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Romulo Alexis: Cosmofonias

Imensa satisfação em receber o trompetista e arquiteto sonoro Romulo Alexis como o dono das segundas-feiras de maio no Centro da Terra, quando ele apresenta a temporada Cosmofonias, dedicada ao improviso coletivo a partir de quatro recortes diferentes. A temporada começa nesta segunda-feira 6, quando Romulo recebe, como Rádio Diáspora, ao lado de seu chapa Wagner Ramos, as performers Ester Lopes e Belle Delmondes numa noite chamada Fenda, em que trabalham música e corpo investigando as fronteiras do legado afrodiaspórico. Na outra terça, dia 13, ele chama a Nigra Experimenta Arkestra ao reunir To Bernado (trombone), Gui Braz (cordas e flauta), Salloma (kalimba, voz e flauta), Karine Viana (vilolino e voz), Laura Santos (clarinete e voz), Manoel Trindade e Lerito Rocha (percussões), Lua Bernardo (contrabaixo acústico, voz e flauta), Du Kiddy (guitarra), Henrique Kehde (bateria), Stefani Souza (saxofone), além do próprio Romulo. Depois, ele reúne-se à produtora Leviatã (Amanda Obara, Iago Mati e Natasha Xavier) para convidar o artista sonoro Edbras Brasil, a vocalista Inès Terra, a cellista (que também toca didjiridou) Thayná Oliveira, o percussionista Sarine e o flautista Douglas Leal. E na última segunda-feira, dia 27, ele cria, mais uma vez ao lado de Wagner Ramos, o Rádio Diáspora Ensemble Cachaça 2024, quando reúne-se ao trombonista Allan Abbadia, à contrabaixista Clara Bastos, à vocalista e percussionista Paola Ribeiro e ao sax de Steafani Souza para uma noite de criação coletiva espontânea. As apresentações começam sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados no site e na bilheteria do Centro da Terra.

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A Enorme na Europa

E essa turnê europeia que a Sophia Chablau e Uma Enrome Perda de Tempo anunciou nesta segunda-feira? São doze apresentações em cinco países (França, Portugal, Espanha, Holanda e Alemanha) entre os meses de junho e julho. Nada mal, hein? Ah moleque!

“A coisa mais polêmica que já fiz foi permanecer”: A íntegra do discurso de Madonna na Billboard em 2016

Não fui ao histórico show que Madonna fez no Rio de Janeiro neste fim de semana, mas é inevitável reconhecer sua grandeza – e nem só da apresentação, mas da própria artista. Ela é um ícone intransponível na história da cultura popular contemporânea e o extenso musical sobre sua própria vida e carreira que apresentou para mais de um milhão e meio de pessoas na praia de Copacabana (e outros tantos milhões que puderam assistir à distância) é só mais um capítulo numa saga singular que ressuscitou um colossal discurso que ela deu em 2016 ao aceitar o prêmio de Mulher do Ano concedido pela revista Billboard. Trechos desta fala, entre elas a forte frase que dá título a esse post, voltaram a aparecer online, mas reforço a importância da íntegra de sua apresentação, que fala sobre a dificuldade de ser artista mulher – ou apenas de ser mulher – atualmente. Assista abaixo, publiquei a tradução logo em seguida:  

O Megalópolis de Francis Ford Coppola está vindo aí

Projeto pessoal que o diretor Francis Ford Coppola acalenta desde que terminou Apocalypse Now, no fim dos anos 70, Megalópolis, sua primeira incursão à ficção científica, finalmente teve suas primeiras imagens reveladas, antecipando a tensão relacionada à sua primeira exibição, que acontecerá no próximo dia 17, no festival de Cannes. O projeto é inspirado em épicos futuristas como Metrópolis (de Fritz Lang, de 1987) e Daqui a Cem Anos (de William Cameron Menzies, de 1936) e tenta imaginar o futuro do império estadunidense a partir da evolução urbana de sua principal cidade, Nova York. O filme começou a ser feito algumas vezes, mas foi interrompído por motivos diversos, como a produção do terceiro volume da saga O Poderoso Chefão, a versão do cineasta para o Drácula de Bram Stoker, o atentado ao World Trade Center no 11 de setembro de 2001 e por falta de dinheiro. O projeto foi retomado pouco antes da pandemia e está sendo bancado inteiramente por Coppola, que tirou boa parte do dinheiro da sua vinícula para bancar os 120 milhões de dólares do filme. No trailer, conta-se pouco: vemos apenas o protagonista do filme (Cesar Catilina, vivido por Adam Driver) desafiar a gravidade ao conseguir parar o tempo, colocando o filme no delicado terreno que fez até Christopher Nolan patinar bonito (no grandioso e frustrante Tenet). Além de Driver, o elenco ainda conta com Giancarlo Esposito, Nathalie Emmanuel, Aubrey Plaza, Shia LaBeouf, Jon Voight, Jason Schwartzman, Laurence Fishburne, e Dustin Hoffman, entre outros. Torço para que, diferente da maioria dos projetos megalomaníacos de Coppola desde Apocalypse, consiga superar sua expectativa, mas sempre fico com uma pulga atrás da orelha de qualquer novo filme do clássico diretor…

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Sensibilidade à flor da pele

Duas produtoras líderes de bandas que estão começando experimentaram pela primeira vez o palco do Picles neste fim de semana, quando Tiny Bear e Grisa apresentaram seus trabalhos no Inferninho Trabalho Sujo. Com muita emoção à flor da pele, as bandas passeiam por camadas sonoras tensas e hipnóticas para cantar músicas com sensibilidade à flor da pele. Liderado por Bia Brasil, o grupo Tiny Bear derramou seu drama posicionando-se em algum lugar entre as baladas de anime, o trip hop e o indie rock e mesmo com um integrante a menos não fez feio, com sua cabeça e vocalista entregando-se às canções.

O clima já estava quente e quando chegou a vez da Grisa de Giovana Ribeiro Santos, de Juiz de Fora, a temperatura manteve-se firme, abrindo outras possibilidades dramáticas. Calcadas num soul pesado, no rock psicodélico e no shoegaze, o grupo fez seu primeiro show em São Paulo, mostrando músicas já lançadas e algumas de seu primeiro álbum, Geografia de Lugar Nenhum, prometido ainda para esse ano. Entre a guitarra e o theremin, Giovana mostrou a que veio – e deixou tudo no jeito pra que eu e a Bamboloki, que discotecou comigo dessa vez, levássemos a pista do Picles para um universo de rock, dance music e esquisitices desenfreada. Discotecar na sexta-feira é outro nível, né…

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Um belo reencontro

Fim de semana começou com o reencontro da banda Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo com seu farol artístico, Ana Frango Elétrico, que originalmente aconteceria no início de março mas que, por questões pessoais (Theo Ceccato, o baterista, havia quebrado o pé!), só aconteceu dois meses depois, no mesmo Sesc Bom Retiro em que o primeiro show aconteceria. Era também o primeiro show da Enorme em uma unidade do Sesc após o lançamento de seu segundo álbum e acontecer no Bom Retiro ainda lhes garantiu um ótimo som para mostrar seu Música de Esquecimento na primeira parte do show – que ainda teve o próprio baterista vindo para frente cantar sua ótima balada “O Último Sexo” quase às lágrimas. Mas depois que Ana subiu ao palco, a banda voltou no tempo e Sophia puxou o flashback pra julho de 2019, quando eu havia juntado aquelas duas jovens forças no palco do Centro Cultural São Paulo, fazendo-os voltar ao primeiro disco de Ana, Mormaço Queima, que a vocalista não mediu elogios ao comparar com a lenda urbana do primeiro disco do Velvet Underground, que não vendeu muito, mas todo mundo que o comprou montou uma banda. E assim voltaram ao passado para tocar juntos músicas de seus primeiros discos como “Debaixo do Pano”, “Picles”, “Loteria” e “Delícia Luxúria”, mas também puxaram duas de seus discos recentes, como “Segredo” e “Quem Vai Apagar A Luz?”, em que Ana assumiu a voz do coautor da música, Negro Leo, e o momento mais bonito da noite, a versão que fizeram juntos para “Insista em Mim”. “Não vai embora nunca”, disse Sophia, antes de emendar, quase chorando que, “você é meu melhor amigo, cara”. Foi demais.

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Tiny Bear e Grisa

De novo às sextas, abrimos o mês de maio no Inferninho Trabalho Sujo com duas bandas conduzidas por produtoras – Tiny Bear e Grisa – que encontram um ponto de conexão musical nessa primeira sexta do mês no palco do Picles. Depois quem me acompanha madrugada adentro desta vez é a arquiteta do caos Bamboloki, que me ajuda a atravessar da sexta pro sábado entre o êxtase e a esquisitice. Vamo que a noite promete!

Duas bandas que tornam-se uma

Assisti à última apresentação da turnê Baleia de Lupe que reuniu dois integrantes da banda Baleia (Gabriel Vaz e Felipe Pacheco Ventura) e dois da Lupe de Lupe (Vitor Brauer e Jonathan Tadeu) para percorrer uma maratona de quase 30 shows por dezenas de cidades pelo Brasil tocando o repertório das duas bandas. Era inevitável que depois de tanto tempo convivendo e tocando juntos os quatros soldassem uma liga pessoal e musical que os transformou numa banda completamente nova, que além de dar uma energia intensa às canções do Baleia ainda corre o risco de fazer a banda carioca, parada desde 2019, voltar à ativa. A apresentação no Bar Alto foi filmada, o que deu tempo para o grupo respirar entre a enxurrada de canções e até fazer mais gracinhas que o normal, como quando ameaçaram – e começaram a tocar – “Sultans of Swing” dos Dire Straits entre “Frágua” (da Lupe) e “Tudo Falta, Você Sobra” (do Baleia), um dos grandes momentos do show.

Assista abaixo:  

Centro da Terra: Maio de 2024

Chegou maio e essas são as atrações da curadoria de música do Centro da Terra no próximo mês. A temporada de segundas-feiras fica nas mãos do trumpetista Rômulo Alexis, que apresenta suas Cosmofonias, todo início de semana explorando fronteiras estéticas, performáticas e sonoras com dezenas de músicos convidados. A primeira delas, dia 6, chama-se Fenda e reúne seu duo Rádio Diáspora às performances de Ester Lopes e Belle Delmondes. Depois, no dia 13, ele reúne um encontro entre o trombone de To Bernado, as cordas e flauta de Gui Braz, a kalimba, voz e flauta de Salloma, o violino e voz de Izandra Machado, o clarinete e voz de Laura Santo, as percussões de Manoel Trindade e Lerito Rocha, o baixo acústico, voz e flauta de Lua Bernardo, a guitarra de Du Kiddy, a bateria de Henrique e o sax de Stefani Souza, além de sua própria participação numa noite batizada de Niogra Experimenta Arkestra. No dia 20, ele convida integrantes da produtora Leviatã para a curadoria de uma noite que contará com as participações de Edbras Brasil, Inès Terra, Thayná Oliveira, Sarine e Douglas Leal. A temporada encerra-se no dia 27, quando a Rádio Diáspora mais uma vez recebe convidados, desta vez o Ensemble Cachaça, formado por Allan Abbadia (trombone), Clara Bastos (baixo acústico), Paola Ribeiro (voz e berimbau) e Steafani Souza (sax). Pesado! A programação das terças começa com a volta de Kamau ao palco do Centro da Terra com a antologia T.E.R. (Tempo em Registro), quando virá acompanhado do cantor DCazz e do DJ Erick Jay, no dia 7. Dia 14 é a estreia do trabalho autoral da cantora e compositora sulmatogrosensse Nina Camillo, que vem acompanhada de Noa Stroeter (baixo), Vitor Arantes (piano) e Gabriel Bruce (bateria) e terá participação especial de Sophia Ardessore. No dia 21, os atores Sofia Botelho e Ernani Sanchez mostram seu lado no musical no espetáculo Eu, Marina, que celebra a obra de Marina Lima. E o mês se encerra no dia 28, quando o duo (i)miscível – Guilherme Marques (bateria/percussão) e Amilcar Rodrigues (trompete) – mostram Música para um Futuro Presente, que contará com um convidado especial que só será anunciado na semana do espetáculo. As apresentações começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e pelo site do teatro.

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