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Loki

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Dissecado lá no meu blog do UOL, o novo filme da Marvel, Doutor Estranho, mostra os rumos para o futuro do personagem, da saga principal contada desde o primeiro filme do Homem de Ferro e dos planos de dominação mundial do estúdio.

O grande trunfo de Doutor Estranho, a mais recente produção da Marvel, não é simplesmente o fato de ser o primeiro filme do estúdio de tom menos juvenil (como o segundo Capitão América já tinha sido) nem seus deslumbrantes visuais psicodélicos. Essas duas qualidades ajudam o estúdio a se situar num contexto que parte em busca um novo público, que não assiste filmes de super-herói. Sua principal qualidade reside no fato do diretor Scott Derrickson contar uma história de origem simples e de forma objetiva, concluindo a jornada do protagonista com grandes truques cinematográficos, sem se preocupar em expor as referências e conexões com o contexto original do herói nos quadrinhos ou do cada vez mais complexo universo cinematográfico da Marvel. Estes, no entanto, não são deixados de lado, mas colocados em uma perspectiva que fica em evidência para o público já cativo da editora e do estúdio, respectivamente. Estas referências ajudam inclusive a sacar o rumo que a Marvel está apontando para seus próximos filmes, quando conclui, em três anos e dez filmes (!), sua chamada fase 3.

Preciso dizer que a partir daqui vou entupir o texto de spoilers? Ok, então está dito: seguem umas imagens de fronteiras interdimensionais para você não correr o risco de ler algo que não queira – se você quiser ler uma resenha sem spoilers, escrevi este texto antes da estreia do filme.

As referências mais evidentes são feitas não ao público iniciado, mas justamente para aquele que a Marvel quer ganhar com Doutor Estranho: o fã de cultura pop adulta. Não confunda com o fã adulto de cultura pop – este já forma grande parte da audiência da Marvel no cinema. Ela está em busca de um público que não gosta ou não se identifica com super-heróis – e por mais que Doutor Estranho seja um deles, ele não se encaixa no parâmetro tradicional do herói mascarado com roupa justa e colorida. Seus ícones são heróis que vão de encontro à cultura nerd vigente, seja do lado da ficção científica ou da fantasia. Por isso Doutor Estranho firma-se visualmente sobre pilares modernos do pop adulto.

A principal referência é, claro, a presença de Benedict Cumberbatch. O já eternizado Sherlock Holmes do século 21 fez a Marvel adequar-se à sua agenda para conseguir viver o personagem título e ele o faz de forma primorosa. O momento em que ele veste a capa que lhe caracteriza definitivamente como o personagem dos quadrinhos é a coroação de uma atuação perfeita, a melhor do universo cinematográfico Marvel. O sotaque norte-americano falado pelo ator inglês é só uma das joias de seu trabalho, que equilibra seriedade e humor a ponto de nunca parecer ridículo ao conjurar feitiços ou ao encarar o principal vilão do filme. O resto do elenco mantém o nível embora seja muito pouco exigido. Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Chiwetel Ejiofor e Michael Stuhlbarg são atores de alto calibre que não são tão exigidos quanto poderiam. A própria Tilda Swinton se contenta em uma atuação protocolar, que não constrange mas não brilha. O que não garante que eles não sejam utilzados em filmes futuros.

Outro elemento pop e adulto óbvio é a psicodelia. Ela vem sutilmente escancarada na ponta feita por Stan Lee, que aparece gargalhando ao ler uma edição dos anos 50 do clássico As Portas da Percepção do escritor Aldous Huxley. No livro, o visionário autor de Admirável Mundo Novo conta sua experiência com a mescalina, droga que teria uma enorme influência na renascença lisérgica da década seguinte. O título foi tirado de um verso de William Blake que fala que “quando as portas da percepção estiverem abertas, tudo parecerá como realmente é: infinito” e foi inspiração para Jim Morrison batizar sua clássica banda.

Não é a única referência à psicodelia tradicional. A cena do acidente que tira o movimento das mãos de Strange começa com “Interstellar Overdrive”, primeira música do lado B do primeiro disco do Pink Floyd, The Piper at the Gates of Down, de 1967. Ao contrário de grande parte da discografia do Pink Floyd, este primeiro disco foi batizado em ácido lisérgico, quando a banda ainda contava com seu fundador, o visionário Syd Barrett. A faixa instrumental era conhecida como uma longa jam session nas intermináveis noites psicodélicas da Londres do final dos anos 60 e o disco foi gravado em um dos estúdios de Abbey Road no exato momento em que os Beatles gravavam seu clássico Sgt. Pepper’s.

A música não foi colocada apenas por esta referência. Na montagem da capa do segundo disco da banda (o último com Barrett, que saiu do grupo por ter se tornado uma vítima do LSD), Saucerful of Secrets, podemos ver uma sequência de planetas vista por um rosto isolado no canto esquerdo superior. Repare:

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Esta imagem é parte de um quadrinho de página inteira da edição 158 da revista Strange Tales, publicada em julho de 1967 (um mês antes do lançamento do disco anterior), em que o Doutor Estranho é apresentado à onipotente entidade cósmica Tribunal Vivo, que é justamente o rosto na parte de cima da capa do disco. O próprio Doutor Estranho aparece no quadrinho, mas foi retirado da colagem da capa.

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Outra referência óbvia é a progressão geométrica que o diretor e seu diretor de fotografia Ben Davis dá aos devaneios urbano-surreais de Christopher Nolan em Inception – A Origem. As dimensões paralelas são um dos muitos truques de cinema que ele e Derrickson exploram durante todo o filme – sem dúvida, o de maior impacto. Pisos em mosaicos, correores que se aprofundam, catedrais que se transformam em engrenagens e a arrebatadora visão de Nova York ao cubo – tudo isso é parente direto das cidades distorcidas por Nolan em seu filme de 2010 e os realizadores de Doutor Estranho não negam. Davis também cita o psicodélico Fantasia, de Walt Disney, como outra referência para os visuais do filme, além, claro, do túnel interdimensional do ato final de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.

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Outro filme que está na base de Doutor Estranho é Matrix. Desde o papel meio Morpheus da Anciã vivida por Tilda Switon (que começa várias frases como “e se eu te dissesse…?”) à jornada do escolhido feita por Stephen Strange, o filme de 1999 dos irmãos Wachowski está espalhado por todo o filme da Marvel. O treinamento de Strange no Tibet alude de forma descarada ao primeiro filme da trilogia: a tonalidade esverdeada do salão em que Strange conhece a Anciã, o momento de revelação sobre o mundo místico ao simples toque na testa de Strange, a relação mestre e pupilo entre os dois, a forma como as artes marciais são apresentadas.

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Outras referências pop não são propriamente adultas, mas trazem o filme para uma realidade diferente da dos nerds de lojas de quadrinho, ao mencionar diferentes artistas pop atuais (Beyoncé, Eminem, Adele) em uma cena hilária entre Strange e Wong (vivido por Benedict Wong). A menção à Beyoncé foi, inclusive, sugerida por Cumberbatch, fã da cantora:

Já as alusões ao universo dos quadrinhos do Doutor Estranho são bem mais sutis. Com a exceção das vestimentas de Strange e da dimensão paralela criada por um dos desenhistas mais clássicos da história da Marvel, Steve Ditko. A Dimensão Negra nos quadrinhos é assim:

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A forma como Derrickson e Davis colocam essa terra surrealista em movimento é outro desses truques de cinema que aumentam a moral do filme.

Além disso, são citados vários outros personagens do universo de Strange no papel. O vilão Kaecilius (vivido por Mads Mikkelsen) é um personagem secundário nos quadrinhos e no filme assume um papel que normalmente é do Barão Mordo (personagem ainda em construção, vivido no filme por Chiwetel Ejiofor) e é acompanhado de capangas que contam, entre eles, com Tina Minoru (vivida pela atriz Linda Louise Duan), personagem que faz parte do grupo Fugitivos nos quadrinhos. Outro personagem que vemos brevemente é o guardião do Sanctum de Nova York, que é nos apresentado como Daniel Drumm (vivido por Mark Anthony Brighton), que na prequel em quadrinhos é identificado como irmao de Jericho Drumm, o Irmão Vodu. Outros personagens coadjuvantes são levemente distorcidos para marcar presença, como a hora em que somos apresentados ao Mestre Hamir (um dos primeiros gurus de Strange nos quadrinhos, cujo aparição é apenas mencionada no início do filme) ou o nome do par romântico de Strange (vivido por Rachel McAdams), que é Christine Palmer, uma das Enfermeiras da Noite, entidade que já tem uma de suas encarnações, Claire Temple (vivida por Rosario Dawson) em ação no universo Netflix (as séries Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage, até agora). Alguns dos personagens principais são bem modificados: além da polêmica ocidentalização da Anciã (mais polêmica que sua mudança de gênero), Wong passa a usar magia (nos quadrinhos ele apenas luta) e Modor ainda não é o vilão.

Mestre Hamir, nos quadrinhos

Mestre Hamir, nos quadrinhos

Ainda há os inúmeros artefatos místicos, alguns mostrados sorrateiramente (como o bastão do Tribunal Vivo e o Livro de Vishanti), outros protagonistas da ação (como o Manto da Levitação, que ganha vida na versão cinematográfica). Um bom meio-termo disso é a Vara de Watoomb, que é apresentada rapidamente para logo depois virar a arma de Wong na luta final.

watoomb

Livros também são protagonistas das histórias de Doutor Estranho e se seu constante Livro de Vishanti aparece apenas rapidamente, o Livro de Cagliostro tem um papel central na história. Tudo isso é reforçado para mostrar a natureza do universo místico de Strange. Ao mesmo tempo em que os novatos vão conhecendo estes novos nomes e referências, os veteranos vão reconhecendo as homenagens e a atenção ao detalhe.

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E há também referências a histórias específicas de Strange, especificamente “Into Shamballa”, que Dan Green e J. M. DeMatteis fizeram em 1986, e a recente “The Oath”, que Brian K. Vaughan e Marcos Martin escreveram em 2007. “Shamballa” entra na piada da senha do Wi-Fi:

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“The Oath”, por sua vez, é o roteiro básico do filme e conta com uma cena especificamente tirada dos quadrinhos, quando a projeção astral de Strange ajuda Christina Palmer operá-lo:

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A referência a The Oath foi anunciada antes mesmo do filme ser feito, quando Cumberbatch entrou em uma loja de quadrinhos em Nova York a caráter e pediu para o atendente tirar uma foto em que ele mostrava a capa da revista, que publicou em seguida na internet:

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A cena foi filmada pelas câmeras de segurança da loja e tem um quê surreal:

Outra referência de “The Oath” é o médico que opera Strange após o acidente, que é referido apenas como “Nick” (vivido por Michael Stuhlbarg), que é ninguém menos que Nicodemus West, o médico que opera o neurocirurgião naquela em quadrinhos.

nicodemuswest

E, claro, o grande vilão Dormammu, representado de forma diferente dos quadrinhos (sem corpo, onipotente), mas mantendo o mesmo rosto listrado da versão clássica:

dormammu

A forma como Strange derrota Dormammu – com um truque de lógica, não com magia – é mais um aceno para o fã de cultura pop adulta, enquanto a cena da destruição final apresentada apenas de trás pra frente é outro grande trunfo da direção de Derrickson.

E, finalmente, temos as referências ao resto do universo Marvel no cinema. São citações mencionadas quase de passagem e se você não conhece a história completa que inclui os outros filmes nem conhece nada de super-heróis não interfere em nada ao assistir apenas a este filme. A primeira delas é a presença da Torre dos Vingadores na paisagem de Nova York. Serve para nos lembrar que estamos no universo Marvel e que os eventos ocorrem após o primeiro filme dos Vingadores.

Olha ela ali em cima

Olha ela ali em cima

Outra citação, ainda mais no início do filme, nos ajuda a situar Doutor Estranho na linha do tempo da Marvel. Não, sua origem não acontece após os incidentes de Guerra Civil, o filme anterior do estúdio. É uma trama paralela que vem se desenvolvendo há mais tempo e quando Strange declina alguns casos pouco antes de sofrer o acidente que imobiliza suas mãos, ele deixa passar um acidente envolvendo um soldado que teve a parte inferior de sua espinha dorsal destruída por um equipamento bélico experimental. Muitos acharam que era uma referência ao personagem vivido por Don Cheadle, James Rhodes, o Máquina de Combate, que é abatido em combate em Capitão América: Guerra Civil e quase perde os movimentos das pernas. Mas a idade mencionada (35 anos) e o fato da armadura de Rhodes não ser mais experimental tira a possibilidade de Stephen Strange não ter começado sua transformação em mago depois dos acontecimentos deste filme.

Na verdade, a cena parece mais pertencer ao segundo filme do Homem de Ferro, no julgamento de Tony Stark (Robert Downey Jr.) no início do filme, em que ele mostra vídeos que provam que o fabricante de armas Justin Hammer vem fabricando versões fracassadas de sua armadura, inclusive uma cena bem parecida com a descrita na ligação para Strange (veja quando o relógio do vídeo abaixo chega aos dois minutos):

Então é possível que o acidente que dá início à história do Doutor Estranho aconteça ainda na primeira fase do universo cinematográfico Marvel, antes do segundo filme do Thor, antes do primeiro do Capitão América e do primeiro filme dos Vingadores. Como seu treinamento levou mais do que meses, como mencionado no próprio filme, é possível ele tenha durado justamente o período de tempo entre os dois filmes dos Vingadores para o próprio Estranho pudesse enfrentar uma grande ameaça, ao final de seu filme. Uma ameaça que, por ter sido desfeita quando Strange consegue retroceder o tempo, não foi percebida por ninguém no planeta. Mas a conversa com Wong sobre o papel dos feiticeiros em relação a forças místicas que agem contra a Terra, em que os Vingadores são mencionados nominalmente, deixa claro que o final do filme acontece mais próximo da época atual.

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É curioso pensar que Strange dispensou outros dois casos, além deste que pode ser o do segundo filme do Homem de Ferro. Ele ouve falar de “uma mulher com um implante elétrico no cérebro para tratar de esquizofrenia que havia acabado de ser atingida por um raio” e “uma senhora com um dano no tronco encefálico”. Será que são personagens que nem conhecemos cujas histórias ocorrem neste mesmo período? Por que a primeira descrição me faz lembrar da Capitã Marvel? Hmmm…

Outra referência óbvia ao universo Marvel já havia sido cogitada antes do lançamento do filme que era a possibilidade de o Olho de Agamotto, o artefato místico fundamental para Strange, ser uma das Jóias do Infinito, pedras preciosas que vêm sendo reunidas desde os primeiros filmes do estúdio. Vamos recapitular: a primeira delas foi o Tesseract (a Joia do Espaço, de cor azul) no primeiro filme do Thor, a segunda foi o Éter (a Joia da Realidade, de cor vermelha) no segundo filme de Thor, depois veio o Orbe (Joia do Poder, de cor roxa) no primeiro filme dos Guardiões das Galáxias, seguida pela Gema (a Joia da Mente, de cor amarela) que apareceu no segundo filme dos Vingadores e agora temos o Olho de Agamotto (a Joia do Tempo, de cor verde) neste novo filme. A única joia que falta ter seu paradeiro revelado é a da Alma (de cor laranja), que deve surgir em um dos filmes da Marvel no ano que vem (acho que em Guardiões da Galáxias 2, mas é só uma aposta).

agamotto

Três referências sorrateiras que localizam Strange no universo Marvel, sua origem em relação ao resto dos personagens, e sua conexão com o fio da meada que estamos acompanhando até aqui. As duas cenas no fim dos créditos apontam para os próximos passos tanto do Doutor Estranho neste universo quanto para onde este começa a apontar uma vez que entramos de vez em seu terceiro capítulo.

A primeira delas mostra Strange conversando com um certo deus nórdico, que dispensa o chá em troca de sua bebida preferida numa curta sequência engraçadinha. Thor (vivido por Chris Hemsworth), depois de constatar que “a Terra agora tem feiticeiros” explica que tem uma “questão familiar” para resolver, referindo-se ao desaparecimento de seu pai Odin (Anthony Hopkins) e ao que tem aprontado seu meio-irmão Loki (Tom Hiddleston) e Strange oferece-se para ajudá-lo. A cena confirma uma especulação que já estava quente quando o ator Daley Pearson (que interpretou o colega de quarto de Thor no hilário curta que explicou onde estava o deus do trovão durante os acontecimentos de Capitão América: Guerra Civil) twittou a seguinte foto nos bastidores do terceiro filme de Thor, Ragnarok, que estreia no ano que vem:

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Na foto, Thor mostra um cartão com o endereço “177A Bleecker St”, que todo fã da Marvel sabe que é o endereço da base de Strange, o Sanctum Sanctorum de Nova York, o que abriu a especulação que Doutor Estranho estaria no terceiro filme de Thor. A primeira cena após os créditos de Doutor Estranho vem confirmar isso, transformando Thor: Ragnarok no filme da Marvel que talvez tenha o melhor elenco até agora: além de Hemsworth, Hiddleston, Hopkins e agora Cumberbatch, o filme ainda terá o Hulk de Mark Ruffalo, Tessa Thompson como Valkyrie, Cate Blanchett como Hela, Karl Urban como Skurge, Jeff Goldblum com o Grão-Mestre e a volta de Idris Elba como Heimdall. Nada mal.

A segunda cena escondida confirma a transformação do personagem de Mordo em Barão Mordo, que começa ao final do próprio Doutor Estranho quando o personagem de Chiwetel Ejiofor frustra-se com o uso que a Anciã faz de magia negra. A cena final define a reviravolta em sua personalidade quando ele encontra-se com o personagem vivido por Benjamin Bratt, o ex-paralítico Jonathan Pangborn, que deu o caminho das pedras para Strange descobrir a magia. Pangborn, aprendiz místico, desistiu do mundo da feitiçaria e contenta-se em usar o que aprendeu apenas para conseguir andar novamente. No encontro com Mordo, este retira os superpoderes do mago novato e diz que “há muitos feiticeiros” na Terra, o que reforça seu papel de antagonista no próximo encontro que terá com Strange. Quando ele ressurgirá na telona é a dúvida desta cena: será no terceiro filme de Thor, no terceiro filme dos Vingadores, que deverá ter mais Doutor Estranho, ou numa óbvia continuação (ainda não anunciada) do filme de Strange?

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As duas cenas finais, no entanto, concordam que a chegada de Doutor Estranho ao universo cinematográfico Marvel confirma a entrada do elemento místico na história. Até então superpoderes e super-heróis eram explicados pela ciência e pela tecnologia, à exceção de Thor, um elemento isolado justamente por não ser terráqueo. Com a chegada do Doutor Estranho, a Marvel inclina-se mais para este lado, que deve dar a tônica desta terceira fase e, possivelmente, dos próximos dois filmes dos Vingadores. As primeiras produções do estúdio em 2017 – a série Punhos de Ferro feita com o Netflix e o segundo Guardiões da Galáxia (que já tem uma conexão aberta com Strange através de um brinquedo Lego e desenhos de pré-produção do filme) – também devem ir para este lado, o que abre a possibilidade para novas adaptações de sagas em quadrinhos, novos personagens e novos vilões – estes que ainda são o calcanhar de Aquiles da Marvel.

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Betty Davis é uma dessas forças da natureza personificadas numa deusa funky, infelizmente ofuscada por ter adotado o nome do marido famoso, mestre Miles. Mas mesmo antes de conhecer Miles Davis, Betty já gravava seu nome na história, ainda como Betty Mabry ao conhecer músicos como Sly Stone e Jimi Hendrix após ter se mudado para Nova York, atuando como cantora (lançou os singles “Get Ready For Betty” e “I’ll Be There” no início dos anos 60), compositora (é a autora de “Uptown (to Harlem)” dos Chambers Brothers) e modelo. Mas foi após conhecer Miles Davis que soltou todo seu potencial criativo. O mesmo pode ser dito sobre a evolução mais radical do trompetista que, sob sua influência, começou a experimentar com a psicodelia e a eletricidade. Encantado por Betty, Davis batizou uma música do disco Filles de Kilimanjaro com seu nome além de ter colocado-a na capa do mesmo.

Durante os anos 70, ela gravou discos que a tornaram uma espécie de segredo bem guardado entre os apreciadores do funk e do groove. Betty Davis (1973), They Say I’m Different (1974) e Nasty Gal (1975) são destas obras-primas desconhecidas do grande público que eletrizam qualquer pista de dança e cabeça-feita. Os três discos foram relançados pela excelente gravadora Light in the Attic, que, além de desenterrar seu quarto e inédito disco Is It Love or Desire? (de 1976) em 2009 e relançar seus três primeiros álbuns em vinil, agora surge com o disco que prova a influência de Betty no trabalho de dois dos maiores ícones de seu tempo: Jimi Hendrix e Miles Davis. Embora não estejam tocando no disco The Columbia Years (1968-1969), os dois pairam em música e alma sobre a gravação, até então considerada uma espécie de lenda urbana.

