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Duane Eddy (1938-2024)

O primeiro instrumentista da geração original do rock’n’roll a tornar-se sem precisar cantar uma sílaba nos deixou neste sábado. Duanne Eddy popularizou um estilo de tocar guitarra conhecido até hoje como o som “twang”, que inspirou artistas tão diferentes quanto os Ventures, George Harrison e Bruce Springsteen, eternizado em músicas instrumentais como “Rebel Rouser”, “Cannonball”, “Because They’re Young” e o tema do seriado Peter Gunn, talvez seu número mais lembrado. Morreu em casa, cercado da família, após passar por um longo período com câncer.

Vida Fodona #808: 13 anos de Vida Fodona

Comemorando atrasado.

Justice + Tame Impala – “Neverender”
David Bowie – “Stay”
Happy Mondays – “Bob’s Yer Uncle”
Itamar Assumpção – “Fico Louco”
Jorge Ben – “Cinco Minutos”
Sade – “No Ordinary Love”
Massive Attack – “Black Milk”
Curumin – “Vem Menina”
Yo La Tengo – “Well You Better”
Yumi Zouma – “Catastrophe”
Tops – “Change of Heart”
Yma – “Vampiro”
Erasmo Carlos – “Sorriso Dela”
Ava Rocha – “Beijo no Asfalto”
João Gilberto – “É Preciso Perdoar”

Ouça abaixo:  

“It ain’t HIM, babe…”

A produção do filme A Complete Unknown sobre os primeiros anos de Bob Dylan (com o menino do Duna no papel principal) parece estar indo um pouco longe demais… Olha o disparate que é a recriação dessa capa do Freewheelin’ Bob Dylan? Qual é a necessidade disso? Acho que isso não se justifica nem se o filme for bom… E reforça a minha sensação de cosplay…

Tudo de novo com Rafael Castro

E a véspera de feriado me fez cair no Picles como público e não administrador de clima, mas era um motivo mais que nobre: Rafael Castro tocaria seu SEGUNDO show depois de um hiato de quase uma década sem lançar discos. Felizmente seu vigésimo disco, Vaidosos Demais, o colocou de volta aos trilhos da música, por isso cada novo passo desse monstro sagrado deve ser saudado, mesmo que ele tenha repetido exatamente o mesmo show que fez no Inferninho Trabalho Sujo ao celebrar sua Paixão de Castro na Sexta-feira Santa – só que com novas piadas. E daí? Vamos celebrar que Rafael está de volta aos palcos, tocando, cantando e contando piadas em frente a seu público, algo que nunca poderia ter deixado de acontecer. E mais uma vez subiram ao palco os convidados Vanessa Bumagny e André Mourão, que dividem faixas com ele no disco, além de chamar a figurinista Luiza Mira para acompanhá-lo nos vocais do irresistível krautnóia “Fiscal de Foda”. Sempre um prazer!

Assista abaixo:  

A conexão Kamasi Washington e George Clinton

O saxofonista Kamasi Washington libera mais uma faixa de seu próximo álbum, Fearless Movement, desta vez apontando para o outro extremo de seu espectro musical. Se na primeira faixa mostrada, “Dream State“, em que dividia os holofotes com o rapper e agora flautista Andre 3000, do Outkast, ele preferiu explorar as fronteiras do jazz abstrato, desta vez ele convoca ninguém menos que o mestre do P-Funk George Clinton para segurar o groove em “Get Lit”, uma faixa menor se comparada com a anterior, mas que ganha um brilho a mais graças à participação sagaz do rapper D Smoke. O disco de Kamasi será lançado nessa sexta-feira.

Ouça abaixo:  

Paul Auster (1947-2024)

O New York Times chamou o escritor Paul Auster, que morreu nesta terça-feira com apenas 77 anos, de “Santo Padroeiro do Brooklyn Literário” e esse é um de seus trunfos, mas ele é mais que isso. Um cronista ensaísta, um literato em busca do corriqueiro, o escritor norte-americano trouxe de volta a literatura que sua geração levou para o jornalismo, contando histórias inacreditáveis que começavam em lances triviais, buscando filosofia e revelações em momentos sem nexo, padrões inverossímeis e rotinas sem graça. Como escreveu em seu romance autobiográfico Diário de Inverno, publicado há meros doze anos: “Você acha que nunca acontecerá contigo, que não poderá acontecer contigo, que você é a única pessoa no mundo para quem essas coisas não irão acontecer e então, uma a uma, cada uma dessas coisas começarão a acontecer contigo, da mesma forma como acontecem com todo mundo”. Além de um dos grandes nomes da literatura do século passado, ele sempre foi um mestre pessoal. Agradeço cada página e o altar de papel na minha estante é uma parte importante da minha formação. Vale ler a entrevista que a Paris Review fez com ele em 2002 e que, após sua morte, está liberado para não-assinantes.

Som: canto ou fala?

Bonito ver o nascimento de um projeto no palco, ainda mais em se tratando de duas artistas que conheço desde o início de suas carreiras e marcando a confluência entre duas escolas aparentemente distantes. Quando Anna Vis e Jeanne Callegari vieram me falar que haviam se conectado durante semanas de retiro artístico que se submeteram ao lado de outros artistas no mês de março, tinham na cabeça que o Centro da Terra seria um bom início de parceria ao vivo; E quando o lado poético e experimental de Anna, musicista e senhora da canção, pôs-se à frente do lado musical da poeta e performer Jeanne (imersas na luz etérea de Letícia Trovijo), a faísca inicial começou a acender pontos em comum, deixando-as livres para explorar este recém-nascido projeto Fogo Fogo. A apresentação foi justamente uma lenta fogueira de sons distorcendo-se entre cantos e palavras ao mesmo tempo em que usavam elementos discretos externos que ancoravam o texto, que horas era melodia, noutras poesia e em vários momentos algo híbrido dessas duas escolas. Queimai.

Assista abaixo:  

Anna Vis + Jeanne Callegari: Fogo Fogo

Encerramos a temporada de abril no Centro da Terra com o espetáculo Fogo Fogo, concebido pela cantora, compositora, produtora e instrumentista Anna Vis e pela poeta e performer Jeanne Callegari, que traz sua já conhecida Máquina de Pesadelo para dar início no palco a uma parceria que começou em uma residência artística no mês passado e mistura ritmo, ruído e palavra em um forno criativo. A primeira apresentação da dupla acontece nesta terça-feira a partir das 20h e os ingressos estão à venda neste link.

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Saíram os horários do C6Fest 2024

O festival que trará Cat Power cantando Dylan no próximo mês acabou de anunciar que hora que cada atração se apresentará em seus três dias de evento – e quem tiver disposição vai conseguir assistir tudo.

Veja abaixo: