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TV Serge Gainsbourg – Parte 6


Serge Gainsbourg – “New York USA”

Antes de passarmos para a fase mais controversa da carreira de Gainsbourg, vale abrir um parêntese para mostrar que, mesmo antes de se transformar num svengali do pop adolescente francês, ele já buscava novos rumos para sua música, visitando o continente africano décadas antes que qualquer outro popstar americano ou europeu. Ouvindo discos africanos sem parar, chegou à conclusão que era uma das formas que o pop francês poderia se contrapor ao cantado em inglês graças à percussão de suas antigas colônias. Gravado com muita percussão e corais femininos, Gainsbourg Percussions, de 1964, é um dos principais trabalhos de Serge nos anos 60 e, mesmo que tenha tido pouco sucesso comercial na época, tem o mérito histórico de ser um dos pioneiros a traçar uma conexão entre a música africana não-americanizada e a música pop – e fazendo-a soar tão pop quanto ela poderia ser, sem lançar olhos de colonizador sobre ritmos e músicalidade fora de seus padrões europeus.


Serge Gainsbourg – “Quand mon 6,35 me fait les yeux doux”


Serge Gainsbourg – “Machins Choses”


Serge Gainsbourg – “Couleur Café”

On the Run 58: The Glass DJ Mix Sirius Radio

Já mencionei o Glass duas vezes por aqui (num Vida Fodona e num Cinco Vídeos), agora pinço esse DJ Set que a dupla formada pelo nova-iorquino Dominique Keegan e pelo berlinense Glen Brady (que moram em suas respectivas cidades e fazem música à distância) fizeram para a Sirius Radio. Como no hit “Wanna Be Dancin'” a pegada fica entre o electro e o techno, mas começa a ficar um pouquinho mais pesada à medida que o set vai avançando. Na mistura, só finesse: Orbital, Martin Solveig, Ursula 1000, Knightlife e faixas produzidas ou remixadas pelo próprio Glass. Vai na fé.

The Glass DJ Mix Sirius Radio (MP3)

Eli Escobar – “Glass House”
Orbital – “Halcyon (Tom Middleton Re-Model)”
The Glass – “Wanna Be Dancin (Nadastrom Dub)”
Martin Solveig – “One 23 Four’ (NoToMash Remix/Glass Dub edit)”
Harvard Bass – “81”
Izza Kizza – “Hello (DJ Wool Remix)”
The Glass – “Superhero (Ursula 1000 Remix)”
The Glass – “Wanna Be Dancin (Fantastadon Remix)”
Knightlife – “Crusader (Radio Edit)”
Ursula 1000 – “Do It Right (The Glass Remix)”
Alex Gopher – “Handguns (Dada Life Remix)”
Martin Solveig “One 23 Four (Deepside Deejays Remix)”
The Glass – “Come Alive (Michel Class Dub)”
Harvard Bass – “81 Outro”

Britney Spears + 2

Ouviram a nova da Britney? “3” abole a sutileza e ela convida toda uma geração para encarar o sexo a três como uma coisa normal. “Are you in?”, ela pergunta em tom sedutor e desafiador, lembrando que “what we do is innocent”, que “livin’ in sin is the new thing” e que “everybody loves ***”. A música em si não tem nada de memorável, é mais um single para bater cartão nas paradas de sucesso. Mas a letra pode cutucar ainda mais uma revolução sexual que está em vias de explodir (para dentro ou para fora) na próxima década.


Britney Spears – “3

César Vilela e as capas da Elenco


“Comecei a simplificar na Odeon, uma das principais capas dessa época é a do Noel Rosa –com uma rosa no lugar do “o”. Eu via as vitrines confusas, todos fazíamos capas muito confusas. E não havia TV para fazer propaganda -as capas tinham de vender o disco! Aí lembrei que o Marshall McLuhan chamava isso de ruído visual e comecei a simplificar ao máximo. Os discos da Elenco brigavam nas lojas com os discos das multinacionais, eles tinham de sobressair. A simplificação das capas foi uma maneira de chamar a atenção para eles.”

O Ronaldo recuperou uma entrevista que ele fez com o César Vilela, designer autor das hoje clássicas capas do selo Elenco, de quem ele também foi curador de uma exposição em 2004, relação que começou com o modesto site de fã que ele fez sobre o cara quando ainda vendia discos na Bizarre.

A volta do Mombojó

Enquanto Fred Zero Quatro lamenta a queda das gravadoras, o Mombojó faz aquilo que o Los Hermanos devia ter feito em Ventura – só que na marra. Sem gravadora, a banda preferiu se embrenhar no mato sem cachorro por conta própria e lançar o terceiro disco na unha. O vídeo acima mostra trechos das gravações do novo álbum, Amigo do Tempo (com cenas impagáveis, como o baterista Vicente, naturalmente chapado, falando que “o sistema independente é muito difícil” enquanto Chiquinho encarna o “Robot Rock” no teclado), e China, praticamente um dos integrantes da banda, embora não-oficialmente, acompanhou todo o processo e escreveu sobre ele no blog da dos caras:

“Quando as sessões de ensaio terminaram, eles tinham dezessete músicas e estavam prontos para registrá-las. Mas gravar onde? Com que dinheiro? Estar numa gravadora não valeria muito à pena, pois nem elas saberiam que caminho percorrer nesse confuso momento em que se encontra a indústria fonográfica.

Daí veio a grande sacada: “Porque não seguir o lema do movimento punk e fazer o disco nós mesmos?”. A idéia ganhou força rapidamente dentro da banda e logo estávamos todos (o Mombojó, eu, Homero Basílio e Jr.Black) na fazenda Rodízio, a 40 km de distância do Recife para dar início aos trabalhos. Levamos microfones, pré-amplificadores, compressores, guitarras e tudo o que tínhamos a mão para tentar registrar o som dos caras da melhor forma possível, mas percebemos que não seria uma tarefa fácil. A fazenda não tinha estrutura de estúdio, era apenas uma tranqüila e silenciosa casa de campo, e acredito que naquele lugar nem um violão tinha passado antes, que dirá uma bateria. Deu muito trabalho ambientar a sala onde seriam gravados os instrumentos. Forramos as paredes com lonas, para evitar que o som rebatesse demais, e colchões foram colocados estrategicamente nos cantos da sala, pois, dizem os especialistas, que numa sala de gravação não podem existir quinas. Foi uma montagem totalmente autodidata.

Muitos cabos depois e alguns choques elétricos, estava tudo pronto para começar a melhor parte. Foram duas semanas de intenso trabalho e muita diversão. Os takes eram gravados entre uma partida de futebol e um banho de piscina. Tudo caminhava em perfeita harmonia. O Mombojó sabia exatamente o que queria passar em cada canção, e para que isso acontecesse, aquele estado de espírito era fundamental. Depois que o grosso do material foi captado na fazenda Rodízio, os caras se trancaram na casa dos irmãos Marcelo e Vicente para editar o que fosse necessário e incluir os teclados de Chiquinho nas músicas. Hoje em dia não é preciso estar num grande estúdio para fazer esse tipo de coisa, e nada melhor do que o conforto do lar para realizar o trabalho”

China conta mais aqui.