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O pós-apocalipse é agora

A primeira noite da temporada BNegron Convida, que o rapper BNegão está fazendo às segundas-feiras de julho no Centro da Terra nos apresentou ao trio carioca Dissantes, em sua primeira aparição em São Paulo. Formado pelos MCs Gilber T e Homobono (este último velho conhecido do anfitrião desde os tempos em que liderava os antigos Kamundjangos, que depois tornaram-se Los Djangos) e pelo produtor Feres disparando bases e tocando synths, o grupo surgiu durante a pandemia como uma resposta ao clima apocalíptico que vivíamos – e de alguma forma ainda vivemos – naquele período. Vestidos de trajes de segurança hospitalar e rimando letras sobre o presente pesadelo que nos assombra, o trio ainda contou com a participação de Bernardo no single latino que lançaram juntos, “Sangre de Barrio”, além de assumir as guitarras no último número da noite, com uma mistura de gêneros que deu a tônica das atrações que virão durante a temporada.

Assista abaixo:  

BNegão: BNegron convida Disstantes, Freelion e Dabliueme

Quem toma conta das segundas de julho no Centro da Terra é o mestre e compadre BNegão que aproveitou a deixa para convidar três artistas que ele vem acompanhando há um tempo na temporada BNegron Convida. Na primeira segunda-feira, dia 15, ele recebe o trio carioca Disstantes, fazendo sua primeira apresentação em São Paulo. Misturando linhas eletrônicas e sintetizadores como bases para o canto falado, o trio formado por Gilber T, Homobono e Feres lançou um single com a participação do anfitrião e se autodenomia um grupo de kraut-rap! No dia 22, Bernardo recebe o baiano Freelion, pseudônimo atual do produtor e multiinstrumentista Sandro Mascarenhas, que já tocou com artistas como Afrocidade, Majur e Léo Santana, e agora mistura pagodão baiano, música latina e reggae neste projeto que existe desde 2018. A temporada termina dia 29 com a presença de Dabliueme, produtor e poeta que mescla jazz, rap e raggamuffin com samples de músicas brasileiras de todas as épocas. BNegão estará em todos os espetáculos, que começam pontualmente às 20h e cujos ingressos podem ser comprados na bilheteria ou no site do Centro da Terra.

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Sérgio Cabral (1937-2024)

Um dos nomes que ajudou a desenhar a música do Brasil do século 20 também deu origem a um dos males do século 21 no país – e há quem diga que estas relações estão interligadas, pois o velho jornalista só teve fôlego e disposição para concluir biografias de nomes fundamentais para nossa cultura como Elizeth Cardoso, Tom Jobim, Nara Leão e Pixinguinha pois conseguiu um bom e tranquilo emprego graças ao filho que carrega seu próprio nome. Mazelas brasilis à parte, é inegável a contribuição de Sergio, que morreu neste domingo, para a música brasileira, seja como autor, compositor e produtor musical, sempre disposto a colocar o samba carioca – e sua genealogia no cerne da história de nossa cultura.

Jardim Sonoro 2024: A primeira edição do primeiro festival de música de Inhotim aponta novas possibilidades para o formato

Desde que a curadoria de música do parque Inhotim, um dos grandes templos à arte contemporânea brasileira, no interior de Minas Gerais, foi criada, em abril do ano passado, o primeiro titular do cargo, o maestro carioca Leandro Oliveira vislumbra a possibilidade de realizar um grande festival que mostrasse a que veio este novo pilar do museu-parque. Importante frisar que o superlativo não necessariamente se traduziria em números – a ideia nunca foi reunir nomes pop ou grandes para gerar números para atrair possíveis patrocinadores e sim fazer jus à grandiosidade a céu aberto do jardim que fica do lado da cidade de Brumadinho. O evento aconteceu no fim de semana passada e seu título, Jardim Sonoro, acertou em cheio ao contemplar nomes radicalmente modernos e amplamente populares, reunindo artistas de diferentes nacionalidades, mas com principais atrações brasileiras. Fui convidado pela organização do evento e voltei apaixonado pelo festival.

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Shannen Doherty (1971-2024)

Conhecida como a Brenda do seriado Barrados no Baile, que fez sucesso no início dos anos 90, a atriz norte-americana Shannen Doherty morreu neste sábado. Com parcos 53 anos, ela foi vítima de um câncer que lhe acompanha desde 2015. Ao contrário de todo o resto do elenco do seriado, ela ainda conseguiu emplacar um segundo personagem em sua breve carreira, ao viver uma das jovens bruxas da série Charmed. No ano passado, ela anunciou a doença, que incialmente começou como um câncer de mama, havia espalhado para seu corpo, primeiro para os ossos e depois para o cérebro.

Mac DeMarco à moda parisiense

Que tal jantar num bistrô em Paris com a turma do Mac DeMarco e ouvi-los fazendo um som depois de uma refeição? Foi isso que a produtora de vídeos francesa La Blothèque fez ao inaugurar uma nova série, chamada Fin de Service. Depois de encarar um frango, Mac puxou cinco músicas, novas e velhas, ao lado de uma banda formada pelo tecladista Alec Meen, pelo brasileiro Pedro Martins no baixo e com Daryl Johns tocando chocalhos e bongôs. É a terceira vez que o compositor norte-americano aparece em vídeos da produtora: a primeira foi em 2018, quando saiu pelas ruas da capital francesa cantando e tocando enquanto fumava um cigarro, e depois em 2020, quando, devido à pandemia, fez uma live no canal do Blothèque. Assista abaixo:  

Bill Viola (1951-2024)

“A câmera de vídeo deu algo que a caneta, o lápis e o papel ou o pincel e a tela não deram: a habilidade de olhar para o mundo real com o olho aberto e gravar os eventos enquanto eles iam acontecendo – e esse tipo de conexão direta com a vida me libertou demais”, disse o recém-falecido artista norte-americano Bill Viola, pioneiro da vídeo-arte que nos deixou nesta sexta-feira no programa do entrevistador Charlie Rose em 1995. Ele começou a experimentar com o vídeo como uma forma de expressão no final dos anos 70, anos depois de formar-se em artes na faculdade de Syracuse, nos EUA, uma das primeiras a tratar novas mídias como estudo artístico, e trabalhar com performance, música e arte contemporânea. Seu principal feito foi recriar uma experiência de quase morte que teve ainda quando criança na série de vídeos que batizou de The Reflecting Pool, que deu a tônica do resto de sua carreira, sempre misturando registros em vídeo com uma experiência quase espiiritual ou religiosa. Isso vinha de sua educação junto à igreja, o que fez com que obras do Renascimento fossem referências recorrentes em seu trabalho. Morreu depois de complicações devido a um Alzheimer, que começara a desenvolver há pouco tempo.

Smashing Pumpkins na Argentina?

Eita que Buenos Aires amanheceu cheia de lambe-lambes anunciando show dos Smashing Pumpkins pro próximo dia 5 de novembro. A banda não anunciou nada oficialmente nem nenhum produtor ou casa de shows local assumiu que está trazendo o grupo, mas é bem provável que semana que vem descubramos se Billy Corgan está vindo pro continente… Como o show está sendo anunciado como parte da turnê The World is a Vampire – dividia com artistas como Tom Morello, Weezer, Green Day, Rancid, Linda Lindas, Interpol e Weezer – resta saber se eles vêm sozinhos ou com mais algum outro artista de peso e, claro, se virão para o Brasil. A ver.

Nelson Brito (1960-2024)

Fundador de uma das principais bandas de hard rock do Brasil, o baixista Nelson Brito faleceu nesta sexta-feira. Único remanescente da formação original, Nelson carregava a banda paulistana que, apesar de criada nos anos 80, pouco tinha a ver com os grupos de sua geração e tentava seguir a tradição de outros grupos de São Paulo da década anterior, como Casa das Máquinas, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Tutti Frutti, Sindicato e Terreno Baldio, e teve seus primeiros discos lançados pela clássica gravadora independente Baratos Afins. O grupo manteve a mesma formação até a virada do século, quando seu clássico vocalista Catalau deixou a banda. Dez anos depois foi a vez do baterista Paulo Zinner sair do grupo, que só foi encerrar as atividades quando outro de seus fundadores, o guitarrista Helcio Aguirra, faleceu. Brito retomou a banda em 2016 e seguia como motor do grupo, que gravou apenas dois discos desde então, mas seguia fazendo shows. O baixista, no entanto, foi internado às pressas após descobrir que tinha um tumor no intestino no início do mês passado e não resistiu à doença, falecendo nesta sexta-feira, um dia após seu aniversário.

Força e leveza

Começamos as comemorações de um ano de Inferninho Trabalho Sujo nesta sexta-feira ao reunir duas jovens deusas do rock que estão começando a mostrar seus trabalhos e colocar as garras de fora. A carioca Janine apresentou-se pela primeira vez fora de sua cidade com um convidado na segunda guitarra Marco Antônio Benvegnú, o homem por trás do codinome Irmão Victor, e mostrou que sensibilidade e peso podem caminhar lado a lado e mesmo que sua aparência frágil parecesse indicar ao contrário. Além de Marco, ela contava com sua banda habitual (Bauer Marín no baixo e Arthur Xavier na bateria) e alternava seus vocais entre um microfone e um gancho de telefone, que distorcia sua voz, fazendo uma apresentação concisa e na mosca.

Depois de Janine foi a vez de Luiza Pereira (ex-vocalista da banda Inky) mostrar toda a força de seu novo projeto solo, Madre. Formando um trio ao lado da baixista Theo Charbel e do baterista Gentil Nascimento, ela aumentou consideravelmente o volume e transformou seu trio em uma usina noise que ia pro extremo oposto da leveza de sua voz, rugindo eletricidade como se sempre tivesse feito isso da vida. E só quando passou da meia-noite – e quando comecei mais uma pista daquelas com a comadre Francesca Ribeiro – que alguém veio me cumprimentar pela escolha de duas bandas pouco convencionais para comemorar o dia do rock – e eu nem me lembrava que tinha isso! Mas quando o assunto é comemoração, aguarde que a próxima edição do Inferninho, dia 25, será épica e histórica! Aguarde e confie.

Assista abaixo: