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Theodora + Oklou ♥ Beatles

Mais uma vez o Festival de Cinema de Cannes começa com música. Depois de Zaho de Sagazan requentar bem “Modern Love” de David Bowie na edição de 2024 e de Mylène Farmer celebrar David Lynch em 2025, na edição deste ano as cantoras francesas Oklou e Theodora saudaram o festival, o diretor neozelandês Peter Jackson (que recebeu uma Palma de Ouro honorária por ter “transformado” o cinema) e os Beatles ao trazer, sozinhas no palco, uma versão para “Get Back”, que também batiza a série que Jackson dirigiu sobre os quatro de Liverpool. Assista abaixo:  

Mike D para além dos EUA!

Mal acabou de fazer seus primeiros dois shows solo nos Estados Unidos e o beastie boy Mike D mostra disposição para ir além de seu próprio território ao anunciar sua primeira turnê europeia já no mês que vem, passando pela Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha, França e Bélgica. Mais um pouquinho e ele cola por aqui. Alô Primavera São Paulo, como é aquele papo de “e mais…” no final do vídeo de anúncio do elenco da edição deste ano publicado nesta segunda? Alô Mike D, please come to Brasil!

Veja as datas abaixo:  

O buraco do fim do mundo

“Esse sentimento de que o mundo tá indo pro buraco”, a sensação de desesperança transmitida pela segunda apresentação da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. está fazendo no Centro da Terra poderia ser resumido a um questionamento ainda maior, posto logo já no primeiro movimento, quando o próprio Crizin arrematava: “Será que nesse buraco cabe o mundo?”. Recebendo a dupla Deafkids nesta segunda-feira, mais uma vez o grupo de funk apocalíptico transformou o palco do teatro em um alarme estridente sobre o fim do mundo iminente que toma conta do nosso dia-a-dia. Como na primeira apresentação da temporada (quando o grupo apresentou-se ao lado de Kiko Dinucci), esta nova noite viu o casamento das duas guitarras presentes criar uma parede de microfonia grossa que espremia o público contra a parede mental dos próprios cérebros, mas como tanto Douglas Leal quanto Mariano Sarine desdobram-se na percussão (elemento também crucial para o grupo do Rio de Janeiro), esta névoa elétrica sempre vinha aterrada de atabaques e tambores prontos para deixar todos em alerta. Pesado e aterrador como sempre, mas sem perder a seriedade ou o senso de emergência.

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O segundo disco de casal de Joyce e Tutty Moreno

O músico e produtor estadunidense Adrian Younge anuncia mais um disco da sua coleção Jazz is Dead em que embrenha-se na história da música brasileira, desta vez antecipando em um ano as bodas de ouro de um dos melhores casais da música brasileira, ao convidar Joyce e Tutty Moreno para gravar o 27º disco de sua série. Previsto para agosto (como antecipou o jornalista Mauro Ferreira), o disco contará com as participações do pianista Bryan Velasco, do percussionista Gibi dos Santos e, claro, do próprio Younge, que também produz o disco. É o segundo disco que o casal assina junto, após Samba-Jazz & Outras Bossas, lançado em 2007, quando seu casamento completou 30 anos.

Transa, de Caetano Veloso, vai virar filme!

“You don’t know me…” desafia Caetano Veloso logo ao início de seu segundo disco gravado em Londres em 1972, o mitológico Transa, que agora vai virar documentário produzido por Paula Lavigne e dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, como foi antecipado ao jornal O Globo. Os dois já dirigiram juntos outros dois capítulos diferentes da história do baiano, em dois documentários: Uma Noite em 67 (de 2010), em que dissecam o clássico festival da canção que revelou a geração-base que se tornou o que até hoje chamamos MPB, e Narciso em Férias (de 2020, também produzido por Paula), que conta o período em que o baiano foi preso, torturado e exilado do Brasil durante a ditadura militar. Agora os dois se debruçam sobre as sete músicas do disco como fios condutores para o período em que Caetano foi forçado a fugir para Londres, na Inglaterra, quando gravou dois discos, o primeiro homônimo em 1971 e Transa no ano seguinte, quando compôs o disco com uma banda formada por Jards Macalé, Moacyr Albuquerque, Áureo de Souza e Tutty Moreno, além de participações de Gal Costa e Angela Ro Ro. Não há previsão de lançamento por enquanto.

O museu dos Beatles em Londres!

E vocês viram que os Beatles vão transformar o prédio em que eles fizeram seu último show em 1969 em um museu sobre a banda? Se o endereço 3 Saville Row já era tradicional entre os fãs, agora torna-se um clássico de vez. A previsão de abertura é em 2027.

Assista abaixo:  

…e o quarto disco da Clairo

Outra que deve soltar notícias sobre o quarto álbum em breve é nossa querida Clairo, que não para de publicar nas redes sociais pistas de que seu disco está vindo aí… Nesta série de fotos ela colocou “Baby’s on Fire” do Brian Eno na trilha sonora e descreveu “dura no trabalho” na legenda.

Veja outras:  

O quarto disco da Dua Lipa

E por falar na Dua Lipa, ela soltou uma fotinhas gravando uns vocais no estúdio… Será que seu quarto disco está vindo aí?

Veja outras abaixo:  

Gorillaz e Strokes puxam o Primavera São Paulo 2026

Saiu a escalação do Primavera deste ano e… tá boa, mas você não tá com a impressão que tem nomes faltando? Gorillaz e Strokes são ótimos headliners, mas dá a impressão de estar faltando um ou outro nome com o peso semelhante (havia boatos sobre Depeche Mode e Tame Impala e expectativa por My Bloody Valentine ou Geese, por exemplo) e talvez alguns nomes brasileiros a mais. FKA Twigs, Lily Allen, Courtney Barnett, Underscores e Yung Lean estão em momentos ótimos de suas carreiras, mas não são grandes o suficiente pra trazer muita gente. Mas fora essa sensação, ao reunir nomes como Ana Frango Elétrico, Juana Molina, Smerz, Duquesa, Gaby Amarantos, Los Thuthanaka, Black Pantera, Gab Ferreira, Zé Ibarra, Josyara e John Talabot, mostra que o festival não tá pra brincadeira e puxa mais pra primeira edição paulistana (que acertou gigante ao anunciar um ótimo elenco contemporâneo em vários dias) do que pra segunda (que pareceu ter sido dedicada à geração X). Mas como eles mesmos eles mesmos disseram no vídeo da escalação que há novos nomes a serem anunciados, fico à espera de alguma surpresa… Imagina se viesse PinkPantheress, LCD Soundsystem, Clairo, King Gizzard ou The Marias…

Missa rock

Tava devendo ver a Lupe de Lupe tocando seu Amor – um dos melhores discos do ano passado – ao vivo e consegui resolver isso neste domingo, quando o grupo tocou no La Iglesia, transformando, como sempre, um show de rock pesado com fortes doses de sentimentalismo em uma catarse quase bíblica em que o público se joga em uma roda de pogo enquanto chora amores esquecidos do passado. O repertório da banda é gasolina nessa fogueira e a cada nova música o público se empolga ainda mais, berrando letras quilométricas sobre frustrações da vida e como seguir em frente como se suas vidas dependessem disso. Além de quase todo o Amor (tocaram três das quatro músicas de dez minutos que compõem o disco), passaram por músicas de outros sete discos, com as guitarras fulminantes de Vitor Brauer e Jonathan Tadeu e a cozinha redondíssima formada pelo baixista Renan Benini e pelo novato Mauro Novaes, o tempo todo surpreendendo o público com músicas que eles não acreditavam estar vendo ao vivo. A base instrumental da banda é o rock da virada dos anos 90 para os anos 2000, quando o pós-grunge e o hardcore melódico começam a se misturar num mesmo gênero musical, mas o grupo tempera com sua poética essencialmente brasileira, com pitadas de clássicos do pop moderno, indo de Dorival Caymmi a Legião Urbana, passando por Mos Def, todos entrando em citações breves ao final de diferentes músicas. A cruz em cima do palco do La Iglesia só aumentava a sensação de missa meio indie meio emo que tomou conta do fim do dia das mães, que ainda contou com o Corinthians ganhando do São Paulo, para a felicidade da banda. E minha também, afinal… #vaicorinthians

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