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O adeus de Childish Gambino

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Donald Glover vem lentamente acalentando sua escalada. Começou na TV, primeiro escrevendo pro seriado 30 Rock da Tina Fey e depois compondo pro elenco da série cult Community. Na paralela, lançou-se como rapper com o pseudônimo de Childish Gambino, mas foi com seu nome batismo e na TV que ganhou fama de fato, quando criou a série Atlanta, em 2016, que conta a história de um rapper iniciante e seu primo empresário (vivido pelo próprio Glover). Mexendo as peças do tabuleiro do showbusiness com precisão e paciência, ele construiu sua carreira em momentos únicos e magistrais, como o clipe de “This is America”, o filme Rihanna Island (chamando apenas Rihanna para ser seu par) ou vivendo personagens icônicos como Lando Carlrissian no filme Han Solo ou o Simba no remake filmado do clássico desenho Rei Leão. E agora acaba de lançar um disco de surpresa.

Donald Glover Presents 3.15.20 não é propriamente uma surpresa porque ele revelou o álbum no domingo passado, quando o colocou para tocar por um doze horas em loop no site Donaldgloverpresents.com, tirando-o do ar no mesmo dia. Agora ele chega com o disco em todas as plataformas digitais batizando-o com a data de sua primeira transmissão ao mesmo tempo em que desafia formatos e rótulos. O disco está publicado como um longo disco de 57 minutos em nome de Donald Glover em seu canal no YouTube, mas seu codinome musical, Childish Gambino, o publicou com os nomes das músicas – que, salvo duas exceções, são apenas as marcações de minutagem dentro da contagem contínua de tempo do álbum. O disco ainda por cima não tem capa – ou melhor, traz apenas um quadrado branco como apresentação visual.

donaldglover-31520

Eis o nome das músicas:

“0.00”
“Algorhythm”
“Time”
“12.38”
“19.10”
“24.19”
“32.22”
“35.31”
“39.28”
“42.26”
“47.48”
“53.49”

O Genius.com conseguiu pegar os nomes originais das canções quando elas foram transmitidas pela primeira vez:

“We Are”
“Algorhythm”
“Time”
“Vibrate”
“Beautiful”
“Sweet Thing”
“Warlords”
“Little Foot”
“Why Go To The Party”
“Feels Like Summer”
“The Violence”
“Under The Sun”

Mas no fundo o que importa é a música – e Glover esmerilhou. Se seu disco mais recente (Awaken, My Love!, de 2016) emulava o P-Funk de George Clinton demais, desta vez ele ampliou sua cartilha de referências e agora reverbera Outkast, Frank Ocean, Kanye West, Prince e Stevie Wonder, soando tanto soul quanto rap, tanto funk quanto R&B. E num amálgama de referências de épocas diferentes, ele sobe mais um degrau em sua carreira, chegando a um novo patamar, entrando discretamente, mas sem humildade, no panteão da música contemporânea atual. Lançado sem muita explicação (e com participações de nomes como Ariana Grande, Kadhja Bonet e seu filho Legend), ele afirma que é seu último disco como Childish Gambino – e 3.15.20 soa como isso, o fim de um capítulo – e o início de outro. Além de ter sido lançado sem mesuras no meio de uma pandemia. Discaço.

Sete minutos e meio de MGMT

mgmt2020

Preparando terreno para um novo álbum, a dupla MGMT lança o ambient quase instrumental “As You Move Through the World” para oficializar o lançamento de seu single “In the Afternoon“, lançado no fim do ano passado.

De volta a “Romeo”

thiagopethit-romeo

O cantor e compositor paulistano Thiago Pethit aproveitou a quarentena para lançar uma versão remix para o hit “Romeo”, carro-chefe de seu disco de 2014, Rock’n’Roll Sugar Darling. A nova versão da música composta por ele e com Helio Flanders vem com novo título e como “Romeo+” apresenta-se com arranjo de cordas e metais assinado por Augusto Passos e Diogo Strauz, este último o produtor de seu disco mais recente, Mal dos trópicos – Queda e ascensão de Orfeu da Consolação, lançado no ano passado. O novo arranjo cita “All Mine”, clássico do grupo inglês Portishead, ao mesmo tempo em que Thiago consagra a citação a “Girassóis de Van Gogh”, música do rapper baiano Baco Exu do Blues que já vinha cantando em seus shows. Ficou ótimo.

O mundo invertido do Atønito

Veloce

O trio de jazz punk Atønito, liderado pelo saxofonista Cuca Ferreira do Bixiga 70 era uma das atrações, ao lado de Thiago França, da #SextaTrabalhoSujo desta semana, quando aproveitariam o show no Estúdio Bixiga para mostrar mais uma das músicas para seu próximo álbum, Aqui. A pesada “Veloce” chega em primeira mão no Trabalho Sujo mesmo em tempos de clausura, mostrando uma São Paulo pré-epidemia, de cabeça para baixo. “Direto do confinamento, fomos surpreendidos por nosso próprio planejamento pré-quarentena”, explica Cuca. “‘Veloce’ é uma música que fala sobre o excesso de trabalho, excesso de correria, excesso de competição, excesso de cada um por si, ‘excesso de excessos’ que a vida nos impõe, ou pelo menos impunha, até que o mundo desse esse freio de arrumacão que estamos vivendo agora. Como a gente vem fazendo com esse disco, convidamos um artista pra fazer o clipe, sem dar nenhum direcionamento”. Edu Marin é artista gráfico e fez as fotos e as obras que ilustram cada single do disco e foi chamado para dirigir o clipe, além assinar a capa do single (acima), retirada de uma série chamada Simulacros da Memória Imperfeita. A direção de arte é da Ciça Goes.

