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Arca e o futuro da música

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A produtora venezuelana Arca, queridinha de titãs do pop atual como Björk, Kanye West, Frank Ocean e FKA Twigs, deu um xeque ao lançar seu novo single. Batizado com o incomum nome de “@@@@@”, sua nova obra de sessenta e dois minutos que enfileira diferentes climas e atmosferas sonoras cujo fluxo musical caminha entre um DJ set autoral, uma mixtape ou até mesmo um álbum sem as pausas entre as faixas. Mas ele preferiu chamar o novo material de single e com isso propõe subliminarmente uma discussão sobre formatos no pop atual.

Em um tempo em que artistas discutem o fim do formato álbum, a aposta em singles, a obrigatoriedade do clipe ou a ascensão dos EPs e mixtapes, “@@@@@” expande esta questão para todos os horizontes possíveis, mostrando como a retenção de atenção do ouvinte (e telespectador) por parcos minutos é uma briga apenas mercadológica e propõe uma canção enorme dividida em trinta partes – que ela chama de “quantum” -, cada uma dela com seu título específico, nomes como “Diva”, “Construct”, “Travesti”, “Amputee”, “Avasallada”, “Pacifier”, “Chipilina”, “X”, “Murciélaga” e “Bebé”. O próprio fato de ter sido lançado como um vídeo, traz a imagem pós-apocalíptica com a produtora nua e plugada sobre um carro em um ferro-velho em chamas, com sua própria imagem dançando em uma tela holográfica ao fundo, uma imagem única, em constante movimento e repetição, mas que se estende por toda a duração do clipe, como uma capa de disco em uma outra dimensão.

E é claro que não se trata apenas de formatos – e o som de Arca é um sobrevôo por paisagens que transcedem a imagem distópica do clipe. Ela passeia por horizontes alienígenas de todas as matizes possíveis, da intensidade noise industrial a um ricochete pós-techno de beats eletrônico, passando por planícies ambient, samples de risadas e acidentes de carro, enxames de breakcore, fogs de ruído elétrico, drill’n’bass, reggaton picotado e padrões repetitivos de glitches eletrônicos às vezes sobrepondo duas – ou mais – destas realidades musicais ao mesmo tempo. A sensação é de desprendimento da realidade, como se estivéssemos sonhando um sonho de outra pessoa – o da própria artista. Que, por sua vez, canta nas próprias faixas pela primeira vez.

O single estrou na semana passada na rádio NTS e logo depois a própria Arca explicou a temática deste trabalho: “‘@@@@@’ é uma transmissão enviada para este mundo a partir de um universo ficcional especulativo em que a forma fundamentalmente analógica da rádio FN pirata continua uma das poucas formas de se escapar da vigilância autoritária alimentada por uma consciência refém gerada por uma inteligência artificial pós-singularidade. A apresentadora do programa, conhecida como DIVA EXPERIMENTAL vive em múltiplos corpos no espaço devido à sua perseguição – e para matá-la, é preciso primeiro encontrar todos seus corpos. Os corpos que hospedam seus fetiches malucos por paralinguística quebram a quarta parede e nutrem uma fé mutante no amor em frente ao medo.”

Pesado. E como ela quis deixar claro: é um single.

Sexta Trabalho Sujo #014: Pipo Pegoraro

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O compositor, músico e produtor paulista Pipo Pegoraro apresenta seu mais novo trabalho, o disco instrumental Antropocósmico, lançado no primeiro dia de 2020, em que flerta com o jazz funk, o rock progressivo e a MPB instrumental dos anos 70, na última edição de fevereiro da Sexta Trabalho Sujo, neste dia 28 de fevereiro, no Estúdio Bixiga, a partir das 21h (mais informações aqui). Vamos lá?

INXS via National

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Organizada pela cantora e compositora australiana Julia Stone, a coletânea Songs for Australia foi criada como uma forma de arrecadar fundos para as vítimas dos incêndios na Austrália, reunindo artistas de todo o mundo para doar versões para músicas conhecidas de artistas australianos – e assim Julia trouxe nomes como Damien Rice, Kurt Vile, Martha Wainwright, entre outros, para regravar músicas de Nick Cave, Goyte, Sia e outros tantos (além de ela mesma ter lançado o projeto com sua versão besta para “Beds Are Burning” do Midnight Oil). Nesta quinta-feira foi a vez do grupo norte-americano The National mostrar sua versão comportada para a bela “Never Tear Us Apart”, a maior balada do INXS.

