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Loki

curumin

Em seu terceiro disco, Arrocha, Curumin finalmente chegou ao equilíbrio perfeito entre Jorge Ben e Stevie Wonder, santo graal que persegue desde o primeiro disco. “Selvage” é só um dos muitos exemplos bem sucedidos nesse último disco, mas destaca-se por sua concisão lírica e rítmica. Vale assiti-la ao vivo na versão do programa Ensaio, abaixo, logo depois da versão para “Ela”, do Gil.

tennis

Eis um ótimo exemplo do poder do remix. Ao diminuir a velocidade do original, o grupo Vacationer deu um ar de grandeza inexistente na versão original da singela “Petition”, do casal-banda Tennis. A mudança sutil é suficiente para torná-la um dos gratos momentos de 2012.

supercordas

A faixa que abre seu mais recente disco também é o momento central de A Mágica Deriva dos Elefantes – é ela quem nos acondiciona a seu clima de mitologia internacionalista. O disco de 2012 dos Supercordas é repleto de paisagens de países estrangeiros de filmes antigos, cidades mineiras, os quatro elementos, dragões em disparada, lantejoulas, deuses de desenho animado, diários de viagens feitas em sonho, trilhos de trem, violas na selva, o rio São Francisco e o Taj Mahal, bairros orientais, monumentos dadaístas, a Califórnia e o Peloponeso. E é em “Mumbai” o primeiro momento em que a geografia de verdade encontra-se com a da imaginação (“Atlas aos Rifeus”, que verso!) e o cheiro dos incensos que batizam a faixa dão o tom que virá por todo o disco a seguir. A faixa peca apenas pelo abuso do theremin, que quase chega a incomodar – mas isso não atrapalha a jornada.

superchunk

Um dos heróis do underground americano, o Superchunk nunca terminou e continua vivo, em câmera lenta, sem lançar discos, e só fazendo shows, mesmo que não precise – só a grana que o Arcade Fire rendeu à Merge, gravadora da banda, daria para eles deixarem de pensar no grupo, o que felizmente não acontece. Mas basta o Superchunk começar a tocar, que a máquina do tempo mental volta para 1996 e o grupo faz parecer que aquele foi um ano mágico. A voz intacta de Mac McCaughan encaixa-se perfeitamente com as guitarras cinzentas filhotes do hardcore dos anos 80 e a cozinha pós-punk clássica (musa indie no baixo, baterista indomável é uma fórmula imbatível) e ao caminhar por melodias descaradamente pop, como sempre, tornam todos os timbres vivos e ensolarados, mesmo nas canções mais tristes. O que não é o caso de “This Summer” – primeiro single que o grupo lança em quase dois anos e sem nenhum indício de álbum à vista -, afinal a canção é apenas isso: uma saudação à estação do título, “tempo de esquecer”, cantam antes de convidar para “apagar este verão comigo”.

Renascido como Sexy Fi, o velho Nancy, de Brasília, contou com os préstimos do homem do Tortoise John McEntire para dar corpo a uma obra que já vinha amadurecendo desde o ótimo Chora Matisse, de 2009. No excelente Nunca Te Vi de Boa, passeiam por melodias mais palatáveis, que escorregam macias pelo vocal de Camila Zamith, mas sem tirar o pé do experimentalismo, com doses de noise conversando com timbres africanos, um certo jazz indie que uns dizem que é pós-rock e ritmos sincopados – sem perder a noção de que é apenas uma banda de Brasília, como reforçam em todo o imaginário do disco. “Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte” resume bem tudo isso (a partir do título, que traz o melhor momento de uma letra do Soundgarden para a realidade do Plano Piloto), ao cogitar que “ninguém é normal sem medicação”.

Vazou o Django

django-unchained

Interrompo a contagem regressiva das melhores músicas de 2012 para avisar que o filme novo do Tarantino já está circulando com boa qualidade online. No entanto, recomendo assisti-lo primeiro na telona…

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Era muito fácil Tulipa Ruiz cair numa armadilha feita por ela mesma em seu disco de estreia – o ótimo Efêmera – e repetir a inocência brejeira tribalista que a colocou no mapa da nova MPB. Felizmente, ela optou por um segundo passo mais maduro e o momento mais drástico desta mudança é o tour de force “Víbora”, em que explora suas qualidades dramáticas e teatrais em parceria com Criolo, à sombra, soturno e discreto, que sussurra no contraponto trágico de uma parceria quase ao final do disco.

2012 começou com aquela vibração oitentista que mistura verão e sintetizadores na mesma frase e essa marola retrô aumentou ainda mais com a presença de Marcela Vale – codinome Mahmundi – que leva o R&B carioca para a década do rock de bermudas, usando timbres eletrônicos quase 8-bit. Sua primeira aparição veio com “Desaguar”, gospel dance suave e manhoso em que o Redentor é, ao mesmo tempo, paisagem e literal.

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Com seu disco de 2012, Shields, a banda mais classuda do Brooklyn nova-iorquino segue sua curva ascendente rumo a uma obra-prima (ainda não chegou lá), que já vem apontando desde o álbum anterior, Veckatimest. “Yet Again” é a melhor amostra do nível de maturidade do Grizzly Bear em 2012.

AlabamaShakes

Difícil pinçar uma música só da estréia dos Alabama Shakes, daquelas bandas que fazem você esquecer em que época que você está porque as referências de tempo são inúteis. Presos até a cintura no lodaçal do rock hippie do final dos anos 60 e começo dos 70 embebedados por timbres curtidos na Stax, a banda ainda conta com o luxo de ter uma vocalista que é a encarnação da voz de Janis Joplin. Em “Hold On”, Brittany Howard flexiona toda sua amplitude vocal sem parecer exibicionismo e nos hipnotiza com a voz.