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No Doubt ♥ Olivia Rodrigo

Todo mundo sabe que Olivia Rodrigo é fãzaça de No Doubt – inclusive já tocou músicas da banda de Gwen Stefani em suas apresenções, além de ter dado entrevistas falando o quanto ela foi um dos primeiros exemplos de “uma artista de verdade” que ela teve, antes de começar a pensar em fazer música. E depois de se juntar à banda em seu show de retorno no Coachella de 2024, ela subiu ao palco do grupo mais uma vez neste sábado – e de forma completamente espontânea. O No Doubt estava encerrando sua temporada na famosa Sphere em Las Vegas, nos EUA, quando Gwen viu uma garota bem na primeira fileira do show segurando um cartaz que dizia “Eu sou só uma garota que só quer o último abraço no último show na Sphere”, em referência ao número que a vocalista do grupo repetiu durante toda a temporada, quando escolhia alguém do público para dar um abraço. Stefani não acreditou quando reconheceu Olivia Rodrigo – bem no fim de semana de lançamento de seu terceiro álbum – e gritou: “É a Olivia Rodrigo? Pelamordedeus, chamem ela aqui, o disco novo dela acabou de sair!”, mas infelizmente o encontro ficou só no abraço e as duas não cantaram juntas mais uma vez.

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Três fases do novo rock brasileiro

O grupo Jonabug comemorou o primeiro aniversário de seu disco Três Tigres Tristes em dose dupla na Porta Maldita neste fim de semana – e o primeiro show aconteceu no mesmo dia do primeiro jogo da seleção brasileira na Copa deste ano. Ao reunir-se com outras duas bandas mais novas da cena, o grupo de Marília, no interior de São Paulo, acabou fazendo uma amostra de como anda parte da cena de rock no Brasil nesta metade de década. A noite começou com o grupo Hindio, de Mogi das Cruzes, a mais nova das três atrações do sábado – e como é de se esperar de uma banda em sua fase inicial, as referências são muito evidentes e a sonoridade ainda não é própria, embora conectem com uma tendência cada vez mais evidente nesta nova cena rock que, se em gerações anteriores acumulavam referências de hardcore, garage rock, rock alternativo e metal, agora trazem elementos pronunciados de shoegaze e emo. Mas é questão de tempo pra que cheguem à sua própria assinatura musical e a banda já tem os elementos necessários para isso: energia, motivação e entrosamento, características básicas para qualquer banda crescer. Estão no rumo!

Depois foi a vez da banda gaúcha Quem é Você Alice?, mais conhecida pelos fãs como Qeva?, que já está em um outro degrau nesta evolução. Com dois discos já lançados (Rolê Trevas Pt. II, de 2023, e Nem Tudo é Sobre Amor, do ano passado), já têm uma cara musical melhor definida e um público consolidado em São Paulo, que canta várias músicas junto com seus vocalistas. Além da influência de diferentes vertentes do rock – com a mesma ênfase geracional ao emo e ao shoegaze, esta estranha mutação musical que vem assolando a nova geração de roqueiros -, o quarteto de Porto Alegre deixa evidente também a influência de bandas brasileiras como a Lupe de Lupe, com letras quilométricas e sentimentais e uma esperta amplitude musical, em que canções singelas explodem em riffs de guitarras e berros – ou o contrário.

A noite fechou com os veteranos do Jonabug, mostrando que estão cada vez mais amadurecidos e dominando seu público, o mais apaixonado e entregue ao show da noite, como era de se prever – cantando até os riffs de guitarra. Em canções que expandem as referências geracionais para abraçar o pós-punk dos anos 80 e o rock alternativo dos anos 90, o grupo de Marília, no interior de São Paulo, comemorava o primeiro ano do álbum Três Tigres Tristes e quase não carregam traços de emo ou shoegaze, o que é uma vantagem considerável neste novo cenário. E o carisma inato da vocalista e guitarrista Marília Jonas carrega a banda, que conta com seus comparsas Dennis Felipe (baixo), Thales Leite (guitarra, comemorando um ano na banda) e Samuel Berardo (bateria) para conduzir um show de gente grande, mesmo com a ousadia de terminar a noite com um memorável momento foda-se quando tocaram, sem ironia, “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine. Bela noite.

