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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Madre e Janine

O primeiro Inferninho Trabalho Sujo do semestre também marca o início das comemorações de um ano da festa no Picles! E nessa sexta-feira, 12 de julho, tenho o prazer de receber duas deusas do rock em um encontro que promete: primeiro, direto do Rio de Janeiro, temos a elétrica Janine e, daqui de São Paulo, a intensa Madre, que farão duas apresentações irmãs e intensas, acendendo o fogo que vai queimar a noite toda. E depois das apresentações ao vivo, eu e Fran mais uma vez tomamos conta da pista incendiando a noite com hits que não deixam ninguém parado! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros, os shows começam a partir das 22h e a noite vai até alta madrugada! Queima!

Feitiço cinematográfico

Foi bonito demais ver Ava Rocha transformar uma sala de cinema em seu palco no espetáculo Femme Frame que ela fez dentro da sessão Trabalho Sujo Apresenta que fizemos nesta quinta-feira no Cine Belas Artes. Com seu cúmplice Chicão Montorfano no piano elétrico, ela conduziu o público que encheu uma das salas do tradicional cinema de rua paulistano por canções suas e de outros autores, regendo-o com seu corpo e voz ao mesmo tempo em que era ornada pelas luzes de Mau Schramm e pelos vídeos projetados por Carol Costa, que usou animações feitas pela própria Ava e imagens captadas por Jade Monteiro e Otávio de Roque, na tela do cinema, criando um clima única para a realização da show, que ainda celebrou o primeiro ano de seu disco mais recente, Néktar, que acaba de ganhar nova versão em vinil, e teve participações improvisadas da percussionista Victória dos Santos e do tecladista Vini Furquim, ambos parceiros de Ava, que subiram para cantar duetos no final da noite. Foi maravilhoso.

Assista abaixo:  

Shelley Duvall (1949-2024)

Uma das maiores atrizes de sua geração, Shelley Duvall nos deixou nesta quinta-feira, depois de anos de reclusão longe da vida artística, v vivendo bem e sem rancores. Apesar de mais conhecida por sua soberba (e polêmica) atuação no filme O Iluminado, de Stanley Kubrick, grande parte de seu trabalho foi feito ao lado do diretor Robert Altman, que sempre a chamou para fazer filmes nos anos 70. Ao lado de Altman atuou em filmes como Quando os Homens São Homens, Renegados até a Última Rajada, Nashville e Três Mulheres, este último lhe valeu a Palma de Ouro em Cannes por melhor atuação. Também fez Noivo Neurótico, Noiva Nervosa de Woody Allen, Roxanne com Steve Martin e Bandidos do Tempo com Terry Gilliam. Se aproximou do teatro no final do século e seguiu fazendo atuações pontuais em filmes até se aposentar em 2016.

Prestes a ligar outro disco…

Marcelo Cabral desligou seu primeiro disco solo, Motor, nesta quarta-feira, no Auditório do Sesc Pinheiros, quando reuniu-se com Maria Beraldo e Guilherme Held para revisitar mais uma vez seu disco de 2018 pela última vez ao mesmo tempo em que começa a mostrar seu próximo trabalho, ainda sem título definido, mas já em fase de finalização. Entre as canções sóbrias e melancólicas deste seu disco de estreia, Marcelo, tocando guitarra e não seu instrumento de origem, o contrabaixo, entrelaçou o clarone e o sax de Beraldo à guitarra de Held criando uma atmosfera ao mesmo tempo ambient e noise, com o auxílio de seu vocal conciso, pedais, microfonia e do técnico de som, Bernardo Pacheco. E entre as músicas do disco novo, que está sendo gravado com o baterista Biel Basile, d’O Terno, mostrou composições feitas com Rodrigo Campos e Rômulo Froes, além de uma canção composta com um novo parceiro, quando entregou “Tarde Azul” para ganhar letra de Fernando Catatau. Foi bem bonito.

Assista abaixo:  

A segunda temporada de Ruptura só vem em 2025!

E conforme previsto, a Apple TV anunciou – com um teaser que não revela praticamente nada – a data de estreia da segunda temporada do seriado Ruptura: 17 de janeiro do ano que vem! Sim, ainda tá muito longe, mas se lembrarmos que essa temporada quase não sai por problemas internos da produção, só o fato de terem anunciado uma data já é ponto a favor.

Assista abaixo:  

Bar Italia no Brasil!

Mais uma bola dentro da Balaclava, que acaba de anunciar a vinda do grupo inglês Bar Italia para o Brasil – e não apenas para São Paulo. O trio londrino pisa em solo brasileiro pela primeira vez numa pequena turnê que acontece entre os dias 7 e 14 de dezembro, quando passam pelo Recife (dia 7, no festival Coquetel Molotov), São Paulo (dia 10, na Casa Rockambole), Curitiba (dia 12, no Jokers, com abertura do grupo Terraplana) e Belo Horizonte (dia 14, dentro do festival Música Quente, na Autêntica). Bebendo tanto do rock alternativo dos anos 80 quanto do indie rock dos anos 90, o grupo conta com a vocalista Nina Cristante como sua arma secreta e lançaram dois discos pela gravadora nova-iorquina Matador, Tracey Denim e The Twits. E os ingresoss já estão à venda por este link.

Luiz Chagas (1952-2024)

Arrasado com a notícia da morte do Chagasm que chegou como uma bordoada no fim desta terça-feira, não só pela perda de um caubói do jornalismo cultural, de um dos compositores mais subestimados de sua geração e de um samurai da guitarra elétrica, mas, principalmente, de um amigo, mistura de mestre zen e cúmplice cultural, que, mesmo nos encontrando rapidamente, era uma fonte de causos, anedotas, ensinamentos e lições de vida, muitas vezes tudo ao mesmo tempo, posto como quem conta uma piada ou revela um segredo, olhando por cima dos óculos com um olhar ao mesmo tempo sério e cínico, e em muitas vezes guardando um sorriso pro final, pra quando a ficha caísse do lado de cá. Sim, ele cobriu cultura em plena ditadura militar, foi guitarrista do Itamar Assumpção e parceiro de tantos monstros sagrados do underground de São Paulo, autor de uma das minhas músicas favoritas (a gigantesca “Às Vezes”), pai da Tulipa e do Gustavo, marido da Mônica e compadre de tantos compadres e comadres, mas a lembrança que fica é de uma das pessoas mais gente boa que conheci na vida, um dos raros “meu” ditos por um paulistano (na verdade, goiano, mas não espalha) que não doía nos meus ouvidos, que por vezes engrenava em papos que duravam horas, à mesa de alguma longa reifeição, passeando pelas ruas do centro, pelos arredores da Paulista ou indo de um lado para o outro de metrô. Não importava o assunto, podia ser uma música nova, uma história velha dos Beatles ou uma fofoca envolvendo alguém famoso da época em que era apenas jornalista – um assunto puxava o outro e era sempre um prazer estar em sua presença. Fico feliz de ter conseguido realizar alguns shows com ele – especialmente a temporada que fizemos no Centro da Terra em agosto de 2019, ao redor de seu ainda não lançado Música de Apartamento – e de ter podido ter umas dicas de guitarra quando comecei a levar mais a sério esse papo de tocar um instrumento: “os Beatles são óbvios, ou melhor, simples. Copiam todo mundo, ótimo para aprender”, disse citando nossa paixão comum como luz para a guitarra elétrica. Lamento imensamente ter perdido sua festa junina de aniversário, há exatamente um mês, mas sei que o Belo estará sempre olhando pela gente, lá do alto. Vai em paz, professor!

Assista abaixo à íntegra dos shows que fiz com ele (cinco no Centro da Terra e um no Estúdio Bixiga), três deles ao lado de sua eterna amiga Suzana Salles e à entrevista que fiz com ele durante a pandemia, em que ele conta parte de sua trajetória.  

Primal Scream pergunta: “Você ouviu os rumores sobre guerra?”

O Primal Scream está vindo com novidades por aí ao postar, como quem não quer nada, um curto clipe sem som e em preto e branco em suas redes sociais em que nos perguntam, depois de falar sobre “tempos maniqueístas”, se ouvimos falar sobre os rumores de guerra, seguido de uma hashtag chamada “Come Ahead”. Chuto que pode ser o nome do primeiro single de um trabalho que, só por esse pequeno teaser, parece ecoar lembranças do clássico XTRMNTR, lançado num ano 2000 tão tenso politicamente quanto os tempos que vivemos hoje – e isso bem antes do 11 de setembro e dos EUA terem invadido o Afeganistão. Veja abaixo:  

Quando Bob Dylan voltou a fazer shows ao vivo… e com a The Band!

Entre as diversas fases clássicas de Bob Dylan, sua volta aos palcos em 1974 está entre um dos momentos mais intensos de sua carreira e esse registro volta em formato pleno quando o mestre anunciou mais um projeto para envernizar ainda mais seu legado: a caixa The 1974 Live Recordings reúne nada mais nada menos que 431 diferentes versões de suas canções espalhadas por 27 CDs, 417 delas nunca ouvidas pelo grande público, e será lançada no próximo dia 20 de setembro. Desde que sofreu um acidente de moto em 1966, Dylan distanciou-se dos palcos e passou a fazer esparsas apresentações ao vivo ou aparições em programas de rádio ou TV enquanto lançava discos que aumentavam ainda mais sua importância ao mesmo tempo em que desafiavam as expectativas dos fãs.

O misterioso acidente do dia 29 de junho – que na época especulava-se sobre um atentado feito pelo FBI que poderia até mesmo ter tirado sua vida – nunca foi propriamente esclarecido, ninguém sabe se ele sofreu apenas ferimentos leves, se havia realmente se machucado ou se o acidente realmente aconteceu, mas veio num momento providencial para a carreira do artista, que vinha atraindo a ira dos antigos fãs enfurecidos por sua traição ao folk ao abraçar instrumentos elétricos ao lado de uma banda de rock, os canadenses Hawks, que agora se chamavam de The Band. A turnê que realizou na Europa no mês anterior deixou o grupo abalado por seus shows terem sido recebidos com agressividade e a nova popularidade de Dylan, não mais o grande nome do folk e agora um astro do rock, havia o colocado em um ritmo de trabalho que lhe exigia demais, principalmente em relação à sua presença. Fora da arena pública pode fazer discos sem a cobrança de colocá-los em turnê e quando sentiu-se à vontade para voltar à estrada, chamou a mesma The Band – agora um grupo estabelecido, com vários discos lançados – para atravessar as 30 apresentações em 42 dias (muitas vezes tocando dois shows no mesmo dia) naquilo que o crítico musical Robert Christgau descreveu como se o autor “atropelasse suas velhas músicas com um caminhão”, tamanha carga de energia em todas as noites. E além de revisitar vários clássicos de sua carreira, apresentou versões ao vivo pela primeira vez para faixas que gravou no período recluso dos palcos, como “All Along The Watchtower”, “Forever Young” “Most Likely You Go Your Way (and I’ll Go Mine)”, que quase sempre abria ou fechava os shows, Dylan também tocou músicas de sua carreira pregressa que quase nunca tinha tocado ao vivo, como “Hero Blues”, “Ballad Of Hollis Brown” e “Song to Woody”. A turnê gerou o disco ao vivo Before The Flood, que trazia na capa uma das invenções de Dylan nesta turnê, quando todo o público levantava isqueiros acesos, transformando a plateia num céu estrelado.

As músicas do duplo ao vivo são as únicas já ouvidas desta turnê, agora inteiramente reunida nessa ousada caixa de discos, que também terá uma versão compacta em três LPs lançada pela gravadora de Jack White, Third Man Records. As duas versões já estão em pré-venda e uma das versões para “Forever Young” (esta gravada no show da tarde do dia 9 de fevereiro, em Seattle) foi lançada para antecipar a novidade – ouça abaixo, além de ver a maravilha que é esse novo box set (que ainda vem com um encarte com texto escrito plea jornalista Elizabeth Nelson) e todas as faixas de cada um dos 27 discos:  

A segunda temporada de Ruptura está chegando!

A Apple TV postou um vídeo enigmático nessa terça-feira em suas redes sociais em que um corredor vazio é filmado com uma pequena luz vermelha que, inevitavelmente alguém descobriu, soletra a palavra “tomorrow” (“amanhã”, em inglês), em código morse. Então é bem provável que nesta quarta-feira tenhamos notícias sobre a segunda temporada de Ruptura – afinal a estética do vídeo, por mais espartana que seja, tem tudo a ver seriado de Ben Stiller. Provavelmente teremos o primeiro trailer e a data de lançamento da tão aguardada nova temporada.

Veja abaixo: