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RockXCX!

“Rock Music”, que Charli XCX lançou quase de surpresa nesta sexta-feira, é um pé na porta que marca o possível anúncio de um novo álbum, mas que também segue um crescendo em sua carreira que vem desde antes da pandemia, seu Brat sendo o momento (daí o título do filme que lançou em seguida do disco de 2024) ápice deste movimento que seguiu inclusive incluindo sua fase cinematográfica. E apesar do título e da entrevista pra British Vogue em que ela parecia negar a pista de dança em detrimento do rock (com a frase “I think the dance floor is dead, so now we’re making rock music” sendo o refrão do single ainda não lançado dito como frase de efeito), o single e o clipe – curtos com meros dois minutos de duração – parecem continuar o projeto-objeto que é sua discografia. Não é uma negação nem uma continuação de Brat (nem negação ou mero pastiche de rock), mas um aceno a outra parte de seu universo sonoro – e, sim, com timbres de guitarra, culto ao excesso e a mesma pulsação 24 horas que ironizava em The Moment, agora aparentemente sem ironia. Ou como não ser irônico enfiando um maço de cigarros na boca ao mesmo tempo e acendendo todos de uma vez? “Eu realmente estou batendo a minha cabeça”: Ela ri de si mesmo, ri da gente e de todo o sistema (da sociedade de entretenimento, ao culto a celebridades, de Hollywood ao panteão do rock clássico até, em última instância, ao ultracapitalismo e a máquina de pifar sanidade das redes sociais) enquanto nos convida para uma nova fase. Vamos lá, Charli…

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Luis Sérgio Carlini (1952-2026)

Conhecido principalmente por seu sobrenome, o guitarrista Luiz Sérgio Carlini deixou este plano nesta quinta-feira, encerrando assim a trajetória de um dos maiores heróis da guitarra elétrica do Brasil. Mais conhecido por ter montado o Tutti Frutti que, na metade dos anos 70, tornou-se a banda de Rita Lee, Carlini colaborou com artistas canônicos do rock brasileiro, tocando com nomes como Barão Vermelho, Titãs, Erasmo Carlos, Lobão e Marcelo Nova, entre outros. Influenciado tanto pelo rock progressivo, pelo hard rock e pela Jovem Guarda, ostentava sua Gibson Les Paul parte de seu próprio corpo. Atualmente figurava na banda que acompanha a turnê de 50 anos de carreira de Guilherme Arantes, mas foi internado recentemente e a notícia de sua morte foi confirmada por sua família.

Mike D veio aí!

O eterno beastie boy esquentou as turbinas com os filhos num show no mês passado, anunciou shows para esse mês e nesta sexta-feira lança o primeiro trabalho de um beastie boy solo depois do fim da banda, que aconteceu com a morte do saudoso Adam Yauch em 2012. E “Switch Up” é melhor do que você poderia imaginar…

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Encontro mágico

Foi um primor o encontro de Chicos quando Francisca Barreto dividiu a noite com Chico Bernardes em mais uma edição inspirada do QuintaLapa, projeto tocado pela Anna Vis na galeria Lapa Lapa. Como característico da noite, os dois não usaram microfones nem amplificação para deixar seus instrumentos de corda reverberar paisagens sonoras para que as duas vozes se soltassem lindamente. Revezando-se entre violões e o violoncelo de Chica, os dois passaram por por músicas próprias: ele puxou músicas de seu disco mais recente, Outros Fios, como “Esse Navio”, “Todacor”, “Ode À Perfeição” e “Até Que Enfim”, ela cantou sua já lançada “Habana” e as ainda inéditas “Canoeiro”, “Bico da Proa” e uma versão delicada para a música que compôs para sua irmã gêmea. Mas também tiveram momentos para canções de outros autores, pinçadas a dedo, como “Place to Be” de Nick Drake, “Not a Lot, Just Forever” de Adrianne Lenker e uma versão deslumbrante para “O Vento” de Dorival Caymmi. Um encontro mágico que não deve ficar apenas nessa primeira aparição.

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Marina Nemesio 2026: “Faz tempo que a gente sente e se entende sem falar”

Marina Nemesio está preparando seu disco de estreia, mas antes de mostrar alguma coisa deste, soltou essa joia chamada “Te Dar/Ganhar”, que não estará no álbum e equilibra-se perfeitamente entre o pop e a MPB, causando aquela sensação ambígua entre o moderno e o retrô que é parente da paixão crescente descrita pela letra. Finíssima.

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A volta do Cosmo Grão

Parado desde a pandemia, o grupo pernambucano de prog pesado instrumental Cosmo Grão está lentamente retomando as atividades e fazem isso oficialmente a partir desta sexta, quando lançam o EP Cosmo Grão Ao Vivo, mas uma de suas músicas – “Mabombe” – pode ser ouvida em primeira mão no Trabalho Sujo. Fizeram algumas apresentações em 2023 e 2024 mas só no ano passado conseguiram reunir toda a formação original, com Thiago Menezes e Chico Rocha nas guitarras, Rafael Gadelha no baixo e Cássio Sales na bateria, quando gravaram o disco que lançam nesta sexta numa parceria dos selos Muuu Records (do Criatório Estúdio) e Precarian Takes (do Benke Ferraz, guitarrista dos Boogarins). “A ideia de gravar a banda em uma performance ao vivo se tornou ainda mais sedutora quando se somou à oportunidade de registrar um reencontro que não acontecia há sete anos”, explica o baterista, que também é produtor do disco. O grupo ainda está estudando quais os próximos passos, mas o primeiro deles acontece nesta mesma sexta, quando divide o palco com os grupos Papangu e Zepelim & O Sopro do Cão, no Brilho Cultural (Rua Ulhôa Cintra, 122, no Recife).

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O começo de Inferno

Novamente no susto, a dupla escocesa Boards of Canada lança as duas primeiras faixas de seu aguardado Inferno, que estará entre nós no dia 28 deste mês. “Introit” e “Prophecy At 1420 MHz” chegam juntas como uma mesma faixa e com um clipe de colagens extraordinário feito pelo designer Robert Beatty, que fez capas para discos como Rainbow da Ke$ha, Afrique Victime do Mdou Moctar e Currents do Tame Impala. O que abre a possibilidade do disco inteiro ter clipes – e ser um álbum visual. Se mantiver o sarrafo desse aperitivo não tem nem o que pensar: só vem!

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Ted Turner (1938-2026)

Um dos nomes mais importantes na história das comunicações do século 20, o norte-americano Ted Turner morreu nesta quarta-feira sem que a causa de sua morte fosse divulgada, embora já se falasse que ele sofria de uma doença degenerativa dos nervos. Seu epíteto pode ser resumido como o criador da CNN, emissora de TV a cabo que criou, ao mesmo tempo, o conceito de canal de notícias e de canal 24 horas, lógica que aplicou a outras criações de sua empresa, a Turner Broadcasting System, ao criar o canal de filmes TNT, o de esportes TNT Sports, o de filmes clássicos Turner Classic Movies, o de programas sobre cultura TBS e o de desenhos animados Cartoon Network. Essa transformação aconteceu nos anos 70, quando juntou duas novidades tecnológicas na transmissão de TV da década – a TV a cabo, que até então só atuava em nível local nos EUA, e a da transmissão via satélite – criando uma rede de canais que aos poucos peitaria a onipresença das três principais emissoras de TV de seu país (ABC, CBS e NBC). Bem nascido, herdou a empresa de outdoors do pai quando este se matou quando ele tinha apenas 24 anos, e seu espírito aventureiro e visão futurista de negócios (“televisionário” era outra forma como era chamado) transformou a antiga empresa do pai num império, que mais tarde compraria os estúdios Warner de cinema e a revista Time. Tornou-se o primeiro bilionário dono de uma empresa de comunicações e um dos primeiros ativistas ambientais do planeta, além de ser o quarto maior latifundiário dos EUA. O poço de contradições que personificava o tornava um republicano progressista, que além de bilionário e latifundiário, era amigo de Fidel Castro, a favor do serviço médico público nos EUA e doou um bilhão de dólares para a ONU. Foi casado por muito tempo com a atriz Jane Fonda, era iatista profissional e dono de seu próprio time de beisebol, o Atlanta Braves, além de ter tentado criar sua própria versão das Olimpíadas, os Jogos da Boa Vontade. “Se eu tivesse alguma humildade, seria perfeito”, riu de si mesmo em uma entrevista.

Catarse cearense

Que maravilha poder realizar mais uma sessão do espetáculo Pessoal do Ceará, que desta vez aconteceu no Bona e contou com a presença de hermanos cearenses que não conseguiram ver a primeira apresentação, no Sesc Pompeia. E é natural que a ascendência cearense faça o espetáculo ficar mais quente e vivo, com a emoção a flor da pele de quem reconhece um detalhe íntimo, como quem conta um segredo, reconhece uma revelação. O segredo, no caso, é o disco de estrada Meu Corpo Minha Bagagem Todo Gasto na Viagem, épico composto e gravado por Teti, Ednardo e Rodger Rogério com o nome artístico de Pessoal do Ceará, funcionando como manifesto para uma geração que ainda inclui nomes como Belchior, Fagner, Amelinha e tantos outros para além da música. E quando essa emoção rebate no público, volta para a banda que naturalmente esquenta ainda mais e assim Soledad, Jonnata Doll e Paula Tesser (que, pra deixar tudo ainda melhor, aniversariava no mesmo dia) puderam passear por esse repertório mágico como se estivessem cantando hits que eles mereciam ser. A banda Ondas dy Calor (Allen Alencar na guitarra e baixo, Davi Serrano no baixo e guitarra e Xavier e Igor Caracas dividindo-se entre percussão e bateria) e o maestro Klaus Sena (entre piano e teclados) entrou na mesma frequência e assim a alma dos presentes foi lavada, especificamente a última meia hora do show, quando Jonnata puxou “Palmas pra Dar Ibope”, Paula emendou a maravilhosa “Beira Mar” e Soledad encerrou a noite lá em cima, primeiro com uma versão rock clássico pra “Susto” (com um solo arrebatador de Davi) e depois ao transformar o lamento de “A Mala” em uma catarse cearense de tirar o fôlego, que coroou a apresentação com uma poética mágica.

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Pessoal do Ceará, Meio Século Depois @ Bona (6.5)

Depois de passar pelo Ceará no mês de aniversário de Fortaleza, o show Pessoal do Ceará – Meio Século Depois, em que Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll visitam o clássico cearense Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, de 1973, volta a São Paulo para mais uma apresentação, desta vez no Bona. Os três visitam o repertório do cancioneiro daquele estado nos anos 70 acompanhados da banda Ondas dy Calor (formada por Allen Alencar, Davi Serrano, Xavier e Igor Caracas), regida pelo diretor musical Klaus Sena e comigo na direção. Os ingressos já estão à venda.

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