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Todo o show: Strokes no festival de Bonnaroo (12.6.2026)

Os Strokes aos poucos estão assumindo sua postura de banda clássica, mesmo insistindo no autotune nas músicas novas e fizeram bonito no primeiro dia do festival de Bonnaroo deste ano, em Manchester, nos EUA, que, apesar de terem escolhido uma música bem paumole pra começar a noite (“Killing Lies”, que não tocavam desde 2022), logo recuperaram o jogo emendando “Hard to Explain”, “You Only Live Once” e “The Adults Are Talking” em seguida, sem poupar hits – e foi a primeira vez que o grupo tocou na íntegra uma de suas novas canções, a balada “Falling Out of Love” – emendando em seguida com “Reptilia” e “Last Nite”.

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Duas estreias em sintonia

Que beleza de Inferninho Trabalho Sujo nesta sexta-feira no Redoma. A noite começou com o ótimo show da carioca Carol Maia, estreando na festa. Tocando ao lado de seu companheiro e baixista José Miguel Brasil, ela mostrou músicas de seus disco recentes e outras que ainda farão parte do seu próximo disco, que está produzindo. Habitando uma fronteira conhecida do cancioneiro carioca – em que a MPB quase blueseira encontra-se com o rock com aspirações poéticas -, ela traz um novo fôlego para esta tradição, injetando doses de indie rock e de rock alternativo nessa mistura, mas sem nunca pesar a mão, sempre dando ênfase à sensibilidade de suas canções. E a parceria musical com José Miguel é preciosa: enquanto ela dá o rumo das canções por acordes-base que toca em sua guitarra, ele abre novo plano ao transformar seu baixo num instrumento melódico, mais do que de apoio rítmico, dupla musical que os acompanha quando dividem os vocais. Acompanhada do insuperável baterista paulistano Quico Dramma (da dupla Kim & Dramma, que com poucos ensaios parecia ser integrante fixo da banda), Carol fechou a noite com a ótima “Feroz”, música que tem tudo para se transformar em seu primeiro hit.

Depois foi a vez de Ana Spalter estrear na festa e trazer ares mais pop à sua formação. Com o show baseado no disco Coisas Vêm e Vão, que lançou no ano passado, ela aos poucos começa a mostrar músicas do próximo trabalho que mantém a verve MPB do disco de estreia, mas aos poucos começa a mostrar elementos de música pop. Sua ótima banda entende o recado e segue o rumo – e mesmo formada por músicos exímios (Johnny Accetta na guitarra e vocal e Pedro Petrucci no baixo e os convidados Jampa na batera e Bruno “Neca” Fechine dos Tangolo Mangos nas percussões e vocais), prefere deixar o virtuosismo técnico em segundo plano para reforçar as canções de Ana. Fazendo aniversário no dia do show, ela deu um presente ao público ao convidar Carol para dividir o palco em um belo dueto de guitarra e teclados na eterna “Samba em Prelúdio”, de Baden Powell e Vinícius de Moraes.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Ana Spalter e Carol Maia @ Redoma (12.6)

Já vai se programando porque em junho teremos mais um Inferninho Trabalho Sujo no Redoma reunindo duas cantoras em ascensão que mostram seus trabalhos recém-lançados com suas respectivas noites. No dia 12, a carioca Carol Maia estreia na festa trazendo no repertório seu recém-lançado It’s Nice to See a Lake In Your Eyes, em parceria com o baterista norte-americano Jeremy Gustin, e dos EPs Mundo de Espuma (2021) Urutu Fitas: Carol Maia (também deste ano), acompanhada de sua banda, formada por José Miguel Brasil e Thomás Medeiros, e mostrando suas canções que ficam entre o jazz, a música brasileira e o rock alternativo. Depois dela é a vez de Ana Spalter mostrar seu disco Coisas Vêm e Vão, lançado no ano passado, em que explora a canção paulistana contemporânea, e vem acompanhada de Johnny Accetta, Léo de Braga, Pedro Petrucci e Bruno “Neca” Fecchine. Como de praxe, eu mesmo discoteco antes, entre e depois dos shows. A casa abre às 21h, o primeiro show começa às 22h e os ingressos já estão à venda.

“I Shall Be Released” ao vivo pela primeira vez em 18 anos!

Ao apresentar-se em mais um show de sua turnê pelos EUA, Bob Dylan presenteou o público que foi vê-lo em Eugene na terça passada com uma volta ao hino “I Shall Be Released”, que ele não tocava ao vivo desde 2008. Pelo jeito essa turnê vai trazer vários clássicos desenterrados…

Ouça abaixo:  

O primeiro single póstumo do Fall

Quando Mark E. Smith nos deixou, em 2018, ele estava gravando um novo disco do Fall, que será lançado ainda esse ano. Post Script, ainda sem data de lançamento marcada, contará com 10 faixas inéditas do lendário grupo pós-punk encarnado na persona de Mark e a primeira faixa, “30 Degrees”, foi lançada nesta sexta-feira e é um calhamaço lento cheio de synths, bem diferente do que se espera de uma música do grupo.

Ouça abaixo:  

My Chemical Romance ♥ Pulp

O grupo My Chemical Romance anunciou em maio que estaria revisitando seu disco de 2010 (Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys) para comemorar os quinze anos do disco. A reedição de luxo sai no dia 10 de julho e além de trazer as 15 músicas originais em versões remasterizadas, também recolhe oito outras músicas gravadas naquele período. E entre sobras de gravação e versões ao vivo, o grupo formalizou o relançamento de sua versão para “Common People” do Pulp ao apresentá-la no estúdio da rádio inglesa BBC. Uma versão ok, que não compromete mas não avança, mas tem o trunfo de talvez trazer um novo público para a banda inglesa liderada por Jarvis Cocker.

Assista abaixo:  

Yma maior

Finalmente consegui assistir ao show do novo disco de Yma, Sentimental Palace, um dos melhores discos indies brasileiros do ano passado, na apresentação que fez nesta quinta-feira na Casa Natura Musical. Deu pra ver como ela subiu um degrau considerável em relação aos shows que fazia anteriormente, mesmo mantendo a mesma banda-base e com a expertise de anos de estrada regulada para este novo trabalho. Da direção de arte no palco – desde o castelo de papelão que traz na cabeça à primeira música ao figurino de todos os integrantes da banda – à direção musical, com direito a dois saxofonistas (com a entrada de Melifona na banda, que ainda esmerilhou no vocal na música do bis) e à presença do produtor do disco e companheiro Nando Rischbieter no palco, revezando-se entre vocais, teclado e violão. O resto da banda – Uiu Lopes no baixo (que também arrasa quando faz o dueto vocal em “Summer Lover”), Leon Perez (teclados), André Luiz (guitarra), Marco Trintinalha (bateria) e Vinícius Rodrigues (o saxofonista original) – tem uma cumplicidade de palco inabalável e acompanham Yma por seus devaneios dramáticos, ajudando-a a pintar o gótico lynchiano multicolorido que caracteriza seu universo musical. A mudança do novo trabalho é de escala: se em Par de Olhos ela pisava no mesmo chão do público, no novo álbum ela o eleva para o palácio sentimental do título, que tem um quê de conto de fadas e outro de hotel decadente. E o show acompanha essa nova escala, em que ela não só tocou quase toda íntegra do disco (só “Dentro de Mim” e “Passageira S.” ficaram de fora), um punhado considerável com as melhores do disco de estreia e canções intermediárias como o single “No Aquário” e “Meredith Monk”, que compôs para o disco que gravou com Jadsa. E essa escala se refletiu quando convidou o público para subir no palco para fazer a já clássica dancinha em fila em “Pequenos Rios”, que ficou para o final da noite. Muito bem.

#yma #casanaturamusical #trabalhosujo2026shows 137

Nick Cave ♥ Pogues

Nick Cave começou a nova turnê que está fazendo com seus Bad Seeds nesta quarta-feira pela capital da Irlanda, Dublin, e para dar um agrado aos seus fãs locais, voltou a tocar, pela primeira vez em quase trinta anos a versão que faziam para “A Rainy Night on Soho”, dos heróis locais dos Pogues, repetindo o gesto (e a canção) que Dylan fez na mesma cidade em novembro do ano passado. Não foi a única raridade que trouxe de volta aos palcos nesta apresentação, tocando “Train Long-Suffering” pela primeira vez desde 1989 (!), “Nobody’s Baby Now” (que foi tocada pela última vez em 2017), “Hiding All Away” (fora dos palcos desde 2013) e “Stranger than Kindness” (que não tocava desde 2015). O resto da noite veio cheio de clássicos – de “Tupelo” a “Henry Lee”, passando por “Red Right Hand”, “The Mercy Seat”, “Papa Won’t Leave You Henry”, “Into my Arms” e outras joias.

Assista a algumas dessas canções abaixo: