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John Cale só na preguiça

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O fundador do Velvet Underground, John Cale, começou o ano preparando-se para lançar seu primeiro disco desde 2016 – até conversamos sobre isso quando ele passou pelo Brasil em março -, mas a pandemia teve de fazê-lo adiar o disco que indefinidamente. Mas isso não o estagnou e ele preparou algo específico para esse período de quarentena: ” então me ocorreu que eu tenho algo para o momento, uma música que eu terminei recentemente…”, explicou em um comunicado. “Com o mundo saindo de sua órbita, eu queria parar a guinada e desfrutar de um período em que podemos tomar nosso tempo e respirar nosso caminho de volta para um mundo mais calmo”, encerra, apresentando seu novo single, “Lazy Day”.

“Now here you go again…”

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E o viral do ano começou a ganhar outras versões, incluindo do próprio autor da música que o inspirou, Mick Fleetwood…

E ele está longe de ser o único…

https://twitter.com/ThePest89/status/1312854390194212866

Outros tantos virão… Duvida? Agora que apareceu o primeiro famoso…

Eddie Van Halen (1955-2020)

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Mais uma perda triste deste ano funesto: agora foi a vez do guitarrista Eddie Van Halen, que vinha lutando contra um câncer na garganta há pelo menos cinco anos. O virtuose holandês, que fundou o principal grupo de hard rock dos anos 80 ao lado do seu irmão, o baterista Alex, também reinventou o conceito de guitar hero transformando a técnica em uma espécie de superpoder, desprendendo a guitarra do blues e jogando para um território sônico completamente novo, hiperbólico e lúdico ao mesmo tempo em que preciso e detalhista, influenciando praticamente todos os guitarristas de hard rock e heavy metal que começaram depois dele. Um gênio do pop, também sabia equilibrar a seriedade de sua técnica com o escracho de sua presença de palco, transformando-se numa figura onipresente na década em que dominaram o planeta, nos anos 80, e mudando os rumos do showbusiness. Não é pouca coisa…

Cine Ensaio: O Novo Cinema de Classes

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Dois dos filmes mais bem-sucedidos do ano passado – Bacurau e Parasita – reforçaram uma tendência cinematográfica recente de questionar o sistema a partir da realização que ele é composto por pessoas. São filmes como Nós, Sobre Facas e Segredos, Coringa, entre vários outros, que parecem despertar uma consciência das classes oprimidas ao mesmo tempo em que revêem o papel dos ricos nessa história. No Cine Ensaio desta semana, eu e André Graciotti nos aprofundamos nessa tendência recente para também lembrar a forma dúbia que milionários foram retratados na história do cinema.

Miriam Martinez (1955-2020)

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Lembro a primeira vez que entrevistei um artista através de assessoria de imprensa quando Arnaldo Antunes iria lançar seu segundo disco solo, Ninguém. Havia acabado de começar a carreira entrevistando artistas depois de shows, lidando com produtores e empresários sem saber qual era a diferença entre estes diferentes cargos. Quem me explicou que eu poderia não apenas ouvir um disco antes de ele ser lançado como entrevistar o artista antes desse disco sair foi Mirian Martinez, que nos deixou nesta segunda. Ela viu meu nome assinando matérias sobre música num jornal no interior de São Paulo e resolveu entrar em contato para saber se eu não queria entrevistar o ex-titã. Quando ela entendeu que eu não conhecia nada deste circuito, me explicou como funcionava e pediu para que eu me apresentasse pra ela ao final da entrevista, que aconteceu ao vivo, no prédio da antiga gravadora BMG. Ao final da coletiva, apresentei-me e ela me explicou pacientemente como era o processo de agendar entrevistas, para que servia o assessor de imprensa, o produtor e o empresário do artista. Uma pequena aula, de graça. No final ainda puxou uma sacola cheia de CDs: “Não esquece que toda semana a gente te manda o suplemento!”

Se fosse só por esse primeiro contato, Miriam já teria minha gratidão eterna por ter explicado algo que a maioria dos profissionais aprende na marra. Mas sempre que a via era uma festa, com seu jeito expansivo e sua longa gargalhada, dominava qualquer ambiente e contagiava a todos com seu astral. Muita gente a conheceu ali na entrada lateral da Via Funchal, certamente as últimas vezes que a vi, recebendo imprensa e convidados daquela que era a melhor casa de shows que São Paulo já viu. Perdi o contato mas sabia que ela ainda estava por aí, ajudando a espalhar a boa música e contagiando novos e velhos amigos com sua simpatia imensa. Saudades, Miriam, fica bem.

Vida Fodona #680: Festa-Solo (28.9.2020)

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Começando outra semana, lembrando que toda segunda tem Vida Fodona ao vivo a partir das 21h no twitch.tv/trabalhosujo – este foi o da semana passada…

BaianaSystem + Curumin + Edgar – “Solar”
Rockers Control – “Soltinho Dub”
Anelis Assumpção + Liniker & Os Caramelows + Victor Hugo – “Paint My Dreams”
Céu – “Cangote”
Gilberto Gil – “Toda Menina Baiana”
Mayer Hawthorne – “A Long Time”
Tops – “Way to Be Loved”
Taylor Swift – “Blank Space”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Salt-N-Pepa – “Push It”
Run-D.M.C. – “It’s Tricky”
Beastie Boys – “No Sleep Till Brooklyn”
Planet Hemp – “12 Com Dezoito”
Usher + Ludacris + Lil’ Jon – “Yeah”
Missy Elliot + Gramatik – “Work It”
Justin Timberlake – “Rock Your Body”
Nelly Furtado + Timbaland – “Promiscuous”
Justice & Simian – “We Are Your Friends”
Technotronic – “Move This”
Skylar Spence – “Can’t You See”
Arctic Monkeys – “Fake Tales of San Francisco”
Radiohead – “Jigsaw Falling Into Place”
Cure – “Killing An Arab”
R.E.M. – “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”
Billy Joel – “We Didn’t Start the Fire”
Fall – “Mr. Pharmacist”
Rádio Taxi – “Garota Dourada”
Queens of the Stone Age – “Make it Wit Chu”
Prince – “Raspberry Beret”
Guilherme Arantes – “Cheia de Charme (Extended Version)”
Marvin Gaye – “Mercy Mercy Me (The Ecology)”
Isaac Hayes – “Never Can Say Goodbye”
Dionne Warwick – “Walk on By”
Elis Regina – “As Curvas da Estrada de Santos”
David Bowie – “Changes”
Beatles – “I’ve Got a Feeling”
Beatles – “Old Brown Shoe”
Beatles – “The Ballad of John & Yoko”

Zuza Homem de Mello (1933-2020)

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Toda hipérbole relacionada à importância de Zuza Homem de Mello, que morreu neste domingo, de ataque cardíaco, em relação à música popular brasileira é pequena. Não consigo nem parar para dimensionar direito o impacto que teve nos últimos 50 anos na vida de quase todos os que trabalham com música, nem o tamanho que sua lacuna deixa. Pude conversar com ele em algumas oportunidades, papos descompromissados que transformavam-se em pequenas aulas, sobre a cultura brasileira, sobre nossa música, sobre como viver. Vai em paz, mestre!

Como a música se comunica?

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Participo neste domingo de uma mesa sobre música e comunicação dentro da programação do festival online MIA 2020, que vem acontecendo desde a semana passada. O papo será mediado por Pedro Antunes e terá também as participações da Katia Abreu e da Nerie Bento, a partir das 19h45. A transmissão acontece pelos canais do MIA tanto no YouTube quanto no Facebook. Confira o resto da programação do festival aqui.
Dá pra assistir à mesa online no vídeo abaixo (que tem a íntegra do festival online), a partir das quatro horas.