
Três anos depois de ter burilado seus primeiros trabalho solo na temporada que fez no Centro da Terra, o boogarinho Dinho Almeida oficializa sua carreira solo paralela a de seu grupo numa turnê de sete datas que começa nesta quinta-feira ao lado de Ottopapi (veja as datas abaixo). E para celebrar o marco, transforma cinco registros da emocionante temporada Águas Turvas (realizada em setembro de 2023, quem foi sabe), feitos pelo sagaz casseteiro Danilo “Várias Fitas” Sansão, e um improviso caseiro feito dois anos depois em seu primeiro lançamento, batizado de Dias Fora Almeida. O disco já chegou pra quem assina a newsletter dos Boogarins e sai pelo Precarian Takes, selo do comparsa de banda Benke Ferraz, que disponibilizou duas faixas. Dá pra sacar mais sobre o disco, incluindo ver o zine que ele vai distribuir na tour, no site dinhoalmeida.com. Dá pra ouvir abaixo: Continue

João Donato ganha um tributo à altura de sua importância no segundo semestre, quando o Selo Sesc lança disco Viva Donato, gravado no ano passado, que inclui um elenco formidável que reúne velhos parceiros e novos comparsas do mestre que nos deixou há três anos, que inclui nomes como Djavan, Dora Morelenbaum, Dori Caymmi, Fafá de Belém, Fernanda Abreu, Gilberto Gil, Ivan Lins, João Bosco, Joyce Moreno, Marcos Valle, Margareth Menezes, Mônica Salmaso, entre outros. Ainda sem data definida para seu lançamento, o disco começa a mostrar suas intenções a partir desta sexta-feira, quando ouvimos seu primeiro single, quando Bebel Gilberto mostra sua versão para “Nua Ideia”, que Gal Costa lançou no álbum Plural (de 1990). O disco-tributo ainda traz duas faixas inéditas: uma parceria com Joyce (Aquela Delícia Singela”) e outra com Marcos Valle (“Vamos Combinar”).

Kevin Parker torna público seu amor pelos Smashing Pumpkins ao liderar com sua banda Tame Impala o elenco de artistas que fazem tributo à banda de Billy Corgan no disco Sending Hearts To All My Dearies – A Tribute To The Smashing Pumpkins, que será lançado pela gravadora norte-americana Sumerian Records no dia 14 de agosto (e já está em pré-venda). O grupo australiano relê “Hummer”, do clássico Siamese Dream, e infelizmente é mais uma prova de que a fase atual do grupo de Parker não é das mais inspiradas – tanto que a segunda parte do single soa melhor do que a primeira, que perde a força da música original. Não ajuda muito o fato do Tame Impala ser a única banda de peso da compilação, que ainda conta com versões feitas por grupos menores como Alice Glass, Nita Strauss, Yonaka, Des Rocs, Meg Myers, Between The Buried and Me, The Midnight, Palaye Royale e Starbenders (além da capa do tributo ser medonha). Mas se a coletânea seguir o caminho da versão do Tame Impala, tá no lucro – pois não muda a vida ninguém, mas vale a audição. Confira abaixo esta versão e que artista toca o que neste disco: Continue

Neste domingo, Isabella Rosselini apresentou a exibição da restauração em 4K do clássico de David Lynch Coração Selvagem, que foi exibido ao ar livre na Piazza Maggiore, em Bolonha, na Itália. Olha essas imagens abaixo (que a própria Isabella republicou em seu Instagram): Continue

“Não é uma banda sobre lucro, mas uma banda sobre socialismo!”, assim Damon Albarn, reforçando o aspecto coletivo da banda virtual Gorillaz, encerrou a gigantesca primeira aparição do grupo num estádio para um show único, quando reuniu um elenco estelar para uma festa gigantesca à altura da quantidade de ícones da música no palco – do ex-Clash Paul Simonon ao ex-Smiths Johnny Marr, passando pelo De La Soul, Little Simz, Anoushka Shankar, Yasiin Bey, Shaun Rider, Omar Souleyman, Sparks e tantos outros no estádio de Tottenham, na capital britânica neste sábado. Além da magnitude do elenco, do espaço e do repertório -, pois visitaram todos os álbuns da já decana banda virtual -, a apresentação elevou ainda mais o tamanho dos personagens criados por Damon Albarn e Jamie Hewlett, protagonistas fictícios mais reais do que nunca. Resta saber se encaram uma turnê global nesta escala. Veja os vídeos abaixo:
Assista abaixo: Continue

O 80º aniversário de Syd Barrett, papa da psicodelia britânica e fundador do Pink Floyd, aconteceu em janeiro deste ano, mas só agora, em setembro, que começarão as comemorações para marcar as oito décadas de delírio artístico de um gênio que segue tão influente como quando começou. A principal celebração acontece em sua cidade-natal, Cambridge, na Inglaterra, quando a casa de shows Cambridge Corn Exchange, onde Syd fez sua última apresentação ao vivo, em fevereiro de 1972, torna–se sede para um A Celebration to Syd Barrett, que reúne shows das bandas Kula Shaker, Soft Machine, Men on the Border, Diana Silveira & The Psychedelic Circus, Radhika e Pünk Floyd – além de surpresas que vão ser anunciadas em breve – no dia 10 de outubro (e os ingressos já estão à venda). No dia anterior será lançada a coletânea Clowns And Jugglers: The Songs Of Syd Barrett, que reúne gravações de artistas diferentes em épocas diferentes, como músicas gravadas pelo David Gilmour com David Bowie no vocais, Love, Robyn Hitchcock com John Paul Jones, Mystery Jets, todas bandas que irão tocar no show tributo e o grupo brasileiro Violeta de Outono. E ainda está sendo programada uma exposição sobre o artista no Cambridge Openspace, em que mais uma vez suas pinturas e desenhos serão exibidos para o público. Veja o pôster da celebração, a capa da coletânea e o nome das músicas abaixo:: Continue

O Inferninho Trabalho Sujo desta sexta-feira começou mais tarde do que o normal porque assistimos ao jogo do Brasil na Copa do Mundo e só depois da vitória sobre a seleção do Haiti, quase meia-noite, que começamos nossos trabalhos, primeiro com a surpreendente Outra Banda no Fim do Mundo. O grupo liderado por Otávio Malta na guitarra e vocal conta com dois integrantes da banda Orfeu Menino – o baterista Tommy Coelho, que assume a guitarra solo na Outra Banda e o baixista João Chão -, mas a sonoridade passa longe do groove da banda liderada por Luíza Villa. Malta conduz seu grupo, que ainda conta com Méqui Lovin na bateria, para a seara do rock duro, quando o hard rock encontra o rock progressivo sem que necessariamente soe nu metal – na verdade, não há um traço de sentimento em suas canções, soando essencialmente racional e direto. O vocal assertivo e as letras sem arestas de Otávio levam a banda para um território habitado por bandas tão diferentes quanto Rush, Primus e Audioslave, sem que soe derivativo ou nostálgico. Vale salientar como o baixista virtuose João Chão quase transforma seu instrumento na terceira guitarra do grupo, sem precisar segurar a base e fazendo solos no meio das músicas. Showzão.
Depois foi a vez da Café Preto Sem Açúcar subir o palco e deixar seu amálgama de MPB dramática e rock burlesco tomar conta da Porta Maldita. A performática vocalista Clarice “Kaiá” Garcia toma conta da apresentação e além do vocal divide-se entre a escaleta, a gaita e percussões, sempre incitando o público e puxando todos os olhos para si, enquanto o resto da banda – formada por João na guitarra, Xablau no baixo, Pedroso nos teclados e Abaporu na bateria – a acompanha por vezes discreta, por vezes intensa. A natureza circense da banda foi coroada no bis, quando eles encerraram sua apresentação tocando o tema do Castelo Rá-Tim-Bum da TV Cultura.
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Você já sabe onde vai assistir ao próximo jogo do Brasil na Copa? Eu e Arthur estaremos esperando vocês ali na Porta Maldita quando faremos mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo, desta vez com as bandas Outra Banda no Fim do Mundo e Café Preto Sem Açúcar. A casa abre a partir das 20h, a transmissão do jogo começa às 21h30, as bandas tocam logo depois que o jogo acabar e eu sigo discotecando madrugada afora. Os ingressos já estão à venda, vamos lá?

É claro que a turnê de despedida de Gilberto Gil dos grandes palcos iria virar disco ao vivo – é uma tradição em sua carreira fonográfica mostrar como seus álbuns se transformam em shows e como voltam como discos ao vivo logo em seguida. Mas ninguém esperava que a histórica turnê, que aconteceu entre os dias 15 de março de 2025 e 28 de março de 2026, virasse um disco quádruplo, que começa a ser revelado ao público a partir da próxima sexta-feira, quando Gil completa 84 anos. As outras três partes serão lançadas aos poucos até novembro, quando os quatro volumes se transformam em uma caixa quádrupla de discos de vinil lançada pelo selo Três Selos Rocinante. O primeiro volume traz exatamente a primeira safra de músicas do show, só que em gravações em locais diferentes – e esta primeira parte da noite, ao contrário das seguintes, não contavam com participações especiais no palco, que devem começar a aparecer em disco a partir do volume 2, que ainda não tem data definida. Veja o repertório do primeiro volume abaixo: Continue

Mais uma noite daquelas no Sesc Pompeia, quando tanto a programação do teatro e da comedoria são eventos maiúsculos. E se o teatro via a consagração solo do baiano Giovani Cidreira, a comedoria assistia à provocação ampla e intensa do coletivo Nigéria Futebol Clube, mostrando que não é à toa que é uma das principais novas da cidade. Com a plateia lotada (tanto quantitativamente quanto em termos de quem-é-quem na cena indie paulistana), o grupo transformou sua apresentação em uma performance para além dos gêneros musicais, começando com a agressividade pós-punk que caracteriza sua primeira fase, com direito ao baterista Raphael “PH” Conceição saindo de seu instrumento para tocar em frente ao público, enquanto o guitarrista Rodrigo Silva e o baixista Eduardo Lengui não deixavam ninguém parado – público fazendo roda de pogo inclusive nos momentos mais tranquilos da apresentação. Depois entraram em sua nova fase, que estão batizando de “ambient jazz” (talvez título de um futuro álbum), quando receberam o guitarrista do D’Artagnan Não Mora Mais Aqui Derick Barbosa assumindo o trompete e a flautista e vocalista Satiê em um transe psicodélico e depois receber a MC Juh Cruz para fechar a noite em grande estilo. Se nada atrapalhar este percurso em ascensão, o Nigéria voa longe.
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