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Da importância de Rogério Duprat

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O Camilo e o Guilherme, do Nexo, me chamaram para participar do podcast Escuta, em que eles comentam um assunto sobre música semanalmente. O homenageado da semana foi o professor Rogério Duprat, maestro tropicalista que ajudou o movimento cinquentenário a ousar ainda mais musicalmente.

https://soundcloud.com/nexo-jornal/nexo-escuta-3-qual-a-importancia-de-rogerio-duprat-o-maestro-arranjador-da-tropicalia

O programa ainda conta com a participação da Letícia “Letrux” Novaes, recomendando uma música dos Beatles.

Pedro Pastoriz no CCSP

pastoriz

O vocalista dos Mustache e os Apaches, o gaúcho Pedro Pastoriz, apresenta seu primeiro disco solo, Projeções, nesta quinta-feira no CCSP, às 21h (mais informações aqui), quando também aproveita a oportunidade para lançar o clipe da ótima “Restaurante Lótus”, que abre o disco.

UMO 2018: “Days are getting darker”

hunnybee

E o grupo Unknown Mortal Orchestra chama o animador Greg Sharp para mais um clipe, desta vez da faixa “Hunnybee”, presente no novo disco do Unknown Mortal Orchestra, Sex & Food, que melhora a cada nova audição.

Dê a devida atenção, por favor:

A Trança de Ava Rocha

AvaRocha-Trança

Essa é a capa do terceiro disco de Ava Rocha, Trança, que ela antecipa em primeira mão – além da ordem das novas músicas, abaixo – para o Trabalho Sujo. Gravado entre o Rio e São Paulo, o disco reúne nada menos que trinta e cinco convidados: Alessandra Leão, Linn da Quebrada, Karina Buhr, Negro Leo, Alberto Continentino, Iara Rennó, Kiko Dinucci, Curumin, Marcelo Callado, Juliana Perdigão, Thomas Rohrer, Mariá Portugal, Sérgio Machado, Dinho Almeida, Bela, Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Tulipa Ruiz, Chicão, Dustan Gallas, Ariane Molina, Victória dos Santos, Thomas Harres, Eduardo Manso, Pedro Dantas, Paulinho Bicolor, Marcos Campello, Felipe Zenícola, Gabriel Mayall, Gustavo Ruiz, Estevão Casé, Renato Godoy, Rafael Rocha, Juçara Marçal e a filha de Ava e seu marido Leo, Uma Gaitán Campelo Rocha Gonçalves. “Trança entrelaça tudo isso que eu faço até agora. É uma homenagem ao Tunga, que fez a capa do meu primeiro disco, e é uma trança de muitas coisas – uma trança musical, entre pessoas, de memórias, de falas, de poéticas, de compositores…”, ela me explica.

A capa é exemplo desta coletividade: ela foi concebida pela artista plástica Maíra Senise, irmã por parte de mãe de Ava, fotografada por Ana Alexandrino, tem visual de León Gurfein e o projeto gráfico feito por Lucas Pires. “Ainda que eu me apresente como Ava Rocha, como uma artista solo, existe toda uma coletividade que me permeia, os encontros, as parcerias. Eu não consigo ver muita diferença entre um trabalho solo e um trabalho coletivo”, continua, reforçando o fato que Trança é seu terceiro disco, uma vez que o primeiro, Diurno, foi lançado quando ela ainda tinha uma banda fixa que respondia por seu prenome, levando muitos a dizer que o excelente Ava Patrya Yndia Yracema era seu primeiro disco solo de fato. Produzido por Eduardo Manso, Trança será lançado daqui a dez dias e o primeiro single, “Joana Dark”, chega às plataformas digitais neste dia 7. E é tão bom quanto seu álbum de 2015 – talvez até melhor, pois vai melhorando a cada nova audição…

“Maré Erê”
“Pangeia”
“Periférica”
“Lilith”
“Singular”
“Febre”
“Canción para Usted”
“Continente”
“Patrya”
“Joana Dark”
“Manjar do Oriente”
“João 3 Filhos”
“Anjo do Bem”
“Frio”
“Delírio”
“Fog”
“Assumpção”
“Bárbara”
“Dorival”

Gorillaz 2018: “Reset myself and get back on track”

Gorillaz-Humility

Depois de um disco melancólico e repleto de participações especiais (Humanz, um dos grandes discos do ano passado), o grupo Gorillaz volta a anunciar mais um novo disco, The Now Now, programado para chegar aos nossos ouvidos oficialmente no fim deste mês. O líder do Blur e cocriador do grupo Damon Albarn anunciou que o disco terá menos convidados e um clima de verão, avesso ao disco anterior, e deu início lançando as faixas “Humility” e “Lake Zurich”, sendo que apenas uma, a primeira, conta com uma participação, do guitarrista George Benson.

Os únicos outros convidados do disco são Snoop Dogg e Jamie Principle, que cantam na conhecida “Hollywood”, que o grupo vem apresentado ao vivo.

Bem astral, hein. A capa de The Now Now é esta abaixo (seguida da lista de suas faixas) e já está em pré-venda.

gorillaz-the-now-now

“Humility”
“Tranz”
“Hollywood”
“Kansas”
“Sorcererz”
“Idaho”
“Lake Zurich”
“Magic City”
“Fire Flies”
“One Percent”
“Souk Eye”

Os caras podem nos surpreender. De novo.

Kamasi Washington pronto pra briga

kamasi

O jazzman californiano Kamasi Washington está prestes a lançar seu novo álbum, o duplo Heaven & Earth, que já teve dois singles antecipados: “Fists of Fury” e “The Space Travelers Lullaby”, e agora ele surge com outra música inédita, esta inspirada no videogame Street Fighter. Em uma declaração, ele conta sua relação adolescente com o jogo e como ele o inspirou a composição:

Quando eu era mais jovem, estava no meio do final da geração dos fliperamas e o começo da geração dos consoles. Eu ia neste lugar chamado Rexall jogar Street Fighter. No Rexall tinham pessoas diferentes de diferentes vizinhanças jogando o jogo. Esse lugar era como se fosse um equalizador. Só importava o quão bom você era no Street Fighter, na maior parte do tempo. Em outros lugares você tinha medo daqueles caras; ali você só jogava o jogo e pronto, sabe? Eu era realmente bom no Street Fighter, foi quando surgiu a ideia da música que, brincando, dizia que era minha música-tema e quando eu aparecia para jogar Street Fighter eles tocavam a minha música antes que eu entrasse, como um lutador de boxe. No contexto do disco, era a conexão que tínhamos com aqueles caras da nossa vizinhança. Os chamávamos de OGs, os caras mais velhos que nos inspiravam.

De muitas formas, os videogames eram a forma que eu me conectava com eles porque eu nunca fui de nenhuma gangue, mas eu os conhecia e era legal com eles, principalmente através dos videogames. Quando cresci, pensei como seria incrível se os OGs pudessem apenas jogar games para resolver seus problemas. O sentido dentro do escopo do disco é uma conexão com um passado e todas as formas que podemos nos conectar.

Ele também lançou um teaser do clipe da música, que deve sair em breve.

O disco sai no dia 22 de junho e já está em pré-venda através da gravadora Young Turks.

Chromatics 2018: Agora vai?

chromatics2018

Os Chromatics vêm adiando o lançamento de seu aguardado Dear Tommy literalmente há anos – e no ano passado, após terem sido anunciados como parte da trilha sonora da volta de Twin Peaks, foi revelado que o dono da banda, Johnny Jewel, destruiu todas as cópias físicas do disco que pretendia lançar em 2017, aparentemente começando tudo do zero. É o que indica o novo lançamento do grupo, o single “Black Walls”, que não constava na ordem das faixas divulgadas até então.

O processo de refazer e refazer o mesmo disco contínuas vezes não é novo e o disco que colocou os Chromatics no mapa, o soberbo Kill for Love, passou por um processo semelhante de autoanálise como o dono da gravadora Echo Park, Alex Rivera, explicou no ano passado. Resta saber se o novo single é realmente um sinal que o disco pode sair ainda este ano ou se estamos iniciando um novo processo de vigília até vai saber quando.

