O fotógrafo alemão Klaus Frahm é um ás quando o assunto é cultura erudita – e tira fotos que parecem pinturas de museu e outras fotos deslumbrantes de salas de teatro, museus e de concerto. Durante seus trabalhos reuniu uma série de fotografias, tiradas em diferentes salas de ópera do mundo, retratando aquilo que só quem está no palco consegue ver – a tal quarta parede em que fica o público.
Tem outras mais cenas dessa em seu site.
Estive essa semana com o jovem Leandro lá no Museu Afro Brasil e conversamos sobre o disco que ele lança essa semana, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa em matéria para a Ilustrada:
Emicida combate o racismo com novo álbum ‘pra cima‘
Antes de definir a data de lançamento de seu “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, que chega na sexta (7) a todas as plataformas de streaming digital e às lojas de disco no final do mês, o rapper Emicida fez uma escalada de monólogos contundentes em shows no Circo Voador, no Rio, e na Virada Cultural, em São Paulo.
Já apontava para um disco tão tenso, agressivo e radical quanto estes dias de 2015.
O clipe da inédita “Boa Esperança” reforçava esse rumo ao apresentar um cenário de guerra civil começando de dentro das casas, quando empregados de uma mansão pegam seus patrões como reféns depois de serem humilhados durante o trabalho.
O nome da música foi tirado de um dos irônicos nomes dos navios negreiros que traziam africanos para a América. Para dirigir o clipe, o rapper chamou João Wainer (do filme “Junho” e repórter especial da Folha) e Kátia Lund (de “Cidade de Deus”). Tudo indicava que o novo álbum viesse com sangue nos olhos.
O disco foi gravado e composto em sua primeira visita à África, quando passou por Angola e Cabo Verde, em março. “O ‘Boa Esperança’ é a expectativa mais óbvia sobre mim”, diz Emicida em entrevista no Museu Afro Brasil, em SP.
“Mas por que eu não posso cantar ‘Passarinhos’?”, pergunta sobre a bucólica canção composta no ukulele e dividida com Vanessa da Mata. “Em que momento minha poesia está distante de uma coisa positiva?”
“Sobre Quadris”¦” está longe de ser um disco pesado. Há mais momentos leves e contemplativos, como “Mufete”, “Baiana” (gravada com Caetano Veloso), a vinheta “Sodade”, a balada “Madagascar” e a já citada “Passarinhos”, e outros essencialmente positivos, como “Salve Black (Estilo Livre)”, “8”, “Mandume” e “Chapa” e até familiares, como “Mãe”.
Pra cima
Embora quase todas as músicas falem de racismo, preconceito e diferenças, Emicida não quis deixar o clima pesar de propósito. “Sabe por que é um disco pra cima? Porque quando os pretos estão reclamando, na miséria, dormindo na calçada, todo mundo acha que tá tudo no lugar certo. Mas quando eu tô à pampa, tô legal”¦”, pausa para enfatizar a quebra de expectativa.
“James Brown foi foda quando cantou ‘I Feel Good’. O mundo tá pegando fogo, os pretos tão morrendo, e ele levantou no meio daquela porra e falou: ‘Tô legal, pode continuar. Vocês não vão me derrubar’. Soa como arrogância, mas não é nariz empinado, é cabeça pra cima. O disco fala dessa pluralidade de mil coisas que os pretos são, que podem ser, mas são limitados a ser sempre a mesma coisa.”
E continua explicando por que resolveu abordar a questão: “Acho muito bacana essa ânsia do Brasil que agora quer desmascarar tudo e combater o que tá errado. Ok, então pra mim o problema mais sério do Brasil é o racismo, que ninguém fala. Tá aqui a minha contribuição, vamos desmascarar isso também”.
Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa
Artista: Emicida
Gravadora: Laboratório Fantasma
Quanto: R$ 19,90
Quem mandou essa foi Keith Richards, que está lançando disco solo, em uma entrevista à revista Esquire:
“Os Beatles soavam ótimos quando eles eram os Beatles. Mas não há muitas raízes naquela música. Acho que eles se deixaram levar. Por quê não? Se você fosse os Beatles nos anos 60 você se deixaria levar – você se esqueceria do que queria fazer. Você começa a fazer o Sgt. Pepper. Tem gente que acha que é um disco genial, mas acho que é um apanhado de merdas, meio como o Satanit Majesties – ‘Ah, se eles podem fazer um monte de merda, nós também podemos’.”
Leia a entrevista toda no site da Esquire.
Que tal essa toalha de praia com o Han Solo carbonizado como no final de O Império Contra-Ataca?
Sim, está à venda!
Conversei com os caras do Radiola Urbana sobre a edição 1975 deste ano do projeto Rotações. A entrevista tá lá no blog do UOL.
A passagem do Sebadoh pelo Brasil no ano passado pegou pesado na nostalgia elétrica dos adolescentes dos anos 90 e a banda entregou-se à sua faceta mais elétrica e juvenil – e pouco ouvimos uma das principais facetas de seu líder e fundador Lou Barlow, a de cancioneiro confessional. Nos anos 90, antes do Sebadoh chegar à sua formação definitiva (a que veio no Brasil), Lou usava a banda como desculpa para cantar canções de dor de cotovelo, sobre romances frustrados e a natureza de nossas relações, usando pouquíssimos recursos tecnológicos na gravação, justamente para enfatizar o lado mais cru e direto destas músicas. Essa estética – usada também pelo Pavement por motivos mais complexos e irônicos que os do Sebadoh – ficou conhecida como lo-fi e Barlow parece estar pronto para retornar em seu próximo disco solo, batizado de Brace The Wave, que deve ser lançado no mês que vem e nos recebe com a frágil, bela e chorosa “Moving”.
Mais um lamento romântico em forma de delírio psicodélico, a faixa “Last Rites At The Jane Hotel” do subestimado Aureate Gloom, que o Of Montreal lançou no início do ano, ganha um clipe que passeia pelos mares de Yellow Submarine em animação stop-motion de colagens de papel, mas cujo tom lisérgico cede a esquisitices mórbidas como um encontro entre Daniel Clowes e David Lynch.
A psicodelia brasileira sempre caminhou na paralela e, salvo raras exceções (um Mutantes aqui, um Júpiter Maçã ali, um Supercordas acolá), seus grandes artistas e discos clássicos foram descobertos e celebrados bem depois de sua época. Pensando nisso, o site Miniestéreo Contracultura, dedicado à música de expansão da consciência, organizou a coletânea virtual Neo Psicodelia Brasileira, em que seus integrantes e mais alguns colaboradores (como o chapa Cristiano Bastos, a Lucinha Turnbull que era do Tutti Frutti, o Zé da Flauta do Ave Sangria, Klaus Eira do festival Psicodália e Gabriel Guedes, do Pata de Elefante, entre outros) escolheram 18 faixas de gente virtualmente desconhecida de todo o Brasil, mostrando que a psicodelia brasileira pode parecer que está numa entressafra, mas segue firme e forte – onde menos se espera. Dá pra ouvir a coletânea abaixo:
O estúdio australiano DropBear fez um clipe para a música “Quack Fat” do produtor Opiuo colocando várias mídias mortas – do disquete ao VHS, passando por videogames Atari, fitas cassete e um Walkman – para dançar conforme a música via stop-motion. Ficou fera.
As três Haim entraram total na onda do novo disco do Tame Impala, Currents, a ponto de recriar a confessional “‘Cause I’m a Man”. Fala Danielle, a guitarrista, sobre a versão, na página das irmãs no Facebook:
“Em 2009, eu estava no Japão tocando no Summer Sonic Festival com a Jenny Lewis como sua guitarrista. Num dia livre do festival nós tocamos num show paralelo no Astro Hall em Tóquio com uma banda da Austrália que eu nunca tinha ouvido falar chamada Tame Impala. Eu me lembro de estar na plateia sem entender direito como esse som MASSIVO estava saindo do palco com apenas quatro pessoas tocando. Era uma das melhores bandas que já tinha visto tocando ao vivo. Quando voltei pro meu hotel baixei o EP deles imediatamente – falei pras minhas irmãs também – e desde então nós assistimos aos seus shows incríveis por todo o mundo em vários festivais e amamos todos os discos. Entãããão não preciso dizer que quando nos chamaram pra fazer este remix nós topamos na hora!! Mas nós nunca fizemos um “remix” antes, por isso decidimos colocar nosso próprio jeito na música. Vai lá pegar o Currents se você não tiver pego ainda – você ficará de cara.”








