho, é a charanga
Diz que malocam seus facões
E adagas
Em sungas estufadas e calções disformes
Diz que eles têm picas enormes
E seus sacos são granadas
Lá das quebradas da Maré
Com negros torsos nus deixam
Em polvorosa
A gente ordeira e virtuosa que apela
Pra polícia despachar de volta
O populacho pra favela
Ou pra Benguela, ou pra Guiné
Sol, a culpa deve ser do sol
Que bate na moleira, o sol
Que estoura as veias, o suor
Que embaça os olhos e a razão
E essa zoeira dentro da prisão
Crioulos empilhados no porão
De caravelas no alto mar
Tem que bater, tem que matar
Engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia
Ou doido sou eu que escuto vozes
Não há gente tão insana
Nem caravana do Arara”
Depois de muito enrolar, Beck anuncia finalmente o lançamento de seu novo álbum. Colors (que já está em pré-venda) será lançado no dia 13 de outubro, a capa é esta aí em cima e a ordem das faixas vem logo após o clipe que ele fez para mais uma música nova, a ensolarada “Dear Life”.
Que sonzeira essa “Look What You Made Me Do” que a Taylor Swift lançou nesta quinta à noite: pop venenoso, puxado pro rap, cheio de indiretas e recados nas entrelinhas. O refrão sampleia o groove sintético de “I’m Too Sexy” e lembra Britney Spears clássica, da década passada, numa reinvenção genial da diva pop do excelente 1989, seu último disco.
E seu marketing pessoal vem embalado de forma que ela soe ferina mas ao mesmo tempo vítima de si mesma – a letra é cheia de incertezas sobre a própria protagonista e a cobra com a qual ela anunciou o novo capítulo engole o próprio rabo durante o clipe. No final da música, ela pede “desculpas, mas a velha Taylor não pode atender agora. Por quê? Porque ela está morta!”.
Vai ser interessante notar esse renascimento – especificamente durante a era Trump.