Mas, tudo bem, sem pressa. Mesmo porque o novo single é exatamente aquilo que esperamos do grupo: aquele climão pesado, entre a tensão e o éter, composto por sintetizadores robóticos, esqueletos de acordes de guitarra, groove sintético e o vocal onírico de Ruth Radelet.

Sem Palavras: junho de 2018

sem-palavras-jun-2018

O laboratório Segundamente parte para um novo tipo de experimento ao apresentar a sessão Sem Palavras, dedicadas a trabalhos instrumentais de diferentes artistas, que tomarão as segundas-feiras de junho no Centro da Terra. São quatro apresentações que captam o ótimo momento da cena em São Paulo – e no Brasil. Para esta primeira sessão serão quatro shows diferentes com artistas que expandem os limites desta cena para diferentes lugares. A primeira segunda-feira, dia 4, é de improviso livre com os músicos Victor Vieira-Branco, Mariá Portugal, Arthur DeCloedt e Thomas Rohrer. Na segunda segunda-feira temos a colisão do jazz com o rock do grupo Vruumm, no dia 11. No dia 18 é a vez do projeto Solaris, incursão individual do vibrafonista e baterista Richard Ribeiro. E o mês termina com o grupo Música de Selvagem, dia 25, tocando músicas de seu novo disco, Volume Único – e é a única noite que deve contar com vocais, do músico Sessa, convidado pelo grupo. As apresentações começam sempre às 20h (mais informações no site do Centro da Terra) e eu conversei com os responsáveis por cada noite para saber o que podemos esperar deste novo formato do Segundamente.

Rohrer + Decloedt + Portugal + Vieira-Branco, por Victor Vieira-Branco
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-rohrer-decloedt-portugal-vieira-branco

Vruumm, por Anderson Quevedo
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-vruumm

Solaris, por Richard Ribeiro
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-solaris

Música de Selvagem, por Arthur DeCloedt
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-musica-de-selvagem

Gui Amabis de perto

guiamabis2018

Lançado sem aviso há menos de uma semana, Miopia, o quarto disco de Gui Amabis, vem de encontro ao seu trabalho mais recente, Ruivo em Sangue, e traz, ironicamente em pleno 2018, um astral menos pesado e pessimista que seu antecessor. Batizado com o nome de sua primeira composição (“Miopia”, finalmente pública, já é uma das melhores músicas de 2018), o disco sacramenta sua parceria com os compadres Regis Damasceno, Dustan Gallas e Samuel Fraga, fiéis escudeiros ao forjar uma sonoridade particular, que o consolidou como mais que produtor e compositor, mas também como intérprete e músico. Bati um papo com ele sobre o novo álbum e ele aproveitou para dissecar Miopia faixa a faixa.

Como surgiu Miopia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-como-surgiu-miopia

Miopia é uma espécie de antídoto de seu disco anterior, Ruivo em Sangue?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-miopia-e-uma-especie-de-antidoto-de-seu-disco-anterior-ruivo-em-sangue

Você escolheu o repertório a partir de algum conceito?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-voce-escolheu-o-repertorio-a-partir-de-algum-conceito

Como você definiu os convidados para o disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-como-voce-definiu-os-convidados-para-o-disco

Por que o disco chama-se Miopia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-por-que-o-disco-chama-se-miopia

Quem produziu o disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-quem-produziu-o-disco

É um disco muito lírico pra época que estamos vivendo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-e-um-disco-muito-lirico-pra-epoca-que-estamos-vivendo

Qual o papel da arte no Brasil de 2018?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-qual-o-papel-da-arte-no-brasil-de-2018

Gui Amabis – Miopia (2018), faixa a faixa

Garotas Suecas: Identidade

E é com imenso prazer que anuncio a primeira temporada no Centro da Terra a cargo de uma banda, quando o grupo paulistano Garotas Suecas atravessa as terças-feiras de junho com quatro shows diferentes. Na primeira terça, dia 5, batizada de Karaokê, o grupo convidou vocalistas amigos para cantar músicas de seu repertório – são nomes como Rafael Castro, Betina, Luiz Thunderbird, Nasi, Luiza Lian, Teago do Maglore, Herman da Mel Azul, entre outros. Na segunda, no dia dos namorados, eles partem para um repertório romântico na noite batizada de Valentinos. Na terceira terça, dia 19, eles voltam para a garagem tocando o material dos primeiros EPs da banda. E, finalmente, no dia 26, fazem uma noite chamada Sexteto, incluindo os ex-integrantes da banda, Sal e Sessa. Conversei com os quatro Garotas – Irina Bertolucci, os irmãos Nico e Tomaz Paoliello e Fernando Perdido – sobre o mês que encaraão no Centro da Terra a partir da próxima semana (mais informações aqui).

Irina, Nico, Tomaz e Perdido

Irina, Nico, Tomaz e Perdido

Como vocês bolaram as quatro noites que irão fazer no Centro da Terra?
Irina: A temporada nos colocou o desafio de pensar onde estamos hoje e como chegamos até aqui. Por isso o nome Identidade: foi uma busca tanto pelas nossas raízes quando pelas nossas ramificações sonoras. O que fez o Garotas Suecas chegar em 2018 do jeito que chegamos.
Começamos por homenagear as pessoas que cruzamos pelo caminho ao longo desses 13 anos de shows, desde inferninhos passando por casas históricas de shows, festivais, televisão… Passamos pode esses lugares acompanhados de bandas “irmãs”, ídolos e parceiros. Pra toda essa gente linda que faz a cena da música alternativa brasileira acontecer, bolamos a noite Karaokê na qual nove cantores cantam GS com a gente.
A segunda noite caiu no dia dos namorados, e, românticos que somos, não conseguimos fugir do clima mela-cueca nesse show: os clássicos melados do cancioneiro sueco foram combinados com as serenatas dos nossos ídolos que entraram no nosso repertório em alguma parte do caminho. Valentinos vai ser só love, pra levar o mozão.
A terceira noite vai ser uma diversão total: De volta pra Garagem. O repertório desse show é baseado nos primeiros três anos da banda, quando foram lançados nossos três primeiros EPs. Nessa época circulávamos pelos cafofos de SP, fomos pra NY com a roupa do corpo, dormimos muito no chão… Como ainda estávamos engatinhando, além do repertório autoral da banda, tocávamos alguns covers podrêra dos nossos ídolos garageiros e/ou brasileiros, que também serão tocados! Essa noite é pros nossos fãs de longa data que pedem nossas músicas mais antigas e a gente nunca sabe tocar! Dia 19 vai rolar tudo isso!
A última noite vai ser histórica. Sexteto vai ser isso mesmo que você está pensando. Chamamos nossos amados ex-guitarrista e ex-vocalista, Sessa e Guilherme Sal a compartilharem uma noite cheia de emoção com a gente. O Sessa saiu da banda para terminar a faculdade em NY, em 2011. Hoje toca com Yonatan Gat e também está lançando um disco solo logo mais. O Sal saiu da banda em 2014, pois estava buscando outros caminhos profissionais. Nesse show vamos tocar músicas deles dos nossos dois primeiros LPs, dos EPs, e o que mais a gente quiser.

Como será a primeira noite e quem vocês convidaram para participar?
Irina:
Chamamos várias pessoas com quem dividimos algum tipo de história para escolher uma música nossa pra cantar. Teremos a Betina, cantora paranaense que está com um discão lindo no forno, o Fernando Soares, vocalista da banda 2de1, o Dr Herman, vocalista e tocador de keytar no Mel Azul, nossa banda irmã de selo e de vida, o Thunder quem já demos inúmeras entrevistas e com quem já dividimos palco também! Vai ter também a Luiza Liam, que cantou com a gente como backing vocal no nosso primeiro disco – saudades, Côro das Cabrocha Linda! – antes de seguir sua maravilhosa carreira solo, o Nasi, que gravou uma música nossa para a abertura de seu programa de TV – ah, ele também é do Ira! Não tamo de brincadeira, não, o Rafael Gregório, vocalista da banda Circo Motel, o plural e agitador cultural Rafael Castro, e o maravilhoso e ídolo Teago, da banda Maglore. A gente também vai cantar músicas que tem normalmente outro vocalista principal. E se o público quiser cantar também vai poder! Por que Karaokê sem bagunça não é Karaokê.

Como será a segunda terça-feira?
Tomaz:
A segunda terça-feira coincide com o Dia dos Namorados e para esse dia pensamos um setlist especial para os casais apaixonados e para os solteiros em busca de aventuras, ou para os casais em busca de aventuras e os solteiros apaixonados. Preparamos um repertório só com as músicas mais românticas do Garotas Suecas em arranjos especiais, e mais algumas versões românticas de músicas nacionais e internacionais que tocamos ao longo da nossa carreira. O figurino e o cenário também foram pensados especialmente para o clima de romance.

A terceira terça-feira pode ser uma surpresa para os novos fãs.
Perdido:
Tomara que seja uma boa surpresa! Acho que como passamos por diferentes fases ao longo dos anos, nossa origem pode ser desconhecida para alguns. A idéia é apresentar esse pedaço da nossa identidade, o que nos moldou para o que somos.

E como será a quarta noite?
Nico:
A quarta noite da temporada terá Garotas Suecas em sua formação original. Convidamos Guilherme Saldanha e Sesa para o palco e nos tornaremos por uma noite, um sexteto novamente. Tocaremos músicas do começo da banda e focaremos nas composições que ambos escreveram enquanto eles estiveram na banda. Mas bem provável de termos surpresas ainda nesse repertório.

Visitar diferentes fases da banda teve um efeito terapêutico para a banda?
Perdido:
Acho que somente os shows dirão isso, os ensaios podem dar uma idéia do que será, mas somente na hora “H” que todos os sentimentos afloram, especialmente se estiver sendo terapêutico para a plateia também, essa troca em si, independente da temporada já é uma terapia pra nós.

Alguma noite a mais foi imaginada e ficou de fora?
Tomaz:
Pensamos em diversas ideias de shows, mas algumas seriam muito difíceis de realizar. Por exemplo, tivemos a ideia de fazer um show em que nós tocássemos apenas outros instrumentos diferentes dos nossos de origem. Então eu tocaria ou bateria, ou baixo, ou piano ao longo de todo o show. Mas honestamente, ou ficaria muito ruim ou precisaria de meses para ficar ok. Na verdade era uma ideia péssima mas que entrou na lista inicial… Outro show muito louco seria chamar quatro músicos, cada um para os instrumentos que nós tocamos, que cada um de nós fosse fã, para ensaiar e tocar nossas músicas. E a gente ficaria na platéia. Não conseguimos nem chegar a cogitar os nomes de tão despropositada que foi a ideia.

O fato dos shows serem num teatro muda a dinâmica das apresentações?
Nico:
Muda sim. Em cada palco que tocamos pensamos em uma dinâmica diferente. Seja ele em um festival, inferninho, balada, show ao ar livre etc… Como esses shows serão em um teatro sentado e com um clima mais intimista teremos achar um equilíbrio entre músicas mais agitadas e baladas. Em um show como esse, o público está muito atento aos detalhes sonoros, corporais e cenográficos. A iluminação também é essencial para vestir o espetáculo e colocar todos no mesmo clima para a apresentação.

Rever diferentes fases da banda ajuda vocês a perceberem o próprio amadurecimento? Vocês conversaram sobre isso durante a elaboração da temporada?
Tomaz:
Sim, essa ideia de retomar algumas fases da nossa carreira veio exatamente como uma celebração disso. Há pouco tempo completamos dez anos de banda e não fizemos nenhum show comemorativo porque estávamos num processo de lançamento de disco novo e não faria sentido pra gente naquele momento. A temporada foi uma oportunidade de fazer isso agora, com algum atraso. A diferença entre o nosso material mais antigo e o atual é gritante! As músicas antigas são muito mais precárias, mas tem muita coisa lá que conseguimos perceber que nos acompanha até hoje. E tem, é claro, o frescor e o charme daquele momento. Essa experiência é legal demais para percebermos o que mudou e o que ficou. É muito engraçado durante os ensaios quando não conseguimos tocar ou cantar algumas coisas que fizemos há dez anos, dá uma raivinha do seu eu do passado.