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Stela Campos está voltando

Há tempos reclusa da música, Stela Campos começa a dar seus passinhos de volta nesta sexta-feira, quando lança o single “Let’s Swim”, em parceria com o compadre Èrico Theobaldo, que ela antecipa em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo. Depois de trabalhar com Érico na trilha sonora da série Vale dos Esquecidos, do diretor Daniel Lieff, este a chamou depois para compor a música-tema de seu novo filme, 15 Dias, cuja trilha conta com várias músicas já existentes, incluindo faixas de Billie Eilish e Chico Chico e o convite de Lieff foi para compor a única música original deste pacote. “Compus no violão, fizemos a letra e depois eu e o Érico trabalhamos uma semana inteira para acertar cada detalhe do arranjo da música com as imagens do filme e com o diretor”, explica Stela, detalhando a vontade de fazer uma música pop “no espírito do filme”, um- romance adolescente LGBTQIA+, que trata de temas como bullying e gordofobia, baseado no livro best-seller do Vitor Martins. “No fim, acabamos usando alguns ruídos como se a música começasse embaixo da água porque boa parte da história gira em torno de uma piscina e o baixo acabou ficando meio New Order”, confessa – mas o single soa mais próximo da cena em torno da gravadora nova-iorquina DFA no início do século do que a banda inglesa.

Mas não é só essa música. “Let’s Swim” acabou funcionando como gatilho para voltarem a um disco dos dois, que consolida a dupla que mantém há anos, mas que tinha sido deixado de lado por conta das respectivas agendas. “Quando gravamos essa música no início do ano, ela deu um novo ânimo para o projeto”, conta, explicando que o disco está quase pronto e em breve vão para os palcos, lugar que Stela não pisa desde a pandemia. “Minha banda se dispersou, então eu voltei a compor no computador, em casa, e algumas músicas que estão nesse disco com o Érico são desse período”, lembra, ressaltando que já escolheu os músicos para a nova formação (além de Érico também tocará com Roger Menn e Bianca Godoi) e que vão usar o harmônio indiano nesta nova fase.

Ouça abaixo:  

Marjane Satrapi (1969-2026)

A morte precoce de Marjane Satrapi nesta quinta-feira (que, pesado demais constatar isto, morreu de tristeza) vai acelerar sua canonização no panteão dos quadrinhos, mas sua importância ainda há de ser medida. Mais do que autora de um Maus persa que viveu em primeira mão (seu Persépolis é autobiográfico, ao contrário do clássico de Art Spiegelman, uma história contada a partir de um relato alheio), ela é uma personagem importantíssima no movimento feminista deste século, não só como agente e autora, mas como inspiração e força contínua. Mas prefiro indicar o obituário feito pelo Érico Assis em sua newsletter obrigatória Virapágina, um dos melhores veículos sobre quadrinhos atualmente. Deixo um trecho a seguir:

“Marjane Satrapi, há quinze anos: ‘A primeira coisa a se lembrar é que não é uma graphic novel. É um gibi. O povo tem medo de dizer essa palavra, gibi. Porque aí vem aquela imagem do homem adulto espinhento, de rabo de cavalo e uma pança. Se você fala graphic novel, essa imagem vai embora. Só que não: é tudo gibi.’

Há 27 anos, Satrapi não se chamava Satrapi. Era uma ilustradora iraniana em Paris tentando a carreira no mercado de livros infantis, que dividia o Atelier des Vosges com vários autores de quadrinhos. Passava horas contando aos colegas – David B., Émile Bravo, Christophe Blain – da sua vida no Irã, dos perrengues que tinha passado na Áustria, de como chegou a Paris. Eles disseram que ela tinha que transformar aquilo em quadrinhos e deixaram Maus na mão da moça.

‘Passei por uma mega depressão. Aí, sabe o que aconteceu? Eu estava muito deprimida e, quando eu fico deprimida, eu não respiro. O ar não entra. Aí teve uma noite em que eu estava sozinha e minha respiração ia parar. Liguei pra emergência e disse: ‘Eu não consigo respirar.’ Aí vieram, me enrolaram no alumínio como se eu fosse um frango assado, me botaram um cobertor, me colocaram na maca e começaram a me descer pela escada, que era em espiral. Acabou que eu caí, desabei escada abaixo e cortei a cabeça. Tiveram que dar quatro pontos! Aí minha depressão acabou. Foi tanta dor que minha respiração voltou e ali eu decidi: Vou ter que fazer alguma coisa. Aí escrevi Persépolis.’

É muita pulsão de vida, abalada fatalmente pelo fim de um relacionamento, quando seu companheiro, como a própria família disse no comunicado sobre sua passagem: “morreu de tristeza pouco mais de um ano após o falecimento de Mattias Ripa, seu marido e amor de sua vida.” Confira a íntegra do texto do Érico aqui.

Michael Stipe e aquela vontade de voltar aos palcos…

Michael Stipe está quicando para voltar aos palcos. Sem lançar nada há três anos, ele quebrou esse jejum em março, quando mostrou a “I Played the Fool”, que fez para o seriado Rooster, da HBO, como sua música-tema. E depois de aparições bissextas – e empolgadas! – ao lado da dupla Michael Shannon e Jason Narducy, que vêm fazendo shows em tributo aos discos clássicos do R.E.M, e dos integrantes de sua banda original, ele agora vem para a televisão tocando ao vivo a música que fez para o seriado ao lado do produtor de rock clássico da vez (Andrew Watt, que acabou de produzir os discos novos de Paul McCartney e dos Rolling Stones) no programa do apresentador Jimmy Kimmel. E se na versão original ele contava com o baterista do Blink-182‘s Travis Barker, nesta apresentação chamou o dos Red Hot Chili Peppers Chad Smith, que tocou ao lado do guitarrista Josh Klinghoffer (que também tocou no Red Hot) nos teclados, do baixista Troy Van Leeuwen do Queens Of The Stone Age e do ex-guitarrista de outra fase do Jane’s Addiction Chris Chaney e mostrou-se animadaço, pronto para sair desse autoexílio que se impôs. E a gente sempre fica na torcida pra rolar aquela volta em grande estilo do R.E.M…. Porque eles merecem e a gente também.

Assista abaixo:  

Mudando de fase

Em transição do primeiro álbum para o próximo, mais intimista, que deve lançar no ano que vem, o multiinstrumentista e compositor Leal mostrou os rumos que deve perseguir no novo trabalho e as influências externas que tem recebido no espetáculo Circulando, que trouxe nesta terça-feira ao palco do Centro da Terra, quando tocou ao lado de Reyviton Lima (trombone), Rafael dos Santos (bateria) e Fernanda Horvath (baixo). Ele passou por diferentes formações entre os músicos e instrumentos – passando do violão para o tambor onça, da rabeca ao piano e finalmente para a guitarra -, visitando o repertório de seu disco de estreia com novas formações, músicas ainda inéditas em formato acústico e versões para artistas tão diferentes quanto João do Vale e Cidade Negra (da fase inicial, com Ras Bernardo nos vocais) enquanto passeava por diferentes formatos de canção brasileira que investiga em suas composições.

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Leal: Circulando

Nesta segunda terça-feira do mês, temos o prazer de receber o espetáculo Circulando, do músico, cantor e compositor Leal, em que leva seu homônimo disco de estreia para um território mais intimista, em que pode explorar de forma ainda mais detalhista instrumentos tradicionais da música popular brasileira como a onça, a viola e a rabeca, soando tanto experimental quanto minimal. Na apresentação inédita, ele vem acompanhado dos músicos Reyviton Lima (trombone), Rafael dos Santos (bateria) e Fernanda Horvath (baixo). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda através do site do Centro da Terra.

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Olivia Rodrigo ♥ CMAT

A irlandesa CMAT teve um ótimo ano em 2025, quando seu terceiro disco Euro-Country a elevou a um patamar para além de revelação musical – e agora acaba de ganhar um endosso que a vai fazer crescer ainda mais, quando Olivia Rodrigo, em sua passagem pelo programa Live Lounge, da rádio inglesa BBC 1, escolheu o hit “When A Good Man Cries” para cantar como sua versão escolhida para a apresentação. E a reação da própria CMAT ao ouvi-la mencionar o nome da minúscula cidade que cresceu (Dunboyne, na Irlanda, que tem cinco mil habitantes e onde ela é obviamente uma heroína local) é impagável.

Assista abaixo:  

Entrosamento e sensibilidade

Maravilhosa apresentação do quinteto Lumia nesta segunda-feira no Centro da Terra que, apesar de tocar nesta formação que inclusive batizava sua apresentação, não pode contar com a baterista Amanda Barbosa no palco, que teve problemas de deslocamento para chegar em São Paulo a tempo. Com o baixista Bruno Migotto fazendo as vezes (e bem!) de baterista, as integrantes do grupo não tiveram dificuldade em mostrar seu repertório autoral e uma química latente entre elas que transparecia na troca de olhares e sorrisos que atravessou a apresentação feita por Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo) e Miriam Momesso (guitarra). O entrosamento e sensibilidade dos músicos equilibra-se na delicadeza do jazz à brasileira com pitadas de música estrangeira, como quando fizeram uma composição do músico isralense Shai Maestro e uma composição tradicional da Estônia “Kiik Tahab Kindaid” na versão feita pela vocalista estoniana Karmen Rõivassepp, mas com arranjo próprio. Noite linda.

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Lumia: Quinteto

Vamos começar o último mês deste semestre de 2026 com a primeira apresentação formal do grupo Lumia, formado pelas musicistas Marina Marchi (voz), Júlia Toledo (piano), Laryssa Alves (contrabaixo), Miriam Momesso (guitarra) e Amanda Barbosa (bateria), numa apresentação batizada com a descrição do resultado final de sua recente formação: Quinteto. Tocando composições próprias e releituras em que misturam jazz contemporâneo, música de improviso e a música brasileira, elas se orientam pelo próprio nome da banda, que pode ser literal (“luz”) ou simbólico (“guia”). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Charli XCX causando

Sim, esta é a capa do novo disco de Charli XCX, anunciado nesta segunda-feira depois de dois teasers em forma de single (“Rock Music” e “SS26”), chamado sem meios-termos de Music, Fashion, Film, temas encarnados pelos três figurões que ela enquadrou pela lente de seu compadre diretor Aidan Zamiri: John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese juntos no mesmo cômodo. Só os bastidores dessa capa já valem a existência do disco, mas conhecemos nossa querida Charli e esse soco na cara é só o começo de mais uma viagem de excessos. O disco sai em julho, mas até lá vamos ver muitas pistas…