
O grupo Jonabug comemorou o primeiro aniversário de seu disco Três Tigres Tristes em dose dupla na Porta Maldita neste fim de semana – e o primeiro show aconteceu no mesmo dia do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa deste ano. Ao reunir-se com outras duas bandas mais novas da cena, o grupo de Marília, no interior de São Paulo, acabou fazendo uma amostra de como anda parte da cena de rock no Brasil nesta metade de década. A noite começou com o grupo Hindio, de Mogi das Cruzes, a mais nova das três atrações do sábado – e como é de se esperar de uma banda em sua fase inicial, as referências são muito evidentes e a sonoridade ainda não é própria, embora conectem com uma tendência cada vez mais evidente nesta nova cena rock que, se em gerações anteriores acumulavam referências de hardcore, garage rock, rock alternativo e metal, agora trazem elementos pronunciados de shoegaze e emo. Mas é questão de tempo pra que cheguem à sua própria assinatura musical e a banda já tem os elementos necessários para isso: energia, motivação e entrosamento, características básicas para qualquer banda crescer. Estão no rumo!
Depois foi a vez da banda gaúcha Quem é Você Alice?, mais conhecida pelos fãs como Qeva?, que já está em um outro degrau nesta evolução. Com dois discos já lançados (Rolê Trevas Pt. II, de 2023, e Nem Tudo é Sobre Amor, do ano passado), já têm uma cara musical melhor definida e um público consolidado em São Paulo, que canta várias músicas junto com seus vocalistas. Além da influência de diferentes vertentes do rock – com a mesma ênfase geracional ao emo e ao shoegaze, esta estranha mutação musical que vem assolando a nova geração de roqueiros -, o quarteto de Porto Alegre deixa evidente também a influência de bandas brasileiras como a Lupe de Lupe, com letras quilométricas e sentimentais e uma esperta amplitude musical, em que canções singelas explodem em riffs de guitarras e berros – ou o contrário.
A noite fechou com os veteranos do Jonabug, mostrando que estão cada vez mais amadurecidos e dominando seu público, o mais apaixonado e entregue ao show da noite, como era de se prever – cantando até os riffs de guitarra. Em canções que expandem as referências geracionais para abraçar o pós-punk dos anos 80 e o rock alternativo dos anos 90, o grupo de Marília, no interior de São Paulo, comemorava o primeiro ano do álbum Três Tigres Tristes e quase não carregam traços de emo ou shoegaze, o que é uma vantagem considerável neste novo cenário. E o carisma inato da vocalista e guitarrista Marília Jonas carrega a banda, que conta com seus comparsas Dennis Felipe (baixo), Thales Leite (guitarra, comemorando um ano na banda) e Samuel Berardo (bateria) para conduzir um show de gente grande, mesmo com a ousadia de terminar a noite com um memorável momento foda-se quando tocaram, sem ironia, “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Bela noite.
#jonabug #hindio #quemevocealice #portamaldita #trabalhosujo2026shows 140 a 142