É possível assistir à nova temporada sem nunca ter visto nenhum episódio da série de David Lynch? Falei sobre isso no meu blog no UOL.
David Lynch ressuscitou Twin Peaks sem apelar para a nostalgia. Claro que o universo de pessoas estranhas e entidades sobrenaturais da série que inaugurou a atual era de ouro da TV recorre a nomes e lugares reconhecíveis pela maioria dos fãs da série, mas a quantidade de desdobramentos, locações e novas situações apresentados em seus quatro primeiros episódios é suficiente para deixar até os maníacos pelo seriado original completamente perdidos. E isso não é ruim – em se tratando de David Lynch, na verdade, é exatamente o que esperamos dele. É, inclusive, é uma boa notícia para quem quer entrar na fauna exótica criada por um dos maiores artistas norte-americanos sem ter se aventurado pelas duas primeiras temporadas do seriado, exibidas entre 1990 e 1991.
Respondendo à pergunta do título: sim, dá para assistir à nova temporada sem conhecer nada do seriado. Mas isso não quer dizer que você entenda o que está acontecendo. Na real, essa é a premissa básica de qualquer obra do cineasta (tirando o mal-resolvido Duna, de 1984, único filme que escapa de seu universo transcendental, incompreensível devido ao embate entre a obra original, as expectativas do estúdio e a visão que Lynch tinha sobre o tema). Os dois primeiros episódios, que já estão disponíveis para serem vistos no Brasil pelo Netflix, reintroduzem personagens clássicos e queridos aos fãs da série da mesma forma como eles foram apresentados há um quarto de século: não há uma explicação básica sobre suas histórias anteriores muito menos sobre suas motivações. O terceiro e o quarto episódios, liberados pelo canal norte-americano Showtime, aprofundam-se ainda mais na complexidade do tema.
Como no início dos anos 90, vamos aprendendo as histórias dos habitantes da minúscula cidade que batiza a série à medida em que a nova temporada vai sendo reapresentada. Claro que para quem já os conhece, há um certo conforto em reencontrar velhos conhecidos como Tommy “Hawk” Hill, Andy Brennan, Lucy Moran, Bobby Briggs, James Hurley, Gordon Cole, Albert Rosenfield, Denise Bryson, Leland Palmer, o Gigante e, claro, o Agente Dale Cooper, entre outros, e ver como todos estão vinte e cinco anos depois que eles foram vistos pela última vez. Mas esse gostinho de nostalgia é minúsculo comparado com a quantidade de cenas surreais e estranhas e personagens distintos que Lynch nos apresenta em 2017.
A partir daqui vou mencionar alguns detalhes que podem tirar a graça de quem quer assistir às surpresas da terceira temporada. Se você quiser manter-se intacto (recomendo esta sensação), vire os olhos e clique em outro lugar para não ler o que vem abaixo destes gifs animados.
Sim, o agente Cooper ainda está preso em uma realidade paralela, aparentemente alheio a todas as transformações que aconteceram no mundo nos últimos vinte e cinco anos. Mas o black lodge, o sinistro quarto de cortinas vermelhas em que foi aprisionado, aparece em preto e branco e aos poucos vemos como o personagem vivido por Kyle MacLachlan escapa dali, desdobrando-se em três personagens diferentes (embora idênticos): o correto Cooper, ainda estático após décadas sem contato com a civilização; o sinistro Bob Cooper (ou Dark Cooper ou simplesmente seu doppelgänger, como a série prefere referir-se a ele), que seria a encarnação do espírito maligno Bob no próprio agente, como vimos no último episódio da segunda temporada; e um tal Dougie Jones, que parece ter surgido do nada. Estes três seres se envolvem em cenas que incluem o espaço sideral, o Gigante com suas dicas enigmáticas, a passagem por um isqueiro de carro, assassinatos brutais, sons estranhos, uma fumaça que sai de uma tomada, uma mulher sem olhos, um cassino premiado, um acidente de carro, vômitos caprichadamente nojentos, uma árvore em forma de neurônio, um porta-malas com uma perna de cachorro e a aparição de Laura Palmer. “Helloooo!”, entusiasma-se um deles repetidas vezes em uma dessas situações.
Confuso? Isso não é nada. Some isso a um portal interdimensional mantido em segurança máxima, um corpo cuja identidade é um segredo militar encontrado ao lado da cabeça de uma bibliotecária, números que surgem como pistas aleatórias, a fatídica rosa azul, um diretor de escola que é preso por um assassinato em outra cidadezinha fictícia do interior dos EUA, cenas em uma Nova York que parece uma fonte de luz, coelhos de chocolate, agentes do FBI que pareciam ter desaparecido, ancestralidade indígena, a última aparição da Log Lady, uma espécie de deus sumério que desaparece em uma cela de uma cadeia (apenas para vermos sua cabeça flutuando rumo ao nada), dúvidas sobre o passado, o presente e o futuro, pessoas que encolhem, relógios que marcam horas-chave, muito sexo, muita violência, muitas contradições e canções que hipnotizam.
Esqueça a busca por significado – esse é o desafio que Lynch nos propõe. Ele prefere criar cenas mágicas e surreais que não precisam ser explicadas apenas pela beleza estética delas e sons que ecoam no fundo da cabeça (o diretor também assina o design do áudio da série, o que torna obrigatório assisti-la em um equipamento provido de boas caixas de som – ou, pelo menos de fone de ouvido). Os quatro primeiros episódios de Twin Peaks vão além do mero entendimento e propõem ao público a degustação de uma viagem audiovisual que independe de significado. Estamos assistindo a um museu de novidades, algumas reconhecíveis, outras completamente absurdas.
Talvez a melhor metáfora para a série seja o tal portal interdimensional, que faz um sujeito observar uma caixa de vidro em um sofá arquetipicamente desenhado para parecer uma clássica sala de estar em frente a uma TV. É como se Lynch dissesse que sua série fosse o tal portal interdimensional e para não nos descuidarmos do que assistimos, mesmo que não pareça nada, para não sermos devorados, assustados ou engolidos pelo inusitado, pelo súbito, pelo improvável.
Há vinte e cinco anos Lynch redefiniu a forma como assistimos televisão – e todas as grandes séries desde então (Sopranos, Mad Men, Arquivo X, Breaking Bad, Buffy – A Caça-Vampiros, Walking Dead, Lost, The Killing, 24 Horas, West Wing e The Wire) foram diretamente influenciadas por suas cenas surreais, suas viradas de roteiro inusitadas, seus personagens tortos e cenários absurdos. Se ele novamente revolucionar a televisão a partir desta nova fase de Twin Peaks, pode ficar tranquilo que os próximos vinte e cinco anos na TV serão muito, mas muito estranhos. A pergunta principal não é mais “quem matou Laura Palmer?” e sim “que diabos é isso que estou assistindo?” Aceite o desconhecido.
E não se assuste se David Bowie – o próprio – surgir em algum momento nos próximos episódios. A deixa foi dada.
Quando, no início de março, a gravadora Echo Park Records anunciou que os Chromatics estariam envolvidos com a trilha sonora de Twin Peaks, o fez soltando uma imagem no Twitter que, entre elementos caros à série e à banda, ainda trazia discos de vinil quebrados – todos com o rótulo de Dear Tommy.
Harry, I'm going to let you in on a little secret: Chromatics and Johnny Jewel are involved with the new season of Twin Peaks pic.twitter.com/RHpx1SrEVd
— Echo Park Records (@echoparkrecords) March 7, 2017
Os fãs sabem, mas quem não acompanha a trajetória sabe que Johnny Jewel vem adiando o lançamento do segundo disco dos Chromatics – o tal Dear Tommy – há anos. Com o anúncio do envolvimento de Johnny com a trilha da nova temporada do seriado de David Lynch, o dono da Echo Park, Alexis Rivera, publicou uma série de tweets falando sobre como Johnny destruiu todas as cópias do disco que estava prestes a ser lançado – e como isso é um bom sinal. Entenda:
Enough people have asked about Dear Tommy and the status of the album, I think it's time for an update https://t.co/5A3znJr4Fs
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Muita gente vem me perguntando sobre Dear Tommy e a quantas anda o disco, acho que é hora de uma atualização.”
Christmas day 2015 Johnny almost died in Hawaii. I don't want to go into details, but I'm sure he'll discuss it in interviews at some point.
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“No natal de 2015, Johnny quase morreu no Havaí. Não quero entrar em detalhes, mas tenho certeza que ele discutirá isso em entrevistas em algum momento.”
When he came back home to California he destroyed all copies of Tommy. 15K CDs & 10K vinyl in the Italians warehouse in Glendale, all gone
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Ele voltou para sua casa na Califórnia e destruiu todas as cópias de Dear Tommy. 15 mil CDs e 10 mil vinis que estavam no galpão da Italians Do It Better, em Glendale, todos destruídos.”
When we announced "Twin Peaks" in March, you can see some of those broken Tommy records https://t.co/Ink9W8hI24
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Quando anunciamos a participação em Twin Peaks, em março, dá para ver alguns destes Dear Tommy quebrados.”
Is it weird to destroy & delete your album once it's done? Fuck yes. It's also financially insane. But it wasn't the first time he's done it
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“É estranho destruir e deletar seu disco depois que ele está feito? Porra, sim. E também é financeiramente insano. Mas não foi a primeira vez que ele fez isso.”
March of 2011: Glass Candy was playing in Guadalajara & Johnny gave me a box of Kill For Love CDs. He wanted the album out later that month.
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Em março de 2011, o Glass Candy estava tocando em Gadalajara e Johnny me deu uma caixa com os CDs do Kill for Love. Ele queria que o disco saísse no final daquele mês.”
Then he got hired to score Drive, then that went absolutely snafu. Shit comes up all the time that changes things. Sometimes it's a blessing
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
‘Então ele foi contratado para fazer a trilha de Drive e ficou completamente maluco. Merdas acontecem o tempo todo e mudam tudo. Às vezes, é uma bênção.”
Johnny destroyed the CDs & vinyl of that version of Kill For Love in April 2011. Publicly no one knew. But it kickstarted a creative streak
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Johnny destruiu todos os CDs e vinis daquela versão de Kill for Love em abril de 2011. Ninguém soube disso publicamente. Mas deu início a um surto criativo.”
He worked more on Kill For Love, he worked on Symmetry's Themes, he worked on more music that I hope we'll hear sooner rather than later
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Ele trabalhou mais em Kill for Love, trabalhou nos temas do Symmetry, trabalhou em mais música que eu achei que íamos ouvir bem mais tarde.”
He even referenced the other version of Kill For Love (and multiple changes) in an interview with @pitchfork in 2012 https://t.co/PZTySumQOU pic.twitter.com/8c7XBsS14l
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Ele ainda fez referência à outra versão de Kill for Love (e múltiplas mudanças) e em uma entrevista à Pitchfork em 2012.”
“Eu originalmente imaginava que Kill for Love fosse sair em 2010; havia uma versão que já havia sido feita, mas era risível, constrangedora. Eu fico muito feliz de ter desistido dela. No total, acho que fiz dez versões do disco com mixagens, masterizações e velocidades diferentes para as canções. O disco foi masterizado seis vezes diferentes ao todo e então eu fiz uma coletânea com os melhores momentos de todas as masters, os edits e os tempos que formavam o arco mais eficaz. Mas todo mundo achava que éramos loucos.”
Anyway back to Johnny almost dying. After he went on another streak. Doing Tommy. Producing new acts like Heaven. Doing films & "Twin Peaks"
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Bom, de volta à quase morte de Johnny. Depois disso ele teve um outro surto. Ao fazer Tommy. Produzir novos artistas como Heaven. Fazer filmes e Twin Peaks.”
As for Dear Tommy, now that we are getting closer to the release of the album, Johnny wanted the music from it to come down
— Echo Park Records (@echoparkrecords) May 3, 2017
“Sobre Dear Tommy, acho que estamos chegando perto do lançamento do disco. Johnny queria que a música dele soasse caindo.”
