Trabalho Sujo - Home

Loki

LincolnOlivetti-

Maus ventos de 2015 sopram que o mago maestro Lincoln Olivetti já não está mais entre nós. Lincoln Olivetti teria sofrido um enfarto do fim da tarde dessa terça, como já postaram nas redes sociais uma série de amigos e conhecidos do músico, arranjador e produtor, embora não haja uma confirmação oficial.

Lincoln Olivetti é desses raros produtores brasileiros que dominaram a sonoridade de uma época. Bebendo no soft rock do Steely Dan e dos Doobie Brothers, no soul da Filadélfia, nos arranjos suntuosos da disco music e no jazz elétrico dos anos 70, misturando igualmente doses de Quincy Jones e Giorgio Moroder a uma brasilidade reluzente e festiva, no penúltimos dos suspiros de um Rio de Janeiro utópico no imaginário brasileiro. Sua presença musical refletia-se nos teclados elétricos e levadas manhosas de metais, um suingue global rebolado de forma muito brasileira, apesar das críticas da época que falavam em “pasteurização” ou “padronização”, quando, na verdade, era uma clara assinatura musical. Alguns de seus exemplos clássicos falam por si:

Além de seu clássico disco autoral com o guitarrista e parceiro Robson Jorge, de onde saiu sua clássica foto lá em cima:

E a lista vai longe… Muita música boa, uma perda gigantesca pra nossa música. E rola uma história que ele estava com um disco prontinho pra ser lançado…

4:20

ch-911

trip-guilherme-fontes

Uma das capas da edição Trip desta virada de ano é o ator, produtor e diretor Guilherme Fontes, que entrevistei para a seção Páginas Negras que abre a revista. 2015 é o ano que marca os 20 anos do projeto que consagrou a fama de Guilherme, que deixou de ser visto como um galá de novela para ir parar nas páginas de polícia como pária do cinema nacional, ao desviar milhões de reais que deveriam ser gastos na produção de seu filme Chatô – O Rei do Brasil, baseado na biografia do magnata brasileiro das comunicações do meio do século passado Assis Chateubriand. Na entrevista, dada no dia seguinte à decisão judicial que exigia que Fontes devolvesse mais de 80 milhões de reais aos cofres públicos, o ator diz estar tranquilo e que é vítima de uma conspiração por ter querido crescer demais no showbusiness brasileiro. Mas ele disse também que o filme está pronto e deve ser lançado em 2015, quando ele começa a provar que não deve nada a ninguém. Um trecho da entrevista pode ser lido no site da revista:

Que grande lição você tirou dessa história toda, da filmagem do Chatô?
Jamais faria um filme sem o dinheiro todo na conta. Foi meu único problema. O dinheiro tem que estar 100% na conta. A lei permite usar mesmo que você não tenha 100%, isso está errado. Sair pra captar é legal e você envolve outros personagens no processo. Por outro lado, você coloca pessoas que não têm nada a ver com o processo pra decidir sobre o negócio. Tudo bem que você precisa de anunciantes, mas não pode condicionar à existência desses patrocinadores a obra cultural do país. As pessoas já estão começando a usar dinheiro próprio e esquecendo do incentivo.

O que podemos esperar do filme?
Estou encantado com o lançamento do Chatô. Acho que fizemos um grande trabalho. Como disse o Cacá Diegues, quando viu o material bruto: “É o último filme tropicalista do cinema brasileiro”. É uma grande homenagem ao cinema novo, ao modernismo, a tudo que admiro. Ao Fernando Morais pelo grande livro que escreveu. Não sei por que os figurões do cinema vieram me satanizar. Eu sou produtor pra brigar por mais espaços, mais empregos para a nossa classe. Fui até o fundo do poço por esse filme. Mas tinha mola lá embaixo. Valeu a pena.

O resto, só na edição impressa.

tysegall-mrface

Dono de um dos grandes discos do ano passado, Ty Segall é desses personagens que melhoram com o tempo – e nem esperou 2015 começar direito pra já apresentar novidade. O EP Mr. Face reúne quatro faixas novas e foi prensado em vinis transparentes, um azul e outro vermelho, fazendo do disco “o primeiro par de óculos 3D tocável”. A capa, claro, foi impressa para ser vista com os óculos-discos. O EP pode ser ouvido inteirinho aqui:

joe-sacco-on-satire

O ataque à redação do Charlie Hebdo também foi motivo para o jornalista e quadrinista Joe Sacco defender falar de limites quando o assunto é humor, neste comentário ácido feito para o Guardian. Se alguém se dispuser a traduzir, basta postar a tradução nos comentários que eu colo aqui.

sk-2015

E vamos torcer pra que esse disco novo das Sleater-Kinney consiga trazê-las para o Brasil este ano…

avengers

Outro trailer do filme que fecha o segundo capítulo da Marvel no cinema foi liberado agora à noite, mantendo o tom solene e sombrio do teaser, mas entupindo-o de ótimas cenas de ação.

Mas algo que me diz que eles não estão mostrando nem o primeiro terço dessa história nesses trailers…

am-2014-america-do-sul

No fim do ano passado, os Arctic Monkeys postaram um minirregistro de sua passagem pelo nosso continente em 2014. Na verdade é um clipe de “R U Mine” ao vivo, com cenas das apresentações da banda por Bogotá, Buenos Aires, Córdoba, Santiago, São Paulo e Rio de Janeiro intercaladas com cenas das cidades, dos fãs e da banda interagindo do jeito que consegue pela América do Sul (na praia, jogando tênis, dando entrevistas, em vans e vôos), com aquele filtro Instagram que deixa tudo meio anos 60/70. O clipe ainda para para pequenos trechos de “No. 1 Party Anthem” e um ótimo take a capella, nos bastidores, de “Knee Socks”.

Assisti ao show de Santiago (sem área vip, fãs de verdade grudados na grade) e foi fácil um dos melhores shows de 2014. Filmei, claro:

4:20

CH-DEC2011

Flamingo-Hotel

Que banda esse Dr. Dog! Que banda!