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Cadê Marcelo Cabral?

marcelocabral2020

O baixista Marcelo Cabral – integrante do Metá Metá e produtor, ao lado de Daniel Ganjaman, do Nó na Orelha do Criolo – lançou seu ótimo primeiro disco solo, Motor, em 2018 e logo depois mudou-se para Berlim, onde passou quase um ano imerso nas novas possibilidades de improviso – tema, inclusive, da temporada que fez ano passado no Centro da Terra, quando veio para São Paulo durante um mês. Cabral voltou ao Brasil no fim do ano passado e começou a trabalhar em um disco novo, eletrônico, processo que se intensificou à medida em que a quarentena anticoronavírus começou no país, uma vez que ele está gravando este disco sozinho em seu estúdio caseiro. “É algo que vem desde a época do skate dos anos 80, new wave e pós-punk que foi se ligar nos clubes em Berlim, em pesquisas na internet e dicas de amigos fanáticos pelo eletrônico alemão e inglês”, me explicou. Enquanto o novo projeto não sai do papel, ele ainda trabalha com o seu primeiro disco, lançando o clipe de “Cadê”, com direção de Guilherme Destro, o Guime, em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Nos cadinho de cadê nosso de cada dia, a música de Marcelo Cabral apareceu para transformar essa palavra – uma pergunta – em imagens”, explica o diretor. “Fui pro íntimo, onde essa palavra se processa para construir essa música/pergunta em filme. Até certo ponto foi fácil, pois já tinha coisas filmadas, como o encontro que tive com o bailarino Milton Coatti numa festa. Antes de entrar na festa, vi que havia um restaurante vizinho que havia feito uma detetização, transformando a rua num cemitério de baratas e e pusemos o acaso a filmar naquela madrugada. Depois juntei com a temporada de buscas que Marcelo Cabral fez no Centro da Terra em 2019 e me deparei no começo do show, com a figura de Paulo Climachauska, o Clima, ao fundo do palco, inerte, sentado, com todas as projeções psíquicas que podia colocar naquela pessoa: lamber a imagem, vir descendo com a câmera, eu sendo lente. Um encontro entre filme, pessoa, musica e fotografia. Estava formada a inquietação e suas desangústias, que com ela, retribuí em imagens que se movimentam”. Cabral completa: “Fiquei bastante emocionado com a sensibilidade e a beleza de como o Guime construiu algo em torno da música sem ser literal ou de querer explicar algo que não se explica, que é a inspiração que nos move através da arte.”

St. Etienne em outra pista de dança

brokenheart

É um remix do ano passado, mas só ouvi agora: o produtor alemão David Jackson pegou a velha “Only Love Can Break Your Heart” do St. Etienne e levou para dançar em uma outra pista de dança, entre a house e o techno dos anos 80. E esse clipe com essa festa adolescente na Rússia do início dos anos 90 é ouro puro.

BaianaSystem em versão dub

Foto: Cartaxo

Foto: Cartaxo

Com a quarentena, o grupo BaianaSystem resolveu antecipar um dos planos que tinha para 2020: uma versão dub de seu disco mais recente, o premiado O Futuro Não Demora, que fica a cargo de um dos grandes nomes do gênero no país e velho chapa da banda, o pernambucano Buguinha. “Quando a gente viu que ia entrar em quarentena, resolvemos adiantar este processo, mesmo porque Buguinha já tava com os arquivos do disco e poderia ir tocando isso a partir de seu estúdio em Olinda”, me explica o guitarrista Roberto Barreto, “foi uma forma de aproveitar este período e também diminuir o ritmo, que é um tema que faz sentido neste momento, como o nome do disco”.

Buguinha já fez versões em dub para o grupo desde o primeiro álbum, quando remixou “Frevo Foguete” e “Jah Jah Revolta”, em 2009, e depois em 2013, quando mexeu em “Calundu” que tem a participação de Lazzo Matumbi e “Pangeia”, que conta com o tincoã Mateus Aleluia. “E do mesmo jeito que Buguinha se animou para fazer uma versão dub de um frevo, há onze anos, ele se animou com os elementos deste disco, a coisa de música latina e dos ijexás, além de seguir a história do disco, mantendo a ordem das faixas”. Buguinha já começou a mexer no material em lives que tem feito em sua conta no Instagram, uma forma que o grupo também encontrou de apresentar didaticamente o que é o dub para quem não conhece. O disco vai se chamar O Futuro Dub e todo o processo será transmitido pelas redes sociais.

Manu Dibango (1933-2020)

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Primeiro grande nome que perdemos para o Coronavírus: o saxofonista camaronês Manu Dibango, que morreu nesta terça, foi um dos primeiros popstars africanos e revolucionou a música global a partir dos anos 70, quando, ao lado de uma geração que contava com músicos de outros países do continente, como os nigerianos Fela Kuti e King Sunny Adé, mostrou para o resto do mundo a influência daquela música no pop daquele período. Explodiu com o hit “Soul Makossa” em 1972 e colaborou com artistas tão diferentes e importantes como Herbie Hancock, Sly and Robbie, Bill Laswell, Don Cherry e Bernie Worrell, além de ver Michael Jackson surrupiando seu hit em “Wanna Be Startin’ Somethin'” de 1982 e depois Rihanna em “Don’t Stop the Music” de 2009. Que vá em paz.

Quatro dias de festival em tempos de quarentena

FestivalFicoemCasaBRhome

Em tempos de clausura, o jeito é apelar para a internet. E assim, inspirado no festival português @festivaleuficoemcasa, que aconteceu na semana passada, mais de 60 artistas se reuniram para quatro dias de shows ao vivo, transmitidos a partir de suas casas, a partir desta terça-feira até a próxima sexta. São nomes como Emicida, Boogarins, Daniela Mercury, Rennan da Penha, Adriana Calcanhotto, Frank Jorge, Felipe Cordeiro, Maria Gadú, Francisco El Hombre, Brunks, Urias, Menores Atos, Z’África Brasil, Dudu Nobre, Fafá de Belém, Paulo Miklos, Academia da Berlinda e muito mais, que se apresentam nas dez horas de show diárias do @FestivalFicoemCasaBR, começando às 13h30 até as 23h30 de cada um dos dias, tocando meia hora de show por dia. Fui convidado para ser um dos apresentadores do festival ao lado de compadres e comadres como Pedro Antunes, Renata Simões, Roberta Martinelli, Didi Couto, Thunderbird, Sarah Oliveira, Jarmeson de Lima, Leonardo Lichote, Luisa Micheletti, Marina Person, Max B.O., Patricia Palumbo, Raquel Virginia, entre outros. O festival será transmitido pelo YouTube e pelo Facebook e todos os artistas farão seus lives a partir de suas contas no Instagram.

FestivalFicoemCasaBR

Terça, 24.3.2020
13h30 – Roger Cipó – @rogercipo
14h – Maria Gadú (SP) – @mariagadu
14h30 – Menores Atos (RJ) – @menoresatos
15h – Lucas Guido (SP) – @luc.guido
15h30 – Passaro Vivo (MG) – @soupassarovivo
16h – Luê (PA) – @luemusica
16h30 – Homem Banda (RS) – @homembanda
17h – Bel Medula (RS) – @bel_medula
17h30 – André Prando (ES) – @andreprando
18h – Francisco El Hombre (SP) – @franciscoelhombreoficial
18h30 – Guma (PE) – @gumabanda
19h – Preta Ferreira (SP) – @preferreira
19h30 – Z’África Brasil (SP) – @zafricabrasil
20h – Rael (SP) – @raeloficial
20h30 – Sabe quando oque (RJ) – @sabequandoque
21h – Felipe Cordeiro (PA) com part. de Aramá – @ofelipecordeiro e @arama_official
21h30 – Froid (DF) – @froid
22h – Daniela Mercury (BA) – @danielamercury
22h30 – Urias (MG) – @uriasss
23h – Boogarins (GO) – @boogarins

Quarta, 25.3.2020
13h30 – Samuel Gomes – @samuelgomes
14h – Luedji Luna (BA) – @luedjiluna
14h30 – Ciel Santos (PE) – @cielsantos
15h – Valéria Barcellos (RS) – @valeriabarcellosoficial
15h30 – Jordana Henriques (RS) – @jordanahenriquesoficial
16h – Mariana Soares (RJ) – @amarianasoares
16h30 – Moara (DF) – @moaramusica
17h – Negão da Serrinha (RJ) – @negaodaserrinha
17h30 – Babi Jacques e Lasserre (PE) – @babielasserre
18h – Banda Tantra (RJ) – @bandatantra
18h30 – Jesuton (RJ) – @jesuton
19h – Castello Branco (RJ) – @castellobranco
19h30 – Doralyce (PE) – @missbelezauniversal
20h – Torre (PE) – @torremusica
20h30 – Teresa Cristina (BA) – @teresacristinaoficial
21h – Graveto (SP) – @oficialgraveto
21h30 – Slim Rimografia (SP) – @slimrimografia
22h – Bia Ferreira (MG) – @igrejalesbiteriana
22h30 – Dudu Nobre (RJ) – @dudunobresamba
23h – Rennan da Penha (RJ) – @djrennandapenha

