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Loki

2016

Deixo o Trabalho Sujo no piloto automático até a segunda semana de 2017. Antes de voltar à ativa, a já tradicional lista dos 75 melhores discos e 75 melhores músicas do ano que termina, a partir da segunda-feira. Enquanto isso, fiquem com esse panda destruindo um boneco de neve, feliz natal e que o ano que vem seja melhor que esse infame 2016.

Mas continuo na ativa tanto na página do Facebook quanto na conta do Twitter e no meu Instagram. Segue lá!

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Uma série lançada de supetão torna-se o último vício pop de 2016 – mas será que ela é tudo isso mesmo? Escrevi sobre minhas primeiras impressões sobre a série lá no meu blog no UOL.

Que final de ano! Ainda digerindo o final de Westworld, sob o impacto de Rogue One, e vem o Netflix e solta os oito primeiro episódios de The OA, uma inusitada série sobre uma mulher que ressurge depois de sete anos desaparecida. Misturando elementos de fantasia, ficção científica e terror, The OA é protagonizada por sua autora, a atriz e escritora Brit Marling, que divide a concepção da série com seu colega Zal Batmanglij, francês de pais iranianos que cresceu nos EUA. Juntos, Marling e Batmanglij já fizeram o scifi A Seita Misteriosa (2011) e o thriller O Sistema (2013) e os dois filmes dão uma ideia da amplitude de gêneros abordados pela dupla.

The OA segue a mesma linha, misturando espiritualidade, fantasia, sentimentalismo e o jogo entre relações com ficção científica pesada, terror psicológico, crimes, política e guerra de nervos, mas dá cavalos de pau na narrativa a cada episódio, jogando o espectador para recantos inusitados quando a série parece encontrar um prumo específico. São estas reviravoltas na história – que quase sempre acontecem no final de cada episódio, sempre apresentadas de forma espetacular, que tornam o seriado um vício de televisão daqueles que nos faz assistir episódios enfileirados um no outro. Facilita também o fato da primeira temporada ter apenas oito episódios (lição tirada de Stranger Things, que estranhamente paira sobre The OA), cuja duração varia entre trinta minutos e uma hora inteira.

Vou dar um tempo antes de escrever melhor sobre esta série (Westworld e Rogue One ainda pedem explicações), mas se você já assistiu à série, comente o que achou sobre ela aí embaixo.

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Cabeça de Felipe é o nome do primeiro disco solo de Felipe S., vocalista do Mombojó, que inaugura 2017 com o novo trabalho. O título do disco é o nome da tela do pai do cantor e compositor, o artista plástico pernambucano Maurício Silva. que o vocalista desenterrou do acervo familiar em busca de um título para seu primeiro disco. À procura de uma obra que tinha sua mão impressa na tela quando ainda era menino, deparou-se com o quadro Cabeça de Felipe e “o nome do quadro virou o nome do disco e a obra virou a capa”, explica. O disco, produzido pelo próprio Felipe e gravado em casa, será lançado no início de 2017 e tem participações de nomes como China, Vitor Araújo, Alessandra Leão, Tibério Azul, Leo Cavalcanti, entre outros. São dez músicas inéditas, além da regravação de “Vão“, de Juliano Holanda.

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O capítulo 3 da franquia sobrenatural de JJ Abrams foi agendado para outubro do ano que vem – comento isso no meu blog no UOL.

Foi feito física: o filme God Particle, que estava sendo anunciado pela produtora Bad Robot para o início do ano que vem, simplesmente desapareceu do cronograma de 2017. Ao mesmo tempo surgiu um filme da mesma produtora simplesmente batizado de Cloverfield Movie, com estreia marcada para cinemas Imax no dia 27 de outubro do ano que vem. Nem a Bad Robot, produtora de J.J. Abrams, nem o estúdio Paramount confirmaram, mas nem é preciso – afinal a especulação que God Particle seria o terceiro filme da série Cloverfield já vinha desde antes do lançamento do segundo filme, Rua Cloverfield 10, no início deste ano.

God Particle conta a história de um grupo de astronautas que passa uma temporada em uma estação espacial até que participam de algo que desafia o conceito de realidade que eles conhecem, como rezava sua sinopse de forma completamente vaga. Fontes próximas à produção dão maiores detalhes e narram que a surpresa dos astronautas é o simples fato que a Terra desaparece em frente aos seus olhos, deixando-os completamente à deriva no espaço.

O filme é dirigido pelo diretor norte-americano de ascendência nigeriana Julius Onah e conta com Daniel Brühl, David Oyelowo, Chris O’Dowd, Gugu Mbatha-Raw, Ziyi Zhang e Elizabeth Debicki no elenco e vem sendo filmado desde junho deste ano. Mas a principal especulação nem diz respeito ao fato do filme ter ligação com os outros dois Cloverfields – o filme de monstro de 2008 e o filme de cativeiro do início de 2016 -, mas que ele poderia explicar a ligação entre os dois filmes a partir de um evento de natureza cósmica.

Os dois primeiros filmes pegaram o público pela surpresa: sem nenhuma expectativa em relação às duas produções, ambos filmes foram anunciados poucos meses antes de seus lançamentos e a euforia em relação às duas obras fez que ambos fossem bem sucedidos nas bilheterias – um investiu em efeitos especiais e num elenco desconhecido, o outro num elenco de primeira e numa produção de baixo custo.

Mas fora a forma como foram apresentados, o fato de lidarem com o sobrenatural e de terem o nome Cloverfield no título, nada entre os dois filmes parece indicar que os dois sequer pertençam ao mesmo universo. O jogo de realidade alternativa que antecipou a estreia dos filmes sim, cria conexões entre personagens dos dois filmes mas isso nunca é traduzido na tela.

Uma das possibilidades – que eu apostava – era de que Cloverfield seria uma grife através da qual J.J. Abrams contaria contos de terror, ficção científica e sobre o desconhecido, à maneira de séries de TV clássicas como Contos da Cripta, Além da Imaginação, Outer Spaces e Amazing Stories. Mas pode ser que haja um contexto maior que explique a origem do monstro do primeiro Cloverfield e aquele final inusitado de Rua Cloverfield 10.

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Yoka vem comendo pelas beiradas e aos poucos vai formando um belo catálogo em seu selo Somatória do Barulho. Responsável pela materialização de vinis de Elo da Corrente, Zulumbi, MV Bill e Sabotage (além de reedições para clássicos de Paulo Bagunça e e Noriel Vilela, além de distribuir discos do Tribo Massahi, Ekundayo e Russo Passapusso), ele completa a discografia do Instituto em vinil ao reeditar o clássico Coleção Nacional pela primeira vez neste formato, depois de transformar em LP o disco que a dupla de produtores lançou no ano passado, o pesado Violar. E é só o começo. Além de uma nova edição para o primeiro disco de Sabotage (Rap é Compromisso, em vinil transparente, capa dupla e remixes do Primo e de Nuts), Yoka sonha alto: “Cara, tem muito disco pra ser lançado, mais do que eu possa sonhar, na verdade. A música brasileira é coisa séria”, me explicou num papo por email, que continua abaixo. “Ficaria feliz com o Sobrevivendo no Inferno dos Racionais MC’s. Não custa sonhar, né?”, ri, sem estar brincando.

Conta a história da Somatória do Barulho. Ela sempre foi um selo?
Sim! Começamos em 2010, quando eu ainda vivia na Espanha. Nosso primeiro lançamento foi um projeto autoral meu intitulado Pássaro Imigrante, um EP com tiragem de apenas 300 cópias. Não existia nenhuma pretenção de virar um selo até ai, mas isso encorajou seguir… No ano seguinte viemos pra São Paulo e aqui desenvolvemos parcerias, projetos com outras pessoas que faziam o mesmo que a gente. Isso fortaleceu geral.

Vocês sempre tiveram um foco específico num tipo de som ou estão abertos a novidades?
Não temos um foco específico, temos nossas referências com base na cultura hip hop, mas seguimos outras vertentes da música brasileira também. Nosso sub-selo Candonga Discos lançou uma série de raridades da música brasileira em compactos e pela Somatória do Barulho já lançamos algumas pérolas brazucas também. Conforme o mercado cresce, aumenta também as chances de expandir o catálogo e a identidade real de um selo. Estamos construindo isso tudo e estamos abertos a tudo, especialmente as novidades. Não é mentira o que dizem por ai, o mercado de vinil tá bem bacana, obrigado!

