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Paola Lappicy: Que Mágoa é Essa Que Me Chama?

Que satisfação receber nesta quarta-feira, dia 6, no Centro da Terra a cantora, compositora e pianista brasiliense Paola Lappicy às vésperas do lançamento de seu primeiro disco solo. A convidei para apresentar as canções que a transformaram em autora antes que ela definisse como seriam suas versões definitivas ao vivo justamente para experimentá-las neste formato, canções que a acompanham desde a juventude, mas que só após o auge do período pandêmico, ela resolveu colocar para fora, depois de passar anos acompanhando artistas como Fernando Catatau e Bárbara Eugenia. São músicas que falam sobre este período intenso e mórbido que atravessamos muito a partir do ponto de vista do luto, da tragédia e da perda, daí ser batizado de Que Mágoa é Essa Que Me Chama? Junto com ela, Paola reúne uma banda que conta com Dustan Gallas (baixo e piano), Caio Chiarini (violão e guitarra), Rogério Roggi (percussões), Léo Carvalho (bateria) e Luciana Rosa (violoncelo), numa noite que pode verter lágrimas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Os Fadas 2023: “Desencanto o desencontro”


(Foto: Filipe Vianna/Divulgação)

Enquanto não desenrolam seu disco de estreia, o quarteto paulistano Os Fadas (uma das atrações do Inferninho Trabalho Sujo desta semana) lança mais um single. “Revolto” será lançado nesta quinta-feira mas o grupo antecipa a música em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo (ouça abaixo). Faixa mais angulosa e barulhenta que a nada branda Sei Lá Vie“, que o grupo lançou em julho. “‘Revolto’ foi uma música de parto difícil, o que acabou sendo coerente com a própria letra”, explica o guitarrista e vocalista Gabriel Magazza, que divide o grupo com Anna Bogaciovas (vocal e guitarra), Augusto Coaracy (bateria e voz), e Rafael Xuoz (vocal e baixo). “Passamos muito tempo sem saber para onde ir com ela e levamos alguns anos tocando repetidamente em ensaios, mudando, retirando partes, arranjando, para que ela tomasse a forma final que sai agora nesse single. É uma música que terminou tortuosa, um tanto cinematográfica, com um descompasso nos tempos que acaba expressando uma espécie de revolta contra o relógio, contra o nexo, a certeza, essas coisas. É um pouco sobre isso que a letra fala, algo de uma incerteza afirmativa, uma inadequação por opção.” O primeiro disco está na agulha e deve sair em pouco tempo…

Ouça abaixo:  

Rolling Stones vindo pro Brasil?!

Calma que ainda é cedo pra cravar, mas o sexagenário grupo inglês já deu uma pista de cara ao anunciar seu primeiro álbum de músicas inéditas em quase 20 anos em uma coletiva nesta quarta-feira. Hackney Diamonds é o primeiro disco com novas composições do grupo desde A Bigger Bang, de 2005. Desde então o grupo só entrou em estúdio para lançar Blue & Lonesome, um disco composto só por versões de blues, em 2016, e os outros discos que lançou eram de gravações ao vivo de diferentes épocas de suas seis décadas de carreira. O novo disco, cujo título faz referência à forma como os cacos de vidro após assaltos a joalheiras eram referidos, deve sair no dia 20 de outubro e já tem convidados de luxo como Lady Gaga, Paul McCartney e Stevie Wonder. O disco ainda conta com as últimas gravações do falecido Charlie Watts e o novo baterista, Steve Jordan, foi uma sugestão do próprio Watts, que morreu em 2021. O novo disco ainda conta com a participação do antigo baixista da banda, Bill Wyman, e deve ter mais convidados anunciados em breve – e resta aquela especulação de que uma das faixas traria McCartney no baixo e Ringo Starr na bateria, no maior supergrupo de todos os tempo. Por enquanto, o grupo – resumido agora a um trio formado por Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood – só apresentou a data de lançamento, a capa do novo álbum e o primeiro single, “Angry”, acompanhado de um clipe estrelado pela atriz Sydney Sweeney, que passeia num conversível entre outdoors que passeiam por diferentes fases da banda. E no finzinho da música, Jagger canta que “ainda tomo os remédios e estou indo pro Brasil”. Estamos esperando:

Assista aqui:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Os Fadas e André Medeiros Lanches

A semana começou quente, mas depois baixou esse frio nada a ver e a gente só sabe combatê-lo de uma forma: se acabando! Então toma mais uma Inferninho Trabalho Sujo que vem em dose dupla de rock deste século. Quem começa a noite é a explosão de ruído e melodia dos paulistanos Os Fadas, que são seguidos logo depois pelo quarteto de Juiz de Fora André Medeiros Lanches, enfileirando mais doses de canções e barulho na cabeça dos presentes. E depois eu e a comadre Francesca Ribeiro derretemos a pista com aquela mistura quente de dance music, R&B, hip hop, rock e música brasileira (e uma pitada de Kpop, por que não?) que deixa a pista cheia até o fim da madrugada. O Picles fica no no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se você chegar antes das 21h não paga para entrar. Vem!

Duas horas de Blur! Uma hora e meia de Pulp!

Fora uma hora de Weyes Blood e outra de Warpaint. A versão chilena do festival Primavera – chamada Primavera Fauna – acaba de divulgar os horários e se eu não tivesse que ir à Flip no fim de novembro já teria comprado meus ingressos e minha passagem… Fora a possibilidade de esticar pra ver o Cure em Santiago na quinta seguinte (desse eu não desisti ainda).

Saca só:  

O equilíbrio do trio

“Tem um negócio aí nesse negócio de trio”. O formato trio tem uma força magnética que aproxima e afasta os envolvidos exatamente à mesma medida, fazendo com que a presença individual de cada um acabe buscando um equilíbrio a partir da ausência dos outros e a busca por essas lacunas acaba abrindo suas próprias aberturas para que tudo flua naturalmente. E não importa que tipo de trio, mas quando estamos falando de música, a fluência dessa conexão é exatamente o corpo que a torna possível, como se esse magnetismo se traduzisse em som. E assim foi a apresentação do Thiago França Trio nesta terça-feira no Centro da Terra, encontrando um ponto em comum entre as apresentações que fazia com o codinome de Sambanzo (quando tocava ao lado de seus dois compadres da percussa tanto de Xepa Sounds quanto da Charanga do França, Wellington “Pimpa” Moreira e Samba Sam, e de dois integrantes do Clube da Encruza, Kiko Dinucci e Marcelo Cabral, tocando baixo elétrico) e o trio de free jazz Marginals, composto por Cabral (tocando baixo acústico) e Tony Gordin. Reunindo-se apenas a Cabral e Pimpa, ele enxuga ainda mais o Sambanzo e abre novas janelas de ritmo com o formato trio, apresentando tanto temas que já gravou em seus dois primeiros discos solo (Etiópia e Coisas Invisíveis) e alguns inéditos que deverão materializar-se num novo disco (com outras formações) em breve, entre elas inspirada na coulrofobia do carnaval periférico do Rio chamada apropriadamente de “Fear of the Bate-Bola”. Mas não posso deixar passar minha empolgação ao ouvir um dos meus temas favoritos do saxofonista, a originalmente elétrica “Capadócia”, quase um Talking Heads com o dedo na tomada, vertida a instrumentos acústicos, com pouquíssima interferência elétrica. Foda demais.

Assista aqui:  

Thiago França: Thiago França Trio

Prazer receber no Centro da Terra mais uma das invenções de Thiago França, que reuniu-se com o baixista Marcelo Cabral e o baterista Welington “Pimpa” Moreira pare retomar composições dos discos que assinou como Sambanzo, Etiópia e Coisas Invisíveis, e buscar novas criações instantâneas e improvisos livres. A formação, chamada de Thiago França Trio, passeia do jazz ao samba a partir da condução da cozinha proposta por Pimpa e Cabral para que o saxofonista e flautista percorra livremente por todo esse espectro musical. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Sessão de terapia

Sozinho no palco, só com sua guitarra, pedais e máquinas para disparar efeitos, Dinho Almeida se submeteu a uma sessão de terapia em público. Ergueu véus e projetou imagens para criar um efeito cênico que deveria ser central na apresentação que fez nesta segunda, abrindo sua temporada Águas Turvas no Centro da Terra, para logo em seguida começar a conversar com o público sobre aquele processo: subir num palco sozinho e mostrar canções que nunca havia mostrado para mais que alguns amigos, em eventos domésticos. E entre lindas canções de natureza sentimental e confissões espontâneas no palco (e os gritos de seu filho pequeno, que estava brincando na sala de entrada do teatro, aumentando ainda mais a carga emotiva da noite), Dinho abriu-se completamente no palco como se estivesse sentindo a temperatura da água, ele que não sabe nadar. E entre composições inéditas, uma música feita para Ava Rocha (“João 3 Filhos”), outra para Céu (“Make Sure Your Head Is Above”), uma da banda que tinha antes dos Boogarins (Ultravespa, que o fez chorar enquanto tocava) e algumas de sua querida bandinha, o guitarrista goiano começou uma nova fase em sua carreira. É um caminho sem volta.

Assista aqui.  

Dinho Almeida: Águas Turvas

Que satisfação poder assistir ao início da carreira solo de Dinho Almeida, que atravessa todas as segundas-feiras de setembro no Centro da Terra, às vésperas do aniversário de dez anos dos seus Boogarins. Em Águas Turvas, o guitarrista caça canções com sua voz de passarinho, deixando a psicodelia elétrica de lado para enveredar em território desconhecido, como ele mesmo batiza no título destes shows. Nas próximas segundas Dinho divide o palco com Bebé e Felipe Salvego (dia 11), com a dupla Carabobina, Desirée Marantes e Bruno Abdala (dia 18) e com sua irmã, Flavia Carolina (no dia 25), mas dá início aos trabalhos sozinho neste dia 4, enfrentando o público somente com seu violão. Os espetáculos começam sempre às 20h e ainda há ingressos para a apresentação desta primeira segunda (neste link).