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Shameika disse que Fiona Apple tinha potencial

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“Shameika” é uma das músicas mais fortes do ótimo Fetch the Bolt Cutters que Fiona Apple lançou de surpresa no primeiro semestre deste ano – enquanto martela o piano desenfreadamente, ela relembra dos dias de escola, quando era vítima de brincadeiras pesadas de outros alunos, revidando também de forma agressiva, enquanto contava os segundos riscando-os um a um no caderno na sala de aula. Até que uma colega de classe, que nem era amiga direito de Fiona, chegou para ela e disse que ela tinha potencial. “Shameika me disse que eu tinha potencial”, repete o extático refrão que carrega o nome da música e de sua conhecida na escola. “Foi como se eu tivesse tentando mandar isso para ela de forma telepática”, Fiona contou ao site Pitchfork, “Como se eu tivesse querendo fazer que a música chegasse de alguma forma a seu cérebro, que ela tivesse um retorno… Um voto de confiança. Ou apenas um obrigada.”

Shameika Stepney, uma rapper que já se apresentou como Dollface e Chyna Doll, ficou sabendo da canção por uma professora das duas na época, Linda Kunhardt, que dizia: “Shameika, espero que esta carte lhe encontre bem durante a quarentena. Eu tive que te escrever porque eu não sei se você se lembra desta garota Fiona McAfee. Você disse para ela não dar atenção para os brigões e que ela tinha potencial. Eu só queria lhe agradecer. E queria que você soubesse que suas palavras proféticas se transformaram numa linda canção com seu nome.”

As duas se encontraram algum tempo depois e se deram bem a ponto de Fiona participar de uma nova música que a rapper lançou com seu próprio nome, “Shameika Said”.

E, por sua vez, Fiona chamou Shameika para participar de uma nova versão de “Shameika” transformada em vídeo:

Que massa.

Em nome do pai Itamar Assumpção

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Projeto dos sonhos de Anelis Assumpção, o Museu Itamar Assumpção finalmente saiu do papel. O projeto virtual, primeiro museu dedicado a um artista negro no Brasil, celebra a importância de seu pai e o coloca na devida perspectiva afrobrasileira, para além dos circuitos intelectuais, que o classificam como “excêntrico”, “vanguarda” ou “difícil”. Não por acaso o museu, conhecido pelo genial acrônimo MU.ITA, foi inaugurado nesta sexta-feira, dia da consciência negra, reunindo inúmeros registros sobre a vida e obra do mestre Beleléu em versão virtual e também é o primeiro museu brasileiro com tradução para iorubá. O lançamento foi marcado por um show apaixonado que Anelis assumindo fez no Teatro Sérgio Cardoso – com todos os protocolos de segurança e sem púbico, claro – cantando as canções de seu pai acompanhada por sua banda, com direção magistral de Ava Rocha. Sente o drama:

“Nosso Pai”, com Denise Assunção
“Mulher Segundo Meu Pai”
“Receita Rápida”
“Meus tempos de criança”
“Filho de Santa Maria”
“Batuque”
“Nega Música”
“Persigo São Paulo”
“Ir pra Berlim
“Que tal o impossível?”
“Milágrimas”
“Beleléu Via Embratel”
“Devia ser proibido”

Que maravilha

Vida Fodona #692: Festa-Solo (20.11.2020)

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Comemorando os 25 anos do Trabalho Sujo de forma virtual, a partir das 23h45, lá no twitch.tv/trabalhosujo… E foi assim…

Miley Cyrus + Dua Lipa – “Prisoner”
Joon – “Cruel Summer”
LCD Soundsystem – “One Touch”
Rapture – “Get Myself Into It”
New Order – “True Faith”
Poolside – “Harvest Moon”
Waterboys – “The Whole Of The Moon”
Echo and The Bunnymen – “The Killing Moon”
Fleetwood Mac – “Sisters of the Moon”
Bonnie Tyler – “Total Eclipse of the Heart”
Heart – “Alone”
Daryl Hall & John Oates – “Say It Isn’t So”
David Bowie – “China Girl”
Bruce Springsteen – “Hungry Heart”
Leo Jaime – “Vida Difícil”
Janis Joplin – “Me and Bobby McGee”
Zombies – “This Will Be Our Year”
Kinks – “Sunny Afternoon”
Celly Campello – “Banho De Lua”
Buddy Holly – “That’ll Be The Day”
Eddie Cochran – “Summertime Blues”
Beach Boys – “409”
Who – “I Can’t Explain”
Supremes – “Stop! In the Name of Love”
Gwen Stefani + Akon – “Sweet Escape”
Tame Impala – “Say It Right”
Steely Dan – “Do It Again”
Azymuth – “As Curvas da Estrada de Santos”
Led Zeppelin – “Ten Years Gone”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
Mayer Hawthorne – “A Long Time”
Red Hot Chili Peppers – “If You Have to Ask”
Bettie Serveert – “Beginning To See The Light”
Rolling Stones – “Harlem Shuffle”
Music Go Music – “Warm in the Shadows”
Alphabeat – “Digital Love”
ABBA – “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)”
Donna Summer – “I Feel Love”
Franz Ferninand – “Lucid Dreams”
Depeche Mode – “Just Can’t Get Enough”
Human League – “Don’t You Want Me”
Eminem – “Without Me”
Michael Jackson – “Billie Jean”
Midnight Juggernauts – “Shadows”
Stevie Wonder- “Signed Sealed Delivered”
Earth, Wind & Fire – “September”
Daft Punk – “Get Lucky”
Cansei de Ser Sexy – “Let’s Make Love and Listen to Death From Above”
Eddy Grant – “I Don’t Wanna Dance”
Duran Duran – “Hungry Like The Wolf”
Duffy – “Mercy”
Smash Mouth – “Walking On The Sun”
Spice Girls – “Wannabe”
Christina Aguillera – “Genie In a Bottle”
Britney Spears – “I’m A Slave 4 U (Instrumental)”
Fugees – “Fu-Gee-La”
De Menos Crime – “Fogo Na Bomba”
Sade – “Paradise”
Solange – “Losing You”
Flight Facilities – “Crave You”
Fujiya & Miyagi – “Collarbone”
Garbage – “Only Happy When It Rains”
Hole – “Celebrity Skin”
Smashing Pumpkins – “Rocket”
Pixies – “Where’s My Mind?”
Haim – “The Steps”
Letrux – “Salve Poseidon”
Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões”
Weyes Blood – “Andromeda”
Angel Olsen – “All Mirrors”
Zizi Possi – “Perigo”
Ava Rocha – “Transuente Coração”
Marina Lima – “Fullgás”
A Cor do Som – “Zanzibar”
BaianaSystem – “Playsom”
Tulipa Ruiz + Felipe Cordeiro – “Virou”
Lulu Santos – “Tão Bem”
Gilberto Gil – “Back In Bahia”
Beatles – “Getting Better”

25 anos de Trabalho Sujo

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Reli há pouco o texto que escrevi há um ano sobre o 24° aniversário do Trabalho Sujo e sorri. Mesmo sem poder comemorar o aniversário de um quarto de século deste meu sacerdócio diário como havia planejado (presencialmente, ampliando o espectro para além do que chamamos de cultura). Bom saber que a capacidade de me adaptar às diversas situações que narrei ano passado me ajudaram a atravessar – e bem – este 2020. Entrei em janeiro já sabendo que seria um ano difícil: demitido do Centro Cultural São Paulo, resolvi investir no trabalho de direção artística que venho desenvolvendo há dois anos e a fugir do emprego em escritório, essa bola de ferro que parece amarrar a alma à apatia sob a desculpa da remuneração mensal que vem quase como uma dose de um veneno chamando dinheiro. Além da disposição para abandonar outro vício: o das redes sociais.

Entrar em 2020 com o cenho franzido não foi difícil, especialmente ao lembrarmos do mar de merda que é o Brasil nesta virada de década. Mas encará-lo como um desafio mais que um incômodo foi o que me ajudou a, mais uma vez, me reinventar frente à intempérie. Veio o coronavírus e em vez de lamentar a completa seca de todas as minhas fontes de renda (shows, festas e cursos, uma vez que a vida de frila no jornalismo está cada vez mais difícil), inventei algo para pensar todos os dias, transformei uma hashtag no Instagram (que havia sacrificado no início do ano como símbolo da saída das redes sociais) em um programa em vídeo diário e passei a desbravar esse terreno do audiovisual, fazendo um fanzine no YouTube, reconectando com velhos compadres e novos camaradas com a desculpa de pedir dicas para o que fazer nesta quarentena eterna que começou a abrir minha cabeça para o texto falado, a expressão corporal, o olhar para a câmera, o improviso de uma vez só. Características que passam longe do meu trabalho em texto, minha primeira e grande paixão, mas que dedico uma disposição impossível de manter como aprendi a manter no vídeo.

E no meu novo canal (não assinou ainda? Pô…) inventei vários programas: o Cine Ensaio, o Bom Saber e o DM, o Altos Massa, o Polimatias e o Jornalismo-Arte. Cada um deles com uma pessoa de uma época diferente da minha vida, lidando com uma nova forma de abordar o tema cultura para além das prateleiras das megastores. Enquanto dou dicas de filmes, discos, séries, sites e outras coisas no dia a dia, vou me aprofundando para mostrar como estes produtos são apenas conclusões de processos que cada um de nós enfrenta no dia a dia – mesmo aqueles que não se consideram artistas. Nesse sentido, me assumi artista como um escritor de não-ficção, elevando o jornalismo para além de uma mera função. Jornalismo não é só arte, mas é sua expressão artística que conquista o público. Não é de hoje que repito que a crise do jornalismo mundial (e especificamente o brasileiro) não tem nada a ver com internet – e sim com a chatice. E a partir deste ano começo a repensar este conceito de cultura (e como ele é central em nossas vidas, mesmo que pareça ficar sempre em segundo plano), além de lançar ainda outros novos programas no decorrer dos próximos meses.

E neste processo deixei de estar sozinho. Eu que sempre carreguei o Trabalho Sujo todo nas costas, que editava no PageMaker a versão impressa, que fazia os logotipos no CorelDraw, que diagramava para o Geocities no FrontPage, que negociava entrevistas, notícias, promoções e todo o resto, percebi que era hora de dividir este trabalho. Por isso agradeço especialmente aos meus amigos que dividem a tela periodicamente (André, Polly, Dodô, Pablo, Mini, Bruno e Arnaldo), além de todos os entrevistados do Bom Saber e do Jornalismo-Arte e todo mundo que mandou dicas para o CliMatias, compadres e comadres que me ajudaram a entender como atravessar os próximos 25 anos. E um agradecimento especial ao chapa Bruno Torturra, que há anos me instigava para assumir o YouTube e que me inspirou ainda mais durante a quarentena.

E, para isso, dou um passo ainda mais ousado (para mim, mas óbvio para todos): apoia.se/trabalhosujo, o link para meu financiamento contínuo. Quero estender a colaboração a você que está lendo esse texto e gosta do meu trabalho. Tenho um público que me acompanha há literalmente décadas que sei que pagaria para que eu seguisse fazendo este trabalho. Por isso, peço que você me ajude a fazer o Trabalho Sujo colaborando como puder.

Mais uma vez reciclo a trilha sonora do aniversário de 23 anos (num Vida Fodona de quase seis horas que recapitula o tempo entre 1995 e 2018 sob minha ótica editorial) e pela primeira vez em anos não vou poder comemorar este aniversário presencialmente. Mas, claro, teremos Festa-Solo mais uma vez no twitch.tv/trabalhosujo.

Cola lá, que só melhora 😉

PS – Isso sem contar os desenhos, que também anunciei há um ano. Mas isso você já tá sacando, né…
PS – O trombone ainda não foi, mas vai rolar.

Todo o show: Yo La Tengo ao vivo na NPR, em 2013

Com a quarentena, a emissora pública norte-americana NPR passou a buscar clássicos em seu arquivo, como esse show do nosso trio favorito Yo La Tengo em 2013, tocando três músicas no estúdio do Tiny Desk Concert.

“Is That Enough”
“Tears Are In Your Eyes”
“Ohm”

Mas que a bateria da Georgia faz falta, ah faz…

Miley Cyrus e… Dua Lipa?!

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Miley Cyrus começa a mostrar seu próximo álbum, batizado Plastic Hearts, que entre seus produtores traz Mark Ronson e traz participações especiais de nomes como Billy Idol, Joan Jett e, acredite, Angel Olsen. E a música que ela escolheu para iniciar os trabalhos do disco foi “Prisoner”, em que divide os holofotes com uma das estrelas de 2020, a inglesa Dua Lipa. O single, grudento, mistura uma sonoridade rock de boutique, que parece ser a tônica do disco, pelos convidados, com um groove dance robótico que não deixa ninguém parado.

Ao comentar sobre a inusitada participação de Olsen no disco de Cyrus, Ronson twittou que “‘Bad Karma’ (a música em que Olsen participa) foi escrita como uma jam session no Max’s Kansas City em 1976 com Ace Frehley e Joan Jett – não foi isso, mas vocês entenderam, uma parada rock’n’roll pura e crua. As guitarras de Angel Olsen cortam como arame farpado”. Será que nossa musa vai participar apenas como guitarrista? Tomara que não. Plastic Hearts sai na semana que vem, está em pré-venda, e sua capa e ordem das músicas seguem abaixo:

“WTF Do I Know”
“Plastic Hearts”
“Angels like You”
“Prisoner” (com Dua Lipa)
“Gimme What I Want”
“Night Crawling” (com Billy Idol)
“Midnight Sky”
“High”
“Hate Me”
“Bad Karma” (com Joan Jett e Angel Olsen)
“Never Be Me”
“Golden G String”

Bom Saber #029: Flávia Durante

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Uma das pioneiras dos blogs no Brasil, Flávia Durante também acompanha a cena independente brasileira há décadas, trabalhando nos bastidores com diferentes artistas e aos poucos consolidando as bases para sua atual empreitada: o bazar Pop Plus, um dos primeiros a abordar a questão da moda plus-size e ampliar esta discussão para outras áreas. Conheço-a desde o século passado e foi um prazer ouvi-la contando sua trajetória e saber como ela vem repensando seu próprio negócio à luz desta quarentena que atravessamos.

O podcast que Flávia cita é o Profundamente Superficial.