Mais uma pérola desenterrada pelo Mutlei: a íntegra do show do Teenage Fanclub no festival de Reading em 1992, aquele que, por algum motivo estranho e aleatório, passou na Bandeirantes naquele mesmo ano, causando comoção em quem acompanhava as notícias de música no conta-gotas da imprensa imprensa (lembre-se que não havia a internet como a conhecemos hoje naquele momnento). Showzão.
“So Far Gone”
“Mr. Tambourine Man”
“What You Do to Me”
“Star Sign”
“God Knows It’s True”
“Take the Skinheads Bowling”
“The Concept”
“Everything Flows”
“Satan”
O grupo eletrônico inglês Metronomy, liderado por Joseph Mount, lança mais um clipe para uma das músicas de seu ótimo Metronomy Forever, um dos melhores discos de 2019: “Whitsand Bay” traduz o casamento do clima plácido de suas canções à atmosfera de dance music característica do grupo ao colocar uma luminária de pista de dança no amanhecer de uma cidade de médio porte. Bem bonito.
A revista californiana Girls Girls Girls convidou a atriz Cynthia Nixon para ler “Be a lady, they say” que a escritora norte-americana Camille Rainville escreveu no final de 2017. O vídeo, dirigido por Paul McLean, reforça o aspecto manifesto do texto, que fala sobre as transformações que estão acontecendo neste início de século a partir de uma série de imperativos clichês e onipresentes que acabam enclausurando qualquer mulher no que ela deve fazer para ser aceita em sociedade.
“Be a lady they said. Your skirt is too short. Your shirt is too low. Your pants are too tight. Don’t show so much skin. Don’t show your thighs. Don’t show your breasts. Don’t show your midriff. Don’t show your cleavage. Don’t show your underwear. Don’t show your shoulders. Cover up. Leave something to the imagination. Dress modestly. Don’t be a temptress. Men can’t control themselves. Men have needs. You look frumpy. Loosen up. Show some skin. Look sexy. Look hot. Don’t be so provocative. You’re asking for it. Wear black. Wear heels. You’re too dressed up. You’re too dressed down. Don’t wear those sweatpants; you look like you’ve let yourself go.
Be a lady they said. Don’t be too fat. Don’t be too thin. Don’t be too large. Don’t be too small. Eat up. Slim down. Stop eating so much. Don’t eat too fast. Order a salad. Don’t eat carbs. Skip dessert. You need to lose weight. Fit into that dress. Go on a diet. Watch what you eat. Eat celery. Chew gum. Drink lots of water. You have to fit into those jeans. God, you look like a skeleton. Why don’t you just eat? You look emaciated. You look sick. Eat a burger. Men like women with some meat on their bones. Be small. Be light. Be little. Be petite. Be feminine. Be a size zero. Be a double zero. Be nothing. Be less than nothing.
Be a lady they said. Remove your body hair. Shave your legs. Shave your armpits. Shave your bikini line. Wax your face. Wax your arms. Wax your eyebrows. Get rid of your mustache. Bleach this. Bleach that. Lighten your skin. Tan your skin. Eradicate your scars. Cover your stretch marks. Tighten your abs. Plump your lips. Botox your wrinkles. Lift your face. Tuck your tummy. Thin your thighs. Tone your calves. Perk up your boobs. Look natural. Be yourself. Be genuine. Be confident. You’re trying too hard. You look overdone. Men don’t like girls who try too hard.
Be a lady they said. Wear makeup. Prime your face. Conceal your blemishes. Contour your nose. Highlight your cheekbones. Line your lids. Fill in your brows. Lengthen your lashes. Color your lips. Powder, blush, bronze, highlight. Your hair is too short. Your hair is too long. Your ends are split. Highlight your hair. Your roots are showing. Dye your hair. Not blue, that looks unnatural. You’re going grey. You look so old. Look young. Look youthful. Look ageless. Don’t get old. Women don’t get old. Old is ugly. Men don’t like ugly.
Be a lady they said. Save yourself. Be pure. Be virginal. Don’t talk about sex. Don’t flirt. Don’t be a skank. Don’t be a whore. Don’t sleep around. Don’t lose your dignity. Don’t have sex with too many men. Don’t give yourself away. Men don’t like sluts. Don’t be a prude. Don’t be so up tight. Have a little fun. Smile more. Pleasure men. Be experienced. Be sexual. Be innocent. Be dirty. Be virginal. Be sexy. Be the cool girl. Don’t be like the other girls.
Be a lady they said. Don’t talk too loud. Don’t talk too much. Don’t take up space. Don’t sit like that. Don’t stand like that. Don’t be intimidating. Why are you so miserable? Don’t be a bitch. Don’t be so bossy. Don’t be assertive. Don’t overact. Don’t be so emotional. Don’t cry. Don’t yell. Don’t swear. Be passive. Be obedient. Endure the pain. Be pleasing. Don’t complain. Let him down easy. Boost his ego. Make him fall for you. Men want what they can’t have. Don’t give yourself away. Make him work for it. Men love the chase. Fold his clothes. Cook his dinner. Keep him happy. That’s a woman’s job. You’ll make a good wife some day. Take his last name. You hyphenated your name? Crazy feminist. Give him children. You don’t want children? You will some day. You’ll change your mind.
Be a lady they said. Don’t get raped. Protect yourself. Don’t drink too much. Don’t walk alone. Don’t go out too late. Don’t dress like that. Don’t show too much. Don’t get drunk. Don’t leave your drink. Have a buddy. Walk where it is well lit. Stay in the safe neighborhoods. Tell someone where you’re going. Bring pepper spray. Buy a rape whistle. Hold your keys like a weapon. Take a self-defense course. Check your trunk. Lock your doors. Don’t go out alone. Don’t make eye contact. Don’t bat your eyelashes. Don’t look easy. Don’t attract attention. Don’t work late. Don’t crack dirty jokes. Don’t smile at strangers. Don’t go out at night. Don’t trust anyone. Don’t say yes. Don’t say no.
Primeiro foi a continuação da parceria com Khalid – depois do sucesso ao produzir a faixa “Talk” do vocalista norte-americano no ano passado, a dupla inglesa Disclosure voltou a colaborar com ele ao lançar o suave single “Know Your Worth” no início do mês. Mas agora os irmãos Guy e Howard Lawrence deixam as colaborações de lado para lançar o primeiro single em 2020, a contagiante “Ecstasy”, construída a partir de pedaços da faixa “Fantasy” do grupo disco Aquarian Dream.
Mas não falaram nada sobre disco novo – e o disco mais recente dos dois, Caracal, foi lançado tem quase cinco anos…
Atualização (25 de fevereiro): E eles soltaram mais uma música. “Tondo”, em que sampleiam o músico camaronês Eko Roosevelt.
Atualização (26 de fevereiro): E tome mais faixa nova, desta vez “Expressing What Matters”, construída a partir de pedaços de “Lowdown“, de Boz Scaggs.
Em meio à folia do carnaval de Salvador, eis que surge Mano Brown no alto do trio elétrico do festival Afropunk, que teve também as participações do BaianaSystem e do Afrocidade, e puxa vários hits dos Racionais – e geral cantou junto.
George Eveyln já misturava funk, soul, reggae, hip hop e jazz em suas discotecagens na noite inglesa e arriscou levar aquela mistura em composições próprias no ótimo A World of Science, que lançou em 1991 sob o nome artístico Nightmares on Wax, num dos primeiros discos lançados pela gravadora Warp. Quatro anos depois, ele aperfeiçoou aquela mistura e ao lado de uma banda composta por Chris Dawkins na guitarra, Robin Taylor-Firth nos teclados, Hamlet Luton no baixo e Shovell na percussão e lançou um dos principais discos da história do trip hop, desbravando uma fronteira que misturava jazz funk com maconha que o Massive Attack abandonou logo após seu disco de estreia.
Smokers Delight, lançado em 1995, é dessas obras-primas atemporais, a principal abordagem hip hop do gênero iniciado em Bristol pelo Massive Attack e pelo Portishead. Ao trabalhar com samples e trechos de outras músicas como pontos de partida de suas faixas, Evelyn ampliava o horizonte do mundo do rap para além do texto, conversando imediatamente com outros DJs que faziam isso em outros pontos do planeta no fim do século vinte, como DJ Shadow em Los Angeles, DJ Cam em Paris, o Company Flow em Nova York, Q-Bert e Dan the Automator em São Francisco, Rob Swift na Inglaterra e os Avalanches na Austrália, pioneiros que cultivaram o terreno que, na década seguinte, viu nascer carreiras de nomes como J Dilla, Madlib, RJD2, Flying Lotus, K Def, The Alchemist, entre muitos outros.
Pois o disco ressurge 25 anos depois em versão comemorativa em vinil que será relançada em abril (já em pré-venda) e que traz faixas extras inspiradas no disco original, reunida sob o nome de Sonic Buds. Além de duas músicas inéditas (“Aquaself” e “Let’s Ascend”, ouça esta a seguir), ainda há uma versão remixada para “Dreddoverboard” bem como uma versão ao vivo para “Nights Introlude” gravada em Chicago, nos EUA, em 2014.
“Nights Introlude”
“Dreddoverboard”
“Pipes Honour”
“Me + You”
“Stars”
“Wait a Minute/Praying For A Jeepbeat”
“Groove St.”
“Time (To Listen)”
“(Man) Tha Journey”
“Bless My Soul”
“Cruise (Don’t Stop)”
“Mission Venice”
“What I’m Feelin (Good)”
“Rise”
“Rise (Reprise)”
“Gambia Via Vagator Beach”
Me passou batido o remix que o mestre norueguês da space disco, o ás Prins Thomas, fez no hit retrô que puxou o lançamento do disco novo que os Pet Shop Boys lançaram no no início do ano, Hotspot, seu décimo quarto álbum. Prins mexeu pouco na estrutura original de “Monkey Business” (que foi lançada como EP no início do mês), tirando-a dos anos 70 e trazendo-a para o underground eletrônico da década seguinte, deixando-a mais robótica e grudenta.
A gravadora XL está aproveitando o aniversário do último disco de Gil Scott-Heron, I’m New Here, para levantar uma série de homenagens a este ícone da música negra. A primeira delas foi o lançamento de uma edição expandida deste próprio álbum, que vem agora em uma versão dupla em vinil e traz duas faixas inéditas (uma versão para “Handsome Johnny” de Richie Havens e uma música inédita chamada “King Henry IV”), além de versões alternativas para músicas do disco original.
O disco também ganhou uma nova versão ao passar pelas mãos do baterista e produtor norte-americano Makaya McCraven, que reuniu alguns cobras de Chicago, sua cidade-natal, para recriar pela terceira vez o disco de 2010, transformando-o em We’re New Again: A Reimagining by Makaya McCraven. Ao lado dos bambas Jeff Parker, Brandee Younger, Junius Paul e Ben Lamar Gay, ele trouxe um calor setentista que a gravação original, mais europeia, parecia carecer.
Não custa lembrar que I’m New Here já tinha passado por um processo de recriação no ano seguinte ao seu lançamento, quando o produtor Jamie XX o remixou a pedido do produtor original do disco, o dono da gravadora XL Richard Russell, transformando-o em We’re New Here, lançando meses antes da morte de Scott-Heron, no dia 27 de maio de 2011. O tratamento de Jamie, como era de se esperar, jogava a linguagem musical de Gil ainda mais para a eletrônica inglesa, misturando elementos de dubstep, house e garage à musicalidade do mago norte-americano.
Mas o filé destes lançamentos é o documentário Who Is Gil Scott-Heron?, feito pela dupla inglesa Iain Forsyth e Jane Pollard (diretores do filme 20,000 Days on Earth, de Nick Cave), que entrevistou uma série de amigos, parentes e fãs próximos do poeta pioneiro do rap para mostrar sua profundidade emocional e a importância de sua presença na música moderna.
Duvido você não chorar na hora em que ele começar a cantar “Winter in America”.
A produtora canadense Jessy Lanza começa a mostrar trabalho depois do ótimo Oh No, de 2016, ao lançar o irresistível single “Lick in Heaven”, apontando para o R&B do final do século passado. Deixa cair…