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Loki

Começando bem

Bons presságios do primeiro Inferninho Trabalho Sujo nessa sexta-feira, começando o ano com uma série de sinais que dão uma ideia de como o ano promete. A começar pela casa anfitriã da noite, quando o compadre Arthur Amaral mostrou sua Porta Maldita após uma pequena mas agradável reforma que deixou a área do bar mais espaçosa – e propícia pra virar uma pistinha. A noite abriu com a banda do Vale da Paraiba Infinito Latente, que lança seu primeiro álbum bem nesse início de ano, aproveitando a festa para mostrar as músicas ao vivo pela primeira vez desde o lançamento. Baseada na harmonia da dupla que lidera o grupo, a vocalista Maira Bastos e o violonista João Dussam, o grupo ainda conta com Igor Sganzerla nos teclados, Pedro Sardenha no baixo e Caio Gomes na bateria, mostrando as canções de seu Sem Início Nem Fim na fronteira entre o indie rock e a MPB que tão bem caracteriza essa nova geração.

Depois foi a vez da Schlop aproveitar a oportunidade para mostrar a versão física e palpável do ótimo projeto “O Mapa da Música Autoral de SP”, concebido pelo companheiro da vocalista e líder da banda, Isabella Pontes, Alexandre Bazzan. O levantamento de Bazzan (que pode ser encontrado digitalmente em sua newsletter) reúne tanto casas de show quanto novas bandas e depois falo mais sobre esse ótimo projeto. E o show da Schlop também trouxe novidades: além de consolidar a formação com Lúcia Esteves no baixo e o aniversariante Antonio Valoto (na bateria), a banda começa a mostrar as músicas que lançarão em seu próximo disco, em que regravaram as músicas que Isabella lançou quando a banda ainda era um projeto de uma garota só em seu quarto. A apresentação terminou com Isabella entregando a guitarra para Gustavo Esparça (que toca em bandas tão diferentes quanto Apenas Animais, Onda Quadrada, Elipsismo, Miragem, entre outras) para o momento mais grunge da noite.

A edição terminou com a primeira apresentação da banda Turmallina na festa, com o quinteto paulistano comemorando dois aniversários na banda, quando a baterista Paula Janssen e o baixista Eduardo Campos ganharam parabéns no palco da Porta Maldita. O grupo caminha por essa improvável vertente da nova cena indie de São Paulo que mistura emo com shoegaze e aproveitou a oportunidade para mostrar músicas novas que estarão presentes em seu primeiro álbum, que está gravado agora. À frente da banda está o guitarrista Caio Silva, que, mesmo sem chamar atenção, equilibra-se entre duas duplas, dividindo os vocais com Gabe Jordano e as guitarras com Marcos Marques, dando uma personalidade específica o grupo.

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O primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2026 acontece no dia 23 de janeiro, quando, em mais uma noite na Porta Maldita, reunimos as bandas Infinito Latente, Schlop e Turmallina para esquentar a sexta-feira da próxima semana apontando os nomes que estão formando a nova cena independente nos anos 20. A Porta Maldita fica na rua Luís Murat, 400, entre os bairros de Pinheiros e Vila Madalena e abre a partir das 20h. Os ingressos já estão à venda e eu toco entre os shows de cada banda. Vamo lá que o ano tá só começando…

Vamos voltar a falar de Geese? A banda da vez começou 2026 na maciota e seu líder Cameron Winter apresentou-se solo nesta segunda-feira na casa nova-iorquina TV Eye sob o infame e genial pseudônimo de Chet Chomsky dentro de um evento organizado pela Olive Grove Initiative para arrecadar fundos para ajudar famílias carentes em Gaza. Nessa mesma noite, a guitarrista do grupo Emily Green também mostrou seu trabalho solo, tocando sozinha canções ainda sem título um pouco antes do show do vocalista de sua banda. 2026 promete…

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Há exatos 40 anos, uma certa Kim Deal respondia a um anúncio em que uma banda formada por Charles Thompson, Joey Santiago e David Lovering que procurava uma baixista mulher para uma banda com influências de Peter Paul & Mary e Hüsker Dü. E assim nascia uma das bandas mais importantes de todos os tempos: os Pixies.

Tem Plastikman e Bernard Herrmann, Ryuichi Sakamoto e Leonard Cohen, Aphex Twin e Syd Barrett, Bill Evans e Lee Hazlewood, Faust e Danny Brown, Nino Rota e até o brasileiro José Mauro: o Radiohead acaba de disponibilizar o mix que o Thom Yorke criou para a abertura dos shows que fizeram no ano passado em quatro capitais europeias. O link pra mixtape em diferentes plataformas – inclusive um mix completão, no Mixcloud -, ouça abaixo: Continue

Quando Charli XCX despediu-se do verão Brat no final do festival de Coachella do ano passado, ela não estava apenas colocando o ponto final em seu bem sucedido experimento pop de 2024, como também estava esticando-o como reticências para um novo momento para o disco. O momento em si (er…) era o próprio filme The Moment, que estreia no próximo dia 30 nas telas do hemisfério norte, pseudodocumentário feito no meio da turnê do infame disco verde-limão que lida com a dor e a delícia de se cumprir uma agenda intensa quando se chega um ponto alto do showbusiness (que inclui, mais infâmia de piada interna, documentários sobre turnês gigantescas). O documentário começou a ser revelado ali, quando, no telão, ela duvidava sobre o fim do verão Brat e, no som, ouvíamos um remix de “I Love It”, hit da dupla sueca Icona Pop que colocou Charli no mapa mundial da dance music em 2012, que dá ênfase em dois versos da canção: “Eu amo” e “eu não me importo”. Foi revelado no ano passado que o remix era, na verdade, uma faixa inédita do produtor e broder de Charli, A.G. Cook, que assina a trilha sonora do documentário e batizou aquele último suspiro de Brat de “Dread” (nojo), sintetizando o lado pesado da fama multimilionária que quase nunca é mencionado por seus protagonistas. Na semana passada, Cook lançou mais uma música da mesma trilha, um IDM pesadíssimo chamado “Offscreen”, o que indica que Brat seguirá vivo por mais alguns meses mesmo que Charli esteja mais ocupada com sua carreira nos cinemas – e siga dando aulas de como lidar com o mondo pop na terceira década do século 21.

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A Nação Zumbi vai celebrar o aniversário de 30 anos de seu segundo disco Afrociberdelia em grande estilo, quando dividem o palco com do Theatro Municipal de São Paulo com a Orquestra Experimental de Repertório que, sob a regência de Wagner Polistchuk, visita o clássico disco de 1996 em apresentação única no dia 3 de fevereiro. Os ingressos já estão à venda.

Janis no MIS!

Aproveitando o aniversário de Janis Joplin neste dia 19, o MIS de São Paulo acaba de anunciar a exposição Janis, que reúne mais de 300 itens da cantora psicodélica, entre fotografias, figurinos, manuscritos e outros itens cedidos pela família da própria. A exposição começará só no dia 16 de abril, mas os ingressos já estarão à venda a partir desta semana.

Começou de brincadeira, mas agora é sério: as Sleater-Kinney oficializaram seu tributo aos Ramones ao lado do comediante Fred Armisen depois de alguns shows no ano passado tocando com o nome de “Moans”. O grupo adotou um novo nome – Return Of Jackie And Judy, tirado da faixa de mesmo título do disco do quarteto nova-iorquino produzido por Phil Spector em 1980, End of the Century -, já criou uma conta no Instagram e marcou shows esse ano em alguns festivais (quando tocam em maio no Bottlerock na Califórnia e no Mooswood Meltdown em Oakland, ambos nos EUA). O tributo era meio inevitável pela relação que as Sleater-Kinney têm com o mitológico grupo punk – seu primeiro hit underground, em 1996, chamava-se “I Wanna Be Your Joey Ramone” e o grupo sempre toca músicas dos nova-iorquinos em seus shows e a conexão com Armisen, que fazia dupla com a guitarrista e vocalista Carrie Brownstein na clássica série Portlândia e vive tocando com bandas indie de seus amigos (como fez recentemente no Hanukkah do Yo La Tengo), também parece meio óbvia pela proximidade dos envolvidos. Tomara que descubram o tamanho dos Ramones na América do Sul e se arrisquem fazer shows por aqui, imagina….

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Começando bem o ano com o showzaço que Paola Ribeiro fez de seu disco Circus nessa sexta-feira no Sesc Av. Paulista. Acompanhada de uma bandaça formada por Kiko Dinucci (violão), Marcelo Cabral (contrabaixo acústico e efeitos), Podeserdesligado (eletrônicos e synth) e a dupla Rádio Diáspora (Rômulo Alexis nos sopros e Wagner Ramos na bateria), ela deixou sua voz exuberante percorrer limites extremos, do sussurro ao grito, do vocalise livre à canção, por vezes tocando um berimbau com arco de cello, enquanto hipnotizava o público com sua amplitude e intensidade vocal. Completamente livre no palco, ela teve momentos em que dividiu improvisos com cada um dos integrantes, cantou sozinha quase em silêncio ou entregava-se ao caos sonoro que os músicos explodiam quando, juntos, soavam como uma avalanche musical. Uma bom forma de começar um ano que já começou inquieto. Vamos lá!

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