
Um quarto de século depois do lançamento oficial de sua coletânea de lados B, os Pixies anunciam a versão a primeira em vinil deste mesmo disco como parte comemorativa de seus 40 anos, completos neste 2026. São 19 faixas que surgiram como extras de compactos que eles lançaram em sua fase clássica, entre 1988 e 1991, quando a banda encerrou suas atividades pela primeira vez. E não são músicas menores, há pérolas imortais da banda neste conjunto, como a versão UK Surf para “Wave of Mutilation”, uma versão ao vivo para “In Heaven”, a maravilhosa versão que fizeram para “Winterlong” de Neil Young e a perfeita “Into the White”, com vocais de Kim Deal, entre outras. Complete B Sides: 1988-97 já está em pré-venda e chega ao público no final do próximo mês, e inclui também outros lados B lançados após o fim da banda, como o maxi-EP Alec Eiffel (lançado em 1992) e a demo de “Debaser” (lançada em 1997).

Mal acabou de fazer seus primeiros dois shows solo nos Estados Unidos e o beastie boy Mike D mostra disposição para ir além de seu próprio território ao anunciar sua primeira turnê europeia já no mês que vem, passando pela Inglaterra, Alemanha, Portugal, Espanha, França e Bélgica. Mais um pouquinho e ele cola por aqui. Alô Primavera São Paulo, como é aquele papo de “e mais…” no final do vídeo de anúncio do elenco da edição deste ano publicado nesta segunda? Alô Mike D, please come to Brasil!
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“Esse sentimento de que o mundo tá indo pro buraco”, a sensação de desesperança transmitida pela segunda apresentação da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. está fazendo no Centro da Terra poderia ser resumido a um questionamento ainda maior, posto logo já no primeiro movimento, quando o próprio Crizin arrematava: “Será que nesse buraco cabe o mundo?”. Recebendo a dupla Deafkids nesta segunda-feira, mais uma vez o grupo de funk apocalíptico transformou o palco do teatro em um alarme estridente sobre o fim do mundo iminente que toma conta do nosso dia-a-dia. Como na primeira apresentação da temporada (quando o grupo apresentou-se ao lado de Kiko Dinucci), esta nova noite viu o casamento das duas guitarras presentes criar uma parede de microfonia grossa que espremia o público contra a parede mental dos próprios cérebros, mas como tanto Douglas Leal quanto Mariano Sarine desdobram-se na percussão (elemento também crucial para o grupo do Rio de Janeiro), esta névoa elétrica sempre vinha aterrada de atabaques e tambores prontos para deixar todos em alerta. Pesado e aterrador como sempre, mas sem perder a seriedade ou o senso de emergência.
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“You don’t know me…” desafia Caetano Veloso logo ao início de seu segundo disco gravado em Londres em 1972, o mitológico Transa, que agora vai virar documentário produzido por Paula Lavigne e dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, como foi antecipado ao jornal O Globo. Os dois já dirigiram juntos outros dois capítulos diferentes da história do baiano, em dois documentários: Uma Noite em 67 (de 2010), em que dissecam o clássico festival da canção que revelou a geração-base que se tornou o que até hoje chamamos MPB, e Narciso em Férias (de 2020, também produzido por Paula), que conta o período em que o baiano foi preso, torturado e exilado do Brasil durante a ditadura militar. Agora os dois se debruçam sobre as sete músicas do disco como fios condutores para o período em que Caetano foi forçado a fugir para Londres, na Inglaterra, quando gravou dois discos, o primeiro homônimo em 1971 e Transa no ano seguinte, quando compôs o disco com uma banda formada por Jards Macalé, Moacyr Albuquerque, Áureo de Souza e Tutty Moreno, além de participações de Gal Costa e Angela Ro Ro. Não há previsão de lançamento por enquanto.

Saiu a escalação do Primavera deste ano e… tá boa, mas você não tá com a impressão que tem nomes faltando? Gorillaz e Strokes são ótimos headliners, mas dá a impressão de estar faltando um ou outro nome com o peso semelhante (havia boatos sobre Depeche Mode e Tame Impala e expectativa por My Bloody Valentine ou Geese, por exemplo) e talvez alguns nomes brasileiros a mais. FKA Twigs, Lily Allen, Courtney Barnett, Underscores e Yung Lean estão em momentos ótimos de suas carreiras, mas não são grandes o suficiente pra trazer muita gente. Mas fora essa sensação, ao reunir nomes como Ana Frango Elétrico, Juana Molina, Smerz, Duquesa, Gaby Amarantos, Los Thuthanaka, Black Pantera, Gab Ferreira, Zé Ibarra, Josyara e John Talabot, mostra que o festival não tá pra brincadeira e puxa mais pra primeira edição paulistana (que acertou gigante ao anunciar um ótimo elenco contemporâneo em vários dias) do que pra segunda (que pareceu ter sido dedicada à geração X). Mas como eles mesmos eles mesmos disseram no vídeo da escalação que há novos nomes a serem anunciados, fico à espera de alguma surpresa… Imagina se viesse PinkPantheress, LCD Soundsystem, Clairo, King Gizzard ou The Marias…

Não é um enorme DJ labubu e sim a Björk transformando a abertura da Bienal de Veneza, na Itália, em sua rave particular neste sábado, ao discotecar usando uma roupa feita de fibra de vidro reciclada. E ela não deixa barato, veja abaixo: Continue

Fernando Catatau inaugurou a nova fase do Cidadão Instigado neste fim de semana em São Paulo, quando tocou o recém-lançado disco homônimo em duas datas no Sesc Pompeia. Como pude ver a estreia desse show na cidade-natal do guitarrista há exatas duas semanas é inevitável comparar os shows e notar como a apresentação paulistana foi mais tensa que a cearense – sem que isso comprometesse a performance. Enquanto em Fortaleza o público conterrâneo cantava inclusive as músicas novas, deixando todos – fãs e artistas – completamente entrosados e animados, em São Paulo havia uma tensão natural do público paulistano que queria ver o que era aquele novo Cidadão Instigado ao vivo com certaa desconfiança. E foi sintomático que ele começasse em São Paulo com a faixa que parece simbolizar essa mudança de fase, única gravada com os integrantes da formação e que mais se assemelha à sonoridade rock que associamos ao grupo – e que não foi tocada em Fortaleza. “Tudo Vai Ser Diferente” trouxe Catatau de blazer e óculos escuros para abrir o show e, como no Ceará, optou por uma dose cavalar do novo disco logo de saída, mas o público de São Paulo ainda está assimilando as novas canções e formato do show, que traz uma banda que une diferentes fases da carreira de Fernando, com Dustan Gallas e Clayton Martins representando a antiga encarnação do grupo, Samuel Fraga tocando a bateria eletrônica que também tocava nos shows solo de Catatau e Anna Vis e Rubi Assumpção como novas integrantes do Cidadão. E, como no show de Fortaleza, é Rubi quem faz a primeira conexão do passado com o futuro do grupo ao rimar na segunda parte do clássico dance-prog “Os Urubus Só Pensam em Te Comer”. Recomeçando duas músicas em dois momentos distintos, Catatau foi ficando mais tranquilo à medida em que o show progredia, ainda mais quando entregou-se aos seus clássicos e à sua guitarra – e além das que tocou em Fortal, o show de sexta-feira contou com “Doido” e “Homem Velho”, tornando a apresentação ainda mais ampla que a anterior. Showzaço.
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Conversei com o Seu Jorge sobre seu novo álbum, The Other Side, que fez em Los Angeles com Mario Caldato há mais de quinze anos e que só agora vê a luz do dia. Um disco que evoca a MPB clássica de Tom Jobim, Arthur Verocai e Milton Nascimento com participações de Maria Rita, Marisa Monte, Zap Mama e Beck. Leia a íntegra da matéria que fiz para o Toca UOL e veja um trecho da entrevista em vídeo que fiz com o carioca: Continue

“Rock Music”, que Charli XCX lançou quase de surpresa nesta sexta-feira, é um pé na porta que marca o possível anúncio de um novo álbum, mas que também segue um crescendo em sua carreira que vem desde antes da pandemia, seu Brat sendo o momento (daí o título do filme que lançou em seguida do disco de 2024) ápice deste movimento que seguiu inclusive incluindo sua fase cinematográfica. E apesar do título e da entrevista pra British Vogue em que ela parecia negar a pista de dança em detrimento do rock (com a frase “I think the dance floor is dead, so now we’re making rock music” sendo o refrão do single ainda não lançado dito como frase de efeito), o single e o clipe – curtos com meros dois minutos de duração – parecem continuar o projeto-objeto que é sua discografia. Não é uma negação nem uma continuação de Brat (nem negação ou mero pastiche de rock), mas um aceno a outra parte de seu universo sonoro – e, sim, com timbres de guitarra, culto ao excesso e a mesma pulsação 24 horas que ironizava em The Moment, agora aparentemente sem ironia. Ou como não ser irônico enfiando um maço de cigarros na boca ao mesmo tempo e acendendo todos de uma vez? “Eu realmente estou batendo a minha cabeça”: Ela ri de si mesmo, ri da gente e de todo o sistema (da sociedade de entretenimento, ao culto a celebridades, de Hollywood ao panteão do rock clássico até, em última instância, ao ultracapitalismo e a máquina de pifar sanidade das redes sociais) enquanto nos convida para uma nova fase. Vamos lá, Charli…
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O eterno beastie boy esquentou as turbinas com os filhos num show no mês passado, anunciou shows para esse mês e nesta sexta-feira lança o primeiro trabalho de um beastie boy solo depois do fim da banda, que aconteceu com a morte do saudoso Adam Yauch em 2012. E “Switch Up” é melhor do que você poderia imaginar…
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