Aqui teoricamente seria lançado em junho, mas Cuca não sabe como ficam as coisas com a situação atual que vivemos. Mas não baixa a cabeça: “Vamos em frente, sem chororô, e na torcida pela consciência coletiva e pela cura!”

Sara Não Tem Nome vê a pandemia

saranaotemnome2020

Em plena quarentena, a mineira Sara Não Tem Nome manda mais uma de suas canções de protesto, batizada apenas de “Agora”: “Aqui isolada no meu mundo, deu aquela saudades da sara punk emo de 15 anos que tocava violão na praça”, ele descreve o vídeo que postou mais cedo. “Em meio ao caos de acontecimentos e notícias da ruína construção do hoje amanhã, surgiu essa música-monólogo-fôlego para enfrentar o furacão.”

Algo me diz que vamos ver muita música deste tipo nos próximos meses…

Dance soviético

dlinavolny

O trio bielorrusso Dlina Volny, obcecados por new wave e pós-punk da União Soviética do começo dos anos 80, começam a mostrar seu próximo trabalho a partir do single de “Do It”. Apadrinhados pelo Johnny Jewel dos Chromatics, eles terão seu primeiro disco, Fresh Blood, lançado pela Italians Do It Better, do próprio Jewel – e o grupo tem tudo a ver com a estética oitentista do selo.

O George Harrison dos Boogarins

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Não sei quem é o John e quem é o Paul dos Boogarins, mas com o single Fefel 2020, o grupo lança seu baixista Raphel Vaz como terceiro compositor e vocalista da banda goiana. E não é que o prefeito leva jeito? Ele conta como se encontrou:

Em uma dessas turnês, que acabava em Portland, me presenteei com um pequeno violão de nylon que desse pra carregar por aí. Apesar da sua pequenez, o violão ficou em Austin por dois anos, já que a bagagem extra que eu teria que pagar era mais cara que o violão.

Um ano depois me veio “Tanta Coragem”, num quarto de hotel onde eu dormia com Markola, tour manager e amigo gringo. Gravei os acordes e balbuciei melodias. Nesse dia meu inglês falhou em uma conversa com Mark e coloquei na letra o que eu tentava dizer pra mim mesmo. Voltamos pra Austin pra gravar, dessa vez em estúdio, as primeiras sessões do que seria pro Sombrou Dúvida e essa demo ficou no meu computador por uns dias. O ócio do artista que cultivávamos lá me permitiu acabá-la.

Já em 2018, ano das últimas seções do SD, Benke foi convidado para uma espécie de residência artística por 10 dias em Berlin e de lá trouxe um presente para cada um dos Boogarins restantes. Discos de vinil para Ynaiã, um livro para Dinho e uma Kalimba de 4 notas para mim. Era a primeira viagem que ele fez sem a gente, da qual voltou visivelmente abalado. Ao me entregar o presente ele encomendou uma música. “Inocência” é a encomenda, um loop de 2 acordes do violão pequeno, onde a kalimba e a melodia fazem a função de separar as partes da música. Uma canção lúdica e singela.

Mostrei a música e meus amigos choraram muito, disseram que a banda não iria gravar aquela demo nunca. Benke me disse que tinha muitos planos pra me ajudar a realizar meu sonho, que é o sonho de ser importante. Este ano meus amigos acharam que era o meu ano, 2020, o ano em que faço 30 e meu cabelo cai.

Vida Fodona #628: Em tempo de quarentena

vf628

É sério.

Letrux – “Vai Brotar”
Bruno Schiavo – “Havaianas Déja Vu”
Billie Elliot – “No Time to Die”
Talking Heads – “Life During Wartime”
Gal Costa – “Cultura e Civilização”
Walter Franco – “Partir do Alto / Animal Sentimental”
Pavement – “Gold Soundz”
Lulina – “Cantor Pop dos Sonhos”
Ana Frango Elétrico – “Torturadores”
Spoon – “Rhthm & Soul”
Jupiter Apple – “Exactly”
Ultramagnetic MCs – “Ease Back”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
Isaac Hayes – “I’ll Never Fall In Love Again”
Pulp – “Dishes”
Massive Attack – “Dissolved Girl”

#CliMatias: O que fazer nestes dias de quarentena

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Uma das minhas primeiras decisões de ano novo foi matar o #CliMatias, hashtag que eu mantinha no Instagram como uma espécie de saudação do dia: uma foto do céu e uma frase que remetesse ao clima – seja interior ou exterior – do dia que começava. Matei a seção como parte da minha decisão de abandonar as redes sociais até o fim do ano, sacrificando o sacerdócio diário para me ver livre destas atualizações.

Mas veio a pandemia e com ela a necessidade de entrar em confinamento, uma autoquarentena voluntária para não esperar que as autoridades brasileiras comecem a tomar alguma providência. Aos poucos as pessoas têm se conscientizado que o problema é grave e resolvi criar um programa em vídeo – tanto no IGTV do Instagram quanto num segundo canal do YouTube – para dar dicas do que fazer nestes dias de isolamento social. As dicas vão desde livros, filmes, séries e discos para curtir no tempo livre como dicas para não enlouquecer ou cair em depressão uma vez recluso num mesmo ambiente. O programa é diário e vai ao ar sempre de manhã – e aqui neste mesmo post vou colocando as dicas do dia bem como os links para os itens que indico – além das sugestões dos convidados, que sempre tento trazer.

Assista a todos aqui.