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Phoebe Bridgers offline

“É estranho não ter o celular, né?”, disse Phoebe Bridgers logo após uma das músicas em que, graças à proibição do aparelho (e outros dispositivos de registro), calou as mais de vinte mil pessoas que lotaram o Madison Square Garden, em Nova York, na quinta passada, emudecidas e deixando apenas a voz e o som de seu instrumento ecoar no local. Fechando um ciclo de shows-surpresa em lugares pequenos pelos Estados Unidos, ela lotou a maior casa de shows da maior cidade de seu país cobrando um dólar por ingresso e o tíquete tornou-se a única lembrança que o público pode levar para casa. “Eu agradeço que vocês possam tornar esse local uma zona livre de internet”, comentou em seguida, “se vocês enfiaram um relógio da Apple no cu pra gravar isso, por favor, não publique na internet. Confio em vocês.” As restrições para o show incluíram até papel, caneta e lápis para os jornalistas que cobriram a apresentação contassem apenas com a memória para mencionar trechos de letras e até suas falas entre as canções. Como nos shows que fez durante maio, tocou várias músicas ainda sem título de seu novo disco, que deve estar vindo mais em breve do que pensamos, pois a turnê já está com ingressos à venda (embora nada ainda sobre vir para o Brasil)

Veja o ingresso abaixo:  

Todo o show: Cure no Primavera, em Barcelona (5.6.2026)

Depois do aguaceiro que abateu-se sobre o Primavera de Barcelona na quinta (com cancelamentos de vários shows do evento), a sexta-feira deu uma trégua e trouxe de volta a boa vibe para o festival catalão, para a sorte do Cure – e de seus fãs. Retornando aos palcos depois de uma pausa de um ano e meio, o grupo de Robert Smith não só fez mais um felizmente gigantesco show (com as duas horas e meia de praxe) com aproveitou para trazer de volta aos palcos pérolas menores de seu repertório que não tocavam há eras, como “Mint Car” (música de trabalho do disco Wild Mood Swings, de 1995, que não era tocada há dez anos) e três músicas que não tocavam desde 2019: “Alt.End” (do disco de 2004, batizado só com o nome da banda), “2 Late” (lado B do single “Love Song’, de 1989) e “Wrong Number” (single que acompanhou o lançamento da coletânea Galore, de 1997). Nenhuma música inédita, mas aquela chuva de clássicos, como dá pra ver no vídeo com a íntegra do show.

Assista abaixo:  

Bob Dylan toca pela primeira vez ao vivo uma música que gravou há quase seis décadas!

Dylan não para! O mestre reiniciou sua eterna turnê nesta quinta-feira com um show na cidade de Troutdale, Oregon, em seu próprio país e entre versões de músicas alheias, “I Can Tell” (de Bo Diddley), “Axe and the Wind” (de George “Wild Child” Butler) e “I’ll Make It All Up to You” (de Jerry Lee Lewis) e clássicos próprios de diferentes épocas (desde hits como “Rainy Day Women #12 & 35”, “When I Paint My Masterpiece” e “All Along the Watchtower” a canções memoráveis como “Man in the Long Black Coat”, “Crossing the Rubicon” e “I Contain Multitudes”), ele ainda teve a manha de estrear uma música que nunca havia tocado ao vivo: “Baby, Won’t You Be My Baby”, gravada em 1967, quando sofreu um acidente de moto e retirou-se da vida pública, pra se enfurnar numa série de gravações ao lado da The Band, que só chegariam ao público oito anos depois, no disco que batizou aquelas sessões, The Basement Tapes. Mas “Baby, Won’t You Be My Baby” não saiu no disco de 1975 e só viu a luz do dia em 2014, quando, no décimo-primeiro volume de sua série em que oficializa suas gravações piratas, The Bootleg Series, liberou a íntegra daquela temporada ao lado da banda que ajudou a revelar. Você sabe de algum artista que levou quase 60 anos pra tocar uma música ao vivo? Lenda-viva não é só um título de efeito: Dylan é o cara, Como ele proíbe a entrada de câmeras e celulares em seus shows, não temos o registro em vídeo, mas algum devoto entrou com um gravador e fez uma foto pra eternizar esse momento.

Ouça abaixo:  

Dois extremos do rock independente

O Inferninho Trabalho Sujo dessa sexta-feira foi um acontecimento daqueles. A começar pelo encontro histórico dos Irmãos Panarotto com a banda Tutu Naná, trazendo conjuntamente a maluquice do rock de Chapecó num mesmo palco. Duas formações e gerações completamente distintas, os dois se encontram na encruzilhada do rock desenfreado com o humor nonsense e a jovem banda ficou como escada para as canções dos patronos do Repolho, essa instituição do indie brasileiro que atravessa décadas incólume, deixando suas experimentações de noise com jazz brasileiro para recolher-se às bases do repertório da dupla, quase sempre equilibrando-se entre a Jovem Guarda e o rock gaúcho – com direito ao baterista Fernando Paludo fazendo cosplay de Peter Criss, do Kiss. O happening subiu mais um degrau quando chamaram Tatá Aeroplano para participar da zona e o bardo paulista sintonizou o man Júpiter Maçã, quando cantaram juntos “Eu e Minha Ex” e uma canção-tributo à estátua do paladino da psicodelia gaúcha em Chapecó que metamorfoseou-se em “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes. Que delírio.

Depois foi a vez da banda amazonense Jambu mostrar como já estão bem ambientados em São Paulo, a ponto de lotar a casa de fãs cantando todas suas músicas – e pedindo outras que eles nem lembravam como tocar. Lançando o EP Cartas Que Escrevi Enquanto Sonhava ,a banda formada por Gabriel Mar na guitarra e vocal, Yasmin Costa no vocal e bateria, Gustavo Costa no baixo e Roberto Freire na guitarra solo – como esmerilha o instrumento, esse cidadão! , o grupo tem uma química impressionante e botou todo mundo pra cantar, inclusive as músicas recém-lançadas. Com influências de rock brasileiro dos anos 80, indie rock e emo, o grupo segue trilhando sua escalada pop e tende a crescer ainda mais. Depois eu e a Fran esticamos a madrugada até onde pudemos, numa noitada como há muito não fazíamos no Picles – sexta-feira, né?

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Jambu e Irmãos Panarotto com Tutu Naná @ Picles (5.6)

Olha esse Inferninho Trabalho Sujo dessa semana, que acontece no Picles e reúne duas extremidades da música independente do país numa sexta-feira daquelas! Quem começa a noite são os magos Irmãos Panarotto, lendas-vivas do indie brasileiro que capitaneavam a histórica banda Repolho a partir de Chapecó e reúnem-se aos conterrâneos e velhos conhecidos da festa Tutu Naná para uma apresentação épica! Depois é a vez dos amazonenses Jambu estrearem na festa misturando indie rock e rock de garagem. E a noite termina comigo e com a Fran fazendo todo mundo dançar sem parar quando discotecamos até altas. E quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Os ingressos já estão à venda. Vamooooos!

Phoebe Bridgers está voltando!

Sem lançar discos solo desde o ótimo Punisher, de 2020 (sem contar o disco com o supertrio Boygenius, que fez a rapa nos Grammy de 2024), Phoebe Bridgers teve um maio agitado que começou com o anúncio de sua estreia nos cinemas (quando estará no filme Primetime, que estreia lá fora em setembro). Logo depois anunciou um show surpresa no mesmo dia do show, padrão que acabou se repetindo em várias cidades dos EUA. Nesta quinta-feira, ela fechou essa primeira etapa de sua nova fase ao manter a mesma lógica dos shows surpresa em uma das maiores casas de show do mundo, ao lotar o Madison Square Garden de Nova York anunciando o show na própria quinta-feira em flyers impressos e pôsteres colados em postes pela cidade (cobrando um dólar pelo ingresso!). O show manteve o padrão dos anteriores – abriu e fechou com músicas de seus dois primeiros discos, mas o miolo era composto apenas por músicas inéditas, com um agravante: todo mundo tinha que deixar seu celular na entrada. Até os jornalistas que foram convidados para essa apresentação tiveram que assinar um acordo de confidencialidade para não contar nada sobre as músicas novas (e, lógico, não registrar nada). Nessa sexta-feira, ela mostrou que a primeira etapa foi concluída e acaba de dar início à nova fase, abrindo a venda de ingressos do que está chamando de Lost Tour pelos Estados Unidos (com abertura do Alex G) e por alguns países da Europa (com abertura do ex-Black Country New Road Isaac Woods). Sobre o disco nenhuma novidade ainda, mas devemos ter algo muito em breve…

Todo o show: Geese no Primavera de Barcelona (4.6.2026)

Começou o festival Primavera de Barcelona e bem no meio do show do Geese caiu um temporal da pesada que acabou por cancelar vários shows no primeiro dia do evento, entre eles os de Alex G, Mac DeMarco, Massive Attack, Doja Cat, entre outros, causando pela primeira vez, a sensação de que foi uma boa não ter ido ao festival este ano… A organização já anunciou que irá reembolsar os ingressos de quem quiser reembolso e avisa que nesta sexta-feira o evento segue normalmente. Assista abaixo a íntegra do show da banda de Nova York:  

Prince inédito

A primeira compilação póstuma de faixas inéditas de Prince acaba de ser anunciada durante a realização da Prince Celebration Week, que está acontecendo nesta semana em Mineápolis, cidade-natal do gênio da música norte-americana. Timeless, que já está em pré-venda, será lançada no dia 28 de agosto e inclui dez faixas que foram gravadas entre 1977 e 2016, ano em que o mestre nos deixou. Além de “With This Tear”, lançada no dia do aniversário de 10 anos de sua morte este ano, a coletânea ainda traz outras nove faixas, incluindo “Stone”, gravada em 1995, e revelada junto ao anúncio do novo disco.

Ouça abaixo “Stone” e veja a relação com todas as músicas da nova coletânea:  

Canções inéditas da fase clássica dos Pixies

Em seu aniversário de 40 anos, a clássica banda indie norte-americana anuncia reedições dos dois últimos discos de sua fase clássica com músicas inéditas. Os Pixies acabaram de anunciar reedições – batizadas de “dinked editions” – dos discos Bossanova, de 1990, e Trompe Le Monde, de 1991, que contam com músicas do grupo que nunca viram a luz do dia, duas por álbum, materializando-se em dois compactos que acompanham suas respectivas reedições em vinil. Junto ao terceiro álbum da banda vem um single composto por uma versão de “Dig for Fire” gravada por Steve Albini em 1987 para seu primeiro álbum, Surfer Rosa (de 1988), e a inédita “Go Man Go”, rara composição conjunta dos vocalistas Kim Deal e Black Francis, que foi gravada tanto pelos Pixies quanto pela outra banda de Kim, as Breeders, para seu disco Last Splash (mas só foi lançada oficialmente há três anos, na reedição do aniversário de 30 anos deste disco). E acompanhando a reedição do último disco do grupo vem um compacto composto por duas faixas: “Brackish Boy”, cuja versão oficial tornou-se conhecida no primeiro disco solo de Francis, quando ele mudou seu nome para Frank Black, título que batizou seu disco solo de estreia. A outra faixa, o fragmento experimental e instrumental “Punk Loop”, foi descoberta pelo engenheiro de som Kevin Vanbergen, enquanto ele passava o pente fino nas fitas da banda daquele período e é a única faixa das quatro que ninguém nunca havia ouvido falar. Os discos, remasterizados a partir das fitas originais, já estão em pré-venda e chegam ao público no dia 11 de setembro.

Veja as reedições abaixo:  

Stela Campos está voltando

Há tempos reclusa da música, Stela Campos começa a dar seus passinhos de volta nesta sexta-feira, quando lança o single “Let’s Swim”, em parceria com o compadre Èrico Theobaldo, que ela antecipa em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo. Depois de trabalhar com Érico na trilha sonora da série Vale dos Esquecidos, do diretor Daniel Lieff, este a chamou depois para compor a música-tema de seu novo filme, 15 Dias, cuja trilha conta com várias músicas já existentes, incluindo faixas de Billie Eilish e Chico Chico e o convite de Lieff foi para compor a única música original deste pacote. “Compus no violão, fizemos a letra e depois eu e o Érico trabalhamos uma semana inteira para acertar cada detalhe do arranjo da música com as imagens do filme e com o diretor”, explica Stela, detalhando a vontade de fazer uma música pop “no espírito do filme”, um- romance adolescente LGBTQIA+, que trata de temas como bullying e gordofobia, baseado no livro best-seller do Vitor Martins. “No fim, acabamos usando alguns ruídos como se a música começasse embaixo da água porque boa parte da história gira em torno de uma piscina e o baixo acabou ficando meio New Order”, confessa – mas o single soa mais próximo da cena em torno da gravadora nova-iorquina DFA no início do século do que a banda inglesa.

Mas não é só essa música. “Let’s Swim” acabou funcionando como gatilho para voltarem a um disco dos dois, que consolida a dupla que mantém há anos, mas que tinha sido deixado de lado por conta das respectivas agendas. “Quando gravamos essa música no início do ano, ela deu um novo ânimo para o projeto”, conta, explicando que o disco está quase pronto e em breve vão para os palcos, lugar que Stela não pisa desde a pandemia. “Minha banda se dispersou, então eu voltei a compor no computador, em casa, e algumas músicas que estão nesse disco com o Érico são desse período”, lembra, ressaltando que já escolheu os músicos para a nova formação (além de Érico também tocará com Roger Menn e Bianca Godoi) e que vão usar o harmônio indiano nesta nova fase.

Ouça abaixo: