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Loki

O rapper Busta Rhymes está preparando terreno para seu próximo disco, Dillagence 2, programado para sair ainda este mês, e como o título entrega, é um álbum composto apenas por bases feitas pelo saudoso J Dilla, velho compadre do rapper norte-americano que faleceu em 2006 e deixou o MC com mais 300 bases para ele fazer o que quiser. Um ano após sua morte, Busta reuniu camaradas de peso como Q-Tip, Talib Kweli, Raekwon, entre outros, para rimar sobre algumas dessas bases e agora ele repete a dose, com a continuação daquela primeira mixtape. E a surpresa pra gente é descobrir que a base do novo single, “Talk Ya Shit”, lançado na semana passada, é o inconfundível violão de Gilberto Gil na abertura da faixa-título da obra-prima Expresso 2222. É notória a paixão de Dilla pela música brasileira e o novo single ainda tem outro trunfo: ao convidar o mano Lil Wayne para participar da faixa, ele coloca o MC pela primeira vez na lista de quem rimou sobre bases de Dilla, o que não é pouca coisa.

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No final do ano passado, o geese Cameron Winter apresentou-se no Carnegie Hall, clássica casa de shows em Nova York, nos EUA, somente ao piano, num show que foi inclusive filmado por Paul Thomas Anderson. Eis que esta apresentação será lançada como disco ao vivo ainda este ano, no dia 9 de outubro. O disco Live At Carnegie Hall já está em pré-venda traz faixas do primeiro disco solo de Cameron (Heavy Metal) e três inéditas, “It All Fell in the River”, “Emperor XIII in Shades” e “If You Turn Back Now”. Veja a capa e a relação das músicas abaixo: Continue

Mais uma vez a dupla Qmar volta ao Centro da Terra, desta vez apresentando o espetáculo Espírito Espião, que fazem em parceria com a musicista e compositora Juliana Perdigão. Formada por Paula Rebellato (Rakta, Madrugada) e Cacá Amaral (Rumbo Reverso, ex-Firefriend), a dupla trabalha texturas eletrônicas e arquitetura rítmica, expandindo o universo da canção rumo ao improviso. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Juliana Perdigão se propôs um senhor desafio – recriar o Cabeça Dinossauro dos Titãs em seu aniversário de 40 anos, materializado neste fim de semana no palco do Sesc 14 Bis. Reuniu um grupo de malucos pela música e pelo trabalho do ex-octeto paulistano que era um verdadeiro ataque aos sentidos. A banda formada por Alana Ananias (bateria), Mari Crestani (baixo), Moita Mattos e Vitor Wutzki (guitarras), Chicão (teclados) e Barulhista (eletrônicos) era encabeçada por Danislau (do Porcas Borboletas), Jonnata Doll, Sophia Chablau e a própria Juliana, que além dos vocais e de dirigir o show, batizado de Urro!, também desdobrava-se entre seus instrumentos de sopro. Tocada na ordem original do disco (como todo show em homenagem a um álbum deveria se prezar), a apresentação começou com a faixa-título abrindo a noite com um solo de bateria, que foi sendo incorporado lentamente pela banda até que os vocalistas entraram com os pedestais dos microfones erguidos como tacapes, repetindo o mantra agressivo da música de abertura que, sem pausas, foi emendada com a dadaísta “AA-UU”. Sem conversas com o público, o show seguiu emendando as músicas do disco, mantendo o clima austero e brutal e o recondicionando para 2026, com interferências de vanguarda que os Titãs não fizeram em 1986, mas que faziam parte de seu universo sonoro e artístico, como os solos de sola de sapato de Jonnata Doll antes de uma versão esticada para “A Face do Destruidor”, as interferências sonoras de Barulhista no início de “Polícia” ou “Família” deixar de ser um reggae. A movimentação do grupo no palco conversava diretamente com a performance da banda na época do disco (I was there…) e a luz forte de Olívia Munhoz – com o vermelho mais pesado que já vi num palco e o contraponto de cores intensas – inverteu o preto e branco da arte do disco para um universo visual gritante, que só aumentou a importância desta noite. E num Brasil em que ninguém lembra de “Bichos Escrotos” (não é bizarro isso?), esse show é urgente.

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O decano Neil Young anuncia mais um disco com sua atual banda Chrome Hearts e começa os trabalhos com a melancólica faixa-título de Second Song, um lamento de quase doze minutos que vem como um respiro que o velho canadense faz de sua campanha anti-Trump, da qual tornou-se adversário ferrenho. É o terceiro disco que lança à frente deste novo conjunto, depois do disco de estreia (Talking to the Trees, do ano passado) e de um disco ao vivo (As Time Explodes, lançado no início do ano) e deixa a eletricidade vivaz característica das composições mais recentes para abrir aquele seu clássico cômodo mental em que a introspecção, instrumentos acústicos e vocais sobrepostos tornam-se uma só sensação. Que beleza.

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Um encontro entre duas das grandes forças da música contemporânea dos Estados Unidos foi registrado há dezoito meses mas só agora começa a vir a público, quando a cantora e compositora Erykah Badu e o produtor e rapper The Alchemist anunciam finalmente o lançamento da colaboração que gravaram há mais de ano entre as suas respectivas cidades, Dallas e Los Angeles. Ainda sem título, o disco (já em pré-venda) deve sair no fim deste mês e teve uma de suas faixas (sintomaticamente batizada de “Witch Doctor”) disponibilizada há pouco, dando um gostinho da fusão das magias destes dois monstros sagrados.

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Vandal pesado!

Outro disco inacreditável que saiu nesta semana é o quarto álbum do rapper baiano Vandal. Ou primeiro, já que ele mesmo chama seus discos anteriores de mixtape e transforma seu novo Vanguardah em um monumento à fusão de música urbana que vem praticando na última década. Dirigido por Russo Passapusso e produzido por Tiago Simões, o novo disco funde suas habilidades como MC – o baiano é pioneiro do grime e do drill, variantes radicais e pesadas do rap – com grooves de rua baianos, como o samba-reggae e o pagodão baiano, além de envernizar o disco com a presença do maestro Ubiratan Marques e sua Orquestra Afrosinfônica, primeiro astro de um time estelar de colaboradores no álbum, que vai do próprio Russo a Josyara, passando por Livia Nery, Giovani Cidreira, Hiran e KL Jay, entre outros (além dessa capa absurda!). E já desponta como um dos grandes discos brasileiros de 2026. Ouça agora.

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A colaboração entre os B-52’s e David Byrne parecia ser uma combinação dos sonhos em 1981, quando o líder dos Talking Heads foi incumbido de produzir o terceiro disco da banda new wave, que estava em ascensão. Mas na prática, o que poderia ser um disco memorável acabou resultando num trabalho apressado, reduzido a um EP batizado Mesopotamia com apenas seis faixas, lançado no início de 1982. A gravadora Rhino resolveu contar a história por trás deste disco e lança na semana que vem a caixa com 3 CDs e um LP chamada Ancient Culture: Mesopotamia, que desenterra faixas que não entraram no disco (como “Big Bird”, “Adios Desconocida” e “Queen Of Las Vegas”), apresenta uma nova mixagem para o disco original, traz novos remixes e a gravação de um show no Roseland Ballroom de Nova York no dia 19 de abril de 1982, batizado de Meso-America. Veja a relação das faixas abaixo: Continue

A Tubo de Ensaio soube realmente como aproveitar a enorme tela de cinema sobre suas cabeças no show que fizeram nesta quinta-feira no Cine Belas Artes dentro de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que venho fazendo no local. Ao convidar o videocientista Gibaa para tomar conta da parte visual da noite, aproveitou o apreço deste por televisores decanos para criar o espetáculo TV de Tubo, em que estes aparelhos funcionavam como decoração e acessórios à tela principal, que ele manipulava imagens do grupo feitas simultaneamente como aquele efeito VHS vintage. Mas mais do que voltar no passado, Gibaa acertou ao experimentar abstrações visuais retrô que caíram feito uma luva com a progressão hipnótica de canções que o grupo escolheu para fazer na apresentação, deixando músicas mais intensas e pesadas do repertório de fora para garantir um transe lento que aos poucos foi comendo os cérebros dos presentes, boquiabertos e transfixados, quase sem pegar o celular para registrar o que estavam vendo. Um passo importante que o grupo de prog psicodélico eletrônico dá em sua carreira, preparando terreno para o sucessor de seu disco de estreia lançado no ano passado, Endofloema. Quase não mostraram músicas novas, mas mostraram o clima que querem conduzir seu público – uma delirante escada espiral que desce ao mesmo tempo que parece subir. Música surrealista.

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Nesta quinta-feira temos mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta no Cine Belas Artes com a banda Tubo de Ensaio mostrando o espetáculo TV de Tubo que conceberam para fazer no próprio cinema! A apresentação começa às 20h30 e os ingressos estão quase acabando, corre que ainda dá pra garantir lugar nesse showzaço que eles vão fazer – aquele momento em que o rock progressivo, o rock psicodélico e a música eletrônica encontram-se com a sétima arte, com visuais a cargo do Giba. Dá pra comprar na hora, na bilheteria, mas corre o risco de não ter mais, por isso corre!