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Beastie Boys para chorar

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Mais um trailer para Beastie Boys Story, o “documentário ao vivo”, que Spike Jonze irá lançar sobre os Beastie Boys que meio que revela o formato ao trazer os dois beastie boys remanescentes – Ad-Rock e Mike D – para lembrar suas histórias num teatro com um telão enorme que vai contando a história da banda. O filme também mostra como o falecido MCA era uma das forças-motrizes do trio, o que torna o trailer ainda mais emocionante – é de chorar.

O filme seria lançado agora em março no SXSW, que foi cancelado devido à epidemia do coronavírus, e deve chegar a algumas salas de cinema por lá no início do mês para chegar ao serviço de streaming da Apple menos de um mês depois.

Sexta Trabalho Sujo #016: Antiprisma

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Neste sexta-feira 13 de março, a atração da Sexta Trabalho Sujo é a dupla paulista folk psicodélica Antiprisma, formada por Elisa Moreira (guitarra e vocais) e Victor José (guitarra, viola caipira e vocais), que dá início aos seus shows em 2020 em uma apresentação no Estúdio Bixiga, quando mostra seu disco mais recente, Hemisférios (mais informações aqui). Predominantemente acústico desde o início, o grupo vem passando por uma metamorfose nos palcos e experimenta novos arranjos com uma abordagem elétrica para canções dos trabalhos anteriores, numa formação de quarteto, com a presença de Ana Zumpano (Cinnamon Tapes, Lava Divers) e Rafa Bulleto (Neptunea, Bike) na bateria e no baixo, respectivamente.

O fim dos Beatles chega aos cinemas

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É oficial: a Disney comprou os direitos de distribuição do documentário Get Back, em que diretor Peter Jackson debruça-se sobre o material que outro diretor, Michael Lindsay-Hogg, fez no último mês em que Beatles tentaram manter-se como uma banda, em janeiro de 1969. O projeto Get Back foi originalmente uma tentativa que Paul McCartney fez com o grupo para que eles voltassem a funcionar coletivamente, depois de uma série de brigas em 1968 que culminou com a saída do baterista Ringo Starr do grupo, por uma semana.

Paul sugeriu que os quatro voltassem ao estúdio para tocar clássicos do rock como nos velhos tempos, batizou a iniciativa de Get Back, a partir de uma canção sua, e convenceu os Beatles a deixar uma equipe de filmagem acompanhou o processo. A presença das câmeras – e forçadas luzes coloridas – deixou o clima entre os Beatles, que já estava ruim, pior, e aquele mês assistiu à desintegração do grupo como uma banda. Emblemático que culminasse com a última apresentação ao vivo do grupo, o show de 40 minutos que parou Londres quando o grupo tocou sem anúncio no topo do prédio onde funcionava seu escritório, a gravadora Apple.

Get Back foi arquivado e o grupo passou a trabalhar no que mais tarde se tornaria o disco Abbey Road, mas nunca mais os quatro integrantes da banda estiveram juntos no estúdio, sendo este último disco gravado com no máximo três beatles por vez na sala. Alguns deles mal falavam um com o outro, Paul tretado com John, George tretado com Paul, Ringo de saco cheio dos três. Em 1970, depois do anúncio oficial do grupo, Get Back foi relançado num novo formato – pós-produzido por Phil Spector, que descaracterizou as gravações cruas da época com cordas e coros, o disco transformou-se em Let it Be, nome também do último filme do grupo, extraído das filmagens de Linsday-Hogg.

O documentário que aproximou o diretor de Senhor dos Anéis ao grupo inglês é a versão definitiva deste momento. Trabalhando em cima de todo o material deixado pelo diretor original, Peter Jackson mergulhou no projeto, que finalmente ganhou sua data de estreia no cinema, com o anúncio da entrada da Disney no projeto. Se o coronavírus não atrasar ainda mais, o lançamento está previsto para o dia 4 de setembro. E trará a íntegra do show no terraço da Apple, quando o grupo tocou três vezes “Get Back”, duas vezes “Don’t Let Me Down” e “I’ve Got a Feeling”, além de “Dig a Pony” e “One After 909”, acompanhados do tecladista Billy Preston.

O filho do Fela

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Conversei com o Femi Kuti, uma das atrações do Nublu Jazz Festival deste ano, que toca neste fim de semana em São Paulo. O papo com o filho mais conhecido de Fela Kuti está na revista Trip – confere lá.

Yuksek bateu!

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E o disco novo do produtor francês Yuksek é uma pérola flambada na música brasileira para dançar. Nosso Ritmo, escrito assim mesmo em português, segue as obsessões do produtor, que ainda habita o terreno da disco music e sua transformação em house entre o final dos anos 70 e o começo dos anos 80. E então ele começa a investigar os paralelos brasileiros desta mesma sonoridade na época e nos convida a um mergulho em uma irresistível pista de dança, que mesmo com o 4 x 4 do beat característico do produtor, consegue absorver texturas e levadas típicas do funk samba e do samba soul do mesmo período (ele menciona nominalmente Marcos Valle, Gilberto Gil e Di Melo) – e convida vários compadres para juntar-se ao disco, entre eles Breakbot (que ao lado de Irfane protagoniza um dos melhores momentos do disco, a deliciosa “Only Reason”), Zombie Zombie, Confidence Man, Jean-Sylvain de Juveniles, Polo & Pan, entre outros.

Mas três momentos específicos têm brasileiros na mistura e são presenças decisivas. Dois deles – minha favorita “Bateu”, que foi lançada como single em 2017, e “Corcovado” – contam com o apoio preciso da dupla Fatnotronic, composta por Rodrigo Gorky e Philip A. O terceiro momento é a releitura de “Mais Kriola”, do saudoso Hélio Matheus. Discaço.

Tatá Aeroplano 2020: “Calma eu vou te explicar”

Luiz Romero (Divulgação)

Luiz Romero (Divulgação)

“Abro a caixa de Pandora com os dedos”, Tatá Aeroplano canta acompanhado só do violão em “Alucinações”, música que abre seu novo álbum, como se estivesse prestes a nos contar um segredo. Mas o devaneio apenas nos conduz para além do fluxo de palavras original à medida em que sua banda cria um clima ao mesmo tempo épico e onírico. “Nos pratos, nas prateleiras, o veneno escorre”, cantam Bárbara Eugenia e Mallu Maria acompanhadas do trio que Tatá se cercou desde seu primeiro álbum: Junior Boca na guitarra, Dustan Gallas no baixo e Bruno Buarque na bateria. Delírios Líricos, gravado no ano passado, finalmente começa a ver a luz do dia. Ele antecipa a nova música em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“‘Alucinações’ abre os caminhos do novo álbum batizado de Delírios Líricos, quando decidi lançar uma música antes do disco cheio, pensei de cara nela, por ser uma canção automática, daquelas que vem de um vez só com algumas sensações vividas nesses tempos de retrocessos que vivemos”, me explica o cantor e compositor por email. “A maior parte das canções que entraram pro álbum, foram compostas um mês antes de entrar em estúdio. Eu tinha um disco pronto e acabei gravando outro. Então, não tenho ainda muita ideia do que aconteceu, segui meu inconsciente conectado com as entidades que me habitam. Me realizei regravando ‘Ressurreições’ do Jorge Mautner e Paulo Jacobina e trouxe duas músicas do início dos anos 2000, época ia ao cinema com o Júpiter Maçã e estávamos filmando o Apartment Jazz. A gente conversava muito sobre o lance de compor, escutávamos muito som, foi um época que eu compus bastante e aos poucos nos próximos discos, vou trazer sempre uma ou duas músicas das antigas; Esse novo som tem um lance de criar seis músicas em dois dias, bem perto de gravar e mudar todo o roteiro, foi muito natural e ao mesmo tempo instigante.” Delírios Líricos será lançado no final do mês que vem.

Vida Fodona #627: Dia de festa

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Motivo duplo.

Smash Mouth – “Walking On The Sun”
T-Rex – “Bang A Gong (Get It On)”
Erasure – “Stop!”
Lorde – “Royals (Tamborzão Edit)”
Barret Strong – “Money (That’s What I Want)”
Mahmundi – “Hit”
Busy P + Mayer Hawthorne – “Genie”
David Bowie – “Fashion”
Far East Movement – “Like A G6”
Hanni El Khatib – “Two Brothers (Holy Ghost! Remix)”
Radiohead – “Jigsaw Falling Into Place”
Def – “Alarmes de Incêndio”
Internet – “Dontcha”
Lana Del Rey – “Brooklyn Baby (Yuksek Remix)”
Quarteto em Cy – “Salve o Verde”
Klaxons – “No Diggity”
Poolside – “Harvest Moon”

Noites Trabalho Sujo @ Tokyo 東 京 | 11.3.2020

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A regra é dançar até não aguentar mais – e mais uma vez invadimos o Tokyo, no centro de São Paulo, para uma edição das Noites Trabalho Sujo no meio da semana. Junto aos meus irmãos Danilo Cabral e Luiz Pattoli adentramos na madrugada da quarta dia 11 pra quinta dia 12, para destilar as melhores músicas para todo mundo dançar e cantar junto. A nova da Dua Lipa? O hit do Gnarls Barkley? Aquela da Amy Winehouse? Ace of Base com Madonna? David Bowie com Cansei de Ser Sexy? Arctic Monkeys com Britney Spears? Human League antes do MC Kevinho? Chega mais que se for hit e faz mexer os quadris passeia pela nossa pista!

Noites Trabalho Sujo @ Tokyo 東 京
Quarta, 11 de março de 2020, às 23h
No som: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral
Tokyo 東 京
Rua Major Sertório, 110 – Centro (República)
Nomes na lista através deste link: http://bit.ly/NoitesTrabalhoSujo1103

Damien Rice e um “Chandelier” deslumbrante

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Em mais uma versão para o projeto Songs for Australia, que está arrecadando fundos para ajudar às vítimas das queimadas que incendiaram o país no começo do ano, o cantor e compositor irlandês Damien Rice relê ao piano o hit “Chandelier”, da australiana Sia – e conseguiu extrair a essência da canção em uma versão deslumbrante.

A coletânea será lançada na próxima sexta e sua organizadora, a cantora e compositora local Julia Stone, já mostrou sua versão para “Beds are Burning” do Midnight Oil bem como a versão que o National fez para “Never Tear Us Apart”, do INXS,.Julia Stone já mostrou sua versão para “Beds are Burning” do Midnight Oil bem como a versão que o National fez para “Never Tear Us Apart”, do INXS

Juçara Marçal: Encarnado Acústico

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Que honra poder receber durante quatro terças-feiras uma versão nova para um clássico moderno da música brasileira vinda de sua própria autora. A querida e implacável Juçara Marçal volta ao palco do Centro da Terra para mais uma temporada, quando relê seu Encarnado com os mesmos músicos com quem o gravou mas de uma forma completamente nova: sem eletricidade. Encarnado Acústico ocupa as terças de março no Centro da Terra a partir deste dia 10 (mais informações aqui).

“Foi ideia do Thomas (Rohrer). que estava programando um festival na Leviatã, um espaço cultural no centro da cidade, focado nos sons mais experimentais, improvisos livres, performances, e sugeriu de a gente fazer essa versão sem amplificação, até porque o espaço não comportaria o show de outra forma”, a própria Juçara me explica, lembrando desta única apresentação no fim do ano passado. Além de Thomas, tocando viola, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos também participam dos shows.

“Fizemos apenas algumas músicas e o resultado foi surpreendente”, lembra a cantora. “Os arranjos mudam sensivelmente porque o Kiko está usando uma viola dinâmica e ele acaba tendo que pensar nas frases que faz de um jeito diferente. No todo, o som acaba mudando também. O fato do Rodrigo usar violão de aço e não guitarra também muda bastante o som.” O formato obviamente também impacta em seu canto: “Não ter que me preocupar com dois microfones e pedais dá uma bela diferença, fico mais livre e a voz também, inevitavelmente.”

Serão quatro shows idênticos, ao contrário das temporadas de segundas-feira, que cogitam diferentes possibilidades a cada apresentação. “Em princípio, sim”, ela continua. “Vamos vendo o que funciona, tanto do ponto de vista do repertório, como nossa posição no palco”. Quando pergunto se há músicas de outros trabalhos que podem surgir no repertório, Ju é categórica: “Em princípio, não.”

Ela reforça a importância do teatro neste novo show. “A conexão palco-plateia é diferente, a atenção é outra, a dispersão diminui”, enumera. “As pessoas têm uma possibilidade maior de embarcar na história que de certa forma contamos num show.”

Nada de disco novo? “O próximo disco não tem muito a ver com o Encarnado não. #aguardeeconfie”, ela ri fazendo a hashtag.