O projeto, chamado Songs for Australia, está vendendo a coletânea em seu site, além de mostrar outras formas de colaborar com a iniciativa.

Vida Fodona #624: Pra continuar esse clima na manha

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E pra espantar esse frio bizarro.

Nightmares on Wax – “Morse”
Beta Band – “Squares”
Electrelane – “The Valleys”
Tops – “I Feel Alive”
Bruno Schiavo – “Orestes”
Vovô Bebê – “Saparada”
Coriky – “Clean Kill”
Napalm Death – “White Kross”
Kiko Dinucci – “Rastilho”
Jessy Lanza – “Lick In Heaven”
Thundercat + Steve Lacy + Steve Arrington – “Black Qualls”
Justin Timberlake + SZA- “The Other Side”
Desire – “Bizarre Love Triangle”
Nill – “Jive (Dro Remix)”
Tame Impala – “It Might Be Time”
Letrux – “Cinco Bombas Atômicas”

“Silly Love Songs” na pista

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A dupla de Los Angeles Classixx pegou a baladaça “Silly Love Songs” dos Wings e trouxe para a pista de dança. E desceu bem…

Justin Timberlake chama SZA para dançar

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A última vez que Justin Timberlake emplacou um hit foi quando fez a música-tema para o filme Trolls, “Can’t Stop the Feeling“, em 2016, que lhe valeu até um Grammy. Então talvez seja uma boa notícia que ele volta à pista de dança com outra música-tema para a mesma franquia infantil, que ganha continuação com o título de Trolls World Tour. E para ajudá-lo a voltar com estilo, Justin chamou SZA, que ajudou a temperar a ótima “The Other Side”, produzida pelo sueco Max Martin, o mago por trás de hits como “…Baby One More Time” de Britney Spears, “I Kissed a Girl”, “Roar” e “Dark Horse” de Katy Perry, “Shake It Off”, “Blank Space” e “Bad Blood” de Taylor Swift e “Can’t Feel My Face” do Weeknd – além de ter produzido a música de Justin no filme anterior.

Bem-vindo de volta à pista de dança, sentimos sua falta.

Throwing Muses de volta!

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O clássico grupo indie dos anos 90 liderado por Kristin Hersh Throwing Muses anuncia novo disco, seu décimo, o primeiro desde Purgatory/Paradise, de 2013, para maio deste ano. Sun Racket – que já está em pré-venda, veja a capa e o nome das músicas abaixo – começa a ser mostrado a partir do ótimo single “Dark Blue”, lançado nesta semana.

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“Dark Blue”
“Bywater”
“Maria Laguna”
“Bo Diddley Bridge”
“Milk at McDonald’s”
“Upstairs Dan”
“St. Charles”
“Frosting”
“Kay Catherine”
“Sue’s”

O último disco do Gang of Four

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Em seus últimos dias de vida, o guitarrista e fundador do Gang of Four, Andy Gill, ainda conseguiu mexer no EP This Heaven Gives Me Migraine, que estava planejando lançar antes de saber de seu estado de saúde – o disco, que mistura trechos falados de Gill com faixas recentes da banda (à exceção de “Natural’s Not In It”) já está entre nós.

50 anos de Fun House, dos Stooges

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Um dos discos mais intensos da história do rock, o Fun House, segundo disco dos Stooges, ganha uma versão de aniversário que se desdobra numa caixa com 15 (!) LPs, que dissecam esta obra-prima do barulho com um microscópio, incluindo não apenas uma edição dupla do disco original em 45 RPM como todas as gravações feitas no estúdio, que já tinham aparecido na caixa The Complete Fun House Sessions, lançada em 2005, que chega pela primeira vez em vinil.

Além disso, a caixa também traz o pirata ao vivo Have Some Fun: Live At Ungano’s (gravado na casa de shows em Nova York no dia 17 de agosto de 1970, com o roadie Zeke Zettner no lugar do baixista Dave Alexander, que estava muito bêbado para subir no palco), dois compactos de sete polegadas (“Down On The Street” e “I Feel Alright”, “Down On The Street” (Single Mix) e “I Feel Alright” (Single Mix)), um livro com 28 páginas com fotos inéditas e um ensaio assinado por Henry Rollins, além de textos de Flea, Joan Jett, Shirley Manson, Thurston Moore, Tom Morello, Karen O, Mike Watt, entre outros, réplicas de pôsteres e flyers e um adaptador para ouvir discos 45 RPM. Esta versão terá apenas 1970 cópias e custa 400 dólares – e já está em pré-venda.

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