Quinta, 26.3.2020
13h30 – Influência Negra – @influencianegra
14h – Adriana Calcanhotto (RS) – @adrianacalcanhotto
14h30 – Bule (PE) – @buleoficial
15h – Iara Rennó (SP) – @iararenno
15h30 – Victor Vintage (RJ) – @viciovintageoficial
16h – Victor Mus (RJ) – @victormusoficial
16h30 – Supervão (RS) – @supervao
17h – Amsterdan (RJ) – @amsterdanrock
17h30 – Facção Caipira (RJ) – @faccaocaipira
18h – Frank Jorge (RS) – @frankjorge2267
18h30 – Rodrigo Alarcon (SP) – @rodrigoalarconoficial
19h – Davi SAbbag (GO) – @dav.i
19h30 – Ó do Forró (SP) – @odoforro
20h – BNegão (RJ) – @bnegaooficial
20h30 – 7NaRoda (DF) – @7naroda
21h – O PlantaE (DF) – @oplantae
21h30 – Biltre (SP) – @bandabiltre
22h – Brvnks (GO) – @brvnks
22h30 – Romero Ferro (PE) – @romeroferro
23h – Puro Suco (DF) – @purosucobr

Sexta, 27.3.2020
13h30 – Tia Má – @tiamaoficial
14h – Chico César (PB) – @oficialchicocesar
14h30 – Giovani Cidreira (BA) – @giovanicidreira
15h – Paola Kirst (RS) – @paolakirst
15h30 – Amanda Magalhães (RJ) – @amandzmagalhaes
16h – Majur (BA) – @majur
16h30 – Roberta Gomes – @robertagomescantora
17h – James Bantu (SP) – @jamesbantu
17h30 – Emicida (SP) – @emicida
18h – Pedro Salomão (SP) – @salomaopedro
18h30 – Academia da Berlinda (PE) – @academia_da_berlinda_oficial_
19h – Verbara (RJ) – @verbaraverbara
19h30 – Black Pantera (MG) – @blackpanteraoficial
20h – Dois ou Dez (RJ) – @bandadoisoudez
20h30 – O Vento Solar (SP) – @oventosolar
21h – Folks (RJ) – @folksoficial
21h30 – Canto Cego (RJ) – @cantocego
22h – Lucas Silveira (Fresno) (RS) – @lucasfresno
22h30 – Valesca Popozuda (RJ) – @valescapopozuda
23h – Paulo Miklos (SP) – @miklospaulo

Mais uma dos Avalanches

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O antigo sexteto australiano Avalanches, que agora é um duo formado por Robbie Chater e Tony Di Blasi, lança mais um novo single, ainda sem anunciar data para o lançamento de seu terceiro álbum, que segue sem título. O novo single, “Running Red Lights”, conta com as participações do vocalista do Weezer Rivers Cuomo e do rapper Pink Siifu, que canta uma letra do grupo mais recente do saudoso David Berman, Purple Mountains, que morreu no ano passado. Berman havia colaborado com os Avalanches em uma demo em 2013, (“A Cowboy Overflow of the Heart“) e na faixa “Saturday Night Inside Out”, do disco mais recente dos australianos, Wildflower, de 2016. A faixa mistura uma vibe Spacemen 3 com um clima gospel dado justamente pelo vocal de Cuomo e não atinge o mesmo patamar do single anterior, a bela “We Will Always Love You“, mas mantém a expectativa sobre o próximo álbum.

O groove fino dos Choices

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O trio californiano Choices passeia entre a disco e a house music com seu single de estreia, o delicioso “Less is More”. Aumenta o som!

Badly Drawn voltou de vez

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Não foi só o delicioso single de “Is This a Dream?” lançado no início do ano, o cantor e compositor inglês Damon Gough, mais conhecido como Badly Drawn Boy, está prestes a lançar seu primeiro disco em quase dez anos – e deu oficialmente início aos trabalhos ao lançar a faixa que batiza o novo álbum, “Banana Skin Shoes”:

O disco sai no dia 22 de maio, já está em pré-venda, e a capa e o nome das músicas seguem abaixo:

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“Banana Skin Shoes”
“Is This A Dream?”
“I Just Wanna Wish You Happiness”
“I’m Not Sure What It Is”
“Tony Wilson Said”
“You And Me Against The World”
“I Need Someone To Trust”
“Note To Self”
“Colours”
“Funny Time Of Year”
“Fly On The Wall”
“Never Change”
“Appletree Boulevard”
“I’ll Do My Best”

Radio Dept. 2020: “No, I don’t mean maybe…”

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A dupla sueca Radio Dept. lança mais um novo single, “You fear the wrong thing baby”, o segundo desde o início do ano, quando pareciam estar mostrando seu próximo álbum, sucessor do ótimo Running Out of Love, de 2016. A faixa é mais dançante e barulhenta que o single anterior, a bucólica “The Absense of the Byrds“, mas segue o clima outonal característico da dupla, que teve de cancelar a turnê que faria pelos Estados Unidos devido à epidemia do coronavírus.