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Loki

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A ideia de que todos os filmes da Pixar se passam no mesmo universo ganha um reforço do próprio estúdio de animação – veja o curta que postei lá no meu blog no UOL.

Muitos já conhecem a Teoria Pixar, criada pelo jornalista norte-americano Jon Negroni, que cogita a possibilidade de que todos os filmes da Pixar sejam interconectados e se passam em momentos diferentes da mesma linha do tempo. A teoria cogita um universo em que animais, seres humanos e máquinas vivem uma constante disputa territorial e que os filmes do estúdio de animação mostrariam diferentes momentos desta história ao contar a evolução de uma humanidade bem diferente da nossa. Esta teoria, por maiores que sejam as evidências encontradas para comprová-la, ainda não foi admitida oficialmente pela Pixar.

Mas este curta recém-lançado pelo estúdio reforça a teoria ao localizar uma série de cenas escondidas em diferentes filmes do estúdio que contém personagens e referências a outros filmes, como o urso Lotso do terceiro Toy Story em uma cena de Up ou o dinossauro de O Bom Dinossauro em uma cena de Monstros S/A. Olha que legal:

Isso não quer dizer que a Pixar tenha confirmado que a tal Teoria Pixar seja verdade, embora deixe esta dúvida no ar. Aos que não conhecem esta teoria, há um site dedicado a explicá-la, como vários vídeos (como este abaixo, em inglês). O jornalista Ramon Vitral traduziu para o português a teoria logo que ela foi divulgada, em 2013:

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Hoje revistas em quadrinhos são álbuns, desenhistas e roteiristas são tão conhecidos quanto astros do rock e há lojas especializadas nesta mídia, que trazem publicações de todo o mundo. Uma realidade muito diferente da qual eu cresci. Fora a editora Abril (que publicava apenas tudo da Marvel, da DC, da Disney e do Maurício de Sousa), algumas publicações heróicas de editoras específicas e tiras em jornal, não se encontrava nada de quadrinho em lugar nenhum. Graphic novel era um conceito quase hermético, a expressão quadrinho adulto parecia uma contradição e as revistas eram conhecidas como “revistinhas” não apenas por seu tamanho compacto, mas por serem, em sua maioria, destinadas ao público infantil.

Foi quando no meio dos anos 80, quando ninguém esperava, uma horda de bárbaros invadiu as bancas apresentando personagens punks, bêbados, marginais, drogados, andando de skate, tocando guitarra, falando de política, incomodando geral. Primeiro foi a revista Chiclete com Banana, que nos apresentou a figuras como Bob Cuspe, Rê Bordosa, Meiaoito, Walter Ego, Bibelô, Mara Tara, Skrotinhos e personagens que pareciam ter saído de algum puteiro, algum pulgueiro, algum esgoto. Era a versão brasileira dos Warriors, os Selvagens da Noite, o futuro apocalíptico de Fuga de Nova York acontecendo no Brasil, em plena São Paulo. Depois veio a revista Geraldão, com seus personagens toscos e mal desenhados, mas igualmente putanheiros: o personagem-título, o casal Neuras, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge… A revista Piratas do Tietê – que, ao contrário das revistas tradicionais, era horizontal – trazia a nau com os biltres do título, um condomínio lotado de figuraças, um gato branco e uma gata preta, um puxa-saco imortal e outras figuras imaginadas por Laerte. O encontro destes três heróis acontecia na hilária adaptação do filme de John Landis Três Amigos!, em que os três desenhistas vestiam os mesmos trajes de caubóis mexicanos de mentira que Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short usavam no filme de 1986. Além desta, havia a cabeçuda Circo, que além de histórias com tons menos escrachados que as três primeiras revistas, também trazia os clássicos quadrinhos que Luiz Gê fez naquele período (reunidos, posteriormente, na excelente antologia Território de Bravos). E também a imortal Níquel Náusea, casa não só dos bichos de Fernando Gonzales, como de autores que orbitavam ao redor destes cinco principais nomes, como Spacca, Newton Foot, Guto Lacaz e Fábio Zimbres. As peças daquele quebra-cabeças de profanação eram reunidas por um selo que todos reconheceriam como uma grife maldita: a Circo Editorial.

Aquela invasão era tudo que um pré-adolescente queria da vida – e tudo que seus pais não queriam. A quantidade de sexo, sacanagem, escatologia, violência, afronta e escrotidão contida naquelas páginas poderia ser resumida na imensa quantidade de palavrões publicados. Palavrões até hoje são tabu no Brasil – já viu alguma revista sendo vendida em banca com um palavrão na capa? Não pode.

As revistas da Circo não só tinham palavrão como testavam todos os limites que poderiam testar. Foi ali que Laerte já começara a mostrar seu lado feminino, mesmo que ainda disfarçado de piada. O zine Jam, que vinha encartado nas páginas do meio da Chiclete com Banana reunia literatura beat com teatro do absurdo, free jazz com filmes de terror, rock psicodélico e experiências sexuais. E muitas drogas. E muita putaria. E muito rock. Alto. Eram só quadrinhos mas dava pra sentir o cheiro do cigarro, o gosto da cachaça, o som do bar lotado, a textura do pé descalço pisando num cocô. Era tudo que a TV, os jornais, as revistas e as rádios não queriam. Era um país que ainda sofria do trauma da censura da ditadura militar. Não existia internet nem produtos importados. As revistas publicadas pela Circo Editorial (e, na paralela, a heróica Animal) funcionaram como os anos 60, 70 e 80 para um país que parecia ter parado em algum momento entre o suicídio de Getúlio e inauguração de Brasília.

Com o tempo descobri que a Circo Editorial era obra de um editor nato, que publicava, na raça, revistas que ele achava que tinham de ser lidas. Toninho Mendes, que morreu na manhã desta terça-feira, não era um executivo do mercado editorial – era um fã com instinto pra perceber que não estava só. Lançava as revistas que queria ler e descobriu uma multidão de semelhantes. Centenas de milhares de moleques de todas as idades, para ser mais exato. As revistas tinham uma circulação invejável até para as revistas ditas mais sérias.

Foi ele quem colocou São Paulo no mapa da cultura pop brasileira da segunda metade do século 20, uma era dominada pelo Rio de Janeiro cenográfico da Rede Globo, e, principalmente, nos ensinou que era possível gostar de quadrinhos feitos no Brasil. Antes dele, o quadrinho brasileiro era basicamente Maurício de Sousa a a geração que cresceu no Pasquim, cujo humor visual estava mais próximo do cartum do que das HQs (mesmo com as histórias de Ziraldo, os personagens de Henfil e as tiras do Veríssimo). Com a Circo Editorial, ele não só tirou o atraso do Brasil em relação ao mercado internacional como mostrou que era possível ser quadrinista também. Do mesmo jeito que a Circo despertou centenas de milhares de novos fãs do formato, também pariu milhares de novos autores.

Sua morte não tem o impacto que deveria pois ele sempre trabalhou nos bastidores, mas a importância de sua vida é ímpar – tanto no mercado editorial quanto no meio dos quadrinhos no Brasil. Deixo aqui meu agradecimento público a este sujeito que foi fundamental na minha formação pessoal – a minha e de toda minha geração.

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Postei lá no meu blog no UOL mais um teaser da nova temporada da clássica série de David Lynch, cuja terceira temporada estreia dia 21 de maio – e é a primeira vez que nos reencontramos com o agente Cooper…

David Lynch está atiçando a expectativa de todos a cada novidade sobre a volta de Twin Peaks. E depois de anunciar estreia da terceira temporada do seu clássico seriado para 21 de maio deste ano – um quarto de século depois da segunda temporada -, ele agora nos reapresenta a seu ótimo protagonista, o agente Dale Coooper, vivido novamente por Kyle MacLachlan, num curto teaser:

A nova temporada terá 18 episódios e reunirá praticamente todo o elenco original, entre eles Sherilyn Fenn, David Patrick Kelly, Richard Beymer , Miguel Ferrer, Sheryl Lee, Dana Ashbrook, Ray Wise e o próprio David Lynch. Além destes, a nova série ainda terá a presença de nomes conhecidos tanto da música pop (como Trent Reznor, Eddie Vedder, Sky Ferreira e Sharon Van Etten) quanto do cinema (como Amanda Seyfried, Laura Dern, Tim Roth, Naomi Watts, Michael Cera, Monica Bellucci e Ashley Judd). O primeiro episódio será duplo e o canal Showtime liberará o terceiro e o quarto episódio em sua plataforma de streaming logo após a exibição dos dois primeiros.

Low, 40 anos

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Escrevi lá no meu blog no UOL sobre Low, o disco que mudou a carreira de David Bowie e inaugurou sua trilogia de Berlim, que completa quatro décadas neste sábado.

À beira de um colapso mental, David Bowie fugiu de Los Angeles para Berlim, no final de 1976, para escapar de uma possível tragédia. O inglês vivia seus dias mais intensos e pesados, atraindo para perto de si todo tipo de má referência e carga negativa enquanto encarnava mais um personagem inventado artisticamente: o Thin White Duke era uma espécie de versão má do próprio David Bowie e ao mesmo tempo em que se entupia de cocaína e estudava o satanista Aleister Crowley, aplaudia o fascismo, chamava Hitler de “o primeiro rockstar” e aprofundava-se nas ciências ocultas. O resultado daquele período, o disco Station to Station, é uma das obras-primas do artista, que ele não alegava não ter nenhuma recordação do período de sua gravação ao mesmo tempo em que declarava ser sua obra com mais referências ao ocultismo, conexão que ele lamentava ter sido solenemente ignorada pela crítica.

Era um artista no auge. Depois de anos tentando entrar no panteão do rock clássico vestindo diferentes personas, ele finalmente tornou-se um ícone pop ao inventar a história do alienígena Ziggy Stardust, que vem para o planeta Terra e torna-se um popstar. O personagem criado em 1972 dera ao artista inglês as possibilidades de explorar os limites da música, como a geração da qual era caçula, compondo, tocando, cantando e produzindo as próprias músicas. Mas, além disso, lhe conseguira permissão para reinventar-se quando queria, elevando as transformações de personalidade que a geração do rock dos anos 60 atravessou em declarações estéticas. Cada disco era uma nova chance de começar tudo de novo e reunir novas referências, novas inspirações, novos padrões artísticos. Seus inúmeros interesses pessoais eram a desculpa perfeita para criar uma múltipla personalidade em público, encarnando, como um ator pós-moderno, as tendências que pairavam sobre o inconsciente coletivo.

E foi o instinto artístico de Bowie que o salvou de se tornar Elvis de si mesmo nos proverbiais cinco anos da faixa que abria o disco Ziggy Stardust. Em vez disso, mudou-se de Los Angeles para Berlim com Iggy Pop a tiracolo, querendo mudar radicalmente a paisagem. E apesar dos inúmeros excessos que a dupla inevitavelmente causaria na cidade alemã, à época ainda dividida pelo muro construído após a Segunda Guerra Mundial, ninguém ligava. O que causava ultraje e gerava manchetes na capital do showbusiness norte-americano era visto de forma trivial pelos habitantes da cidade alemã. Era só um roqueiro inglês e seu amigo americano fazendo besteiras. Tanto faz.

Iggy Pop e David Bowie

Iggy Pop e David Bowie

Essa reação quase esnobe foi um choque para David Bowie. Em Berlim ninguém se interessava por ele, sua fama era artificial, um sucesso de plástico criado e alimentado pela indústria de entretenimento visto como um teatro vazio que não impressionava uma cidade escorraçada por duas guerras mundiais. Aquilo fez que Bowie começasse a repensar quem ele realmente era, por baixo de tantas máscaras. O fato de Berlim ser uma cidade intocada pela cocaína obrigou o artista a parar de cheirar e a droga preferencial da cidade, heroína, não batia com a cabeça do inglês. Foi o início de um processo de introspecção e amadurecimento que ficou conhecido anos depois como “a trilogia Berlim”, formada pelo conjunto de três discos inspirados pela cidade e o primeiro deles foi lançado há exatos 40 anos. Low, que chegou às lojas menos de uma semana após o aniversário de 30 anos de seu autor, mudou o pop definitivamente, embora esta mudança não tenha sido assimilada de uma vez só.

Gravado em sua maioria no Castelo de Hérouville, na França (onde Bowie havia gravado, em julho de 1973, o disco de versões Pin Ups e produzido o primeiro disco solo de Iggy Pop, The Idiot), e parte no Hansa Studio em Berlim, Low é um disco cujas raízes já podem ser encontradas em Station to Station. O disco do ano anterior funciona como um preâmbulo à trilogia Berlim e a paixão de Bowie pela sonoridade alemã daquele período – de grupos de rock progressivo tortos como Neu!, Can, Tangerine Dream e o essencialmente eletrônico Kraftwerk – já podia ser ouvida nas composições da fase Thin White Duke. É aquele tipo de som – sintético, metronômico, intenso e absorto que os alemães chamavam de Kosmiche Musik e os ingleses de krautrock – que faz Bowie escolher Berlim como sua visão de futuro – ou pelo menos de seu próprio futuro.

Brian Eno e David Bowie

Brian Eno e David Bowie

Mas Bowie foi pego de surpresa ao descobrir uma cidade e um elemento estético que não queriam ser emulados. Para isso, chamou dois velhos amigos para encarar esta nova jornada: Brian Eno, ex-tecladista do Roxy Music que estava começando a compor seus primeiros discos solo criando um gênero chamado ambient music (compondo obras para funcionarem como trilhas sonoras para aeroportos e supermercados), e Tony Visconti, produtor com quem Bowie já vinha trabalhando desde o final dos anos 60 (e que produziria seu derradeiro disco, ★).

Apesar dos dois terem créditos de produção, o papel de ambos foi bem diferente durante as gravações. Eno trabalhou mais como um diretor artístico do disco, conduzindo David Bowie para uma sonoridade que transcendia as amarras do rock – e até mesmo da canção. Personificada principalmente no lado B do disco, a presença de Brian Eno aludia justamente às condições frias e sem rodeios da personalidade alemã, mas sem ritmo, sem letra, sem refrão. O experimento que os Beatles fizeram no final de seu álbum branco, quando John Lennon, George Harrison e Yoko Ono superpuseram vários pedaços de fita emulando uma colagem de vanguarda musical chamada “Revolution 9”, atingia um novo patamar no segundo lado de Low. As faixas “Warszawa” (a faixa mais embleática do disco, composta por Eno e com vocais sem letra improvisados por Bowie), “Art Decade”, “Weeping Wall” e “Subterraneans” pareciam vir de um outro planeta, uma outra dimensão, desenhando um horizonte improvável para o futuro da música pop.

David Bowie, em 1977

David Bowie, em 1977

O lado A voltava-se para o soul plástico do Thin White Duke do ano anterior, mas a presença pesada da erma paisagem criada por Bowie e Eno no lado B pairava sobre os momentos mais tradicionais do disco, como as faixas “Breaking Glass”, “What in the World” – com vocais de Iggy Pop -, “Always Crashing in the Same Car” e “Be My Wife”, além de, claro, o hit “Sound and Vision”. O lado era cercado por duas instrumentais que não deixavam dúvida sobre o rumo do disco: as deliciosamente repetitivas “Speed of Life” e “A New Career in a New Town”, que respectivamente abrem e fecham o primeiro lado de Low são as tentativas mais próximas da banda de Bowie – formada à época pelos guitarristas Carlos Alomar e Rick Gardiner, o baixista George Murray, o tecladista Roy Young e o baterista Dennis Davis, além do próprio Bowie (que tocava de saxofone e xilofone a “violoncelos de fita”) e de Brian Eno (tocando diferentes tipos de sintetizadores) – de soar como as bandas alemãs. Acrescente isso a produção de fato de Tony Visconti, que, auxiliado por um aparelho chamado Eventide Harmonizer (que repetia partes recém-gravadas, como um pré-sampler, criando um eco alienígena por todo o disco), criava naquele e nos dois discos seguintes da trilogia (“Heroes” lançado ainda em 1977 e Lodger, de 1979) toda uma sonoridade que ficaria reconhecida na década seguinte como pós-punk. Os timbres de bateria cheios de eco e peso às guitarras cruas e reluzentes ao baixo quase sempre pronunciado depois encontrariam discípulos em bandas tão diferentes e contemporâneas como Cure, R.E.M., Joy Division, Sonic Youth, Echo & the Bunnymen, Talking Heads e Smiths.

À capa, Bowie, de perfil, aparecia em uma imagem tirada do filme de Nicolas Roeg O Homem que Caiu na Terra, estrelado por ele no ano anterior, repetindo a mesma fórmula de Station to Station. Mas ao chamar o disco de Low e colocar-se de perfil logo abaixo do título, Bowie criava um trocadilho visual para explicar que naquele disco ele preferia a estética minimalista, em busca de sua essência como cantor e compositor ao mesmo tempo em que ampliava os próprios limites estéticos – e, simultaneamente, os da cultura pop. Seu lado B revela-se a cada ano mais eterno e profético, mostrando que até a sonoridade de vanguarda pode ser pop – e não necessariamente agressiva. Um disco que não só salvou David Bowie de uma possível tragédia pessoal como reinventou sua carreira – e, mais uma vez, ampliou os horizontes do pop.

De cor

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Conversei, lá no meu blog no UOL, com o Lô Borges sobre a recriação de seu clássico disco de estreia, tocado pela primeira vez ao vivo neste fim de semana no Sesc Vila Mariana.

“A coisa mais certa que eu podia fazer foi a largar a indústria fonográfica aos vinte anos de idade depois de compor 25 músicas para dois álbuns, para o Clube da Esquina e pro disco do tênis”, lembra o mineiro Lô Borges, em entrevista por telefone, sobre o início de sua carreira em 1972. “Foi a melhor coisa que eu fiz! Se eu continuasse gravando um disco a cada seis meses, eu ia enlouquecer! Eu não queria sobreviver de música, eu queria que a música sobrevivesse em mim!”

Um dos principais nomes da cena mineira que se revelou no disco Clube da Esquina, Lô Borges era o segundo autor do disco que reunia músicos e compositores que hoje são bastiões da música brasileira, como Flávio Venturini, Toninho Horta, Fernando Brant, Beto Gudes, Wagner Tiso e Milton Nascimento. Creditado a ele e Milton, o disco apresentava uma nova cara para o pop mineiro, recriando-o a partir de influências da então novíssima MPB e do rock contemporâneo à época, hoje reverenciado como clássico. E após o lançamento do disco, Lô seguiu a boa fase lançando seu primeiro disco solo quase em seguida. Batizado apenas com seu próprio nome, o disco de 1972 é conhecido pelo par de tênis em sua capa e por aprofundar-se ainda mais nas profusões musicais daquela cena criando um registro que hoje é clássico da psicodelia brasileira. Um disco que nunca foi tocado ao vivo por seu autor, falha que será corrigida a partir deste fim de semana, quando Lô recria o clássico disco em três shows – já com ingressos esgotados – no teatro do Sesc Vila Mariana, em São Paulo.

“O disco do tênis nunca se misturou ao meu repertório ao longo dessas décadas todas. Ele ficou preservado. Nunca toquei músicas do tênis nos setlists dos meus shows, que contemplam quase todos discos meus, mas nunca entraram músicas do tênis”, explica o músico e compositor. O motivo é tão simples quanto revelador: uma vez submetido às pressões do showbusiness, Lô teve que tirar um disco que se comprometeu a lançar por contrato a fórceps e depois de terminado, decidiu abandonar tudo para viver a vida.

“Esse disco não teve lançamento. Quando eu acabei de gravar o disco, eu era um pouco mais que um adolescente, eu tinha vinte anos. Tinha feito o Clube da Esquina no começo de 72 e o disco do tênis no meio de 72 e ele foi feito como se fosse uma oficina criativa instrumental e poética, mas também feita no sufoco”, continua relembrando. “Eu tinha um contrato com uma gravadora que dizia que eu fizesse um disco logo depois do Clube da Esquina. Sabe o que eu tinha? Eu não tinha música nenhuma! Eu assinei o contrato sem ter música nenhuma! O processo do disco do tênis era o seguinte: eu fazia a música de manhã, meu irmão (Márcio Borges) fazia as letras à tarde e à noite ia pro estúdio, fazia os arranjos e gravava tudo valendo! Foi um disco muito urgente! Eu não tinha vinte, quinze anos de composição, eu tava compondo há dois anos e minhas músicas foram canalizadas pro Clube da Esquina. Então foi uma loucura! A música ‘Pensa Você’, por exemplo, eu cheguei no estúdio sem ter nada e compus a música no estúdio, no dia de gravar.”

A pressão responsável pelo processo de criação do disco também lhe deu uma aura colaborativa, em que todos entraram no ritmo em que criação, composição, arranjos e gravação faziam parte de um mesmo processo, nada linear. “Eu acho que uma das características mais legais do disco do tênis é a coisa de ele ter sido feito caoticamente. Eu não tinha as músicas e tinha que criar. Isso botou minha cabeça pra funcionar de um jeito que ela nunca funcionou”, continua Lô. “Eu tive a curiosidade de ver a ficha técnica desse disco anos depois e vi que a produção é do Milton Miranda e Maestro Gaia, que já devem ter falecido há mais de trinta anos, mas eu nunca vi nem o Milton Miranda nem o Maestro Gaia no estúdio quando estávamos gravando. A gente produziu tudo sozinho. Eu ficava meio na direção musical, apresentando as músicas e as ideias e os meus amigos, os músicos, acrescentavam as ideias delas às minhas. Foi uma oficina de cooperação criativa. Agradeço demais a todos que contribuíram na gravação, porque se não fossem eles, não teria acontecido esse disco.”

“É um disco totalmente inspirado que aponta pra vários lados: tem baião, tem canção, tem música que eu canto quase chorando…”, ri. “Acho que ele sugere muitas tendências que estavam contidas na minha cabeça. É meio psicodélico, meio progressivo, tem uma coisa meio Hermeto Pascoal.” A tônica do disco foi embalada pela expansão da consciência típica do período. “As drogas tiveram total influência nisso, porque o mundo estava vivendo em estados alterados de consciência. Todos os artistas, os ingleses, os americanos, Jimi Hendrix, os Beatles, os Rolling Stones, os Emerson Lake & Palmer, os Crosby Stills Nash & Young… O mundo inteiro usavam substâncias alteradoras de consciência, como eu e a turma que gravou comigo também. Todo mundo o tempo todo com o estado de consciência alterado. Eu gostava muito das lisérgicas, tinha gente que gostava mais de álcool, tinha gente que gostava mais de maconha e tinha gente que gostava de tudo o tempo todo”, lembra.

E depois de gravar o disco, em vez de colocá-lo na rua, ele preferiu largar tudo. “Sabe quem foi pra rua? O Lô Borges”, continua. “Eu fiz o disco e larguei tudo. Falei que não queria saber mais de gravadora, não queria saber mais de carreira, de disco, vou voltar pra Belo Horizonte e fazer as coisas que as pessoas da minha geração estão fazendo. Eu virei hippie! Fui pra Arembepe na Bahia, pra Porto Alegre, não sei onde mais, viajando pelo Brasil de ônibus com alguns exemplares do disco que eu entregava pras pessoas nas rodinhas de violão. Eu praticamente abandonei minha carreira.”

Lô não se arrepende do surto, que considera a melhor decisão que fez em sua carreira, retomada quase seis anos depois, com o disco A Via Láctea, de 1979. “Passei cinco anos na vida libertária de hippie e me estruturando como compositor. Quando eu voltei, seis anos depois, eu tinha música pra caramba!”, recorda-se. “Não tinha que fazer música de manhã, letra de tarde e gravar à noite. Quando eu voltei com o Via Láctea em 78 eu tinha música pra caramba, eu ensaiei o disco, que foi produzido pelo Milton, foi muito mais relaxado.”

A decisão de abandonar o meio artístico surgiu logo após ele ter finalizado seu disco de estreia, por isso em vez de seu rosto, há o par de tênis na capa. “A ideia do tênis da capa é minha. Quando o disco ficou pronto e fomos discutir a capa, eu disse que estava saindo da indústria fonográfica e queria colocar o tênis pra simbolizar isso. Não ter colocado a minha cara e sim um tênis, que era eu dizendo que ia pegar a estrada: eu vou pegar a estrada e tô saindo do Rio de Janeiro, tô saindo do showbusiness, tô saindo do circuito. Eu tenho vinte anos apenas e não quero essa obrigação de gravar um disco a cada seis meses. Até hoje eu autografo o disco do tênis dizendo ‘com um pé na estrada’.”

Lô Borges (em frente, ao centro) em frente à banda montada por Pablo Castro (segundo à esquerda) para reproduzir o clássico disco de 1972

Lô Borges (em frente, ao centro) em frente à banda montada por Pablo Castro (segundo à esquerda) para reproduzir o clássico disco de 1972

Trancado na própria memória de Lô, o disco nunca mais voltou aos palcos ao mesmo tempo em que criava sua reputação de forma paralela, tanto no Brasil quanto no exterior. Até que, no ano passado, após um show, alguns músicos haviam lhe perguntado sobre a importância do disco, o que lhe fez voltar a pensar no álbum. Mas a decisão de voltar ao disco surgiu quando ele conheceu o músico mineiro Pablo Castro. “Ele é um cara que escreveu dez páginas do meu songbook e que fui conhecer num show que eu fiz com o Samuel Rosa num festival aqui em Belo Horizonte quando ele tocou antes de mim e do Samuel. Eu fiquei interessado no som dele, trocamos ideias ali no camarim. Depois eu convidei ele pra minha casa, gostei muito do disco dele, e qual a minha surpresa quando ele pegou um violão e começou a tocar todas as músicas do disco do tênis! E tocou todas as músicas dos lados Bs dos discos meus, ele era um especialista em lados B de Lô Borges.”

A ideia de recriar o disco começou a ser gestava, mas havia um agravante: “Refazer o disco do tênis é um processo tão complexo, porque o disco é uma engenharia, uma oficina instrumental, em que a gente botou cravo, Hammond, pedais, pianos acústicos… E pra reconstruir o disco do tênis teria um trabalho muito grande. Mas ele disse, ‘Lô, eu sou um cara que teve por anos bandas cover de Beatles, além de ser cantor e compositor eu sou especializado em reconstituir discos, toquei no Cavern Club em Liverpool, em Nova York. Se você quiser eu faço isso com a minha banda!”‘

Pablo, que além do próprio trabalho autoral, também teve três bandas cover de Beatles em Minas Gerais, The Silver Beatles, Sgt. Pepper’s Band e Free as a Beatle, fala sobre esta experiência e como ela lhe aproximou ao disco do tênis. “É um estudo muito interessante reproduzir à risca um arranjo. Primeiro porque estimulamos o ouvido a memorizar e decodificar o som. Segundo porque é uma prática de banda muito específica, onde há um efeito preciso a se almejar, incluídos aí os vocais, sua timbragem, harmonização, jeito de interpretar, etc. Terceiro, porque os detalhes são importantes para a fruição dos aficcionados. É uma espécie de ‘música de concerto’, só que popular. E, em última instância, valorizar o arranjo, em vez de apenas a canção, é uma maneira de homenagear todos os músicos envolvidos criativamente na confecção de uma faixa, não apenas os compositores. Tudo isso foi uma experiência valiosa para meu trabalho de direção musical no show do disco do tênis. Evidentemente, as harmonias de Lô são mais complexas e arrojadas do que as dos Beatles. Mas a análise dos timbres, camadas de instrumentos, texturas, frases, tudo isso é importante nesse tipo de reconstituição. Penso que a experiência com os Beatles me ajudou nesse aspecto.”

“O mais difícil nesse tipo de reconstituição são as partes que, na gravação original, foram meio que improvisadas, não seguem um padrão definido, mas que abrilhantam a faixa”, continua Pablo. “Os solos de guitarra são o exemplo mais evidente disso, mas normalmente os solos estão em primeiro plano, de forma que não é tão difícil transcrevê-los. Mais complicados são aqueles detalhes de instrumentos não solistas mas cujas frases aparecem aqui e ali, e contribuem para o efeito geral da música. Além disso, o disco do tênis tem vários vocais de 4 vozes, às vezes mais, e não é tão simples fazer isso funcionar no palco. É preciso ensaiar bem pra timbrar, equilibrar e afinar tudo a contento no palco. Outro aspecto importante, e dos mais criativos nesse tipo de trabalho, são adaptações de finais para as músicas que originalmente terminam em fade-out. Isso quase nunca funciona no palco, de forma que fizemos finais completos para essas faixas no show. Tenho gostado de todas, mais acho que ‘Aos Barões’, por ser uma música tão inusitada, meio perturbadora, está entre as mais instigantes do disco e do show. ”

Lô deu a carta branca para Pablo tocar o disco e depois foi chamado para assistir à execução. “Comecei a participar dos ensaios em dezembro. No primeiro ensaio eu não acreditei, eu tava em 1972 e não sabia! Eu nem toquei, só escutei! Tudo igualzinho! As guitarras do Beto Guedes, as minhas guitarras, os Hammonds do Tenório Júnior, os violões do Nelson Ângelo, o baixo e a guitarra do Toninho Horta. Eles fizeram a reconstituição fidedigna igual. Aí eu entrei na história e virou o projeto e a história de tornar público nosso encontro.”

Pablo explica que manteve a concisão do disco que tem 15 músicas e pouco mais de meia hora de duração. “Há algumas canções com as formas expandidas, mas não muitas. Não queríamos descaracterizar o aspecto hai-cai dessas canções . É um charme uma composição incisiva que passa rápido como uma borboleta em vôo. Faremos também, na segunda metade do show, todas as canções de Lô do disco Clube da Esquina, igualmente em seus arranjos originais, de forma que o show, além de repleto de outras canções decisivas na obra de Lô, não será tão breve quanto o disco do tênis.”

Depois dos shows em São Paulo, o grupo quer rodar com o disco pelo país. “Cair na estrada!”, comemora Lô, que ainda não tem shows agendados para esta nova fase, embora a próxima apresentação deva acontecer em alguns meses, em Belo Horizonte.

Lanny, na boate Stardust, tocando com Hermeto Pascoal (de costas) (Divulgação)

Lanny, na boate Stardust, tocando com Hermeto Pascoal (de costas) (Divulgação)

Conversei com o Guilherme Held sobre o show tributo que ele está organizando para celebrar a importância de Lanny Gordin, o mago guitarrista do tropicalismo. O show deve dar início às comemorações do centenário de sua carreira, que está completando cinquenta anos e ainda terá dois filmes sobre sua importância – falei sobre tudo isso no meu blog no UOL.

Por mais que Lanny Gordin seja festejado como um dos grandes músicos brasileiros e um dos principais personagens da psicodelia brasileira, tal reconhecimento não está à altura de sua importância. Guitarrista de timbre e frases ímpares, Lanny não só é um dos principais temperos do tropicalismo como esteve envolvido com artistas, discos e canções que estão na fundação da música brasileira da segunda metade do século passado. Esteve presente em discos como Expresso 2222 de Gilberto Gil, Carlos, Erasmo de Erasmmo Carlos, Araçá Azul de Caetano Veloso, Fa-tal de Gal Costa, além de ter tocado com Rita Lee, Elis Regina, Jair Rodrigues, Antonio Carlos e Jocafi (é sua a guitarra de “Kabaluerê”) e Itamar Assumpção, entre outros.

Mas um fiel escudeiro do guitarrista quer resolver essa pendência com o mestre e reuniu-se com outros dois discípulos. “Acredito que o merecido reconhecimento, à altura da genialidade do Lanny, ainda não aconteceu”, explica o guitarrista Guilherme Held, que gravou dois discos ao lado de Lanny numa banda chamada Projeto Alfa, no início do século. “Porém ele influencia diversas gerações da música brasileira deixando uma discografia respeitada no mundo todo”, continua o músico, que se reuniu aos irmãos Tulipa e Gustavo Ruiz para agendar um show que celebra a importância do guitarrista.

O espetáculo deve acontecer no próximo mês e reunirá grandes nomes da música brasileira para cantar sua obra em dois shows, nos dias 2 e 3 de fevereiro, na Comedoria do Sesc Pompeia, em São Paulo. “Vamos formar uma banda com direção musical minha e do Gustavo Ruiz para acompanhar artistas que tiveram ligação ou tem afinidade com o mestre. A banda será formada por mim e Gustavo tocando guitarra, Sérgio Machado na bateria), Fábio Sá no baixo, Pepe Cisneros no teclado, Mauricio Badé e José Aurélio na percussão e o DJ Nuts”, conta o guitarrista, em primeira mão. Fábio e José Aurélio também integraram o Projeto Alfa ao lado de Held. O show ainda deve contar com participações especiais de nomes como Jards Macalé, Tulipa Ruiz, Chico César, Rodrigo Amarante e o grupo Metá Metá.

Lanny Gordin e Gui Held

Lanny Gordin e Gui Held

Lanny – Alexandre é seu nome de batismo – começou sua carreira tocando na casa noturna Stardust, que era de seu pai, em São Paulo, e com isso pode tocar, ainda adolescente, ao lado de feras como Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte, com quem gravou o mítico disco instrumental Brazilian Octopus. Ele é sempre referido como “o Jimi Hendrix brasileiro”, um título injusto por limitar suas influências musicais ao rock e ao rhythm’n’blues norte-americano. Diferente de Hendrix, Lanny bebia tanto no jazz mais experimental quanto na música erudita e entre seus guitarristas favoritos estão nomes como Jeff Beck, Syd Barrett e Jimmy Page. A cancha de músico de noite elevou sua musicalidade a um patamar que ia muito além da melodia e da canção.

“Lanny é um músico com muita personalidade artística e muito desprendimento de regras” coninua Held, “esta busca dele pelo transe musical influencia quando você o ouve tocar e isto com certeza faz parte da minha busca também”. Os dois músicos compartilham a mesma data de aniversário (28 de novembro) e moraram juntos por quatro anos, primeiro em um apartamento na Vila Mariana e depois numa casa em Perdizes, em São Paulo. Entre os discípulos diretos e indiretos do guitarrista, Held cita nomes como Sergio Serra, Toninho Horta, Luiz Chagas, Fábio Sameshima, Kassin, Pedro Sá, além do próprio Gustavo. Irmão e produtor dos discos de Tulipa, Gustavo pode trazer Lanny para o estúdio, quando o guitarrista participou da música “Expirou”, do disco Dancê, de 2015.

Lanny Gordin

Lanny Gordin

Além dos shows, ainda há dois documentários que falam da importância do guitarrista nascido em Xangai, na China. “São dois projetos diferentes”, continua Held. “Participei do longa Herois da Guitarra, no qual me encontro com o Lanny em uma cena, foi muito especial. Foi um dos dias mais marcante e especiais da minha vida. Já o filme Inaudito: Com/Por Lanny Gordin, de Gregorio Gananian, é um filme/ensaio com Lanny que estimula o lado criativo dele hoje. Metade do filme foi rodado em Xangai e metade em Sao Paulo. Fui consultor no Inaudito, o que deu origem a uma amizade com Greg, que inclusive será responsável pelo kinografia – o projeto de projeção e luz – do show comemorativo.”

Twitter: Mark Hamill

Twitter: Mark Hamill

Mark Hammil, conhecido por dublar o Coringa, lê tweets de Donald Trump – postei lá no meu blog no UOL.

Se Donald Trump se elegeu presidente dos Estados Unidos fazendo o papel de supervilão de histórias em quadrinhos, o ator Mark Hamill, o eterno Luke Skywalker, acertou este nervo com precisão cirúrgica ao ler um tweet de Trump com a voz de um dos grandes personagens do século passado, o Coringa do Batman. O tweet escolhido por Mark para começar o que ele anunciou como um projeto chamado de “Trumpster”, foi o que Trump, na véspera do ano novo, escreve: “Feliz ano novo para todos, incluindo para meus muitos inimigos e aqueles que lutaram contra mim e perderam tanto que nem sabem mais o que fazer. Amor!”:

Hamil, cujo segundo maior personagem de sua carreira é a versão dublada (em videogames e desenhos animados) do Coringa, foi convocado pelo comediante Patton Osvalt a partir da ideia de seu irmão caçula, Matt, que twittou: “UMA IDEIA DE UM BILHÃO DE DÓLARES! Um aplicativo que pode transformar todos os tweets de Donald Trump para serem lidos com a voz do Coringa de Mark Hamill. De nada!”

Hamil reagiu prontamente: “Agora que aprendi a twittar em áudio, eu estou AMANDO! Ninguém escrever melhores diálogos de supervilões do que #Trumputin! #KremlinCandidate”. O resultado final é inacreditável:

Que Hamil promete ser uma série, que venham os próximos!

O governo Trump nem começou e sua relação com o mundo do entretenimento torna-se cada vez mais belicosa. Ontem, durante o prêmio Globo de Ouro, a atriz Meryl Streep fez referência ao novo presidente num discurso emblemático:

“Houve uma interpretação esse ano que me deixou atordoada, afundou suas garras no meu coração, mas não porque fosse boa –não havia nada de bom nela. Mas foi eficaz e cumpriu sua função. Fez seu público-alvo rir e colocar as garras de fora. Foi aquele momento em que a pessoa pedindo para sentar no lugar mais respeitado do nosso país, imitou um repórter deficiente, alguém a quem ele [Trump] superava em privilégio, poder e capacidade de revidar. Partiu meu coração quando vi isso, e ainda não consegui tirar da minha cabeça, porque não era um filme.

E esse instinto para humilhar, quando é demonstrado por uma figura pública, por alguém poderoso, afeta as vidas de todo mundo, porque dá permissão para que outras pessoas façam o mesmo. Desrespeito convida a mais desrespeito, violência incita violência. Quando os poderosos usam sua posição para fazer bullying, nós todos perdemos.”

A fala da atriz poderia ser resumida emm outro trecho, quando ela se refere aos planos de Trump de expulsar os estrangeiros dos EUA: “”Hollywood está cheia de forasteiros e estrangeiros, e se expulsarmos todos eles, vocês não vão ter nada para assistir além de futebol americano e Artes Marciais Mistas (MMA), que, aliás, não são arte”. A íntegra do texto você lê na cobertura que o UOL fez da premiação.

Mas uma das melhores bravatas contra Trump veio do ator Alec Baldwyn, que interpreta o futuro presidente nas paródias do programa Saturday Night Live a ponto de enfurecer o próprio não-político. Ele mandou fazer um boné que repete o slogan “Make America Great Again” só que escrito no alfabeto russo, em referência à influência do premiê Vladimir Putin na campanha de Trump à presidência. E postou em sua conta no Instagram:

baldwin-trump

Traduzido via Google Translator, diga-se de passagem.

ganjaman

A Rebeca Oliveira, do Correio Braziliense, entrevistou o produtor Daniel Ganjaman na calada do ano e, no final de uma entrevista em que ele fala sobre o fim de ciclos, preconceitos, mercado independente, da situação da música brasileira atual e dos lançamentos de 2016 em que ele esteve envolvido (os discos novos do Criolo, Síntese, Rael, BaianaSystem e Sabotage), ele comentou sobre a possibilidade de finalmente materializar seu primeiro disco solo:

“Há uns cinco anos falo em fazer meu disco, mas está entre meus planos realizar meu projeto musical, não sei se algo solo, ou com vários convidados. Tenho alguns embriões, diários e coisas do tipo para pôr em prática. Estou decidindo se será um disco de produtor, compositor, colaborativo, ou uma mistura disso tudo. Gosto muito de trabalhar com diversos estilos diferentes porque gosto de ouvir música diferente. Tocar e cantar sem amarras de gênero. Isso, tenho sentido, acaba no DNA dos discos que produzo, faz parte do meu estilo. Não quero ter pressões. Minha vida é menos que isso. Prefiro respeitar o tempo das composições e esperá-las chegar. Bem intimista.”

A íntegra da entrevista pode ser lida aqui.

boogarins2016

Os goianos dos Boogarins despedem-se de 2016 oficializando “Olhos”, velha conhecida dos fãs, que encerra o ciclo do segundo disco da banda, o Manual.

Eis a mesma música em uma versão em 2013:

Mas pelo visto o terceiro disco – que já está gravado – vai para um lado completamente diferente… Eletrônico? E dizem que ele chega logo no começo do ano, que boa notícia! Será que eles mostram algo nos primeiros shows de 2017? O grupo toca na primeira edição baiana do Coquetel Molotov dia 14 de janeiro, depois em São Paulo no Sesc Pinheiros dia 27 e no dia seguinte no Circo Voador, no Rio de Janeiro, ao lado dos conterrâneos do Carne Doce.