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Loki

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A palavra “supergrupo” quase sempre vem acoplada a textos sobre o Divine Fits pois seus integrantes vieram de bandas já estabelecidas – Britt Daniel é do Spoon, Dan Boeckner, do Wolf Parade e dos Handsome Furs e Sam Brown do New Bomb Turks. Mas o termo não é apropriado, pois nem suas bandas originais são grandes o suficiente para tachar o encontro de super nem propriamente eles reinventam seu som no novo conjunto – o Divine Fits soa mais como uma intersecção de projetos pessoais do que uma nova banda de fato. Isso não diminui o impacto de seu primeiro disco, que apresenta-se com a sonoridade mais cool no atual indie rock americano.

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Fazia tempo que a música brasileira não soava doce e natural ao mesmo tempo, principalmente numa voz de homem. O falsete de Curumin passeia bonito por uma melodia simples, mas arranjada com um cuidado específico que permite que vocal, teclados, bateria e violão mantenham o mesmo pulso tanto nos momentos mais cândidos quanto no breque que não faz média para colocar o dedo na cara do ouvinte. Não é o momento central do melhor disco nacional do ano (que fica entre “Afoxoque” e a sutileza de “Paris Vila Matilde”) e talvez por isso soe tão… livre.

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Mais que um trocadilho espertinho ou autor de uma versão sacada (“No Diggity“, lembra?), Chet Faker vem aos poucos mostrar que é mais que um nome passageiro na eletrônica dos novos anos 10 e com sua “Terms and Conditions” – concisa e desencanada – pede passagem.

xx-coexist

A expectativa em relação ao segundo disco do Xx pode ter estragado seu impacto – quando a bela “Angels” deu as caras pela primeira vez, já anunciada como a primeira faixa do novo disco, esperava-se um vôo ainda mais ousado que o do primeiro disco, levando as texturas dubstep que davam o tom da banda – junto com o R&B noventista e a dinâmica vocal indie – para um novo patamar. Coexist, no entanto, frustrou as melhores esperança e mostrou-se um disco apenas correto, quase uma sobra de músicas que não puderam entrar no álbum de estréia. A exceção ficou por conta da tensa e bucólica Tides, que realmente leva a fórmula criada pelo grupo inglês para outro nível.

noites_Camilo-Rocha

Domingo agora completo mais um verão ao redor do sol e pra exorcizar o fim do inferno astral, convidei o chapa e mestre Camilo Rocha pra experiência coletiva transcendental que é a Noite Trabalho Sujo – e se você sabe da importância de Camilo para a pista de dança brasileira, pode recolher seu queixo do chão. No repertório, clássicos instantâneos e o obscuros, pérolas impensáveis e hits óbvios de todas as épocas – a trilha sonora perfeita para se acabar de dançar numa noite fria dum verão paulistano. Para chegar lá, basta seguir as dicas que estão tanto no site do Alberta e quanto na página do evento no Facebook – e os nomes para a lista de desconto podem ser enviados para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h. Chega mais pra me dar os parabéns!

Neil-Young

Uma música sobre a duração do amor, a vida a dois, filhos crescidos… mas quando menos nos damos conta estamos novamente no abismo sônico, no furacão de microfonia causado a partir do encontro do velho Neil Young com seus compadres Crazy Horse, que pegam pesado ou bailam contigo em momentos distintos, escalando um épico elétrico de 17 minutos de estrada. Haja chão, haja guitarra – tudo lá.

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Chan Marshall deixou a cantora de bar de blues que encarnou nos últimos anos em um armário junto com as garrafas de uísque e jogou a chave fora ao reassumir a persona indie que cultuava pelo meio da última década do século passado. Mas se a Cat Power original era introspectiva e tristonha como o indie daquela época, a nova ressurge praticamente hipster, uma espécie de irmã mais velha da Grimes. “Cherokee” foi a música que anunciou a nova fase, consagrada no surpreendente Sun, e mesmo não sendo dos momentos melhores lapidados do álbum, é a música que marca o ano para a cantora – autônoma, esotérica, inabalada.

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Uma música de Jorge du Peixe liberta de vez Céu ao final de seu terceiro disco, mostrando que a viagem andarilha pelo deserto que se dispôs em seu Caravana Sereia Bloom tem um inevitável lado pernambucano – que, em vez de bater os tambores do mangue beat, prefere deslizar pelo calor da paquera.

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No meio do ano, a impenetrável dupla sueca JJ lançou um EP de verão – High Summer – e logo no início, o reggae pálido e esquivo “10” colocava em xeque relações artificiais, revoluções televisionadas, remixes feitos por amigos e conversas sem sentido – numa crítica hippie e triste não propriamente ao novo século digital, mas como suas qualidades são distorcidas pela maioria das pessoas.

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A inesperada volta de Bobby Womack trouxe a ainda mais inusitada parceria com Lana Del Rey, em “Dayglo Reflection”. E o blue beat que transforma a canção num híbrido de soul elemental com balada dubstep funciona como cenário tanto para a introspecção gospel do vocal emotivo do velho Bobby como para o tom gélido e fatal do timbre da jovem Lana. O resultado, que soa indigesto à primeira vista, torna-se um envolvente lamento que transcende idade, gênero, raça.

(E com o Damon Albarn acompanhando então… A música entra a partir dos quatro minutos no vídeo abaixo.)