O Sesc não atualizou seu site oficial com a programação do Jazz na Fábrica, que acontece no mês que vem no Sesc Pompeia, mas é fato: o músico Thundercat, conhecido por apresentar-se ao lado de Kendrick Lamar e Flying Lotus, vem apresentar seu ótimo Drunk, lançado este ano, no palco da choperia nos dias 17 e 18 de agosto, com ingressos a 60 reais. Os ingressos para o Jazz na Fábrica (que ainda terá a presença de nomes como os trompetistas Eddie Allen e Roy Hargrove, da Globe Unity Orchestra alemã, do saxofonista sul-africano Abdullah Ibrahim, da etíope Debo Band, da tecladista Annette Peacock e do grande Hermeto Paschoal, entre outros).
Ironizando a legião de fãs que busca pistas sobre a banda como uma espécie de versão lo-fi do Arquivo X, o grupo canadense Arcade Fire lança mais uma música de seu próximo álbum, Everything Now, junto com o clipe. A irresistível “Signs of Life” segue o apelo pop do álbum até agora, que já está sendo lentamente exibido em público.
Além das três faixas lançadas oficialmente (além de “Signs…”, o grupo já mostrou a faixa-título do disco e “Creature Comfort” – “I Give You Power“, como podemos ver pela lista de músicas que estará no disco, abaixo, ficou de fora), o grupo também mostrou a inédita “Chemistry” ao vivo, em um show num local bem menor do que o que eles costumam fazer.
New @arcadefire song at York Halls tonight – Chemistry 🔥 @ArcadeFiretube pic.twitter.com/Jr2mrI6C3U
— Ian Reynolds (@ianreynolds_5) July 4, 2017
Essa é a capa e a ordem das faixas do próximo disco:
“Everything_Now (continued)”
“Everything Now”
“Signs of Life”
“Creature Comfort”
“Peter Pan”
“Chemistry”
“Infinite Content”
“Infinite_Content”
“Electric Blue”
“Good God Damn”
“Put Your Money on Me”
“We Don’t Deserve Love”
“Everything Now (continued)”
Mais uma música nova dos papas do pós-rock, “Party In The Dark” não é tão introspectiva quanto a primeira faixa revelada pelo Mogwai, “Coolverine”, ampliando o espectro sônico e temático do próximo disco da banda escocesa, Every Country’s Sun, que deve sair no início de setembro.
A propósito, “Coolverine” ganhou um clipe:
Criada pelas amigas curitibanas Kaila Pelisser e Katherine Finn Zander a partir de reuniões informais para ouvir e tocar música, a banda de dream pop Cora começou a existir de verdade foi anunciado que o Warpaint tocaria no Brasil, em 2011. “A gente tinha um encontro semanal com uns amigos pra tocar cover de várias coisas, se divertir”, me explica Kaíla por email. “Um dia, quando saiu a data do primeiro show do Warpaint aqui no Brasil, eu e a Katherine piramos. A gente não sabia dessa pira em comum com o Warpaint e de repente uma das duas soltou ‘vamos fazer um som?’. Depois disso começamos a nos encontrar e mostrar o que tínhamos uma pra outra, eu as letras e ela os arranjos, e foram saindo as primeiras músicas.” Elas lançaram um EP no meio do primeiro semestre depois de anos de enrolação e aos poucos começam a lançar mais músicas, como a versão ao vivo para “Santa Fé 1183”, lançada aqui no Trabalho Sujo.
São canções que inevitavelmente remetem à doce psicodelia indie da banda californiana (principalmente ao serem cantadas em inglês), mas que mostram um caminho próprio sendo construído, entre guitarras ensolaradas, levada shoegazer, timbres de vocais sussurrados e melodias melancólicas. “Desde que descobrimos que o Warpaint era a intersecção do que a gente queria tocar, o tipo de som já tava definido”, continua Kaíla. “Queríamos algo que fosse psicodélico mas consistente, que fosse pesado mas não fosse stoner, que falasse de coisas profundas mas não fosse dramático. O produto disso pode ter passado longe do Warpaint, mas se parece muito com o que queríamos fazer desde o início, mas que hoje já mudou um pouco, inclui outras referências.”
O processo de amadurecimento do grupo deu origem ao EP de cinco músicas Não Vai ter Cora, lançado com este nome porque elas nunca sabiam se a banda ia realmente existir. “A banda passou por muitas formações – estamos na sexta. – então sempre tinha dificuldade de todo mundo pegar as músicas, se integrar, etc. Além disso, era muita instabilidade emocional, já estivemos envolvidos afetivamente entre os membros, sabe como é, uma mistura que pode atrasar um monte a vida. Não tínhamos grana pra gravar, nem conhecíamos ninguém que pudesse fazer a coisa mais lo-fi, como a gente queria. Foi então que conhecemos o Coletivo Atlas, que deu a maior força na gravação do primeiro single. Temos essas musicas desde 2013 e 2014 e mesmo depois do EP lançado, nunca parece que ficou o melhor possível, mas chegou um momento que a única vontade era de ver pronto, mesmo que ainda não estivesse perfeito. Gravamos tudo em casa mesmo, tivemos ajuda de amigos pra mixar, e depender de amigo também é foda. Quando não rola grana, os prazos ficam muito elásticos, além do que o brother às vezes não entende a urgência daquilo.” O disco foi lançado em parceria entre o coletivo Atlas e as gravadoras HoneyBomb (de Caxias do Sul) e PWR (do Recife).
A formação atual do grupo inclui Kaíla nos vocais e synth, Katherine nos vocais e guitarra, Luiza Bueno na outra guitarra, Leonardo Gumiero no baixo e Otavio Tersi na bateria, e Kaíla conta a origem do nome. “A ideia era ter um nome curto e que não soasse como uma palavra com um significado estanque e nem que remetesse a algum idioma específico. Entre nomes de constelações e outras coisas, lembrei do nome da filha da Nina Becker, que era recém nascida na época. É um nome feminino, cheio de significado mas sem um específico – remete ao que é referente ao coração; à cor; ao “core”, do inglês, que é a base e também tem a Cora da mitologia grega, que casou com o diabo e virou a rainha do inferno rs. além disso, tem um instrumento africano que chama Kora e depois descobrimos tb um duo feminino alemão dos anos 80 que também chama Cora.”
Mesmo depois de desfeito o casamento, Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos – o casal que era a força-motriz da banda carioca Letuce – seguiram em frente com a banda e lançaram o ótimo Estilhaça, em 2015, motivo para mais um último giro ao vivo por aí como banda e para fazer o show de encerramento desta fase. Desde então, Letícia vem burilando seu primeiro trabalho solo, cujo primeiro single (e clipe) ela lança em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Coisa Banho de Mar” é uma boa porta de entrada para Em Noite de Climão – mas o fato é que quase todas as outras músicas do disco também são. Elas mostram a desbocada e sinuosa Letícia de sempre, mas deslizando à noite, longe da luz do sol e do calor humano, entre as sombras e a frieza da vida noturna, na pista. É um disco dance de forte pulso oitentista, mas não em citações literais (e isso não inclui a participação de Marina Lima na ótima “Puro Disfarce”), e sim em timbres e ambientações. Tudo isso mero cenário para que ela destile um fel irônico, mas gente boa, que muitas vezes ela aponta para si mesma. É um disco ao mesmo tempo de autodescoberta e imersão no nada, que chama o ouvinte para dançar – com as palavras. Conversei com ela sobre o disco, cuja capa e ordem das faixas vem a seguir e será lançado na semana que vem.
De onde veio Letrux? É uma personagem, uma fase, um disfarce?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-de-onde-veio-letrux-e-uma-personagem-uma-fase-um-disfarce
Por que Noite de Climão?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-por-que-noite-de-climao
O quanto o final de um casamento está ligado ao início de uma carreira solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-o-quanto-o-final-de-um-casamento-esta-ligado-ao-inicio-de-uma-carreira-solo
Como você compõe agora? O que muda nessa nova fase?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-como-voce-compoe-agora-o-que-muda-nessa-nova-fase
Você consegue separar o tipo de composição atual do que você compunha para o Letuce?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-voce-consegue-separar-o-tipo-de-composicao-atual-do-que-voce-compunha-para-o-letuce
E em termos estéticos, por que se aproximar dos anos 80?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-e-em-termos-esteticos-por-que-se-aproximar-dos-anos-80
Conta a história do disco, quando ele começou, quando você começou a gravar etc.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-conta-a-historia-do-disco-quando-ele-comecou-quando-voce-comecou-a-gravar-etc
Como Marina entrou no disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-como-marina-entrou-no-disco
Como é o disco ao vivo? Quem é a banda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/letrux-2017-como-e-o-disco-ao-vivo-quem-e-a-banda
“Vai Render”
“Ninguém Perguntou Por Você”
“Coisa Banho de Mar”
“Que estrago”
“Puro disfarce” (com Marina Lima)
“Amor Ruim”
“Noite Estranha, Geral Sentiu”
“Além de Cavalos”
“Hypnotized”
“Flerte Revival”
“5 Years Old”
A transformação pela qual Luiza Lian está atravessando do seu primeiro para o segundo disco veio na forma de um show-experimento chamado Oyá: Tempo, que ela adapta para o Centro da Terra no início de julho, em uma apresentação única. Luiza Lian: Oyá Centro da Terra também mexe com música eletrônica, moda, vídeo, poesia, arte digital e religião afrobrasielira, mas está sendo repensado para funcionar neste novo espaço, inagurando o mês de julho em um único show, ao lado de seu comparsa Charles Tixier, do grupo Charlie e os Marretas, na primeira segunda-feira do mês, dia 3 (mais informações aqui). Conversei com Luiza sobre esta fase de transição de sua carreira.
O que é Oyá?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiza-lian-oya-centro-da-terra-o-que-e-oya
Fala sobre o surgimento do espetáculo.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiza-lian-oya-centro-da-terra-fala-sobre-o-surgimento-do-espetaculo
Qual papel de Oyá na transição para seu próximo disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiza-lian-oya-centro-da-terra-qual-papel-de-oya-na-transicao-para-seu-proximo-disco
Em que pé está o segundo disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiza-lian-oya-centro-da-terra-em-que-pe-esta-o-segundo-disco
Fala sobre sua relação com o selo Risco.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiza-lian-oya-centro-da-terra-fala-sobre-sua-relacao-com-o-selo-risco
Como o espetáculo se adapta ao Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiza-lian-oya-centro-da-terra-como-o-espetaculo-se-adapta-ao-centro-da-terra
Na semana em que lançam a versão em vinil para o sensacional Duas Cidades e depois de fazer um show histórico no festival dinamarquês de Roskilde, o grupo BaianaSystem também libera a versão remixada para o disco do ano passado. Reunindo nomes pesados como Digitaldubs, Chico Correa, Omulu, Attooxxa, entre outros, Outras Cidades já está disponível em streaming:
O grupo também acaba de passar pelo estúdio em que Vanessa da Mata finaliza seu novo álbum, Caixinha de Música.
Mais uma música do novo disco do Toro y Moi, Boo-Boo – e a balada “You and I” é tão introspectiva quanto o primeiro single “Girl Like You“, mas tem um quê romântico mais pronunciado…
O episódio mais recente de Twin Peaks levou a série para perto de Júpiter, como nos lembram esses mashups que eu publiquei no meu blog no UOL.
Ainda estamos sentindo os primeiros tremores do espasmo sensorial que foi o oitavo episódio da terceira temporada de Twin Peaks – enquanto alguns tentam decifrar os códigos deixados nas entrelinhas e outros buscam o sentido metafísico em relação ao resto do seriado, muitos deixam-se levar pelo simples aspecto lúdico da exposição ao imaginário sombrio e transcendental de David Lynch e os primeiros filhotes já começam a surgir em forma de paródias, remixes e memes. Um dos melhores até agora é esse incrível mashup entre a deslumbrante cena da primeira bomba atômica ao som de “Echoes”, do Pink Floyd, na versão que o grupo tocou ao vivo em um teatro de arena nas ruínas da cidade de Pompéia, na Itália. Preciso dizer que há spoilers da série para quem não viu o episódio? Tudo bem, está dito:
Não é a primeira vez que “Echoes” se mistura a uma cena imediatamente clássica, deslumbrante e psicodélica. Os fãs do Pink Floyd devem reconhecer essa superposição genial entre a música que ocupa todo o lado B do disco Meddle e o terceiro ato do épico existencial de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisséia no Espaço.
E é claro que iriam fazer o caminho de volta, recriando a cena do episódio histórico de Twin Peaks com a trilha sonora do clássico da ficção científica de Kubrick, “Réquiem para Soprano, Mezzo-Soprano, Dois Corais Mistos e Orquestra”, do compositor húngaro György Ligeti:
Já foi comentado o grau de parenteso entre as duas cenas e a trilha sonora utilizada por Lynch em sua cena original, a tensa “Threnody to The Victims of Hiroshima” do compositor polonês Krzysztof Penderecki já havia sido usada pelo próprio Kubrick em outro de seus clássicos, o filme de horror psicológico O Iluminado, de 1980. É uma composição de tirar o fôlego:
Ainda estou digerindo o episódio e devo escrever sobre seu significado em relação ao resto da série em breve.
“Chatice. Preguiça. Apatia completa. É uma crise de um quarto de vida ou um desculpa para nunca crescer?”, pergunta-se Ernest Greene, o dono do Washed Out, na apresentação de seu novo disco, Mister Mellow, o primeiro desde Paracosm, de 2013. O disco é um vídeo-álbum e seu tema é discutido como se o disco estivesse em um canal de um YouTuber sem rumo na vida (o disco começa lá pelos dois minutos do vídeo abaixo):











