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Loki

boogarins-desvio-onirico

Eis o falado EP ao vivo Desvio Onírico, que reúne quatro faixas dos Boogarins tocadas ao vivo em quatro cidades diferentes, Nova York, Vancouver, Lisboa e Austin. Prepare-se para derreter…

E assim o grupo ganha tempo para maturar ainda mais seu terceiro disco.

Chico vive!

chicoscience

Vinte anos após sua morte, o legado de Chico Science está mais vivo do que nunca. Escrevi sobre isso no meu blog no UOL.

“Modernizar o passado é uma evolução musical
Cadê as notas que estavam aqui?
Não preciso delas!
Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos
O medo dá origem ao mal
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
O orgulho, a arrogância, a glória
Enchem a imaginação de domínio
São demônios, os que destroem o poder bravio da humanidade
Viva Zapata! Viva Sandino! Viva Zumbi!
Antônio Conselheiro!
Todos os Panteras Negras
Lampião, sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza, eles também cantaram um dia”

Não importa o que poderia ter acontecido com Chico Science se ele não tivesse morrido vinte anos atrás no trágico acidente daquele 2 de fevereiro, um dia de domingo, entre Olinda e Recife. Todas as hipóteses cogitadas são meros exercícios de imaginação e o personagem criado por Francisco França para sublinhar sua mensagem poderia seguir destinos bem diferentes, como cada um de nós, independentemente de sua vontade. O que importa é o que Chico Science fez enquanto esteve vivo, sua marca emblemática nos rumos da música – e da cultura – brasileira desde que entrou no imaginário mental do Brasil. Ele hoje é mais importante do que nunca.

Pois vivemos num mundo – e num país – antevisto por Chico em sua versão brasileira do cyberpunk. O movimento de ficção científica criado pelos escritores William Gibson e Bruce Sterling nos anos 80 cogitava um futuro próximo completamente distante do futuro Jetsons imaginado pela geração anterior. A crise ambiental, a superpopulação, as megalópoles e, claro, a presença do computador e da internet como sistema nervoso de um planeta decadente, tornava a aurora do século 21 sombria e aquela distopia unia obras que adubaram o inconsciente coletivo vindo de diferentes artistas em diferentes mídias – do Akira de Katsuhiro Otomo ao Blade Runner de Ridley Scott, passando pelo Tron da Disney, o Incal de Jodorowsky e o Robocop de Paul Verhoeven -, criava uma realidade totalitária e alienante como a que vivemos hoje. Uma mistura do 1984 de George Orwell com o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley embebedida pela internet e por dispositivos de vigilância portáteis (nossos celulares).

O mangue beat, criado no Recife por Chico Science, sua Nação Zumbi, e pelo Mundo Livre S/A de Fred Zero Quatro, trazia este futuro para o sol de rachar da linha do Equador. O cyberpunk era urbano, sombrio, meio gótico, meio romântico (impossível não notar a semelhança entre o movimento musical liderado pelo Duran Duran – o New Romantic – com o marco-zero do cyberpunk – Neuromancer). O mangue beat era diurno, à praia, pés na areia – e na lama -, o horizonte é o mar. Ao criar um personagem que funcionava como um narrador daquele novo universo, Chico Science conectava a distopia cyberpunk ao terceiro-mundismo sonoro que une o reggae ao bhangra, o raï ao hip hop. Plugava o Brasil à aldeia global de Marshall McLuhan antes mesmo da ascensão da web – e pela cultura da favela global, de países subdesenvolvidos.

Conheci Chico um pouco antes de ele tornar-se um nome nacional, quando a importância do movimento que puxava a partir do Recife ganhava reconhecimento em todo o país, mas ainda nas entranhas, no meio independente que outrora conhecíamos como underground. Estava começando minha carreira no jornalismo quando pude entrevistá-lo pouco antes do lançamento de seu primeiro CD, lançado pela Sony. A gravadora havia o contratado ao lado de sua Nação Zumbi sem nem entender direito o que estava acontecendo e a prova disso é que a primeira vez que os encontrei foi no camarim da boate Pachá, em Campinas, quando o grupo pernambucano foi escalado para abrir o show da banda de eurodance Culture Beat, cujo hit robótico e sem alma “Mr. Vain” era o extremo oposto do groove vivo, intenso e de protesto puxado por Chico. A banda divertia-se com o choque dos extremos, enquanto Chico ficava tentando entender quem era o público que estava assistindo àqueles dois shows tão diferentes.

Era uma característica que pude perceber nele das outras vezes que nos encontramos – ele sempre estava tentando entender algo que não entendia. Buscava o contexto, tornava-se aluno. Gostava de conversar e de contar histórias, mas, diferente da maioria dos artistas, também gostava de ouvi-las. Arregalava os olhos e arqueava as sobrancelhas, concordando com a conversa enquanto ouvia.

Depois botava aquilo tudo pra fora. Ao colocar os óculos escuros, tirar a camisa, botar o chapéu e abrir o sorriso de lado, Chico virava o arquetípico mangue boy, criava o b-boy nordestino cujo semblante hoje é tão forte quanto os de Bob Marley, Che Guevara e Raul Seixas – um personagem que certamente foi influenciado pelos de Angeli, repare. A partir deste púlpito, narrava sagas de vida e morte pelo sertão, crônicas violentas nas favelas, dias de preguiça na praia. E aos poucos redesenhava um país de contrastes, que já havia sido desenhado pelos modernistas nos anos 20 e pelos tropicalistas dos anos 60. Repensava a Casa Grande e a Senzala com um satélite na cabeça, contextualizava globalmente os tristes trópicos.

Chico viu, há mais de vinte anos, o país que vivemos hoje. As caricaturas dos contrastes, a truculência no traquejo social, a violência sob a superfície fanfarrona, o sorriso aberto que fecha-se num segundo em uma carranca. Suas letras são alegorias que usam arquétipos e ícones estabelecidos para falar sério em frases de efeito cujo significado vai além do mero slogan. É só prestar atenção. “Há fronteiras nos jardins da razão”, “em cada morro uma história diferente que a polícia mata gente inocente”, “cerebral, é assim que tem que ser”, “o de cima sobe e o debaixo desce”, “no caminho é que se vê a praia melhor pra ficar”, “é o povo na arte, é arte no povo e não o povo na arte de quem faz arte com o povo”.

Líder de uma banda de protesto para dançar, Chico Science foi ele mesmo a antena cravada no mangue, no caso, o Brasil. O impacto de sua breve passagem por nossas vidas não deve ser lembrado apenas com tristeza ou saudade, mas pela importância e força representadas nos poucos anos que viveu conosco durante os anos 90. Sua influência é presente, contínua. Chico está vivo.

baianasystem-invisivel

O grupo baiano BaianaSystem aproveita o dia de Iemanjá para soltar uma faixa que poderia estar em seu Duas Cidades, com vocais do BNegão e de Russo Passapusso. “Invisível” fala sobre o contraste entre duas camadas da sociedade brasileira – a que se acha protagonista e a que se vê como coadjuvante.

E eu falei que eles vão tocar em São Paulo fim de semana que vem, né? Melhor show do ano passado fácil!

guizado2017

O trompetista Guilherme Mendonça – que todos conhecem por Guizado – começa mais uma jornada rumo a um novo disco neste domingo, em São Paulo. Depois de pairar sobre o chão com o Voo do Dragão (de 2015) rumo ao espaço sideral em seu Orbital (do ano passado), ele agora conta com a supervisão do produtor Carlos Eduardo Miranda para a produção do novo disco, a primeira vez que Guizado abre mão de produzir seus próprios discos. O show de início desta nova fase acontece neste domingo, dia 5, na Casa do Mancha (mais informações aqui), quando ele mais uma vez divide o palco com o guitarrista Allen Alencar, o tecladista Zé Ruivo ,o baixista Meno Del Pichia e o baterista Richard Ribeiro e descolou cinco pares de ingressos para sortear por aqui. Basta dizer nos comentários deste post que música que ele poderia interpretar ao vivo e porquê. As cinco respostas mais simpáticas ganham os pares de ingressos. Não esqueça de deixar seu email. Ele escreveu para o Trabalho Sujo sobre sua nova fase:

A preocupação com timbres específicos, como os sintetizadores analógicos da década de 70 e 80, baterias eletrônicas clássicas como a 808 e a Linndrum, o uso de processamentos eletrônicos no som do trompete, o cuidado com uma gravação e mixagem especial, que fuja do convencional: tudo isso junto representa parte fundamental de tudo fui descobrindo e se tornando parte de meu estilo de produção musical.

No meu disco O Voo do Dragão, essa preocupação se mantém super presente: timbres especiais, detalhes interessantes na mixagem e tudo mais. No entanto, esse disco marca uma preocupação maior com a composição, harmonias mais complexas, formas musicais mais estruturadas com diferentes partes. Considero esse disco o início de uma evolução do meu lado compositor.

E a partir do segundo semestre do ano de 2016 até agora venho me dedicando ao trabalho de preparar o meu quinto disco, para ser lançado em 2017. E venho sentindo um claro desenvolvimento em minha forma de criar nesse novo trabalho, uma evolução natural de razões multifatoriais no processo de criação.

Em 2007, mais ou menos na época da concepção do Punx, meu primeiro disco, aprendi a usar samplers e sequenciadores no palco tocando junto com a banda, isso me deu inúmeras possibilidades sonoras, possibilitando criar camadas densas de sinths, baterias eletrônicas e diversos sons sampleados. Isso criou nossa identidade de som: massivo e pesado.

Porém para a arte se desenvolver é necessário agir de forma desconstrutiva, para chegar a lugares aonde a mente com sua racionalidade e logica não são capazes de atingir. Esse pensamento esta bem claro no momento de produção atual, estou pensando muito mais como compositor e como integrante de uma banda, usando menos a máquina, trabalhando de forma muito mais humana, resolvendo questões de timbre junto com meus parceiros durante o ensaio, ao invés de chegar com uma série de sons processados e sequenciados em um sequenciador. Com isso as possibilidades de composição se tornaram ilimitadas, pois a máquina por ser máquina dificulta muito a disrupção da criação, a variação humana, a respiração.

É como na mensagem principal do filme Metrópolis de Fritz Lang que diz que a mente – robô – e a ação devem ter como intermediário o coração. Então, dentro dessa forma disruptiva de criar, descriar e recriar estamos juntos encontrando uma forma muito bonita e estimulante de fazer música.

floramatos2017

A MC brasiliense Flora Matos abre o ano com “Quando Você Vem” uma balada introspectiva produzida por ela mesma – numa música praticamente sem beats.

Ela foi pra uma praia sonora parecida com a que a Mahmundi está faz tempo, não acham?

RodrigoAmarante2017

O hermano Rodrigo Amarante volta para São Paulo com a turnê de seu primeiro disco solo em três shows no primeiro fim de semana de fevereiro, no Sesc Pinheiros. Depois de passear com seu disco Cavalo pelo Brasil, Estados Unidos e Europa, ele topa encerrar o ciclo do disco sozinho no palco, somente ao piano e ao violão, tocando músicas que foram agregadas ao repertório na turnê. Ele aos poucos prepara o lançamento de seu segundo disco solo, o terceiro depois do hiato eterno dos Los Hermanos, se contarmos o que ele gravou como integrante da banda Little Joy. Mais informações no site do Sesc.

Dança do quadrado

dancinginthestreet

Postei um vídeo no meu blog no UOL que recria o clássico e hilário clipe de “Dancing in the Streets” com David Bowie e Mick Jagger em Lego.

A música “Dancing in the Streets“, escrita por Marvin Gaye e imortalizada por Martha and the Vandellas nos anos 60, também é histórica por registrar em uma canção a relação entre dois dos maiores nomes da música pop, David Bowie e Mick Jagger. A relação dos dois é bem anterior ao 1985 em que gravaram esta versão e tem como momento central uma das grandes passagens da história do rock, quando, durante os anos 70, Angela Bowie pegou seu marido e o vocalista dos Rolling Stones juntos na cama.

A colaboração musical entre os dois foi lançada pouco antes do megaevento de caridade Live Aid e a intenção era fazer que Jagger e Bowie cantassem o dueto ao vivo, cada um em um dos palcos do evento gigante, um deles em Wembley, no Reino Unido, e o outro no John F. Kennedy Stadium, nos EUA, mas problemas técnicos impediram que o dueto acontecesse pois o menor segundo de atraso entre as duas apresentações poderia colocar tudo a perder. “Dancing in the Streets” não foi tocada ao vivo como planejado, mas gerou um clipe que se tornou um ícone dos anos 80, principalmente devido à coreografia da dupla. Que agora foi homenageado em forma de Lego pelo animador amador William Osbourne. O resultado é hilário:

Não é a primeira vez que o clipe é alvo de paródia. Uma versão que já é um clássico online é o clipe revisto apenas com os sons ambientes, sem a música nem os vocais:

E, claro, a impagável versão brasileira que mistura o clipe com a sensacional “Babydoll de Nylon”, de Robertinho do Recife:

Clássico é clássico.

whoong

“Cara, eu não consigo parar quieto”, me explica André Whoong quando pergunto se ele, que lança hoje seu segundo disco, Justo Agora, pouco mais de um ano do disco de estreia, já tem material para um novo disco. “Confesso que já tenho esboço de músicas para uns dois discos. Mas não sei o que vai acontecer, porque esse ano também eu fui convidado para atuar em dois filmes, um do Matias Mariani e Gustavo Rosa de Moura e outro do Marcelo Colaiacovo e Nilson Primitivo. Tudo pra esse ano. Sei lá se seria loucura eu lançar um disco…”, ri.

Justo Agora será apresentado pela primeira ao vivo neste sábado, na Casa do Mancha, quando André divide o palco com o músico e produtor norte-americano Jesse Harris (mais informações aqui). “São dois shows, o dele e o meu. Eu conheci o Jesse através do disco Esmeraldas, o terceiro da Tiê, que ele produziu junto com Adriano Cintra e eu fiz os arranjos de cordas e sopros. Ficamos em Nova York por cinco dias, mas criamos um vínculo de amizade muito forte então sempre que a gente está lá ou ele está aqui, nos encontramos principalmente para comer, que é o maior vício dele.”

Sobre o novo disco, André não acha apressado o lançamento em menos de um ano e meio depois de seu disco de estreia, 1985. “Acredito que foi no tempo natural. Eu já estava com monte de músicas prontas e não fazia sentido mante-las no computador. E senti que o 1985 já estava chegando ao fim do ciclo natural dele. Sou uma pessoa que muda constantemente de opinião, isso podendo as vezes até ser prejudicial pra mim, mas eu sentia que eu já estava num outro momento da minha vida. Por isso esse Justo Agora. Se eu não fizesse disco agora talvez eu não faria jamais.”

E conclui lembrando que, além de seus trabalhos, ainda tem o quarto disco da Tiê, de quem é guitarrista, e que já está sendo composto e começa a tomar forma em breve. “Eu vou produzir esse disco com o Adriano (Cintra).. Caramba… esse ano vai ser demais!”, comemora.

igiveyoupower

O grupo canadense Arcade Fire lança mais duas versões de seu primeiro single do ano, “I Give You Power“, com a diva soul Mavis Staple. A primeira versão tem outra mixagem, batizada de “Broken Speaker Mix”, e soterra o baixo XTRMNTR que dava o tom da versão original:

A outra é apenas uma versão instrumental deste single:

Mas dá pra ver que eles não se cabem em si pra contar as novidades…

lambchop

Kurt Wagner dá início à turnê norte-americana do ótimo Flotus que seu Lambchop lançou ano passado regravando um clássico entre os fãs de Prince, “When You Were Mine”, gastando o autotune que é a marca registrada do disco.