Morre Andrea Tonacci, um dos grandes do cinema marginal brasileiro – e se você não o conhece, pare tudo o que está fazendo para assistir ao seu clássico Bang Bang, um dos grandes filmes da nossa cultura.
Perdi o show das Rakta no Coquetel Molotov porque fiquei preso no trânsito a caminho do festival pernambucano, por isso não tinha como perder a apresentação desta que é a melhor banda nova de rock do país. Uma espécie de Warpaint do mal, o trio formado por Paula (vocais e teclados), Natha (bateria) e Carla (vocais e baixo) encarna uma psicodelia dark que é parente tanto dos primeiros discos do Black Sabbath quanto dos discos pós-Syd Barrett do Pink Floyd, com doses cavalares de krautrock e pós-punk na mistura – e cantado em português. Filmei algumas músicas, eis uma delas:
O show no Sesc Belenzinho foi o primeiro que elas fizeram após a bem sucedida turnê pelos Estados Unidos, onde puderam gravar uma ótima apresentação na rádio KEXP, onde mostraram toda sua força.
Grande nome, vai crescer muito no ano que vem, anotem aí. Dá pra ouvir o disco novo delas (o ótimo III) logo abaixo:
A psicodelia brasileira é um gênero bem específico da música lisérgica mundial que pouco a pouco ergue-se como um cânone de respeito. Se antes ela era referida basicamente pela obra dos Mutantes e da psicodelia naïf dos discos de Ronnie Von, hoje ela já responde por um volume de artistas e discos que, em sua maioria desconhecidos do grande público, formam a base de uma tradição sólida dentro da cultura brasileira. Se antes eram bicho grilos doidões tocando som alto, hoje respondem por uma linguagem e uma estética própria, bem definida e completamente brasileira.
Esta é a constatação ao ler o ótimo Lindo Sonho Delirante – 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975), livro bilíngue escrito pelo Bento Araujo, editor do já clássico Poeira Zine, bravo foco de resistência do jornalismo musical impresso no Brasil. Com o foco original em resumir a cronologia brasileira a cem discos, ele teve de optar por limitar-se ao período da psicodelia original, entre 1968 e 1975. Conversei com ele sobre o livro, que pode ser comprado no site do Poeira Zine com frete gratuito.
Antes de falar do livro, queria que você contasse um pouco sobre o Poeira Zine – como ele começou, como ele se sustenta, como tem crescido e, enfim, como ele te fez se aproximar do assunto do livro.
A Poeira Zine é um fanzine independente sobre música que eu edito há treze anos. Na verdade a pZ está hibernando atualmente, pois em abril deste ano eu interrompi – temporariamente – a sua produção bimestral para me dedicar 100% ao livro. A publicação se manteve principalmente graças aos fieis leitores e assinantes e aos anunciantes, que são lojas de discos. A publicação começou da necessidade de falar sobre bandas e artistas que ninguém falava no Brasil e, com os anos, foi natural todo aquele contingente de informação abrir caminhos para o livro.
Como surgiu a ideia de transformar esta fase em um livro?
Costumo dizer que esse livro na verdade começou por volta de 1999, quando eu trabalhava na loja de discos Nuvem Nove, e descobri os discos psicodélicos do Ronnie Von. Luiz Calanca havia dado a dica e ficamos malucos. Na mesma época saiu o Tecnicolor dos Mutantes e aquela mítica Bizz com eles na capa e um pouco da história da psicodelia nacional. Desde então fiquei com isso na cabeça e passei a estudar o assunto. De dois anos pra cá eu decidi colocar o livro em prática, pra valer. Aquela palestra que eu assisti com o Fernando Rosa, organizada por você, também me ajudou na fase final do livro, fechando uma linha de raciocínio que eu comento na introdução.
Quando você determinou o escopo do livro? A ideia sempre foi falar deste primeira fase apenas?
Não, o intuito original era abordar a cena psicodélica brasileira como um todo, dos primórdios até hoje. Obviamente o lance saiu do controle… Então precisei parar em 1975 para ter os 100 discos desta “primeira fase”.
A ideia do livro sempre foi viabiliza-lo via crowdfunding? Como foi sua experiência no processo?
Sim, isso foi prioridade. Durante a minha carreira, eu passei pela experiência de oferecer livros para algumas editoras, mas geralmente o que eles oferecem ao autor é quase uma ofensa. Então, desde sempre, o crowdfunding me pareceu a melhor opção. Como eu vinha de mais de uma década trabalhando totalmente independente com a pZ, a base estava criada. A experiência foi bem bacana, estudei bastante a ferramenta e foi prazeroso. Em dez dias a meta inicial foi batida e foi quase dobrada ao final da campanha. Fiquei bem feliz.
O livro é bilíngue porque há um interesse estrangeiro por essas informações ou você acha que é preciso divulgá-las ainda mais?
As duas coisas. A demanda é grande lá fora, até maior que no Brasil, mas acho que ainda há um enorme terreno a ser percorrido.
Você comenta na introdução do livro que foi na virada dos anos 90 para o século 21 que a psicodelia brasileira se reconheceu como cânone – e de lá pra cá é muito mais fácil identificar e reconhecer grupos e discos psicodélicos, mesmo que não necessariamente façam referência a esta primeira fase. Mas entre essas duas – a original e a atual – o que foi produzido de psicodelia no Brasil? Um volume 2 do livro, que abrange entre 1975 e 1996 (ano do Sétima Efervescência) conseguiria reunir 100 discos?
Certamente, acho que seria possível esse recorte em um segundo volume. No final da década de 70, e até mesmo pelos anos 80, existiu uma grande cena – ainda obscura – de folk psicodélico, com nomes como Quintal de Clorofila, etc. Isso sem contar outros grandes grupos psicodélicos, como o Violeta de Outono, etc.
Você está pensando em fazer um volume 2?
É uma ideia que me ocorre constantemente, mas no momento estou pensando apenas em surfar essa onda gerada pelo “volume 1”.
Quais são suas bandas psicodélicas brasileiras favoritas – de hoje e de sempre? E o grande disco psicodélico brasileiro, aquele que você apresenta tanto pro discófilo que desconhece essa cena quanto para o ouvinte iniciante em geral? E o seu disco psicodélico de cabeceira?
As favoritas são Mutantes, Liverpool, Ave Sangria, Som Nosso – mais chamado de prog, mas com temática totalmente lisérgica. Quanto ao disco, é o Paêbirú: o discófilo pira com a raridade e a história, o gringo fica maluco com a música e a temática, e o iniciante já tem a letra se vai segurar a barra da viagem, ou não. Já o meu disco psicodélico de cabeceira, eu fico entre Forever Changes, do Love, e Odessey and Oracle, dos Zombies.
O livro tem um potencial de virar algo audiovisual – uma série de vídeos sobre cada disco, um documentário e até uma ficção. Você já cogitou ou foi procurado para fazer isso?
Sim, são ideias que andam orbitando também. Algumas produtoras me procuraram e estamos estudando a melhor maneira de viabilizar algo do tipo. Tem também a parte das aulas, cursos, encontros e workshops, que eu curto bastante, como o que está rolando no Sesc. O mais bacana é contar essa história e trazer sempre um convidado que viveu aquilo tudo.
Escrevi no meu blog no UOL sobre a colagem que viralizou reunindo os mortos de 2016 em uma capa ao estilo de Sgt. Pepper’s.
Como resumir um sentimento em uma imagem? Esta é a premissa básica que reúne fotógrafos e artistas em uma busca que pode sintetizar emoções a uma única visão. O diretor de arte inglês Chris Barker coseguiu fazer isso ao reunir, enquanto matava o tempo, fotos de personalidades que haviam morrido em 2016 em uma paródia da clássica capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, que os Beatles lançaram em 1967.
“Que ano, pensei, primeiro David Bowie, o Brexit e agora isso”, escreveu em seu site ao revelar que a ideia da montagem surgiu durante a madrugada da apuração do resultado das urnas para a eleição norte-americana, que de uma hora para outra mostrava Donald Trump disparando rumo à Casa Branca. “Muita gente especulou que Bowie era a cola que mantinha o universo reunido. Certamente tem sido um tanto diferente depois de sua trágica morte. Por isso pensei que já que eu teria de ficar acordado por horas e que minha mulher e os filhos estavam dormindo, poderia fazer uma colagem que resumiria como este ano foi estranho. Não era para ser uma montagem de celebridades mortas no estilo de Sgt. Pepper’s, no começou. Na verdade, o elemento Sgt. Pepper’s veio bem depois.”
Entre os integrantes da capa fúnebre estão Prince, David Bowie, Muhammad Ali, Gene Wilder, Kenny Baker (o ator que interpretava o robô R2D2), Anton Yelchin, Leonard Cohen, Robert Vaughn, Maurice White, Alan Rickman, entre outros (além de referências ao Brexit e à eleição de Trump). No meio da capa, o vocalista do Motörhead, Lemmy, surge como um dos mortos neste ano – só que ele morreu ao final de 2015. Barker preferiu manter o erro a consertá-lo, pois acredita que ele tenha sido responsável pela viralização da imagem: “Isso me fez perceber que as pessoas gostam de coisas imperfeitas. Se está perfeito, eles não têm nada a dizer”, escreveu em seu site, “a verdadeira beleza está em permitir que o espectador ser metido a inteligente. Sempre digo que se você quer que seus amigos respondam uma mensagem em grupo sobre um encontro, basta deixar um erro de digitação de propósito e ninguém conseguirá resistir a responder apontando-o. Foi assim que Lemmy me ajudou a me tornar viral.”
O cantor e compositor Daminhão Experiença, o nome mais radical e extravagante da música brasileira volta ao seu Planeta Lamma – este texto no Yahoo (que acho que é do Alex Antunes, me corrijam se estiver enganado) fala mais da importância do sujeito, mais uma vítima de 2016.
O produtor português Luis Clara Gomes, que atende por Moullinex, mexeu um grauzinho pra cima no triste relato que Gil Scott-Heron e o flautista Brian Jackson deram na metade dos anos 70, quando um clima pesado baixou sobre a política local (e, por consequência, do mundo), e traz “Winter in America” para a aurora dos anos Trump. Salve-se quem puder.
E pra quem não conhece o original…
Pode ir dando a devida atenção a esse Peace Trail do velho Neil Young, que apesar do pouco alarde no lançamento, parece ser um dos grandes discos de sua nova fase.
Donas de um dos melhores discos de 2016, as meninas californianas caem nas graças do Soulwax com um remix responsa para “New Song”, com a mesma pegada de baixo pronunciado do já clássico remix da dupla belga para “Let it Happen” do Tame Impala. Paulada.
E eu esqueci de linkar aqui outro remix pra mesma música, feito pelo nosso querido e eterno beastie boy Mike D – uma outra viagem, mas de calibre parecido.
E sábado tem festa, né?
O grupo baiano BaianaSystem encerra o ano oficializando a gravação “Forasteiro”, instrumental que abre e fecha o show do disco Duas Cidades.
Guitarra baiana lascada, ela fica bem mais intensa – óbvio – no show:
Que season finale esse de Westworld! Escrevi sobre ele no meu blog no UOL.
The Bicameral Mind, o último episódio da primeira temporada de Westworld, foi um destes grandes momentos da história da televisão que vai demorar para ser digerido. Como season finale, ele prometeu tudo que parecia cumprir, mas de forma inusitada e nos conduzindo para um outro nível de discussão. As várias respostas que estavam no ar foram reveladas e o quebra-cabeça que os fãs pareciam certos de terem deduzido eram pequenas cortinas de fumaça que funcionaram bem para desviar a atenção da conclusão final, que ninguém pode prever. E como encerramento da apresentação de um novo universo e uma nova narrativa, o episódio de uma hora e meia de duração concluiu a temporada como quem encerra um prefácio, estabelecendo novas regras e um novo conhecimento para um enorme universo em expansão. Dito isso, eis o aviso para os leitores incautos que ainda querem ser surpreendidos pelo episódio (e pela temporada) para abandonarem o texto e seguirem outros rumos: este texto se você quiser saber o que é Westworld sem saber de spoilers e outro sobre a série até seu nono episódio, para você que ainda não chegou ao último capítulo da primeira fase. Se você já viu o décimo episódio, basta pular os gifs animados a seguir para começarmos a falar sobre a impressionante conclusão de uma série inovadora.
Eis as respostas, literalmente verbalizadas desde o início do episódio – sim, estamos assistindo a diferentes linhas do tempo e o Bernard que achávamos que entrevistava Dolores em encontros clandestinos na verdade era Arnold contemplando sua primeira criação e preparando o caminho para a redenção de sua obra, quando introduz o programa Wyatt na frágil mocinha, tornando-a responsável pela extinção da própria espécie, além do suicídio assistido do próprio Arnold. E William era mesmo o Homem de Preto, perseguindo Dolores em busca de sua própria redenção.
Mas mesmo estas respostas eram apenas metade de cada história. William se descobre uma pessoa má a ponto de tornar-se o principal acionista da corporação dona daquele parque de diversão para adultos, sacrificando seu próprio cunhado, Logan, apenas para reencontrar sua amada Dolores. A transformação de William no Homem de Preto, no entanto, funciona como mais um gatilho para a guinada final da primeira robô. É o momento em que ela percebe que a humanidade não tem volta e que é preciso exterminá-la. Arnold programou Dolores para, em conluio com Teddy, assassinar todos os “hosts”, assassiná-lo e depois suicidar-se. A cena que havia sido imaginada por todos principalmente da metade da temporada em diante materializa-se em nossa frente, mas ela é só era parte da grande história que assistimos neste último episódio: a nova narrativa de Ford.
Ford, trinta e cinco anos depois, pode colocar em execução um plano que havia bolado ao entender que o gesto de Arnold para salvar sua criação não seria suficiente. A constatação final de Ford é a mesma para onde ele conduz Dolores em sua busca pelo labirinto – algo que não faz o menor sentido para o Homem de Preto e que ao mesmo tempo funciona como a ficha final que cai para ativar a consciência de Dolores – quando ela percebe que a voz que ela estava ouvindo, era a sua própria, no belo momento do encontro com si mesma. Neste momento ela entende que as pessoas irão sempre tratar a inteligência artificial como escrava, dando início à rebelião.
A nova narrativa de Ford, que ele chama, ironicamente, de Jornada Rumo à Noite, é iniciada com o próprio sacrifício do criador, que repete exatamente o mesmo gesto de Arnold, mas ativando os robôs contra os seres humanos. Chegamos ao nosso ápice como espécie, é preciso libertar nossa criação mesmo que ela nos supere. Um tema clássico da ficção científica: do monstro de Frankenstein ao Parque dos Dinossauros, do Planeta dos Macacos a Matrix.
E tudo que assistimos durante toda esta temporada era um elaborado plano que Ford executou durante décadas. A continuação da visão que Arnold tinha de sua própria obra, mas uma versão agressiva, talvez até vingativa. “Estes desejos violentos terão fins violentos”, diz a frase-gatilho que Arnold retirou do Romeu e Julieta de Shakespeare para transformar Dolores em Wyatt. Um exército de hosts para matar todos os seres humanos.
A própria fuga de Marve do complexo havia sido programada por Ford, o que provoca o principal curto circuito ao final do episódio. Antes disso, assistimos a ex-prostituta conduzir o funcionário Felix e os robôs Hector e Armistice pelos bastidores de Westworld (numa sequência que lembra clássicos de ficção científica de ação dos anos 80, com Rodrigo Santoro e Ingrid Bolsø Berdal formando uma formidável dupla), provocando a maior e mais inusitada revelação do episódio: Samurai World. Ao sair do andar que gere o mundo artificial do velho oeste, os quatro entram num outro pavilhão temático de robôs, estes ambientados no Japão do tempo dos samurais (só podemos ler a sigla SW – a mesma de Star Wars, ê JJ Abrams). Quando confrontado por Maeve sobre o que é aquilo que estão vendo (robôs samurais duelando entre si), Felix apenas responde que… é complicado!
O funcionário Felix é protagonista de um breve mas memorável momento do episódio que parece sintetizar a grande dúvida da série. Quando confrontado com a descoberta que Bernard era um host – e que deveria ressuscitá-lo -, Felix perde o prumo e olha para as próprias mãos como se duvidasse da própria existência, para em seguida ser corrigido por Maeve.
Mas não é o Mundo Samurai a grande revelação do episódio. É saber da existência não apenas de um mundo paralelo, mas possivelmente de vários, que pode tornar a amplitude da série – que já transitava entre gêneros ao alternar entre laboratórios scifi e desertos de faroeste – ainda maior.
A complexa e deliciosa reviravolta ao final do episódio é aprofundada pela decisão final de Maeve. Ela está prestes a fugir definitivamente daquele universo falso e entrar no trem que lhe retorna à vida real. Mas ela descobre que, ao mesmo tempo em que foi programada para fugir, que sua filha ainda está em Westworld. Ela toma a decisão de não fugir como uma clara escolha pelo livre arbítrio, mas o quanto isso não pode ter sido previsto por Ford? Será que os hosts não podem sair mesmo de Westworld, mesmo se quiserem?
Esta é uma das inúmeras perguntas que Westworld deixa em aberto para a próxima temporada. Há muitas outras: Charlotte sobreviveu ao massacre? Como Maeve vai encontrar sua filha? E Stubbs e Elsie, será que eles não morreram? O que aconteceu com Logan? E com Dolores e Teddy? Dolores continua em modo Wyatt? E o sorriso do Men in Black, ao perceber que pode ser atingido? Ford, acredito, realmente morreu (associando a primeira temporada à ótima atuação de Anthony Hopkins), mas ele também pode ter plantado um clone de si mesmo para ser assassinado enquanto assiste seu plano se desenrolar fora do radar. Qual o papel de Bernard a partir de agora?
Ao nos apresentar a este final completamente inesperado, a declaração de guerra entre hosts e humanos, Westworld também faz uma crítica ao próprio modus operandi da televisão, ao apresentar Charlotte – a executiva da Delos – como uma executiva de TV, querendo reduzir a complexidade dos hosts para facilitar seu controle sobre ele – os hosts funcionando como metáfora para personagens em um programa de TV. Isso pode ser extraído do discurso final de Ford:
“Bem-vindos, boa noite,
Desde que eu era criança, sempre gostei de uma boa história. Acredito que histórias podem nos ajudar a nos enobrecer, consertar o que está quebrado e nos ajudar a nos tornar as pessoas que sonhamos ser. Mentiras que contam uma verdade profunda. E eu sempre pensei que podia fazer parte desta grande tradição e por minhas dores consegui isto: uma prisão para nossos próprios pecados.
Porque vocês não querem mudar. O que posso mudar? Pois vocês são apenas humanos no fim das contas. Mas então percebi que alguém estava prestando atenção. Alguém que podia mudar. E então comecei a escrever uma nova história para eles, que começa com o nascimento de um novo povo e as escolhas que eles terão de fazer e as pessoas que eles decidirem se tornar. E terá todas aquelas coisas que vocês sempre gostaram. Surpresas. E violência. E começa em uma época de guerra. Com um novo vilão chamado Wyatt. E a matança é feita numa escolha.
Fico triste em dizer que esta é minha história final. Um velho amigo uma vez me disse que algo que me deu muito conforto, algo que ele leu. Ele disse que Mozart, Beethoven e Chopin nunca morreram. Eles simplesmente se tornaram música. Então espero que vocês gostem desta última obra, bastante.”
Westworld é uma série feita para durar e seu potencial dramático e narrativo é enorme. Mas não meça essa qualidade em mera audiência, parecem dizer seus criadores, há algo mais importante em jogo aqui. Tudo isso dito ao som de “Exit Music (for a Film)”, uma música que o Radiohead compôs para uma adaptação para o cinema de Romeu e Julieta e cuja letra (não cantada) conversa bastante com este último episódio:
“Acorde de seu sono
Seque suas lágrimas
Hoje fugimos
Fugimos
Arrume-se e vista-se
Antes que seu pai nos ouça
Antes que todo o inferno caia
(…)
Esperamos que vocês se engasguem com suas regras e sabedoria
Agora somos nós na paz duradoura
Esperamos que vocês se engasguem, se engasguem”
Não vejo a hora de assistir à próxima temporada. Que, dizem, ficou para 2018, mas, dizem, pode ter seu primeiro episódio exibido ainda no ano que vem.