Enquanto Dear Tommy não aparece, os Chromatics oficializam a versão de “Shadow” que fizeram para a trilha sonora do novo Twin Peaks – quando tocaram a faixa ao vivo no segundo episódio da série.
E essa versão os Fatnotronic – ao lado dos Poolside – fizeram para essa pérola da Evinha escondida no final do lado A de seu Cartão Postal, de 1971? Dá pra imaginar o Gorky começando a ouvir esse groove fantástico da abertura da música original e encaixando mentalmente os efeitos disco antes mesmo do vocal começar…
É a faixa de abertura de mais uma coletânea da ChitChat Records dedicada aos grooves brasileiros, o segundo volume da A Brazilian Compilation, que começou no começo deste ano.
https://soundcloud.com/chitchatrecords/sets/brazilian-compilation-series.
Já ouviu Boca? Dá pra baixar o disco todo de graça aqui.
Aproveitei o lançamento e pedi para o Curumin dissecar faixa a faixa este que é o melhor disco nacional de 2017 até agora. Taca fogo, Curuma!
Não é que o rap brasileiro esteja numa má fase, mas esse Galanga Livre, que o Rincon Sapiência acaba de lançar, leva a cena a um outro nível…
Ouve aí que depois eu falo mais sobre isso.
A banda Washed Out, liderada pelo ícone chillwave Ernest Greene e sem lançar nada desde o disco Paracosm, de 2013, anuncia novo álbum, batizado de Mister Mellow (a capa é essa aí em cima), e troca a Sub Pop pela Stones Throw. O anúncio foi feito com o clipe da “Get Lost”, essa bela colagem em movimento:
Outra coluna da Caros Amigos atualizada por aqui – esta da edição do mês de março, sobre o incrível show em homenagem ao mestre Lanny Gordin. Abaixo, os vídeos que fiz desse show:
Reverência ao mágico
Guilherme Held, Tulipa e Gustavo Ruiz reúnem ícones do pop brasileiro para saudar a importância do guitarrista Lanny Gordin
O que une “Chocolate” de Tim Maia a “Kabaluerê” de Antônio Carlos e Jocafi? Os discos Expresso 2222 de Gilberto Gil e o primeiro disco de Jards Macalé? “Atrás do Trio Elétrico” e “Não Identificado”? Além de ícones da música brasileira, todos eles contaram com o toque elétrico de um dos grandes instrumentistas brasileiros, o guitarrista Lanny Gordin. Comumente referido como “o Jimi Hendrix da Tropicália”, Lanny, felizmente, é muito mais do que isso. Mas, infelizmente, como a maioria dos músicos no Brasil, não tem o reconhecimento público de sua importância, o que inevitavelmente se traduz em condições financeiras. E a aposentadoria do músico – quando ela acontece – quase sempre é precária, devido a inúmeros percalços da prática que não se enquadram exatamente nas leis trabalhistas. Se o artista já anda na corda bamba entre o prazer e a remuneração, a arte e o comércio, o músico é quem mais sofre nesta dicotomia, quase sempre a linha de frente desta batalha.
Lanny não é reconhecido como compositor, mas por sua personalidade musical. O timbre elétrico rasgado até poderia ser característico dos grandes guitarristas de sua geração, mas Lanny o temperava com música brasileira, música erudita, free jazz e músicas do leste europeu, o que torna o título que o compara ao grande guitarrista da história do rock limitado. Enquanto Hendrix buscava as profundezas do blues de forma vertiginosa, Lanny ampliava o horizonte de sua paleta, mais próximo de um guitarrista de jazz do que de rock. Mais do que o timbre gritado ou os voos audazes que o músico fazia pelas cordas de seu instrumento, era o fraseado pontual, solos transformados em melodias (e vice-versa), riffs que praticamente abriam um diálogo com o resto da canção. Era uma voz presente que, uma vez percebida, torna-se uma das assinaturas musicais mais importantes daquele período, entre os anos 60 e 70, da música brasileira.
Um de seus discípulos, o guitarrista Guilherme Held, resolveu mexer-se para consertar esta falha da história. Em vez de esperar o reconhecimento póstumo que é caracteristicamente reservado a grandes artistas que morrem no ostracismo, o jovem músico começou a pensar numa homenagem em vida ao músico com quem morou junto em dois endereços diferentes – na Vila Mariana e em Perdizes -, além de ter tido uma banda com o mestre, no início do século.
A homenagem contou com a adesão imediata de outro discípulo ferrenho, o também guitarrista Gustavo Ruiz, irmão da cantora Tulipa Ruiz, e responsável pela presença do próprio Lanny no disco mais recente da irmã, Dancê, de 2015, produzido por Gustavo. É de Lanny o solo de “Expirou”, registro mais recente do guitarrista até agora, que está impossibilitado de tocar devido a problemas de saúde. Gustavo chamou a irmã de bate-pronto e em menos de um mês, os três levantaram o show Lanny Total, a homenagem hiperbólica que o músico merecia.
A vida de Lanny Total começou em um show na antiga choperia do Sesc Pompeia – que agora chama-se de Comedoria – que aconteceu em duas noites. Só a banda base já era de arregalar os olhos: Guilherme e Gustavo cada um com uma guitarra, Fábio Sá no baixo, Sérgio Machado na guitarra, Pepe Cisneros nos teclados, José Aurélio (que foi da banda de Lanny e Held, Projeto Alfa, no início da década passada) e Maurício Badé na percussão, além dos metais que incluíam Thiago França (sax alto e barítono), Amilcar Rodrigues (trompete e flugel), Filipe Nader (sax alto e barítono) e Allan Abbadia (trombone). Além destes subiram no palco Chico César, Mariana Aydar, Negro Leo, Péricles Cavalcanti, Rômulo Fróes, o irmão de Lanny Tony Gordin e Tulipa Ruiz, acompanhados também por Arnaldo Antunes, o hermano Rodrigo Amarante e Edgard Scandurra no primeiro show – o que assisti – e Heraldo do Monte, Juçara Marçal e Kiko Dinucci, no segundo. A discotecagem de abertura ficou por conta do DJ Nuts, um dos maiores especialistas em música brasileira do país, e a apresentação da banda a cargo do apresentador Luiz Thunderbird, além de uma performance do artista Aguillar.
No repertório, uma aula de psicodelia brasileira: “Back in Bahia” de Gilberto Gil, “Eu Vou Me Salvar” de Rita Lee, a versão que Caetano fez de “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo” de Monsueto em seu Araçá Azul e várias de Gal Costa, de quem Lanny era uma espécie de arma secreta durante sua fase de ouro – “Hotel das Estrelas”, “Não Identificado” e “Love ,Try and Die”, além de composições de Lanny com os novos músicos, como “O Peixinho Triste” com Rômulo Fróes, “Evaporar” com Rodrigo Amarante e a já citada “Expirou” de Tulipa Ruiz.
Mas a descrição do espetáculo não chega próximo da intensidade do sentimento. Mais do que celebrar a personalidade de um músico ímpar, o que acontecia naquele palco era uma conexão intensa com a música em si. Todos os envolvidos canalizados e conectados tanto com a musa – entidade maior que parece magnetizar músicos e espectadores – como entre si. A catarse mútua do rompante dionísico da canção de Monsueto transformava Scandurra, Arnaldo, Rômulo, Péricles e Amarante numa mesma voz. Tulipa e Mariana Aydar canalizavam a energia mais roqueira de Rita Lee e a mesma Tulipa hipnotizava o público num dueto jazzy com Negro Leo. O público se esbaldava extasiado com aquele delírio coletivo. A impressão que dava era que todo mundo ia sair se abraçando.
A última música – “Chocolate”, de Tim Maia – foi cantada por todos os convidados inclusive por um Criolo penetra, que não havia sido escalado oficialmente mas deixou-se levar pela força da música. Todos com seus maiores sorrisos, surfando na onda boa que o mestre guitarrista provocou há décadas. E agora o show pode ir para outros palcos e outras praças, tornando mais gente consciente da importância deste músico mágico.
Enquanto a segunda temporada da série nostálgica do Netflix Stranger Things não começa, seu protagonista Finn Wolfhard vive a vida de rockstar, tocando cover de New Order e tocando com Mac DeMarco – separei alguns destes momentos no meu blog no UOL.
O ator Finn Wolfhard, que faz o jovem Mike Wheeler na série de terror adolescente Stranger Things, sucesso no ano passado, está tendo um semestre agitado. Além de marcar presença no remake do filme It, inspirado no livro de Stephen King, e na adaptação para o cinema de Carmen Sandiego, o ator ainda consegue arrumar tempo para exercitar seus dotes de rockstar. Foi o que aconteceu no domingo passado, quando ele participou do show do herói indie da vez, o ótimo Mac DeMarco, na cidade de Atlanta, nos EUA, e mostrou que não é apenas um aluno da escola do rock, como dá pra ver nesses dois vídeos postados no Instagram da atriz Natalia Dyer, a Nancy de Stranger Things:
Isso sem contar a participação que a própria banda do ator fez no festival nostálgico Strange 80s, tocando uma versão para “Age of Consent”, do New Order, no início deste mês.
O garoto tem futuro.
O novo disco do Curumin vai pegar todo mundo de surpresa. Boca é seu trabalho mais ousado, com fortes tintas políticas (embora ele não ache seu disco mais político, como comentou comigo na entrevista abaixo), muita pós-produção, muito ritmo sincopado, os gêneros entrando uns nos outros, a brasilidade cada vez mais aflorada. O disco sai no fim desta semana e tem participações de diferentes artistas (que ele comenta também abaixo) e já é um dos discos mais importantes de 2017. E talvez seja o primeiro a refletir sobre essa situação política esquisitaça onde o Brasil se meteu – e a cutucá-la. Bati um papo com ele sobre minhas impressões sobre o disco. Até o fim da semana publico o faixa a faixa que ele fez do disco por aqui.
Boca é seu disco mais político?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-boca-e-seu-disco-mais-politico
O disco está sintonizado com a crise política atual – foi intencional?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-o-disco-esta-sintonizado-com-a-crise-politica-atual-foi-intencional
É um disco que procura andamentos incomuns, compassos tortos, ritmos atravessados, gêneros que se misturam…
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-e-um-disco-de-andamentos-incomuns-compassos-tortos-ritmos-atravessados
Por que Boca? Há um conceito por trás do disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-por-que-boca-ha-um-conceito-por-tras-do-disco
Ele tem uma força espiritual sutil e uma brasilidade escancarada.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-ele-tem-uma-forca-espiritual-sutil-e-uma-brasilidade-escancarada
Como foi a gravação? Fale do processo de composição do disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-como-foi-a-gravacao-fale-do-processo-de-composicao-do-disco
Há menos canções e mais experimentos de estúdio. Houve muita pós-produção?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-ha-menos-cancoes-e-mais-experimentos-de-estudio-houve-muita-pos-producao
Ele é orgânico e eletrônico na mesma medida – foi intencional?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-ele-e-organico-e-eletronico-na-mesma-medida-foi-intencional
Fale sobre as participações especiais do disco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-fale-sobre-as-participacoes-especiais-do-disco
Achei que o disco tem um que afrofuturista, você acompanha essa vertente?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-achei-que-o-disco-tem-um-que-afrofuturista-voce-acompanha-essa-vertente
Seu disco é uma resposta a falta de protesto na música brasileira atual?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/curumin-2017-seu-disco-e-uma-resposta-a-falta-de-protesto-na-musica-brasileira-atual
Lana Del Rey atravessa mais uma etapa de seu novo álbum Lust for Life e apresentou duas novas canções pela primeira vez ao vivo, em sua apresentação no festival californiano KROQ Weenie Roast Y Fiesta. Seguindo a linha girl group do início dos anos 60 que as canções sugerem, ela apresentou-se à caráter e começou com a faixa que batiza o disco, entoada a plenos pulmões pelo público:
E depois a inédita “Cherry”, em mais um golpe de mestre da bela de plástico.














