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Kickin’ da bucket

When it comes to shove…

Ah, foda-se

Não tou conseguindo atualizar essa bodega com a regularidade diária que eu queria, agora vou misturar tudo: resenha de discos, fichas do indie-brasil, música de graça, comentários sobre a “cena”, mashup da semana, links de vídeo, DJ set alheio – tudo ao mesmo tempo agora.

Agora.

O Homem Que Não Estava Lá

Mais um réquiem por Syd, que saiu naquela Bizz com o Skank na capa.

Syd Barrett (1946-2006)

A vida íntima de Syd Barrett, que um dia sonhou com um grupo chamado Pink Floyd

Lá se vai Syd Barrett, mais uma vez. O anúncio de sua morte, cinco dias após acontecer no dia 7 de julho de 2006, abalou uma comunidade de fãs do primeiro Pink Floyd – um grupo bem diferente daquele que fez fama intercontinental, anos mais tarde – e da carreira solo de um autêntico mito da história do rock. Mais do que um gênio desvirtuado pelas drogas, Barrett foi a primeira vítima dos anos 60 – uma década que ainda teria outros mártires depois do fatídico 1968 em que o líder e fundador do grupo oficialmente não respondia mais pela banda, uma época cujas lembranças não pertencem a quem as viveu, como reza o ditado popular.

Barrett sempre permanecera lá, mesmo quando mais distante do olho público, como um misto de sobrevivente de seu próprio Vietnã mental e troféu da ordem estabelecida como prova de que substâncias alteradoras de consciência não combinam com o conceito de civilização. Escolha seu mito favorito: Syd era o próprio Narciso lisérgico se vendo refletido num oceano de LSD, o Ícaro rumo ao Sol da psicodelia, o Prometeu que roubara o ácido dos deuses. E daí que tudo tenha começado na Califórnia misturado com Ki-Suco? Syd Barrett e o Pink Floyd transformaram a psicodelia norte-americana em algo visível e palpável ao mesmo tempo em que agradável – o último suspiro de uma cultura secular, a fleuma bretã, cedendo ao avanço de sua própria cria, o pop americano. E, ao encarnar o herói mitológico, Barrett não aguentou a pressão.

E pirou. Com a guitarra pendurada ao pescoço, tornou-se quase um souvenir inglês de uma era que, apesar de ter acontecido no ano anterior, parecia pertencer a um passado distante. 1968 escureceu as cores technicolor de 1967 na marra – e Barrett sem funções no grupo que sonhou (“o nome veio num sonho”, mentia, para melhorar a história) era a melhor tradução para o sonho multicolor. Obrigou o Pink Floyd a se reinventar na frente de todo mundo ao mesmo tempo em que deu origem a uma série de lendas e rumores sobre o que teria acontecido com o mítico fundador da banda.

Não ficou feliz com a saída do grupo e encarava profundamente David Gilmour, seu amigo de adolescência e substituto na banda, quando o encontrava. Gilmour sentiu o peso e foi o principal incentivador da retomada da carreira musical de Barrett, que resume-se aos dois discos impressionistas lançados em 1970, The Madcap Laughs e Barrett. No mesmo ano, fez duas aparições: em fevereiro tocou cinco faixas no programa “Top Gear” da BBC (apresentado por John Peel) e em junho tocou quatro músicas no Music Fashion Festival, em Londres, ao lado de David no baixo e Jerry Shirley, do Humble Pie, na bateria. No ano seguinte, gravou três músicas para outro programa da BBC e em 1972 fez três apresentações ao lado de uma banda nova, chamada Stars (com Jack Monck no baixo e o baterista Twink, ex-Pink Fairies), de quem não existem registros gravados.

Em paralelo a isso, veio mudando de casa em casa, sempre morando com conhecidos que o tratavam como louco ou guru – às vezes, ao mesmo tempo. Há relatos de Barrett trancando namoradas no quarto por dias ou sendo isolado em bad trips intermináveis, mas os fatos se fundem às lendas e pouco se tem certeza sobre este período da vida de Syd. Além do excesso de drogas, que ele tomava sem discriminação, outros aspectos foram decisivos para a queda de Syd – como a morte do pai quando ainda era criança e casos de esquizofrenia na família. Mas a saída do Floyd (decidida dentro de uma van poucas horas antes de buscá-lo para um show em 1968, nenhum dos remanescentes lembra de quem foi a idéia de não buscá-lo) também pesou para seu estado.

Tanto que a sombra de Syd se arrastou por toda a carreira da banda, em discos como Dark Side of the Moon e Wish You Were Here – e durante as gravações deste disco, Syd visitou o grupo pela última vez, em 1975. Ficou no estúdio por um bom tempo sem ser reconhecido – e há uma imagem desta visita na autobiografia de Nick Mason, Inside Out, sobre a legenda “Syd Barrett: 5 de junho de 1975”. Rick Wright, num documentário para o canal VH1 lembra do antigo líder com tristeza: “Ele estava com a cabeça toda raspada, sobrancelhas inclusive, e ficava pulando, escovando os dentes, era terrível. Roger chorou, todos nós choramos”.

Depois desta última aparição, o pouco que se sabia sobre a vida íntima de Syd aos poucos começa a ganhar público. Ele mudou-se para Cambridge, onde passou a morar com a mãe e esforçar-se para esquecer do seu passado, que lhe trazia más lembranças. Sua irmã, Rosemary, tentou colocá-lo em diferentes tratamentos, mas só tinha sucesso quando ele se entregava a trabalhos manuais, como fabricação de cestos, jardinagem e pintura. Constantemente visitado por fãs curiosos, passou a se chamar de Roger, seu nome de batismo, para evitar confusões com sua antiga personalidade – mas é falsa a história de que ele não sabia quem tinha sido. A irmã chegou a contar que quando ele assistiu ao documentário que leva seu nome, produzido em 2002 pela BBC, no início deste ano, ele comentou que havia gostado, apesar do barulho.

Em casa, Syd passava a maior parte do tempo pintando e cuidando de tarefas domésticas – além de ajudar com a mãe antes que ela falecesse, em 1991. Desde então morava só, mas sempre era visitado pela irmã, que, após sua morte, confessou ao biógrafo de Barrett, Tim Willis, ter exagerado na proteção ao irmão, evitando até que antigos conhecidos se aproximassem. Pintava ouvindo música erudita e jazz em um velho aparelho de som sem rádio e a única música pop que ouvia era os primeiros discos dos Rolling Stones. Escreveu um livro sobre a história da pintura que a irmã não pretende lançar – ao menos por enquanto. Ou seja, Syd se foi – como sempre tinha ido. Mas ele sempre volta.

Cinco Perguntas Simples: Lucas Santtana

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Se o vinil até hoje não só resiste como é objeto de culto é dificil dizer que o CD acabará. A questão é que existe o HD que de uma certa forma é uma superação do CD, ou dos CDs. Um iPod, ou similares, é um pequeno HD que transporta muitos CDs e com isso a cultura da faixa prevaleceu. Na verdade ela nunca foi superada pelo disco porque na rádio você escuta uma música de cada vez, na internet vc baixa uma de cada vez, isso sem falar que antigamente só existia o single. Acho que o prazer de ter em mãos e escutar um disco é como ler um livro, tem uma história ali sendo contada e uma vontade de vivenciar aquilo; isso sempre existirá concomitantemente com o recente prazer de descobrir uma faixa e poder baixa-lá de graça.

2) Como a música será consumida no futuro? Quem paga a conta?
De todas as formas como já é hoje. Alguns vão na rede atrás de comprar, outros vão na intenção de baixar gratuitamente. Nos shows as pessoas pagam para assitir. Vão haver rádios como canais de TV a cabo onde você vai pagar para ter direito a tantas músicas por mês e isso será repassado aos autores, como quando toca uma música na rádio ou TV e você recebe por isso, etc.. Difícil ser profeta com tantas mudanças em andamento. Quem souber avisa aí!

3) Qual a principal vantagem desta época em que estamos vivendo?
A digitalização da cultura e a possibilidade de troca e manipulação desses arquivos com outras pessoas no mundo todo e em tempo real.

4) Que artista voce só conheceu devido às facilidades da época em que estamos vivendo?
Porra! Tem espaço aí? Chicago Underground Trio, Cutty Ranks, Dengue Fever, Konono, Mikey Dread, Mogwai, Mugison, Rhythm & Sound, Shy FX & UK Apache, Sub Dub, só lembrando rapidamente…

5) O estado da indústria da música atual já realizou algum sonho seu que seria impossível em outra época?
Mais que sonhos, me possibilitou conquistas. Hoje tenho meu netlabel www.diginois.com.br, onde opero todo o conteúdo, onde posso disponibilizar minhas músicas para pessoas que moram no interior do mundo e não teriam acesso de outra maneira. Onde posso gerar hipertextos e a possibilidade de minhas músicas serem remixadas e não terem mais um fim no CD. Até coisas simples como dar essa entrevista por e-mail há pouco tempo atrás não era uma prática comum nas redações de uma revista. Redações?…

Lucas Santtana é músico e concentra suas atividades – e seu disco novo, 3 Sessions in a Greenhouse – no site Diginois.

Vida Fodona #051: Monotema

Lennon instantâneo, Beach Boys com Led Zeppelin, Franz acústico no Chile, “me dá sua grana”, Tim necessário, SS remixado, Phil Collins meets Ringo Starr, garotas brasileiras, futuro negro, se sentindo um turista no Costão do Santinho, Beatles à jamaica, Clash clashed, o fim do rock e com inimigos assim…

– “I Don’t Feel Like Dancing (Linus Loves Vox)” – Scissor Sisters
– “Caroline No Quarter” – Bastard Pet Sounds
– “That’s All Yellow” – CCC
– “4 Hoarse Men” – 10000 Spoons
– “Enemies Like These” – Radio 4
– “Gimme Your Money” – Annie
– “Do You Want To (Rockandpop version)” – Franz Ferdinand
– “No Nights” – Black Future
– “At Home He’s a Tourist” – Gang of Four
– “Instant Karma” – John Lennon
– “O Rock Acabou” – Moptop
– “É Necessário” – Tim Maia
– “Jique” – Brazilian Girls
– “And I Love Her” – Wailers

Go-go-go.

“We all shine on”

bizzset2006

Capa desta edição da Bizz é minha, falando sobre a fase ativista político de Lennon, logo que ele chega aos EUA, em setembro de 71: textinho sobre o The U.S. vs John Lennon, entrevista com o Jon Wienner, tradução da entrevista feita pelo Tariq Ali na época e papo sobre rock e política com o Andy Gill do Gang of Four. Tudo no meu nome.

Sei que tou devendo o entrevistão drogas e o memorial de Syd Barrett que eu fiz pra revista. Conserto isso dia desses…

Taí o trechinho que eles liberaram no site:

Lançado no último dia de agosto no Festival de Veneza, “The U.S. vs. John Lennon” é um documentário que mostra como Lennon se livrou dos Beatles ao criar a persona que o transformou no ícone que, em 1974, ele tentaria exorcizar. O Lennon engajado num projeto de fazer as pessoas pararem para pensar no que acontece ao seu redor po-r meio da música. Dirigido por David Leaf e John Schenfeld, “The U.S. vs. John Lennon” trata da transformação da rebeldia rock’n’roll do fundador dos Beatles em ativismo político, e como suas declarações e manifestações em público passaram a incomodar o governo americano – mais especificamente Richard Nixon, em sua campanha para reeleição de 1972. O presidente, além de colocar o FBI em seu encalço, acionou pessoalmente seu departamento de deportação para mandar aquele inglês de volta para sua ilha.

Há exatos 35 anos, quando gravou Imagine, em que apresentaria o maior hit de sua carreira, Lennon decidiu mudar-se para Nova York. Curiosamente, ele era o menos proletário dos quatro Beatles e, entre eles, quem tinha a consciência artística mais aguçada. Quando mudou-se para os EUA, veio pilhado de política, gastando o verbo em entrevistas memoráveis e compondo canções que cada vez mais apertavam o dedo nas feridas que o incomodavam. Assim, foi natural que, ao chegar em Nova York, no dia 3 de setembro de 1971, John e Yoko tenham sido recebidos por duas das principais figuras do ativismo político americano: Jerry Rubin e Abbie Hoffman, os dois eram parte dos “sete de Chicago”, grupo que, ao lado do MC5, tomou de assalto a Convenção Nacional do Partido Democrata Americano em 1968, lançando a candidatura do porco Pigasus.

Assim, Lennon e Yoko entraram no coração da contracultura política nova-iorquina e logo estavam organizando e participando de passeatas e shows com motivações políticas. O principal deles foi o concerto pela libertação de John Sinclair, ativista político, antigo empresário do MC5 e criador dos Panteras Brancas (um partido de gozação), condenado a dez anos de cadeia por porte de dois cigarros de maconha. Quase dez anos mais tarde, o estagiário de direito Jon Wiener foi ao escritório do FBI e pediu os arquivos da polícia federal americana sobre John Lennon. “O FBI me disse que eles tinham mais de 400 páginas sobre Lennon dos anos de 71 e 72”, conta hoje Wiener, autor do livro Gimme Some Truth – The John Lennon FBI Files. “Destes papéis, eles diziam que dois terços eram arquivos de segurança nacional e não poderiam ser liberados.”

Perseguido e obcecado por causas políticas que descobria diariamente, Lennon deixou a música em segundo plano. A pá de cal no Lennon político aconteceu no dia da vitória de Richard Nixon na eleição de 1972. Numa festa, completamente bêbado, John pegou uma garota pela mãoe levou-a para um quarto, constrangendo todos os presentes e principalmente Yoko, que teve de, calada, ouvir os gemidos do outro cômodo. Começariam então os jogos mentais que abalariam de vez a relação do casal… Mas essa é outra história.

“My finger on your trigger”

Essa saiu na Folha de hoy:

Let me tell you how it will be...

A redescoberta de Revolver

Embora não tão incensado quanto discos mais emblemáticos como “Sgt. Pepper’s” (marco-zero da psicodelia), “Rubber Soul” (manual de boas maneiras do britpop) e “Abbey Road” (o réquiem do grupo), o disco que os Beatles lançaram há 40 anos aos poucos tem seu papel redefinido na história do pop. Antessala da fase estúdio do grupo de Liverpool, “Revolver” é revisitado em duas obras online, que ajudam a traçar o espectro de abrangência do disco ao mesmo tempo em que jogam novas luzes sobre sua influência.

O primeiro deles é “Abracadabra – The Complete Story of the Beatles’ Revolver”, escrito pelo funcionário do governo inglês Ray Newman nas horas vagas de seu trabalho oficial. “Escrevi isto por diversão”, conta no prefácio do livro. “Não escrevo sobre música profissionalmente nem sou um jornalista na área. A idéia surgiu depois de algumas perguntas que eu tinha sobre o disco que seus biógrafos sentem-se felizes em passar por cima. De onde Paul McCartney tirou a idéia de ‘Eleanor Rigby’? Quem ensinou George Harrison a tocar cítara? E quem deu LSD para John Lennon pela primeira vez?”.

Após uma pesquisa detalhista e aprofundada sobre os meses que antecederam o lançamento do disco de 1966, Newman não esperou editora: diagramou seu livro e o colocou para download gratuito no site http://www.revolverbook.co.uk.

“As pessoas parecem saber tudo que existe sobre ‘Sgt. Pepper’s’, que é meu segundo disco favorito dos Beatles, mas ‘Revolver’ ganha menos atenção no ‘Anthology’ (biografia oficial do grupo), por exemplo”, explica o escritor em entrevista, “eu amo este disco e não conseguia encontrar mais informações sobre ele, e era frustrante”.

“Comecei muito casualmente, tentando escrever um ensaio, mas comecei a descobrir questões o quanto mais pesquisava”, continua a explicação. “Minha grande dúvida era saber como quatro jovens que haviam composto ‘Love Me Do’ quatro anos antes criaram algo tão excitante, esquisito e cool como ‘Revolver’”.

Ray divide os novos interesses dos três Beatles da frente em grupos respectivos: Lennon descobre o ácido lisérgico, Paul McCartney se aventura pela alta cultura e movimentos de vanguarda, George Harrison traz a música indiana. Cada um destes universos é compartilhado em grupo, com “Tomorrow Never Knows” sendo um exemplo emblemático do modus operandi beatle da época: a idéia de Lennon era fazer uma música em um único acorde como os músicos indianos que já estavam inseridos na cultura londrina desde o início dos anos 60. McCartney trouxe os efeitos sonoros e loops de fita magnético que causam a estranheza na paisagem da canção, e Ringo Starr criou a batida trôpega e hipnótica que dá a sensação de tontura da música.

Newman conta que a primeira cítara de George – a de “Norwegian Wood”, do disco anterior – era quase decorativa, que Paul havia pensado em usar osciladores de freqüência em vez de um quarteto cordas em “Yesterday” e que John havia se contentado em viver uma vida de casado longe da vida cultural londrina.

Ainda juntos
No processo de pesquisa, Newman ficou pasmo ao descobrir que “Revolver” foi, de fato, o último disco dos Beatles como um grupo. “Foi surpreendente descobrir o quanto Lennon, McCartney e Harrison compartilhavam idéias na época. Eu sempre havia imaginado, por preguiça, que ‘Eleanor Rigby’ era uma canção de Paul e ‘Taxman’ era de George mas, na verdade, Paul disse ter sido influenciado pelo interesse de George em música indiana quando compôs ‘Eleanor’ e ‘Taxman’ tem letras de Lennon e um solo de guitarra de Paul. Eles ainda eram um grupo na época. E eram amigos!”.

“Sem contar a pura história sensacionalista que é a primeira noite com LSD: coelhinhas da Playboy, tentativas de orgia, perseguições de carro!”, brinca o autor, que já estuda propostas para publicar o livro fora do mundo virtual – por enquanto, só na Inglaterra.

Produtor inglês recria o álbum faixa-a-faixa

Além de “Abracadabra”, outro lançamento online mostra a longevidade de “Revolver” – mas aqui a nostalgia e pesquisa são deixadas para trás. “Revolved”, uma homenagem feita pelo produtor inglês Chris Shaw, busca referências em diferentes épocas para olhar para frente.

O disco – que, como o livro de Newman, só existe na internet – é uma releitura faixa-a-faixa do disco de 1966 à luz da cultura mashup. De cara, a faixa de abertura “Taxman” perde seu baixo e bateria originais para serem substituídos pelo instrumental de “New Pollution” do americano Beck. Mais à frente “I’m Only Sleeping” funde-se com “Glory Box” do Portishead, “For No One” é assombrada por “Close to Me” do Cure e “Tomorrow Never Knows” ganha ares fantásticos com um tema de John Barry para um filme de James Bond. “Revolved” pode ser encontrado no endereço http://revolved.blogspot.com/

“Mashup” é uma enorme subcultura de produtores caseiros que começaram jogando vocais de hip hop e R&B sobre bases de bandas de novo rock – na época, há cerca de cinco anos, chamávamos isso de “bastard pop”. Mas a cultura atingiu um novo patamar quando o DJ Danger Mouse foi revelado para o mercado e público ao colidir o álbum branco dos Beatles com o Black Album do Jay Z. Ao subverter a estética “clássica” de ambos gêneros e ignorar os direitos autorais, o produtor criou uma pequena obra-prima moderna e seguiu para produzir um dos melhores discos do ano passado – “Demon Days”, do Gorillaz – e atinge brilho próprio ao associar-se com o MC Cee-lo no projeto Gnarls Barkley, uma das melhores coisas deste ano.

Assim, vários produtores iniciantes vêm usando desse subterfúgio para chamar atenção para seu trabalho, uns mais felizes que os outros. E só entre os álbuns clássicos, já desvirtuaram o “Pet Sounds” dos Beach Boys (duas vezes, “Bastard Pet Sounds” e “Hippocamp Ruins Pet Sounds”), o “London Calling” do Clash (que virou “London Booted”) ou o “Yoshimi” dos Flaming Lips (“Yoshimi Battles the Hip Hop Robots”). E, pelo andar da carruagem, é só o começo.

Um finde no norte, outro no sul

Depois de uma ótima estada na capital do Pará (conhecendo a cidade, a cena e o festival Se Rasgum ao mesmo tempo, depois eu escrevo aqui…), volto à ilha da magia pra pegar a segunda parte da primeira vinda do Gang of Four por aqui. Se você foi ao show de São Paulo, sabe que é imperdível. Se você não foi, dê um jeito de ir!

Vida Fodona #050: Qüinqüagésimo

Temos ecos de Belém, nova do Rapture, Gossip com MSTRKRFT, hitzinho islandês, Gorillaz remixado, Mark Ronson no Jamiroquai, nova do Gram, Prince retrabalhado pelo Basement Jaxx, o bom e novo Gnarls Barkley, o Erasure da Itália, Cuiabá pop, Avalanches mandando ver no Wolfmother, o musical do Outkast, jovem guarda punk, Lucio Maia na cadeira elétrica, a faixa-título do novo do Justin, Diplo Roots e a nova do homem-baranga.

– “Life is Like a Musical” – Outkast
– “Eletrocutado” – Maquinado
– “El Mañana (Metronomy Remix)” – Gorillaz
– “Just a Thought” – Gnarls Barkley
– “Semáforo” – Vanguart
– “Mulher Vulgar” – Suzana Flag
– “Disco do Roberto” – The Feitos
– “All the Critics Love You in New York (Basement Jaxx Remix)” – Prince
– “Hush Boy” – Basement Jaxx
– “Don Gon Do It” – Rapture
– “FutureSex LoveSound” – Justin Timberlake
– “Listen Up (MSTRKRFT Re-lick)” – The Gossip
– “Zulu/Zumbi” – Mamelo Sound System
– “Feels Just Like You Should (Mark Ronson Remix)” – Jamiroquai
– “Woman (Avalanches Millstream Remix)” – Wolfmother
– “Seat Yourself (Diplo Remix)” – Roots Manuva
– “Back to Discos” – Loto
– “Eple” – Røyksopp
– “Seu Minuto, Meu Segundo” – Gram
– “Supercool” – João Brasil

Simba!

Cinco Perguntas Simples: Dagoberto Donato

1) O disco (como suporte físico) acabou?
Não. Ainda há espaço para ele. Acredito que ainda haverá por anos. O que acontece é que, cada vez mais, ele deixa de ter o papel principal e passa a atuar como coadjuvante. O fato é que o CD ainda vende. Não como antes, mas vende. Ainda acredito também na banda que faz um showzão e tem a barraquinha pra vender o CDzinho a um preço amigo depois da apresentação. O que não rola é comprar CD de major a 40 reais enquanto ele tá dando mole de graça na net.

2) Como a música sera consumida no futuro? Quem paga a conta?
Boa pergunta. Me dá uma resposta que eu vendo para uma major. Rachamos os lucros.

3) Qual a principal vantagem desta epoca em q estamos vivendo?
A principal é que você pode ser seu próprio filtro. Lembra quando a gente lia na Bizz sobre aquela banda que lançou um CD fabuloso nos confins do Oaklahoma, juntava dinheirinho pra comprar CD importado e muitas vezes quebrava a cara? Isso não existe mais. Acho lindo como a informação está descentralizada e o acesso à música fácil. Você acha a musiquinha num MP3 blog – nem precisa ler o que o cara escreveu -, site de gravadora ou ouve falar da banda. Escuta uma vez. Gostou? Baixa mais, compra o disco. Não gostou? Já era. Próxima.

4) Que artista voce soh conheceu devido aas facilidades da epoca em q estamos vivendo?
Muitos. Todos os dias. Meu favoritos do último mês: Beirut, Lily Allen, Dead Indians,Simian Mobile Disco, Tokyo Police Club, Plus-Tech Squeeze Box.

5) O estado da industria da música atual jah realizou algum sonho seu que seria impossivel em outra epoca?
Acho que aqui não se trata da indústria, mas da tecnologia. Acho que seria difícil a existência de festivais como os que rolam hoje em dia (Tim, CPF, Coquetel Molotov, etc), com bandas desconhecidas do grande público do país caso não houvesse um pequeno, mas considerável, número de pessoas um pouco mais informadas musicalmente. E muito dessa informação deve-se à tal facilidade de acesso que citei em alguma pergunta anterior. Vi Flaming Lips ao vivo na mesma noite que Sonic Youth. Vi Arcade Fire junto com Wilco. Vi o Damo Suzuki tocando com músicos brasileiros. Vi Four Tet, LCD Soundsystem, Liars e Kid Koala no mesmo festival. Acho o tipo de coisa que seria impossível alguns anos atrás.

Dagoberto Donato é editor da Trama Virtual.

American way-of-life 2

Essa saiu da Folha de sábado.

Crítica cinema: ‘A Casa Monstro’ remete aos anos 80

Dá pra gastar linhas e linhas para falar de “Casa Monstro” e repetir-se na obviedade. Falar do processo de animação que mistura atuação com computação gráfica, encaixar o filme na linha do tempo desta nova era de ouro da animação, dos atores hollywoodianos que participaram do filme ou do filme ser produzido por Robert Zemmeckis (“Forrest Gump”) e Steven Spielberg. Mas, mais do que isso (tá no release e todo mundo vai falar disso…), o filme que estreou esta semana é um filme de época.

Uma época quase clássica, consolidada no imaginário de uma geração inteira, tão emblemática quanto a Swinging London da década de 60, o American Way of Life dos anos 50, os Roaring 20s americanos ou o Rio de Janeiro da fase clássica da bossa nova. Esta época acontece nos Estados Unidos durante os anos 80, quando o público adolescente invade o mercado de entretenimento como seu principal alvo e consumidor.

“Casa Monstro” é uma história de terror irracional e tradicionar, sem as tentativas de explicar o medo ou as táticas de choque de terror moderno. Aponta para Freddy Krueger e “A Hora do Espanto”, embora mire numa idade mais baixa. Nada de banhos de sangue ou sustos pesados – o ar do filme é leve como “Garotos Perdidos” ou “Goonies”.

E é nestes anos 80 que o filme é localizado. Aquele da porta com três janelas, aqueles coletes com uma letra grande no peito, bonés e crianças andando de BMX. “Super Vicky”, “ET”, “Alf”, “Picardias Estudantis”, “De Volta para o Futuro”, “Porky’s”, todos John Hughes clássicos (“Curtindo a Vida Adoidado”, “Clube dos Cinco”), “Caras e Caretas” – é este o universo de “Casa Monstro”, com “Pong” no videogame, a babysitter que vira gótica (ou seria melhor “dark”?) depois que os pais do garoto saem ou o retrato clássico da festa americana do Dia das Bruxas. Até no fato de Kathleen Turner – um ícone oitentista – dublar o monstro do título há esta referência.

Divertido e fluído, o filme conta a história de um velho que espanta a criançada que se aproxima de uma casa amaldiçoada. De um pressuposto simples, “Casa Monstro” embarca numa montanha russa de emoções light – a entrada na puberdade, o primeiro amor, o amor impossível – e acerta em cheio no clichê de “filme para a família”.