
E a promessa vai se concretizando – e à medida em que Chazwick Bundick vai se distanciando do quarto e do computador, rumo a um funk que ao mesmo tempo é marrento feito os anos 70 (deixando os timbres dos anos 80 apenas como acessórios, não protagonista) sem perder o minimalismo eletrônico que agora o aproxima do electro que surgiu na era de ouro do hip hop. Seu terceiro disco é de 2013, mas a faixa de aperitivo que nos foi oferecida em 2012 já serviu pra mostrar como ele cumprirá as expectativas – com outra abordagem para o conceito de groove transcendental.

“Pés não falhem agora” – eis o primeiro salto, o momento em que Lana Del Rey, agora com contrato, turnê e cachês, resolve ampliar seu espectro e deixar de ser a Jessica Rabbit do YouTube. Para isso, ela começou 2012 com a faixa que batizava seu disco de estréia, dando, a partir do título, operático e dramático, a noção da amplitude que gostaria de percorrer por 2012 e além, numa música existencialista e dramática, trágica e cética – o clipe superpõe um mundano acidente de carro a um trono cercado por tigres e funciona como um trampolim para Lana ir ainda mais longe.

Começamos muito bem o ano no Alberta, com a Camila, do Copacabana Club, me ajudando a temperar bem a primeira Noite Trabalho Sujo de 2013 – dá pra ter uma idéia pelas fotos da Bárbara, logo abaixo. E nessa sexta eu vou comemorar meu aniversário com o Camilo Rocha, hein! Vai ser histórico!

Soulzinho setentista via Electric Light Orchestra, o groove manhoso do Breakbot volta a aliar-se com o vocal em falsete do Irfane – dupla que já tinha cometido a melhor música de 2010, com a irresistível “Baby I’m Yours“. A nova parceria não chega tão alto, mas faria a vida das pessoas melhores caso tocasse no rádio.

A calibrada que o paulistano Pedro Zopelar dá na bruta “Sun”, que o Caribou fez em 2011, a leva para o terreno do free jazz e da funk music, sem perder o ar etéreo graças a seu vocal evasivo. Uma versão incrível.

Um quartinho de psicodelia californiana com uma dose de belle époque à americana: o transe preguiçoso de “American Daydream” parece uma versão hollywoodiana daquilo que conhecemos por hipster, coberto por inconfundível uma capa de glitter de Los Angeles. Relax…

Qualquer música nova de David Bowie já seria motivo de atenção em qualquer época, mas vivemos uma década em que Bowie raramente apareceu ao vivo e, pior, à sombra do rumor de que o homem chamado estilo estaria com o pé na cova. Felizmente, no dia de seu aniversário, ele manda boas notícias – além da música nova, a insípida “Where Are We Now?”, ele lançou novo site e anuncia disco novo (The Next Day) para março.
A música não é grande coisa, mas quem se importa… É o Bowie de novo.
O “Calor do Amor” foi a segunda música lançada pela carioca ainda no início de 2012 e acertava ainda mais em cheio no cruzamento dos anos 80 com timbres eletrônicos – passeando por uma Ipanema frequentada pela Marina (antes de ser Marina Lima e perder a voz), Rita Lee pré-Rock in Rio e Júlio Barroso, numa noite quente de verão.
A forma como o segundo disco do Tame Impala foi lançado no segundo semestre de 2012 vai de encontro a todo papo em relação à forma como as pessoas consomem música na era digital – há muita gente disposta a ouvir um álbum inteiro sim, mas ele tem que ser justificado ao menos em termos de qualidade. E o contagotas em câmera lenta que, em três semanas, viu a aparição de “Apocalypse Dreams” seguida desta pesada “Elephant“, o nome do disco, a capa e a ordem das faixas até o vazamento definitivo de Lonerism (com direito a shows no Brasil com músicas novas no meio do caminho), serviu como aquecimento perfeito para um dos melhores discos do ano passado. “Elephant”, truculenta, orgulhosa, repetitiva, funcionava como o antídoto à alta viagem de “Apocalypse Dream”, trazendo a psicodelia de volta à terra, à vida real, às ruas.
Não há como não admirar a redescoberta da música africana que vem acontecendo no centro da música paulistana atual, reunindo talentos e novas celebridades ao redor da pluralidade polirrítmica e da harmonia tranversal da musicalidade do continente negro. É graças a esse não tão súbito interesse por diferentes aspectos de uma arte continental que personalidades como Kiko Dinucci (um dos maiores guitarristas do Brasil atualmente), Thiago França, Marcelo Cabral, Samba Sam e Wellington Moreira podem se encontrar em um projeto como o Sambanzo, nome que batiza o grupo (e que grupo!) liderado pelo sax endiabrado de Thiago. Mas “Capadócia” tem algo que transcende a Etiópia que dá nome ao álbum, o continente e vai encontrar parentesco na new wave dos Talking Heads, justamente em seu período caribenho, entre Fear of Music e o clássico show em Roma, em 1980. Culpa de Kiko, indie em pele de tribalista, que sabe muito bem o ponto em que o pós-punk converge com todo tipo de ritmo. E a cozinha, cubista e espacial, acompanha tudo de perto, escolhendo pontualmente os silêncios da faixa. Um clássico instantâneo.


