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Gilberto Gil ♥ Adriana Calcanhotto

Gilberto Gil retomou sua turnê de despedida neste fim de semana, quando tocou em Porto Alegre e, como de praxe, convidou um artista local para dividir uma canção – e desta vez a escolhida foi Adriana Calcanhotto, com quem dividiu os vocais de “Punk da Periferia”. “Cálice” com Chico Buarque, “Estrela” com Djavan (ou será que ele vai preferir o dueto que fez coma Sandy em São Paulo?), “A Paz” com Marisa Monte, “Superhomem – A Canção” com Caetano Veloso, “Extra II (O Rock do Segurança)” com Arnaldo Antunes, “Andar com Fé” com Lulu Santos, “Funk-se Quem Puder”/”Aquele Abraço” com Anitta, “Vamos Fugir”, com Samuel Rosa, “A Gente Precisa Ver o Luar” com Nando Reis, “Realce” com Liniker, “Extra”, com Alexandre Carlo do Natiruts, “A Dança” com MC Hariel, “Não chore mais (No Woman, No Cry)” com Marjorie Estiano, “Refazenda” com a neta Flor Gil, “Drão, com a filha Preta Gil. Ele ainda passa por São Paulo (duas vezes), Rio (outras duas), Santiago no Chile, Fortaleza (duas vezes), Recife (três vezes), Salvador e Belém e ainda não gravou versões com participações em músicas como “Palco”, “Banda Um”, “Tempo Rei”, “Aqui e Agora”, ‘Eu Só Quero um Xodó”, “Eu Vim da Bahia”, “Procissão”, “Domingo no Parque”, “Back in Bahia”, “Refavela”, “Extra”, “A Novidade”, “Se Eu Quiser Falar com Deus”, “Esotérico”, “Expresso 2222”, “Emoriô”, “Toda Menina Baiana” e “Esperando na Janela”. Façam suas apostas! As minhas: “Toda Menina” com Daniela Mercury em Salvador, “Xodó” (ou “Janela”) com João Gomes no Recife e “Emoriô” com a Fafá em Belém.

Assista abaixo:  

Silvio Tendler (1950-2025)

Um dos principais documentaristas brasileiros nos deixou nesta sexta-feira, quando o carioca Silvio Tendler cedeu a uma infecção generalizada após ficar um tempo internado em um hospital em sua cidade-natal. Conhecido como “o cineasta dos vencidos”, ele começou sua carreira ainda nos anos 60 e após o recrudescimento da ditadura militar brasileira naquela década, mudou-se para o Chile, de onde saiu após o golpe militar que derrubou o presidente daquele país, Salvador Allende. Este foi alvo de um de seus primeiros grandes filmes, quando, agora morando em Paris, participou da produção coletiva do filme La Spirale, de 1975, que também contava com participações de outros diretores, como Chris Marker e Jean Rouch. Voltou ao Brasil em 1976, quando começou a produzir seus filmes mais clássicos, que ao mesmo tempo que contava a história de grandes nomes da política brasileira abatidos pela ditadura, também preparava o terreno para, nos anos 80, o país recomeçar de novo após aquele período nefasto. Documentários como Os Anos JK – Uma Trajetória Política (1980) e Jango (1984) fizeram o país reencontrar o passado que os militares tentaram apagar e em grande escala, atingindo públicos que reuniam centenas de milhares de espectadores. Sua obsessão pelo país o fez visitar grandes nomes de nossa história, em longas, médias e curtas metragens: O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981), Josué de Castro – Cidadão do Mundo (1994), Castro Alves – Retrato Falado do Poeta (1999), Milton Santos – Pensador do Brasil (2001), Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro (2001), JK – O Menino que Sonhou um País (2002), Oswaldo Cruz – O Médico do Brasil (2003), Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003Paulo Carneiro – Espelho da Memória (2003), Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá (2006) e Tancredo, a Travessia (2011). Também dirigiu séries como Anos Rebeldes (1992) na Globo, Era das Utopias (2009) e Há muitas noites na noite – Poema Sujo Ferreira Gullar (2015). Tetraplégico desde 2011, ele passou por um longo período de recuperação e voltou a filmar, com dificuldades, num processo que foi registrado no filme A Arte do Renascimento (2015), de Noilton Nunes.

Choque de som

Em sua passagem por São Paulo nesta sexta-feira, o duo ítalo-brasileiro Hate Moss atordoou o público que foi assisti-lo com sua fusão agressiva e envolvente de dance music eletrônica com rock industrial. Formado pelo baterista italiano nascido no Brasil Ian Carvalho, que conheceu sua parceira de banda Tina, que toca sintetizadores e eletrônicos, quando os dois trabalhavam com produção cultural, a dupla forjou a sonoridade que hoje exploram ao mesmo tempo em que se desprenderam de raízes territoriais, vivendo uma vida nômade que os leva a shows pela Europa, América do Sul e Oriente Médio. Esta série de shows que trouxeram para o Brasil antecipa o novo álbum que será lançado no ano que vem e tem como base o EP Mercimek Days, uma live que fizeram em Istambul, na Turquia, que foi lançada como disco no meio de 2025, quando também estão experimentando novas canções, como o funk brasileiro que fizeram com letra em português e tocaram no bis de sua apresentação.

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Pink Pantheress no Tiny Desk

E por falar no Tiny Desk, vocês viram que a Pink Pantheress (dona de um dos melhores discos de 2025) fez uma senhora apresentação no programa? Ela reuniu uma senhora banda para traduzir suas bases eletrônicas em instrumentos analógicos em versões maravilhosas para seus hits curtos e irresistíveis – e temperou suas músicas com suas já conhecidas e deliciosas gracinhas, como quando ela puxa uma gaita pra acompanhar o final da primeira música, “Attracted to You”, ou quando pede um aplauso para a banda entre as ótimas “Illegal” e “Girl Like Me”.

Assista abaixo:  

E se o Portishead voltasse a fazer shows?

O Radiohead não é a única banda com cabeça no nome a dar sinais de vida em 2025. Depois que o grupo de Thom Yorke marcou uma pequena turnê por cinco cidades europeias, quem ressurgiu foi o Portishead que, fora a participação em um show beneficente em 2022, não toca mais ao vivo desde 2015. E o grupo voltou a se reunir por um bom motivo: para não ficar de fora do festival que Brian Eno idealizou contra o genocídio que Israel esta submetendo a população palestina em uma das pautas mais importantes desta década e que cada vez mais ganha apoio de artistas de todo o mundo. O festival Together for Palestine acontecerá no dia 17 de setembro em Londres, na Inglaterra, quando serão reunidos diferentes artistas contemporâneos (que vão do vocalista Blur Damon Albarn, a Jamie Xx, Bastille, Hot Chip, James Blake e King Brule) no estádio de Wembley. E mesmo que não pudessem participar do festival por conflitos de agenda, a vocalista Beth Gibbons, o guitarrista Geoff Barrow e o produtor Adrian Utley voltaram a se reunir para gravar um vídeo que será exibido no dia do festival e Barrow postou fotos do ensaio com um quarteto de cordas em sua conta no Instagram, avisando que “como não poderemos estar lá e queríamos desesperadamente estarmos envolvidos”. Assim, a solução foi participar remotamente, como outros artistas mais novos (como Rina Sawayama, PinkPantheress e o ator Riz Ahmed). Por enquanto é só uma música (uma nova versão da eterna “Roads”), mas vai que eles lembram de como era bom e voltem a fazer shows por aí (e por aqui) – e como Barrow saiu de sua outra banda (o ótimo Beak>) e a turnê da carreira solo de Beth Gibbons estar chegando ao final, não duvide se eles voltem à estrada. Aí só vai faltar os Talking Heads…

30 anos do disco mais importante do britpop

Ao contrário de vários protagonistas do britpop que seguem vagando pelos palcos do mundo cantando músicas de 30 anos atrás, o Pulp voltou à ativa recentemente com um bom disco (o autoexplicativo More), embora siga voltando aos seus clássicos em suas apresentações ao vivo – e esteja aos poucos revisitando o próprio passado para aproveitar a empolgação dos velhos fãs. É o caso dessa excelente caixa que comemora o 30º aniversário do disco mais importante daquela cena, o imbatível Different Class, que ganhou tratamento de luxo em uma versão em vinil que traz um encarte de 28 páginas sobre o disco, um envelope com fotos e artes inspiradas no álbum de 1995, além da capa vazada original, que sugeria que o ouvinte pudesse trocar a imagem de capa a partir de outras cenas que o grupo incluiria no encarte (algo que não saiu do papel na época, mas que finalmente é colocado em prática). Além da íntegra do disco original, a nova edição também traz a íntegra da apresentação que o grupo fez no festival de Glastonbury daquele ano, quando tiveram que substituir os Stones Roses em cima da hora e transformaram seu show em um ponto de virada em sua carreira, chegando ao mesmo patamar que Suede, Blur e Oasis a partir de um disco soberbo e um show histórico. A nova edição será lançada no dia 24 de outubro e já está em pré-venda – e eu fico cogitando que mágico seria assistir ao grupo tocando todo o Different Class na íntegra no palco numa turnê de um futuro próximo. Sonhar não custa nada…