Gravado em duas sessões nos dias 14 e 20 de maio de 1969 no estúdio da Columbia na rua 52, em Nova York, o disco foi produzido pelo próprio Miles Davis e seu braço-direito Teo Macero, mago da pós-produção responsável por nada menos que Bitches’ Brew (título que teria sido inspirado por Betty e suas amigas e que chamaria-se apenas Witches’ Brew caso a própria Betty não interferisse, exigindo o título gangsta), e conta com um time de músicos de cair o queixo. Além de Betty, The Columbia Years conta com o baterista do Jimi Hendrix Experience Mitch Mitchell, o baixista da Band of Gyspsys (o outro grupo de Hendrix) Billy Cox, o guitarrista John McLaughlin, o saxofonista Wayne Shorter, os tecladistas Herbie Hancock e Larry Young e o baixista Harvey Brooks (que tocou com Miles Davis e Bob Dylan) – e mostra como tanto Miles quanto Hendrix foram inspirados pela presença magnética de Betty e como ela própria veio criando a base para seus discos clássicos. Saca só algumas músicas:

O disco pode ser comprado direto no site da gravadora.

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Eis o clipe do single relâmpago que os Chemical Brothers soltaram na semana passada… O que será que vem por ai?

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We Got It from Here… Thank You 4 Your Service já é o melhor disco de rap de 2016 – e parece que pode ser o melhor do grupo – e nem é pela presença de Andre 3000, Jack White ou Kendrick Lamar, isso tudo é brinde. O que pega é o grupo parecer estar no auge, se liga:

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Separei lá no meu blog no UOL umas imagens do livro Star Wars Propaganda – A History of Persuasive Art in the Galaxy, inspirado na propaganda política do universo Guerra nas Estrelas.

Aproveitando a proximidade do lançamento de Rogue One, o ilustrador norte-americano Pablo Hidalgo reuniu uma série de cartazes de recrutamento e propaganda política do ameaçador Império Galático de Guerra nas Estrelas no livro Star Wars Propaganda – A History of Persuasive Art in the Galaxy, que foi lançado no mês passado pela editora Harper Collins, nos EUA. São ilustrações e pôsteres que ecoam a propaganda política dos Aliados e dos nazistas na Segunda Guerra Mundial como ironizam a guerra ao terror pós-11 de setembro. Eis algumas imagens do livro:

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O grupo de Dave Grohl está presente na caixa de aniversário do clássico 2112 fazendo uma versão para “Overture” – mais detalhes sobre a caixa no meu blog no UOL.

O trio canadense Rush anunciou o lançamento de várias versões especiais comemorativas de seu primeiro disco clássico, a ópera-rock 2112, lançada em 1976. E entre os inúmeros extras que aparecem em diferentes versões do box set especial está a versão que Dave Grohl e Taylor Hawkins, dos Foo Fighters, gravaram ao lado do produtor Nick Raskulinecz para a faixa de abertura do épico. Os três já haviam tocado a música ao vivo quando o Rush foi aceito no Rock’n’Roll Hall of Fame, em 2013. O próprio Rush compareceu e tocou seus hinos “Tom Sawyer” e “The Spirit of Radio”.

Pouco antes da apresentação ao lado do Rush, o próprio Dave Grohl falou da importância do Rush em um discurso apaixonado de puro nerdismo rock’n’roll, assista abaixo, em inglês:

E no ano passado o grupo de Grohl convidou um fã para cantar “Tom Sawyer” acompanhado por eles.

A caixa especial de aniversário, que conta com vinis, LPs, DVDs, pôsteres e um monte de outras coisas, já está à venda no site da banda e, além da versão Grohl, Hawkins e Raskulinecz para “Overture”, a caixa ainda conta com versões feitas por Alice in Chains (“Tears”), Billy Talent (“A Passage to Bangkok”), Steven Wilson, do Porcupine Tree (“The Twilight Zone”), e Jacob Moon (“Something for Nothing”).

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A versão atual para “Overture” pode ser ouvida no programa de rádio online The Strombo Show neste link (mova o cursor para os 46 minutos para ir direto para a versão). O programa também conta com uma entrevista com o guitarrista do Rush, Alex Lifeson.

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A dupla Formation, formada pelos irmãos Matt e Will Ritson, é o próximo nome inglês para você ficar de olho, vai vendo. O clipe de seu novo single, “Powerful People”, foi dirigido pelo Mike Skinner, dos Streets, e o grupo acaba de anunciar seu primeiro álbum – chamado Look At The Powerful People (veja a capa abaixo) – para março do ano que vem.

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O produtor francês Pierre-Alexandre Busson – que nós conhecemos como Yuksek – está às vésperas de lançar seu novo disco, Nous Horizon, que ele antecipa como uma volta às raízes de sua musicalidade – o que quer dizer que ele vai voltar à disco music, como dá para antecipar nesta deliciosa “Sunrise”.

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É sempre bom dar ouvidos ao mago norueguês da disco music, mesmo que ele esteja remixando alguém que você não conheça. O que deve ser o caso de seu conterrâneo violinista de jazz Ola Kvernberg, cujo álbum The Mechanical Fair está sendo lançado pelo selo de Terje. O produtor pegou a faixa-título do novo disco e deu aquele trato que a gente conhece e gosta…

A volta de Jesus!

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John Turturro descobriu uma forma de ressuscitar seu clássico personagem do Big Lebowski – falei sobre a ideia dele lá no meu blog no UOL.

“Nobody fucks with the Jesus!”, desmerecia o excêntrico Jesus Quintana, erguendo seu indicador em direção a Walter, Donny e ao Dude em uma das inúmeras cenas clássicas do épico chapado O Grande Lebowski, que os irmãos Coen dirigiram em 1998. Nem mesmo o próprio John Turturro, criador de um dos personagens coadjuvantes mais memoráveis da filmografia dos dois irmãos (o que não é pouco), poderia manchar a reputação de um tipo tão memorável. Vestido com seu macacão púrpura, suas mãos cheias de aneis e o ar sexualmente tenso de sua relação com o boliche, Jesus Quintana tem poucos minutos de duração na tela, todos memoráveis.

O que deixou Turturro ansioso para continuar o personagem, que desde o filme original vem cogitando uma continuação ou filme derivado, mas nunca achou o momento correto. Até agora. Ao penar para criar o protagonista de seu novo fime, sua sexta incursão na direção, o ator da série The Night Of teve uma revelação.

O filme que está dirigindo é uma adaptação norte-americana do filme francês Les Valseuses (Corações Loucos, em português e Going Places, em inglês) de 1974, um jornada sexual na estrada vivida pelo trio de personagens interpretados por Gérard Depardieu, Patrick Dewaere e Miou-Miou. Turturro atua como o personagem vivido originalmente por Depardieu, chamado Jean-Claude, e o ator não conseguia chegar a uma personalidade específica para o papel.

“Eu ficava chamando-o de ‘JC’ e ele me lembrou de um personagem que eu havia feito em uma peça há muitos anos que inspirou Joel e Ehtan (Coen) a escrever o personagem Jesus Quintana”, disse o ator em entrevista ao site Screen Daily. “Então eu pensei: ‘Uau! Sempre falamos em fazer algo com Jesus Quintana mas era sempre besta’. Eu comecei a brincar com isso e pensei que podia chegar em algo com a ironia e a irreverência do personagem.”

“Eu o conheço de uma forma muito mais complexa do que o que as pessoas viram no filme, que era uma versão trailer do personagem”, continua o ator. Convicto da ideia, foi apresentá-la aos Coen, que gostaram da reviravolta. “Eles meio que piraram. Eles acharam uma ótima ideia e me disseram: ‘pegamos um personagem de uma peça de teatro e agora você quer colocá-lo em um filme francês que foi inspirado nos road movies norte-americanos.’

Going Places, o filme de Turturro, também contará com Bobby Cannavale (da série Vinyl) vivendo o personagem que foi de Patrick Dewaere, Audrey Tautou vivendo o papel que era da atriz Miou-Miou, além de Susan Sarandon e da brasileira Sonia Braga. Ele está sendo filmado em Nova York e ainda não tem data de lançamento, apenas uma sinopse e a foto de divulgação abaixo:

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John Turturro vive Jesus Quintana em Going Places, um filme sobre um trio de desajustados cuja dinâmica irreverente e sexualmente carregada evolui para uma surpreendente história de amor enquanto sua atitude irreverente e espontânea sobre o passado e futuro sai pela culatra de vez em quando, mesmo quando eles sem querer fazem o que é certo. Ao se tornarem inimigos de um cabelereiro armado, sua jornada se torna uma constante fuga da lei, da sociedade e do cabelereiro, enquanto os vínculos de sua família incomum se tornam mais fortes.

Jeff Bridges já tinha dito que gostaria de fazer uma participação neste filme, mas até agora não há nenhuma menção ao nome do Dude…