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Noites Trabalho Sujo | 16.6.2018

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Vamos adentrar junho em mais um sábado daqueles, dispostos a espantar o frio com boas vibrações e frequências sonoras que vão direto ao aos quadris. O fundador das Noites Trabalho Sujo recebe duas novatas no auditório azul da festa, ambas frequentadoras assíduas de nosso encontro mensal no Centro de São Paulo: Marina Monaco com toda sua elegância e requinte e Stephanie @pavaomysteryoso Antunes derretendo cérebros e corações, enquanto no auditório preto, o mestre Wilson Farina recebe o casal Aloizio Nascimento e Natalia Silva (do saudoso inferninho Razzmatazz) e o compadre Martim Batista, todos conspirando para a noite junina ser mais um daqueles encontros célebres. Lembrando que só entra na Trackers quem mandar o nome para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 18h do dia do evento. Nos vemos lá?

Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Sabado, 16 de junho de 2018
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias (Noites Trabalho Sujo), Marina Monaco, Stephanie Antunes, Aloizio Nascimento, Natalia Slva, Wilson Farna e Martim Batista.
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 40, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor). Os cem primeiros a chegar pagam R$ 25.

Built to Spill no Brasil!

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Built to Spill, a mítica banda indie liderada pelo guitar hero Doug Martsch finalmente vem ao Brasil, quando apresenta-se em Belo Horizonte no dia 8 e em São Paulo no dia 9 de novembro, em mais um golaço da Balaclava em parceria com a Powerline do Leandro Carbonato – mais informações aqui.

E, de repente, mais músicas novas dos Chromatics!

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Os Chromatics mal lançaram a faixa “Black Walls” e já emendaram uma curta série de lançamentos que nos leva a crer que talvez o tão aguardado Dear Tommy esteja finalmente numa agenda de novas obras do grupo (espero que para ainda esse ano!). Primeiro, a banda de Johnny Jewel lançou o EP Camera, posto à venda apenas em vinil em seu site oficial, com faixas com títulos como “The Taste Of Blood”, “Flashback To Forever” e “Magazine (Club Instrumental)”, todas elas curtíssimas, entre dois e três minutos cada.

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Depois foi a vez do single “Blue Girl”, que veio acompanhado de quatro outras versões, cada uma com seu subtítulo (“Say Goodbye”, “Don’t Say a Word”, “Drumless” e “Instrumental”), posto para audição nas plataformas digitais.

Dear Tommy, o sucessor do maravilhoso Kill for Love, vem sendo prometido há anos e, aparentemente, está sendo recriado do zero depois que Jewel destruiu todas as cópias físicas que vinham com a versão anterior do disco, que deveria ter sido lançado em 2016. Mas, pelo jeito, agora vai…

Um papo com Geoff Emerick

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Conversei com o engenheiro de som dos melhores discos dos Beatles, que vem ao Brasil para dar uma masterclass neste fim de semana, em Porto Alegre, para uma matéria para a revista Trip. Um trecho da conversa:

“Os Beatles não eram meus ídolos, porque eu vi eles acontecendo”, lembra-se. “Eles gravaram ‘Love Me Do’ dois dias depois que eu comecei a trabalhar em Abbey Road. Era só um trabalho, mas eu vi o crescimento deles como parte do meu trabalho. Nós não éramos conhecidos mas reconhecíamos uns aos outros no estúdio, sabe? Até que eu comecei a trabalhar com masterização e eu passei a trabalhar diretamente com eles a partir do álbum Revolver, de 1966. Eu assisti à carreira deles do começo até o final.”

Ele explica que, embora estivessem cansados de fazer shows, o que fez o grupo se dedicar principalmente aos discos foi seu senso de aventura, mais do que a estafa e a exaustão dos dias de turnê. “Quando gravamos o Revolver eles ainda estavam fazendo shows, mas eles não conseguiam reproduzir o que fazíamos no estúdio nos palcos. Eles até tentavam, mas era um desastre”, ri. “Quando começamos a gravar Sgt. Pepper’s, em 1967, John Lennon dizia que, agora que eles não iriam mais fazer shows, a gente não precisava se preocupar com a sonoridade ao vivo daquelas novas músicas — e isso deu um rumo completamente diferente para eles. E todos olharam pra mim e eu não tinha nenhum equipamento, não havia plugins, era só um gravador de dois canais e uma câmara de eco, sabe? O desafio era criar a partir daquilo, a partir do nada. Metaforicamente eu só tinha cola e fita adesiva, eram esses os recursos que eu tinha para criar o que eles queriam.”

Ele também conta de sua relação com seu chefe direto na época, o mítico produtor George Martin (1926-2016). “Muito se fala da relação dos Beatles com George Martin como se ele fosse o diretor da escola — e de fato ele era. No começo, eles ficavam nervosos quando ele vinha falar com eles. Aos poucos, isso foi diminuindo, mas a gente se entendeu a partir disso e muito rápido, principalmente por termos o mesmo tipo de senso de humor. Então desenvolvemos uma cumplicidade que bastava olhar no olho um do outro para saber o que estava certo ou errado, trocávamos olhares e sorrisos mais do que palavras. Líamos a mente um do outro e muita gente comentava sobre isso durante as sessões de gravação: ‘Você e o George não se falam durante as gravações?’ A gente não precisava, não tinha muita discussão.”

Geoff lembra da dinâmica dos Beatles em ação. “A parte mágica daquilo era que Lennon e McCartney eram opostos completos. Quando os dois começavam uma música, um deles escrevia algo num papel — uma estrofe, um refrão — e falava para o outro que não tinha uma ideia de como terminar aquela parte. Era essa combinação entre os dois que faziam as coisas acontecerem, além de George e Ringo trabalharem cada vez mais pesado para soarem melhor.”

Leia a íntegra lá na Trip.

O último disco do Spiritualized?

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Depois de passar o início do mês resetando sua máquina de mídias sociais com códigos morses e vídeos sem rosto, Jason Pierce anuncia o laçamento de And Nothing Hurt, o oitavo disco de sua catedral musical Spiritualized, e, segundo o próprio, a despedida de seu grupo de space noise gospel. Ele publicou um texto explicando o novo trabalho no site da gravadora Fat Possum:

“Fazer este disco sozinho me deixou mais doido do que qualquer outra coisa que eu já tinha feito antes. Estávamos tocando nestes grandes shows e eu realmente queria capturar o som que estávamos fazendo, mas sem os recursos para fazê-lo, eu tive que achar uma forma de trabalhar dentro das minhas restrições do dinheiro que eu tinha. Então comprei um laptop e fiz tudo num quarto pequeno em casa…

O principal para mim era tentar fazer soar como se fosse uma sessão de estúdio. Há trechos em que fui para um estúdio gravar – principalmente bateria e percussão. Quer dizer, não dá pra subir um tambor tímpano pelas escadas da minha casa. Quando tive que aceitar a forma que iria fazer o disco, assumi que iria fazê-lo soar como Lee Perry – voando por diferentes ângulos, tudo extraordinário e sem alta tecnologia na construção. Mas eu era novo em relação àquilo tudo, eu tinha todo o tipo de atalho que as pessoas têm quando fazem discos – eu apenas sentei ali por semanas… Meses… Mexendo com todas as camadas para cima pouco a pouco, tentando fazer tudo soar bem…

Com um tanto de tentativa e erro, encontrei formas de fazer algo que era muito simples, se você tem os recursos. Eu passei duas semanas ouvindo discos de música clássica e tocando o acorde que eu queria em minha guitarra. Quando eu encontrava algo que se encaixava no que eu queria, eu sampleava aquele trecho e ia para o próximo acorde para encaixar aquele outro. Foram semanas tentando juntar algo e empilhar sons de cordas convincentes. Mas, para ser honesto, tudo que eu queria era alguém que viesse tocar a sua parte e trazer sua própria pequena contribuição para o disco.”

Ele confirmou o que já vinha dizendo em entrevistas anteriores, que seu próximo disco seria o último do Spiritualized:

“Eu fui bem sincero sobre isso e ainda acho que seja o caso. É muito trabalho pesado. Eu ficava completamente louco por muito tempo. Não é que não vá voltar, é que estou bem agora… É tão difícil fazer um trabalho desses por sua própria conta. É como se eu estivesse me forçando ao limite da loucura, não vai dar certo. Acho que o grande objetivo é fazer algo que valha a pena todo aquele tempo e esforço. E quando mais tempo e esforço, mais o objetivo aumentava. E o que era incrivelmente positivo em relação ao disco é que iremos tocá-lo ao vivo. É sempre a coisa mais feliz; esta coisa incrível que parece te fazer atravessar o teto.”

A capa do disco (que abre o post) e a ordem das faixas (no final) foram anunciadas junto com duas novas músicas: a belíssima “Perfect Miracle” e a singela “I’m Your Man”, que também ganhou clipe:

O disco será lançado em setembro e já está em pré-venda.

“A Perfect Miracle”
“I’m Your Man”
“Here It Comes (The Road) Let’s Go”
“Let’s Dance”
“On the Sunshine”
“Damaged”
“The Morning After”
“The Prize”
“Sail on Through”

A vida após o Ventre

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Larissa tinha acabado de tocar com a banda Papisa na segunda edição de seu espetáculo Tempo Espaço Ritual no Centro da Terra quando fui cumprimentá-la ao lado do palco. Ela estava exausta e elétrica como sempre fica após os shows, mas seu olhar, em vez de eufórico, estava perdido no infinito. Não consegui segurar e perguntei o que ela tinha – e ela desabafou, lágrimas nos olhos: “A Ventre acabou!”.

Não é preciso nem conhecê-la direito para saber o impacto daquela notícia em sua vida – qualquer um que já tenha assistido a um show do trio formado por Larissa Conforto (bateria e voz), Hugo Noguchi (baixo e voz) e Gabriel Ventura (guitarra e voz) sabe que a intensidade emocional carregada sobre o grupo transpira por todos os poros, atingindo o público como uma tempestade de fortes sensações misturadas: tristeza e esperança, choro e euforia, pânico e êxtase. E se o trio tem sua dose equânime de talento e sensibilidade, a força-motriz deste temporal é Larissa, tanto ao esmurrar sua bateria quanto ao entregar-se nos vocais. E isso não é mérito apenas em sua banda – já a vi fazendo isso nos shows de Thiago Pethit em homenagem à Patti Smith, com o My Magical Glowing Lens e com a Papisa de Rita Oliva, como naquele fim de fevereiro em que a encontrei desolada. Fora seu papel como agente cultural – já trabalhou em gravadora, teve casa de shows e é uma das instrumentistas mais intensamente ativas na cena indie brasileira -, além de ser um amor de pessoa.

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Era fevereiro deste ano e o Ventre ainda iria tocar no Lollapalooza naquela que seria sua grande apresentação às vésperas do segundo álbum. Mas no fundo o trio já sabia que teria que suspender as atividades desde o início do ano, antes de abrir para os shows do Toe em São Paulo e de participar do festival catarinense Psicodália, no carnaval. Encontrei com Larissa pouco tempo antes deste show no Lollapalooza e combinei de bater um papo com ela sobre o fim da banda – que depois o grupo passou a se referir como “pausa” – e o que ela deve fazer em breve. E aproveitei para conversar sobre a cena independente brasileira, arte e política. O papo, via Whatsapp, levou alguns dias entre março e abril, perto do lançamento da primeira parte do EP que encerra as atividades do grupo (Saudade (O Corte 切り)), por isso só agora consegui organizar os áudios e publicar toda nossa conversa.

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Fale sobre o fim da Ventre.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-fale-sobre-o-fim-da-ventre

É o fim, é uma pausa ou está 100% em aberto?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-e-o-fim-e-uma-pausa-ou-esta-100-em-aberto

Como foi o último show da banda no Lollapalooza?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-como-o-ultimo-show-da-banda-no-lollapalooza

E vocês ainda lançam um EP antes de acabar de vez?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-e-voces-ainda-lancam-um-ep-antes-de-acabar-de-vez

Vocês vão fazer mais shows ou fazer um show de despedida?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-voces-vao-fazer-mais-shows-ou-fazer-um-show-de-despedida

O que mais você vai fazer agora que a Ventre acabou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-o-que-mais-voce-vai-fazer-agora-que-a-ventre-acabou

Como você vê o mercado independente brasileiro de dez anos pra cá?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-como-voce-ve-o-mercado-independente-brasileiro-de-dez-anos-pra-ca

Você falou sobre festivais, mas queria que você falasse sobre o papel das casas de show.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-voce-falou-sobre-festivais-mas-e-as-casas-de-show

E como entra a comunicação e a divulgação nesta história?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-e-como-entra-a-comunicacao-e-a-divulgacao-nesta-historia

É nítida a evolução da cena independente brasileira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-e-nitida-a-evolucao-da-cena-independente-brasileira

Arte é resistência?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-arte-e-resistencia

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Foto: Breno Galtier (Divulgação)

Numa época política tão conturbada, por que a música brasileira não protesta?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/larissa-conforto-2018-numa-epoca-politica-tao-conturbada-por-que-a-musica-brasileira-nao-protesta

Ian Svenonius no CCSP

escapeism

Ex-líder do Make Up, Ian Svenonius apresenta seu novo álbum Escape-ism neste sábado e domingo no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui). No sábado, ele participa de um bate-papo com Antonio Bivar, autor do livro O Que É Punk?, que está ganhando nova edição com ilustrações de Kiko Dinucci, e Tina Ramos, uma das primeiras mulheres do movimento punk paulista, com mediação feita por Rodrigo Brandão (mais informações aqui). O bate-papo começa às 17h no sábado na Praça das Bibliotecas do CCSP e os shows acontecem na Sala Adoniran Barbosa (sábado às 19h e domingo às 18h). Vamos lá?

iansvenonious