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Baggios encerrando o ciclo de Brutown

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

Foto: Jessica Dias (Divulgação)

O grupo sergipano The Baggios começou os trabalhos de seu festejado disco mais recente, o pesado Brutown, lançando o single de “Saruê” no Trabalho Sujo, em 2016, e agora voltam ao site para encerrar o ciclo deste álbum com o clipe da mesma canção, que tem a participação de Jorge Du Peixe. “É uma música forte que traduz bastante o mundo doido que vivemos, e foi esse universo que quis descrever no disco. Justamente nesse clipe que chegamos mais próximo de retratar a Cidade Brutal”, me explica o vocalista e guitarrista da banda, Julio Andrade. “A ideia do clipe partiu de quando uma amiga me apresentou o filme paraibano O Matador de Ratos, de Arthur Lins. Logo de cara eu me identifiquei com ambiente sombrio do filme e associei ao clima do Brutown. Guardei a ideia até esse ano, quando colocamos em prática as ideias que tive de somar as imagens do filme com a banda tocando num ambiente similar . A música fala sobre os seres almas sebosas que habita esse plano, seja em forma de politico ou de cidadão, e no clipe existe um personagem que extermina os ratos-humanos, uma especie de anti-herói viciado em pesticida.”

“A cabeça vive fervilhando de ideias, desde o ano passado venho trabalhando em novas músicas e já planejava que gravaríamos um disco neste ano”, continua o vocalista. “A chegada do novo sempre nos anima, é massa pensar ‘o que o povo vai pensar desses sons?’, ‘o que podemos aprontar dessa vez?’ e é justamente esse momento que estamos vivendo. Estamos na gestação de um novo disco, e somos muito gratos por todo reconhecimento que o Brutown teve, e onde ele nos levou. Agora é hora de encarar o novo.”

Brutown também se encerra como um disco em um show no Sesc Pompeia, no dia 14 de julho (mais informações aqui), quando o grupo, que agora é um trio, mostra suas canções acompanhado de um naipe de metais. “Os metais nos acompanham desde o primeiro disco, em 2011 e todos os nossos discos têm metais, mas é raro conseguirmos circular com eles. Fizemos alguns shows pelo Brasil em 2014 nesse formato, mas estamos numa outra época, com outras músicas e acredito que sera ainda mais massa esse show no Pompeia. Traz um clima mais soul para nosso show e eu me amarro em soul.”

Sobre o próximo trabalho, Julio explica que é uma espécie de continuação de Brutown, embora seja “uma outra viagem, um outro conceito”. “É como se o ser cansasse do caos urbano e fosse em busca de sua nova natureza no mato, e essa busca naturalmente influencia na sonoridade das músicas.” O disco será lançado ainda este ano.

Bárbara Eugenia no comando de Tuda

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Começando a preparar seu quarto disco, batizado de Tuda, Bárbara Eugenia lança mais um single reforçando a vibe “Brasil Caribe Tropical Bahia Hippie Style” que determinou ao novo disco no início do ano, quando apresentou sua versão para “Sintonia”, de Moraes Moreira. “Confusão”, faixa em parceria com Felipe Cordeiro, e não só produziu a faixa, como fará durante seu próximo disco, como também dirigiu o clipe, reforçando a ideia que irá segurar ela mesma as rédeas do próximo trabalho, prometido para o segundo semestre. A faixa também mostra sua afeição em relação aos timbres eletrônicos, que devem dominar o disco, e que serão sublinhados pela nova aquisição de sua banda, a tecladista Cris Botarelli, que também toca e canta no Far from Alaska.

Nomade Orquestra no Centro da Terra

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E o Centro da Terra inicia sua programação de julho com sessão dupla de uma das bandas instrumentais mais fortes da atual cena independente brasileira, quando recebe a apresentação da hidra de dez cabeças Nomade Orquestra, big band do ABC paulista que funde jazz, funk, groove, blues, reggae e músicas do mundo num show que não deixa ninguém parado. Recapitulando seus dois discos na íntegra, eles tomam conta da segunda e da terça neste início de mês em uma apresentação que antecipa as gravações de seu próximo álbum, embora não prometam nenhuma música nova. Conversei com o baterista Guilherme Nakata, sobre estas duas apresentações (mais informações aqui).

Como será a apresentação da Nômade Orquestra no Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/nomade-orquestra-como-sera-a-apresentacao-da-nomade-orquestra-no-centro-da-terra

Muda muito fazer um show num teatro, com o público sentado e com todo o foco na banda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/nomade-orquestra-muda-muito-fazer-um-show-num-teatro-publico-sentado-e-todo-o-foco-na-banda

O repertório é o mesmo dos shows atuais ou vocês estão fazendo uma adaptação para este outro formato?

https://soundcloud.com/trabalhosujo/nomade-orquestra-o-repertorio-e-o-mesmo-dos-shows-atuais

Vocês apresentarão músicas novas ou inéditas?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/nomade-orquestra-voces-apresentarao-musicas-novas-ou-ineditas

Qual o maior desafio de fazer uma apresentação neste formato?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/nomade-orquestra-qual-o-maior-desafio-de-fazer-uma-apresentacao-neste-formato

O futuro logo ali

logologo

Conversei com o casal Kelly e Zach Weinersmith, autores do livro Logo, logo – Dez novas tecnologias que vão melhorar e/ou arruinar tudo, que está sendo lançado no Brasil pela editora Intrínseca, sobre a noção atual de futuro, em um papo para o site da editora. Um trecho:

Qual é o papel da ficção científica na previsão do futuro?
Achamos que há uma espécie de ecossistema criado entre ciência e ficção científica, onde eles se afetam mutuamente o tempo todo. A ficção científica dá ideias para os cientistas e inspira jovens a seguirem carreira na ciência. E cientistas podem criar novas coisas que também inspiram a ficção científica. E o ciclo se repete. A ficção científica tem um papel especial ao prever os perigos e as preocupações éticas nos quais os cientistas talvez não estejam pensando.

Teorias terraplanistas, criacionismo e todo tipo de pseudociência são comuns atualmente nas mídias sociais: estamos vivendo numa época perigosa para a ciência. Como ela pode atravessar esta fase obscura que está encarando?
Difícil dizer. Uma coisa que pode ser importante, mas que há poucas pessoas estudando, é algo chamado de “a ciência da política científica”. Em resumo: temos muitos programas públicos e privados feitos para criar mais cientistas ou criar uma sociedade mais cientificamente alfabetizada. Mas nós não temos uma boa ciência que possa nos dizer o que funciona!

A íntegra da conversa pode ser lida no site da Instrínseca.

Sob o domínio do Facebook

zuckerberg

Comecei a colaborar com a revista Cultura, distribuída gratuitamente pela Livraria Cultura, escrevendo uma matéria sobre a onipresença do Facebook em nossas vidas, além de assinar a coluna de tecnologia, chamada de Inovação. Eis a matéria sobre a rede de Zuckeberg, cuja íntegra pode ser lida no site da revista.

A era digital fez nascer um novo tipo de oligopólio: o dos dados pessoais. Aproveitando-se da ingenuidade do público e de uma nova legislação norte-americana que permitia a vigilância online após os atentados de 11 de setembro de 2001, novas empresas passaram a oferecer produtos online aparentemente gratuitos – sejam redes sociais, e-mails online, aplicativos de comunicação e de relacionamento, serviços na nuvem e mapas digitalizados – que coletam informações sobre cada passo dado por seus usuários. Ao aceitar os termos de uso destes novos serviços, as pessoas aos poucos foram abrindo mão de sua privacidade e até de sua liberdade, carregando dispositivos de monitoramento online em seus bolsos.

Corporações como Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft começaram a desdobrar suas atividades para além de suas funções originais, aumentando o nível de consentida invasão de privacidade de seus usuários. Conhecendo melhor seus clientes como nenhum outro tipo de empresa na história, eles começaram a vender estas informações em forma de publicidade, personalizando os anúncios de acordo com os hábitos digitais de seus “consumidores” – que são, na realidade, o verdadeiro produto oferecido aos anunciantes pela rede social.

Empresas menores como Twitter, Spotify, Uber e Netflix, entre inúmeras outras, também coletam seus dados para “melhorar seus serviços”, embora todos almejem ter a influência e o tamanho dos dois maiores gigantes digitais: Google e Facebook. Se o primeiro não tem uma grande rede social para conectar as pessoas, é simplesmente dono do maior site de buscas do mundo, do principal serviço de streaming do planeta (o YouTube), do principal sistema operacional para celulares (o Android) e do principal serviço de mapas online do mundo (o Google Maps).

Já o Facebook parece ter uma influência maior do que a simples inteligência artificial bradada pela empresa. Ele bane a nudez (incluindo mães que amamentam), mas não tira do ar cenas violentas, por alegada “liberdade de expressão”. No mesmo inquérito realizado nos EUA, Zuckerberg assegurou que grupos de ódio são proibidos no Facebook, quando qualquer usuário percebe a tendência belicosa por trás de comentários, likes e compartilhamentos.

A crescente polarização ideológica da sociedade no mundo todo parece ter sido reforçada pela distribuição eletrônica de publicações da rede, com a criação de bolhas de interesse que não conversam entre si. Problema que o indiano Chamath Palihapitiya, que chegou a ser vice-presidente de crescimento de usuários da rede entre 2007 e 2011, apontou no fim do ano, em uma palestra na Escola de Negócios de Stanford sobre o vício em redes sociais. Para o ex-diretor da empresa, o Facebook está destruindo o funcionamento da sociedade e rasgando o tecido social ao fazer as pessoas se tornarem compulsivas no uso e na recompensa mental que seu uso traz. Na mesma época, o primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, admitiu em um evento na Filadélfia que a rede foi desenhada para ser viciante: “Só Deus sabe o que estamos fazendo com o cérebro de nossas crianças.”

Todas essas revelações não alteraram significativamente o engajamento de seus usuários, embora um movimento de êxodo digital tenha se intensificado desde então, e o Facebook venha encontrando dificuldades em atrair usuários mais jovens. Obviamente, a opção de abandonar o Facebook é complicada, pois a rede se tornou central em uma série de relações sociais e comerciais – e ainda não encontrou um rival à altura (quadro acima).

O que nos deixa a um clique da tirania, como alertou a professora Melissa K. Scanlan, da Escola de Direito de Vermont, em um artigo no jornal britânico The Guardian: “O uso nefasto de nossos dados pessoais está em toda parte. Se a Cambridge Analytica pode obtê-los, o que impede que um governo também os tenha?” E prosseguiu: “A maior tirania seria a fusão do monopólio corporativo e do poder governamental, criando o estado de vigilância mais invasivo da história.”

Jamais poderíamos imaginar que a distopia do futuro digital que habitamos hoje fosse mais assustadora que a ficção de George Orwell e Aldous Huxley, que cogitaram, respectivamente, o estado de vigilância máxima personificado na figura do Grande Irmão no livro 1984 e o estado de êxtase alienante em Admirável Mundo Novo. O início do século 21 parece ser uma mistura destes dois cenários, em que alimentamos um Grande Irmão digital com nossos êxtases pessoais.  

Toda a matéria neste link.

Centro do Rock 2018

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Mais uma vez celebramos o mês de julho com rock no Centro Cultural São Paulo em mais uma edição do Centro do Rock, com trinta atrações gratuitas em quinze dias de show na mítica Sala Adoniran Barbosa, um templo do gênero em São Paulo. Repetindo o sucesso do ano passado, o festival traz o melhor do novo rock brasileiro, reunindo bandas de norte a sul do país em shows de graça. São bandas de rock clássico, psicodélico, new metal, rock alternativo, hardcore, rock instrumental, noise, drone, pós-rock, rock progressivo, indie rock, shoegaze, pós-punk, entre outras variações do gênero de todos as regiões do país: do Ceará ao Rio de Janeiro, do Goiás ao Rio Grande do Sul, do Pará Paraná, do Mato Grosso ao Pernambuco, de São Paulo ao Rio Grande do Norte. A programação é a seguinte:

Quarta, 4, às 21h
Far from Alaska e Deb and the Mentals

Quinta, 5, às 21h
Giallos e Kalouv

Sábado, 7, às 19h
Papisa e Cora

Domingo, 8, às 18h
Stratus Luna e Bombay Groovy

Quinta, 12, às 21h
Oruã e Goldenloki

Sexta, 13, às 19h
Sky Down e Lava Divers

Sábado, 14, às 19h
In Venus e Mieta

Domingo, 15, às 18h
Gorduratrans e Def

Quinta, 19, às 21h
Black Pantera e Molho Negro

Sexta, 20, às 19h
Maquinas e Astronauta Marinho

Sábado, 21, às 19h
Carne Doce e Bruna Mendez

Domingo, 22, às 18h
My Magical Glowing Lens e Bike

Quinta, 26, às 21h
Macaco Bong e Odradek

Sexta, 27, às 19h
Picanha de Chernobill e Marcelo Gross

Sábado, 28, às 19h
Frieza e Basalt

Música contra a segregação

for-all

Faço a mediação de uma mesa no seminário For All: Juventude e Conexões Musicais, que acontece nesta terça, no Auditório do Masp, a partir das 9h da manhã e conta com as participações de Carlinhos Antunes, Cris Lopes, Helena Isaksson Baeck e Julio Maluf. O seminário é organizado pelo Projeto Guri e há mais informações sobre o mesmo no site do projeto.

Dia 26/6, das 9h às 10h30
Música contra a segregação
A segregação é o componente principal em muitas das ficções distópicas do século 21, provavelmente por ser uma das mais terríveis representações da injustiça. Como a música pode ser usada para quebrar os limites do preconceito e levar as pessoas a entender aqueles de quem têm medo?

Palestrantes:
Carlinhos Antunes, cantor, compositor, arranjador e instrumentista. Possui 24 trabalhos publicados entre CDs, DVDs e documentários, frutos de suas andanças por 45 países reunindo músicos e instrumentos diversos. Atualmente, é diretor da Orquestra Mundana Refugi, que reúne 21 músicos de diversas partes do mundo – a maioria refugiados e imigrantes – e gravou um documentário que será lançado ainda em 2018. Sua atuação na Orquestra recebeu a chancela da Alto Comissariado da ONU para refugiados.

Cris Lopes, fundadora do Cidadãos Cantantes, coro com pessoas em situação de sofrimento mental que existe há mais de 20 anos e se apresenta regularmente na cidade de São Paulo. O coro ganhou o Prêmio Loucos pela Diversidade, do MINC. Psicóloga sanitarista, com formação em Psicanálise Infantil, é pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo em projetos de Inovação Social. É também docente e consultora para políticas públicas de potencialização em proposições de interface entre saúde, cultura, educação, arte e direitos humanos.

Helena Isaksson Baeck é uma das fundadoras do Songlines Sweden (vinculado à Jeunesses Musicales), projeto que oferece aos jovens refugiados na Suécia acesso a atividades musicais. Em 2015, quando a Suécia recebeu 35 mil crianças desacompanhadas de 81 países, a cineasta e jornalista especializada em direitos humanos largou a câmera para trabalhar com crianças e jovens. A organização sueca trabalha com coros, orquestras, bandas, escolas de música e festivais em todo o país, estimulando os jovens a se expressar através da música.

Julio Maluf é bacharel e Mestre em Música pela UNESP – Universidade Estadual Paulista. Atua como Regente do Coral Cênico Cidadãos Cantantes desde 1996 e é professor de música na Escola Municipal de Iniciação Artística de São Paulo (EMIA) e na ETEC de Artes de SP.

Alexandre Matias (mediação) cobre a área de cultura há 20 anos e colaborou com os principais veículos de comunicação no Brasil. Sua produção está centralizada no site Trabalho Sujo e atua como tradutor, DJ, produtor de festas e palestrante. É curador musical do Centro Cultural São Paulo e do Espaço Cultural Centro da Terra. Faz parte do conselho consultivo da Semana Internacional da Música de São Paulo, do júri de música popular da Associação Paulista de Críticos de Arte e presta consultoria para o Prêmio Multishow de Música Brasileira.

Indo pra Brasília

picnik2018

Chego neste fim de semana na minha terrinha pra conferir a edição deste ano do PicNik, que tem Curumin, Anelis Assumpção, Rakta, Garotas Suecas, Tulipa Ruiz e muito mais (mais informações aqui).