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Agora vocês estão lançando o Coleção do Instituto, além de terem lançado a versão em vinil do Violar. Qual a importância do Instituto para essa cena de vinil atual? Qual a influência deles na história da Somatória?
O Coleção Nacional quebrou vários tabus no hip hop em 2002, tabus pessoais meus também dentro da música, colocaram o grande Sabota pra cantar samba e muito artista pra cantar e rimar em bases fora da sua zona de conforto, tanto no Coleção, quanto no Violar. Isso marcou muita gente. A importância que isso tem… Poxa, pra mim é a atitude, de fazer música com criatividade, zelo, capricho.

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O mestre Arthur Verocai, um dos maiores arranjadores de nossa música, está lançando um dos raros discos com seu próprio nome, que segue a linha do único – e cultuado – álbum de 1972. No Voo do Urubu reúne nomes como Seu Jorge, Danilo Caymmi, Vinícius Cantuária, Mano Brown e Criolo e os dois últimos puderam comparecer nos shows de lançamento que o maestro fez neste fim de semana, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, ao lado de uma pequena orquestra de cordas e sopros. Filmei o momento em que Brown e Criolo dividiram o palco com o mestre.

No Voo do Urubu é um dos grandes discos de 2016.

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Não dá pra fechar listas de melhores do ano sem levar em conta o recém-lançado Diasporadical, do rapper ganês Blitz the Ambassador, sente só:

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Os Flaming Lips anunciaram disco novo para o ano que vem e Oczy Mlody, o estranho título do novo disco, estará entre nós no dia 13 de janeiro próximo. O grupo já mostrou três músicas do novo disco – o primeiro só com inéditas desde The Horror, de 2013 – e o astral de psicodelia solar parece concordar com a descrição feita por seu frontman, o infame Wayne Coyne, que descreveu o novo disco como “um encontro entre Syd Barrett e ASAP Rocky em que eles ficam presos num conto de fadas do futuro”, no texto do release divulgado no anúncio. As três músicas mostrada até agora foram “The Castle”…

…”How??”…

…e “Sunrise (Eyes Of The Young)”

O próprio título do novo álbum mistura polonês com química, como o próprio Wayne explica nestes dois vídeos:

Aquela loucura picareta que já conhecemos bem – mas desta vez sem a bad trip do disco anterior. Talvez seja uma boa forma pra começar 2017.

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Lô Borges começa 2017 revisitando seu disco mais clássico, que lançou com parcos dezenove anos. Seu disco homônimo de estreia, lembrado pelo par de tênis na capa, foi lançado em 1972, o annus mirabilis da música brasileira, e funciona como uma espécie de gêmeo mau do Clube da Esquina que o mineiro havia gravado com Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, Toninho Horta, entre outros, meses antes. A influência óbvia dos Beatles e dos pioneiros da MPB saem do primeiro plano para dividir a cena com o jazz rock, um progressivo afeito ao folk, com direito a cravos, guitarras fuzz distorcidas, teclados elétricos, improvisos instrumentais e delírios psicodélicos (“sonhei que nunca existi e vi que nunca sonhei”). Ouvindo o disco do tênis dá para entender perfeitamente porque Milton nunca voltou ao ápice de sua carreira que foi seu primeiro disco.

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Lô Borges (1972) foi gravado ao lado dos amigos Beto Guedes, Toninho Horta, Robertinho Silva (do Som Imaginário) e Danilo Caymmi. É uma espécie de All Things Must Pass misturado com a psicodelia acústica do terceiro disco de Led Zeppelin, as rodinhas folk do Pink Floyd pré-Dark Side of the Moon e o tempo nublado pairando pelas estradas do interior de Minas Gerais, entre catedrais coloniais e montanhas mágicas cheias de cogumelos. Lô recria o disco de apenas meia hora ao lado de músicos mineiros capitaneados pelo cantor e compositor Pablo Castro em três shows nos dias 13, 14 e 15 de janeiro no Sesc Vila Mariana. Imperdível.

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A gravadora Luaka Bop, de David Byrne, vai lançar os três primeiros discos que Domenico Lancelotti, Moreno Veloso e Kassin gravaram na década passada – discos que têm pela primeira vez sua edição em vinil. O Máquina de Escrever Música, lançado no ano 2000 e capitaneado por Moreno, passou para o inglês e agora chama-se Music Typewriter (perdendo parte do charme do título), o Sincerely Hot do Domenico, que saiu em 2003, não precisou de tradução e o Futurismo de Kassin (meu favorito), de 2006, felizmente manteve seu título em português. Três discaços, que ainda não estão nas plataformas de streaming.

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