Reencontro nostálgico

A primeira vez que vi o Superchunk ao vivo foi há quase 28 anos, quando o grupo da minúscula Chapel Hill tocou no diminuto Blue Galleria, em Piracicaba, na primeira vinda deles para cá, em 1998. Eles eram pelo menos dez anos mais velhos do que a maioria dos presentes, mas naqueles púberes anos 90 pareciam uma banda indie ancestral – e isso não dizia respeito a etarismo. Além de banda, eles eram donos da gravadora Merge, que começou como um veículo pra lançar os próprios discos, mas que, naquele distante 1998, já haviam lançados discos seminais como o In the Aeroplane Over the Sea do Neutral Milk Hotel e o Get Lost do Magnetic Fields – no mesmo mês que vinham para o Brasil pela primeira vez lançavam o primeiro grande disco do Lambchop, What Another Man Spills! O contato com uma banda que não era só um grupo tocando música no palco (como se isso fosse pouco!), mas também mola mestra da própria carreira, funcionou com inspiração para dezenas de indies pelo Brasil, que montaram suas próprias bandas, produtoras, abriram seus próprios zines ou selos (ou sites, naquele matagal inicial que era a internet no período) ou conheceram inúmeros artistas naquela época, fazendo, durante os anos 90, o que havia acontecido na década anterior nos EUA e na Inglaterra, quando bandas pouco comerciais descobriram que havia um mercado para além do mercado tradicional de rádios e grandes gravadoras. Por isso o reencontro com o Superchunk neste domingo no Cine Joia (depois de vê-los no ano 2000, em 2011 e ver o show solo de Mac em 2015) teve clima de flashback e nostalgia, acelerada pela presença de duas novas integrantes que não vieram nas outras vindas: a baixista Betsy Wright faz os shows com a banda no lugar da fundadora Laura Ballance e a baterista caçula Laura King segura o pique do fundador Jon Wurster, fora da banda desde 2023. A banda percebeu que estava tocando para o público que a viu crescer no país e caprichou no repertório anos 90, para delírio dos cinquentões presentes que eram quase a maioria da lotação da casa. Banda e público saíram com sorrisos nos rostos.
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