Essa versão que o Tame Impala fez para “Confide Me” é dessas que justifica artistas regravarem obras dos outros sem cair naquele nível de comparação que sempre conclui que o original é melhor. Kevin Parker escolheu um hit esquecido de Kylie Minogue cuja profundidade soul dance conversa diretamente com o momento em que vive a bordo de sua banda e de seu bissexto Currents – e revela nuances no original que provavelmente fugiu da maioria dos ouvintes à época. A banda mexe pouco no original, mas sobreposta à atual sonoridade do grupo e às texturas instrumentais características desta fase – tanto o entrelaçamento de teclados e guitarras, o vocal cantado apenas sobre a bateria e os agudos no refrão -, a versão é de chorar.
Lembra do original?
O cover foi feito para o programa australiano Like a Version, onde o grupo já havia regravado aquela música do Outkast.
O nome que o inglês Sam Shepherd escolheu para trabalhar – o codinome Floating Points – já circula pela cena dance inglesa como uma espécie de Doutor Jeckyll da cena dubstep desde 2009, soltando singles, EPs e músicas isoladas enquanto calibrava sua musicalidade entre um trip hop instrumental mais sombrio – parente torto da linha do DJ Shadow – e um improvável meio termo entre o jazz, a disco, a house e a música de câmara, numa câmera lenta mental que nos aproxima do zen. Estas qualidades chegam ao ápice em Elaenia, uma inesperada obra-prima que toma 2015 quase como um atordôo de nocaute, mas sem dor nem sequer noção de fisicalidade – uma jam session dos sonhos entre o Erik Satie, o Nightmares on Wax e Madlib, com direito andamentos intrincados, cordas românticas, graves pesados, grooves sintéticos, levadas puramente jazzy. Acho que nenhum disco de música eletrônica nesta década merece tanto o rótulo de transcendental quanto este. Separei as quatro primeiras faixas do disco – os clipes de “Nespole” e da versão editada de “Silhouettes” (que no disco tem dez minutos), a faixa-título e, finalmente, “Nespole” de novo e “Argenté” (ao vivo na BBC na semana passada). Sente só:
E esse clipe que o Unknown Mortal Orchestral lançou pra “Necessary Evil” – uma das melhores músicas de seu brilhante álbum Multi-Love – apenas parece fofinho, mas lidas com as típicas paranoias de um relacionamento tentando se estabilizar.
O Disclosure lançou uma versão esticada para o hit “Magnets” que gravaram com a Lorde no disco que lançaram esse ano – e ficou fino…
O trompetista e produtor Guilherme Mendonça – que a maioria de nós conhece por Guizado – segue o fluxo de seu disco mais recente, O Voo do Dragão, lançado digitalmente do início do ano e que agora se materializa em CD. “A saga continua!” ,comemora, “Ainda vem clipe pela frente, vinil, remixes e tudo mais.” O lançamento do CD serviu como gancho para uma série de novos shows no final deste semestre, o próximo deles no Teatro Cacilda Becker, ali na Lapa, no dia 21 de novembro.
A temática oriental do disco – que vai da arte ao nome das músicas – é menos instrumental e mais mental: “Ela parte de um plano mais metafisico, filosófico do que musical”, explica. “Na parte musical continuamos basicamente apoiados na tríade do jazz, do rock e da musica eletrônica, O nome O Voo do Dragão simboliza uma retomada de consciência, uma experiência pessoal na qual me encontro de rever antigos valores e velhos hábitos, uma transformação pessoal. De tempos em tempos o Dragão troca sua pele e se renova, e é assim que me sinto. com mais de vinte anos de carreira e se tudo der certo, terei vinte ou mais pela frente. Com isso me sinto mais maduro e numa linha ascendente de performance musical e criatividade. É um disco em que posso sentir essa superação se refletindo na minha música, do meu jeito de compor e de tocar.”
Ele explica como sua música funciona ao vivo: “As músicas são todas bem estruturadas com temas, riffs de guitarra, pastes definidas, melodias e harmonias bem estabelecidas, porém não de uma totalmente fechada, justamente para que possamos nos shows tocarmos de forma mais solta e inesperada, porém respeitando a forma de cada música… Isso pra nós é algo estimulante, pois nunca sabemios exatamente como uma música pode acabar, mas tambem não nos perdemos em meio ao caos pois temos a compreensão clara das estruturas de cada música. A banda atual é formada por Allen Alencar, excelente guitarrista de Aracaju, que criou os arranjos de guitarrra do disco que norteiam todos os arranjos junto ao meu trompete. Na bateria tem o Thiago Babalu, tambem de Aracaju, e que veio da cena do hardcore, um baterista sólido e criativo, responsável por momentos de intensa massa sonora e peso. No baixo optei por usar um baixo de sintetizador, tocado pelo Thiago Duar, que esta familiarizado com a linguagem da musica eletrônica, com o hip-hop e a bassmusic, linhas simples e de frequencias realmente graves. E nos sintetizadores temos o Caetano Malta, que trabalhas mais nas frequencias medias e agudas, dobrando vozes comigo, reforçano a harmonia e cirando drones e texturas.”
Ele fica feliz de passar por esse processo de transformação e lançar seu Dragão num 2015 tão intenso para música brasileira: “Muitos disco bons foram lançados nesse ano. Gostei muito do disco do Cidadão instigado, Fortaleza, banda que sou fã não é de hoje. E do Rio de Janeiro tenho visto aparecer muita coisa interessante como essa turma do Negro Léo, Ava Rocha, Chinese Cooking Poets e o disco recém lançado do baixista Ricardo Dias Gomes. Fora isso recentemente fui a um show da banda Cão, um projeto do Maurício Ianês que não conhecia e gostei bastante.”
Mas embora não tenha encerrado o ciclo do Dragão, ele já está pensando no quarto álbum: “Esse é um ótimo momento para compor, com o Dragão ja no ar, eu posso me dedicar mais novas pequisas e novas ideias para um disco futuro.”
O país não é um país roqueiro – foi o que escrevi no meu blog no UOL a partir daquela discussão sobre o Lavô Tá Novo dos Raimundos.
Os ingleses do Foals têm a pista de dança em seu DNA, basta ver a recente subversão que fizeram com uma música chocha da Florence, e é por isso que seus remixes quase sempre funcionam. Mas quando ficam na mão de um mestre como o norueguês Lindstrøm, a coisa sobe para outro patamar – e o midas da nova disco music transforma o brado indie “Give it All” em um delírio de quase dez minutos que poderia durar para sempre.
A foto que ilustra o post saiu do Insta da banda.
Principal banda de rock brasileiro na atualidade, o grupo cearense Cidadão Instigado levou seis anos para amadurecer seu denso Fortaleza, um disco pesado e que retoma as raízes da banda sem perder a maturidade de seu horizonte. A banda conversa, nesta quinta-feira, sobre o processo de criação, a gravação e tudo relacionado ao seu Fortaleza, já consagrado como um dos melhores discos de 2015.
Vagas limitadas, garanta a sua no site do Espaço Cult.
Todo o Disco – Trabalho Sujo 20 anos
Nunca se produziu tanto, nunca tantos artistas brasileiros lançaram tantos discos bons em tão pouco tempo mas ao mesmo tempo nunca se discutiu tão pouco sobre música. A overdose de informação e a concorrência por atenção apenas trata discos como notícias e mesmo com a amplitude da internet, estes discos não são tratados como obras importantes na carreira do artista e sim como mero gancho para notícias.
A partir desta constatação, o jornalista Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, junto com o Espaço Cult, propõe um encontro com artistas para discutir especificamente sua obra neste ano. São quatro encontros que acontecem em novembro com autores de quatro dos discos mais importantes no Brasil em 2015: Fortaleza do grupo Cidadão Instigado, De Baile Solto de Siba, Sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa de Emicida e Selvática de Karina Buhr. Nos encontros, eles falarão do processo de criação e composição de seus discos, incluindo uma audição comentada faixa a faixa dos discos que lançaram este ano.
Os cursos acontecem durante o mês de novembro e fazem parte das comemorações dos 20 anos do site Trabalho Sujo.
Inscreva-se pelo site do Espaço Cult.
As próximas aulas do curso Todo o Disco serão as seguintes:
17/11/2015 – Siba fala sobre De Baile Solto.
24/11/2015 – Emicida fala sobre Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa
02/12/2015 – Karina Buhr fala sobre Selvática
A banda de um homem só Frabin – o pseudônimo usado por Victor Fabri, paraense radicado em Florianópolis – sai do quarto com direito à chancela das gravadoras indie Balaclava e Midsummer Madness. E o primeiro clipe, pra faixa “Kids From Outer Space”, mantém o pé naquela psicodelia noise do final dos anos 80.
Ele já havia lançado o ótimo EP Selfish, no meio do ano passado, que já mostrava que o garoto tem futuro.
E esse disco novo do Deerhunter, Fading Frontier, saiu correndo em direção ao pódio de disco do ano, hein? É o álbum mais pop da banda mas isso não quer dizer que eles tenham abandonado seus instintos brutais e experimentalistas, como dá pra ver nessa apresentação que fizeram no Morning Becomes Eclectic, o clássico programa da rádio californiana KCRW no início do mês. Tocaram basicamente músicas do disco novo (à exceção de “Desire Lines”, que encaixou-se perfeitamente no clima de 2015 da banda) e esticaram a excelente “Snakeskin” num épico de minutos de microfonia e eletricidade – sem perder o groove.