Veja abaixo:  

Mais uma vez com uma pequena orquestra

Assisti ao primeiro show da breve temporada de cinco apresentações que Tim Bernardes está fazendo no Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, repetindo o riscado que desenhou no final de 2023, quando recriou seu Mil Coisas Invisíveis com uma pequena orquestra no Theatro Municipal. Há dois anos ele estava tenso e receoso ao materializar o sonho de pop de câmara entregando um concerto pop maravilhoso. Desta vez, ele estava mais à vontade com o formato e mais tranquilo por estar no meio dos músicos – em vez de na frente, como nos shows anteriores -, mas alguns erros de produção o deixaram um tanto irritado e chegaram a comprometer a segunda sessão da noite, que deve meia hora a menos de show que a apresentação que vi. Escrevi sobre o show lá pro Toca UOL.

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My Chemical Romance ♥ Smashing Pumpkins

No mês passado, o My Chemical Romance (única banda desse espectro do rock chamado emo que me faz erguer as sobrancelhas) surpreendeu seu público ao fazer uma versão para “Bullet with Butterfly Wings” no show que fez em São Francisco, nos EUA. Sexta passada, o grupo levou a versão para um outro patamar ao passar por Chicago, cidade-natal da banda homenageada, e convidar ninguém menos que o próprio Blly Corgan para dividir o palco na clássica canção do disco Mellon Collie & The Infinite Sadness (um disco que conversa e muito com essa mesma safra de bandas emo). Já já os dois grupos tão dividindo turnê, vai vendo…

Assista abaixo:  

Eis o Radiohead ao vivo em 2025!

Pois o Radiohead vai mesmo voltar a fazer shows ainda este ano. Depois dos flyers que apareceram em alguns países da Europa marcando datas em cidades específicas, o grupo acaba de anunciar que fará quatro apresentações em cinco cidades entre novembro e dezembro deste ano. Sem fazer shows desde 2018, o grupo quebra o jejum com quatro datas Movistar Arena de Madri, na Espanha (dias 4, 5, 7 e 8 de novembro), outras na Unipol Arena em Bolonha, na Itália (14, 15, 17 e 18 do mesmo mês), no The O2 londrino, na Inglaterra (dias 21, 22, 24 e 25), na Royal Arena de Copenhagen, na Dinamarca (nos dias 1º, 2, 4 e 5 de dezembro) e na Uber Arena de Berlim, na Alemanha (8, 9, 11 e 12 do mesmo mês). Os ingressos serão vendidos mediante a inscrição no site da banda e estas começam a partir desta sexta-feira. E logicamente não vão ser as ultimas apresentações do grupo, certeza que já já eles anunciam mais uma leva de datas nos EUA e Canadá, algumas no Japão e, vamos torcer, na América do Sul. Tomara.

Cyndi Lauper não deixou barato

Na flor dos seus 72 anos, Cyndi Lauper está fazendo uma memorável turnê de despedida pelos EUA, mas neste sábado ela elevou o status de suas apresentações a um outro patamar, ao reunir convidados ilustres no show que fez no Hollywood Bowl, em Los Angeles. Além de ter cantado alguns de seus hits sem participações (“She Bop”, a música-tema do filme Goonies “I Drove All Night” e “Change of Heart”, entre outras), ela chamou pesos pesados para participar de seus maiores sucessos, com John Legend dividindo os vocais da rasga-coração “Time After Time”, SZA como dupla de “True Colours”, outra balada daquelas, e ninguém menos que a maior diva de todas, Cher, para tocar com ela seu maior hit, o hino “Girls Just Want to Have Fun”. Mas mesmo com essa constelação de primeira grandeza, o maior momento da noite foi quando ela recebeu ninguém menos que Joni Mitchell, sua maior inspiração, que ela já interpretou inúmeras vezes, para dividir os vocais em “Carey”, um dos pontos centrais da obra-prima da senhora folk, o disco Blue, de 1971. Cyndi não estava pra brincadeira…

Assista abaixo: