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Trabalho Sujo Apresenta: Both Sides Now – Joni Mitchell por Luíza Villa

Sigo desbravando lugares para fazer shows e dessa vez vamos colocar música no cinema. Retomo a sessão Trabalho Sujo Apresenta no final de outubro ao apresentar uma proposta que a cantora e compositora Luíza Valle me fez, um show para celebrar as canções de Joni Mitchell quando ela completa 80 anos. No show Both Sides Now: Joni Michell por Luíza Valle, ela apresenta as canções da trangressora cantora e compositora canadense em ordem cronológica, tanto tocando solo ao violão quanto acompanhada de sua banda. A apresentação acontece no clássico Belas Artes, no dia 31 de outubro, logo após a exibição do documentário Echo in the Canyon (dirigido por Andrew Slater, 2018), que conta a história da cena californiana na qual a canadense floresceu. Apresentado pelo filho de Bob Dylan, Jakob, Echo in the Canyon conta a história da vizinhança de Lauren Canyon, bairro de Los Angeles que tornou-se polo de atração para toda uma geração de músicos norte-americanos que, influenciado pela psicodelia inglesa dos Beatles, começou a mudar a cara da música pop dos anos 60, reunindo artistas tão diferentes quanto os Beach Boys, The Mamas & The Papas, The Doors e Frank Zappa. O documentário reúne cenas de época e entrevistas com protagonistas desta cena como Brian Wilson (Beach Boys), Michelle Phillips (Mamas & Papas), Stephen Stills (Buffalo Springfield), David Crosby e Roger McGuinn (Byrds), Neil Young e artistas contemporâneos fãs daquele movimento, como Beck, Fiona Apple, Cat Power e Norah Jones. A apresentação dupla acontece no dia 31 de outubro, a partir das 20h30 e os ingressos já estão à venda neste link.

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Grand Bazaar

Enquanto o tempo não se decide entre chuva, calorão ou frio, uma coisa a gente garante: a temperatura no Inferninho Trabalho Sujo é sempre quente! E em mais uma edição na sexta-feira, eu e Francesca Ribeiro estamos dispostos a fazer todo mundo se acabar de dançar ao chamado da renascença beyonceística, desbravando todas as fronteiras musicais que façam as pessoas sair do chão. Mas antes disso temos o prazer de começar a noite com o galope desenfreado do Grand Bazaar, hidra de multicabeças que também não deixa ninguém parado, seja canalizando energias dançantes do leste europeu ou do bom e velho rock’n’roll. E você já sabe: chegando antes das 21h não paga para entrar! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, ali no coração de Pinheiros, e a noite sempre vai atéééé altas. Vamos?

Em plena transformação

Lê Almeida está mudando. O herói indie que estabeleceu um dos poucos portos seguros para o rock independente no Rio de Janeiro – a casa de shows Escritório, centro de um microssistema solar em que diferentes personalidades únicas da cena fluminense orbitavam ao redor -, ele aos poucos está expandindo suas fronteiras. E isso não diz respeito apenas aos limites geográficos, embora estas transposições tenham sido fundamentais para este novo momento. Desde que trabalhou com Doug Martsch do Built to Spill, encontrou caminhos para seu conjunto Oruã passear pelo hemisfério norte em paisagens norte-americanas e europeias que aos poucos foram atravessando sua concepção artística. Com o novo grupo, começou a fagocitar influências musicais que iam para além do indie rock e da música brasileira, alicerces de sua sonoridade até então e absorveu influências de música eletrônica, rock progressivo alemão, hip hop e free jazz, além de incorporar outras disciplinas para além da música. O resultado disso está em seu novo trabalho, I Feel in the Sky, gravado em várias cidades do mundo e que será lançado nesta sexta-feira e pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Essa expansão artística também tem um desdobramento espiritual, que o próprio Lê explica num texto de apresentação do novo trabalho que ele também antecipa aqui para o site. Saca só:  

História Crítica da Música Brasileira no Sesc Pinheiros

E outubro chegou chegando: a partir do próximo sábado começo mais uma série de aulas do curso História Crítica da Música Brasileira, em que repasso nosso histórico musical do último século – o da música gravada – para mostrar como os cânones e as linhas narrativas que constroem o que chamamos de música brasileira foram criadas. Desta vez o curso acontece no Sesc Pinheiros, sempre aos sábados, a partir das 16h30, e mais uma vez posso contar com a presença dos mesmos queridos intelectuais que ajudaram a tornar a primeira edição tão especial: Bernardo Oliveira, Pérola Mathias, Rodrigo Faour e Rodrigo Caçapa, cada um deles abordando um critério específico da nossa história musical, cultural, social e política. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas neste link. Abaixo, a descrição completa do curso:  

Peter, Bjorn & John no Brasil

O trio sueco Peter, Bjorn & John acaba de confirmar mais uma vinda ao Brasil, depois de mais de dez anos sem dar as caras por aqui. Donos do inevitável hit indie do assobio “Young Folks”, o grupo toca no Cine Joia no dia 17 de novembro e quem fará a abertura do show são os paulistanos do Holger. Os ingressos já estão à venda neste link.

“O céu retirado como livro que se enrola”

Ave Waly! Celebramos a obra deste monstro da poesia brasileira de forma intensa nesta quarta-feira, quando apresentamos o espetáculo de som e poesia Waly Salomão: Dito e Lido, em que Joca Reiners Terron, Julia de Carvalho Hansen e Natasha Felix despejaram a verborragia sensível e forte do poeta baiano sobre camadas elétricas de textura e melodia cogitadas pelo encontro das guitarras e pedais de Jadsa e Guilherme Held. Cada poeta teve seu bloco, pontuado pelas canções que eternizaram as letras de Waly apresentadas de forma desconstruída: Julia costurou quatro poemas (entre estes uma inspirada e ritmada versão de “Mãe dos Filhos Peixes”) com os versos de “Mal Secreto” para depois, ao lado de Natasha, perambular pelos versos e notas de “Vapor Barato”, logo depois da cascata de prosa poética despejada por Joca, ao ler um trecho de “Self Portrait”. Natasha emendou “Babilaque” e “Balada de um Vagabundo” para arrematar tudo com “Negra Melodia”, deixando, nas três, sua musicalidade nascer entre as palavras. Uma noite inesquecível.

Assista aqui:  

Ah Waly!

Jadsa, Guilherme Held, Natasha Félix, Julia de Carvalho Hansen e Joca Reiners Terron: que felicidade reunir um time tão foda para celebrar um dos grandes nomes da cultura brasileira do século passado. Waly Salomão será celebrado nesta quarta-feira no espetáculo Waly Salomão: Dito e Lido, que acontece no Auditório do Sesc Pinheiros a partir das 20h. Nele reverenciamos a alma de suas canções (ele é mais conhecido do grande público como letrista de clássicos da nossa música como “Vapor Barato” e “Mal Secreto”, entre outros), mas caímos de boca em seus poemas, que a partir das vozes destes três poetas tão distintos – e apaixonados por Waly – ganham vida e corpo com suas interpretações ao lado das guitarras dos dois instrumentistas. A apresentação ainda conta com visuais da Carol Costa e o som fica por conta do Bernardo Pacheco. É o segundo espetáculo que dirijo ao lado da comadre Juliana Vettore, com quem criei a série Dito e Lido que, em 2022, homenageou Leonard Cohen. Os ingressos, no entanto, já estão esgotados!

Quando Olivia Rodrigo encontrou Sheryl Crow

“Me belisca!”, escreveu Olivia Rodrigo ao postar o dueto que fez com sua ídola Sheryl Crow na sexta-feira passada, quando as duas dividiram os vocais de um dos maiores hits da veterana, “If It Makes You Happy”, no pequeno palco do histórico Bluebird Café, em Nashville, nos EUA. Assista abaixo:  

The Last Waltz de volta aos cinemas

E se os Talking Heads ressuscitaram graças a um dos melhores filmes feitos a partir de um show de todos os tempos (ao relançar o Stop Making Sense dirigido por Jonathan Demme nos cinemas), eis a deixa para falarmos de The Band: afinal a clássica banda canadense também é objeto de um dos melhores shows já filmados, quando decidiu encerrar suas atividades no dia de ação de graças de 1976. A derradeira apresentação aconteceu no Winterland Ballroom, em São Francisco, na Califórnia, quando o grupo chamou um elenco de convidados de cair o queixo: desde os seus primeiros “patrões” (Ronnie Hawkins e Bob Dylan, que acompanharam como banda de apoio em diferentes momentos de sua carreira) a estrelas do panteão do rock como Neil Young, Joni Mitchell, Van Morrison, Ringo Starr, Muddy Waters, Ronnie Wood, Emmylou Harris, Dr. John, Paul Butterfield, Eric Clapton e Neil Diamond. Para registrar este momento ninguém menos que Martin Scorsese na direção e o filme desta última apresentação voltará aos cinemas norte-americanos no mês de novembro, quando completa 45 anos (o filme foi lançado dois anos depois do show). A nova versão traz uma introdução narrada pelo saudoso Robbie Robertson, guitarrista do grupo e trilheiro de Scorsese que nos deixou este ano. Tomara que também venha para o Brasil, porque é um filmaço e um showzaço ao mesmo tempo. Veja só um trechinho abaixo:  

Transe poético-interestelar

Paulo Beto conduziu o público para anos-luz sem sair do palco do Centro da Terra. De costas para a plateia, regendo sua pequena orquestra acústica ao mesmo tempo em que pilotava seus sintetizadores e sequenciadores, ele partiu dos textos poéticos que o cientista Carl Sagan fez sobre o espaço sideral e o lugar de nosso planeta para a sua série de TV dos anos 70 chamada Cosmos e a partir de imagens concebidas pelo videoartista Jodele Larcher, que nos atiravam às galáxias, conduziu uma viagem sensorial ao lado de sua Anvil FX Orchestra, quando contou com suas camaradas Bibiana Graeff (entre p piano, o acordeão e as teclas do glockenspiels), Livia Cianciulli (com seus saxes e flautas) e Eloíse Elipse (pilotando um theremin) para sintetizar o som do espaço enquanto Rodrigo Carneiro e Tatiana Meyer liam o texto de Sagan, misturando tudo num amálgama de poesia, cacofonia, transe sonoro e visual que hipnotizou todos os presentes. Estes ainda puderam participar do grand finale, ao disparar sons de seus telefones celulares a partir de QR-Codes coloridos que foram espalhados no público antes da apresentação – a cada tonalidade estourada na tela, um link abria uma série de sons que conversavam com a música que estava sendo feita no palco. Uma noite inacreditável.

Assista aqui: