Esbarrei sem querer num post velho do ótimo blog Destroy All Music, do carioca Vinícius Damazio, que conseguiu uma versão para download de uma das míticas apresentações que Miles Davis fez em 1974 no Teatro Municipal de São Paulo, no auge de sua fase mais brutal no que diz respeito a ritmo e groove. Como no post original do DAM (que inclui até mesmo reportagens dos jornais da época sobre os shows), o post é ilustrado com uma foto do show tirada de uma matéria que a Vice fez com o fotógrafo brasileiro Ricardo Beliel.
Fotógrafo inglês registra cenas na Ásia em 2017 que mostram que já vivemos o futuro cyberpunk imaginado nos anos 80 – tem mais fotos de Marcus Wendt no meu blog no UOL.
Estamos a apenas dois anos do 2019 sugerido por Blade Runner e embora não haja sinal de que vejamos robôs idênticos a seres humanos andando entre nós em pouco tempo, a realidade visual cogitada pelo filme de Ridley Scott já existe em 2017. Prédios gigantescos e submundos infestados de gente, iluminados pelas cores artificiais das luzes de néon e por logotipos de lojas e corporações, fazem parte do dia a dia de diferentes cidades pelo planeta – e a visão que o fotógrafo inglês Marcus Wendt, diretor do estúdio de design Field.io, teve ao passear à noite pelas cidades de Shenzen e Hong Kong, na China, só reforça isso. “Graças a uma dose pesada de insônia induzida pelo jet lag, eu comecei a explorar a área de Kowloon em Hong Kong e o Huaqiangbei – “o maior mercado de eletrônicos do mundo” – em Shenzen tarde da noite em uma viagem recente à China”, ele escreve em seu site. “Mergulhado em um escuridão estrangeira encontrei uma nova maneira de ver, estranha e alienígena. A luz sintética se infiltrava em meus olhos, o ar cheio de cores que se deslocavam se e ângulos inflexíveis. No meio da noite começava um novo dia.” Eis uma amostra de seu trabalho:
É bom pra ir entrando no clima do novo Blade Runner, que, pelo visto, promete.
Que momento! Nick Cave encerrava sua apresentação na O2 Arena neste sábado, em Londres, quando, no finzinho de “Push the Sky Away” viu o líder do Primal Scream na plateia e não titubeou: “Bobby Gillespie! Fuck, man!”, disse ao reconhece-lo e passar o microfone.
Aqui, de outro ângulo:
E Russo Passapusso e Beto Barreto, do BaianaSystem, participaram do show da Pitty que rolou neste sábado no Mada, em Natal, com direito até a citar “Eu Sou Negão”, um dos hinos da música baiana, composto pelo mítico Jerônimo.
Como a própria Pitty comenta no final do vídeo: de-mais!
A família de Frank Zappa, morto no início dos anos 90, anunciou que veremos, em 2018, o mestre de volta aos palcos – escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
Um dos maiores iconoclastas da história da música moderna, o compositor e músico norte-americano Frank Zappa, que morreu em dezembro de 1993, está prestes a romper mais uma barreira: a do além-túmulo. Isso porque sua família acaba de fechar um acordo com a empresa Eyellusion para trazê-lo de volta aos palcos na forma de um holograma. “Estou emocionado que Frank Zappa finalmente estará de volta à estrada tocando suas músicas mais conhecidas bem como material raro e que nunca foi ouvido”, disse Ahmed Zappa, filho do compositor que é responsável por cuidar do legado da família em um comunicado no site oficial de seu pai. “Não vemos a hora de trazer seu trabalho criativo de volta ao lado dos músicos que ele amava tocar junto, como Steve Vai, Ian Underwood, Adrian Belew, Arthur Barrow, Vinnie Colaiuta, Scott Thunes, Mike Keneally, Denny Walley, Warren Cuccurullo e Napoleon Murphy Brock, além de outros que se comprometeram a fazer parte deste esforço épico. Quando falei com eles, eles ficaram excitados com a possibilidade de tocar ao lado de Frank mais uma vez e estão esperando a hora de dar aos fãs essa experiência inesquecível.”
“Frank foi um inovador e sua arte transcendia em tantas mídias diferentes”, continua Diva Zappa, filha de Frank, no mesmo comunicado. “Ele deixou um extenso volume de trabalho e queremos celebrar sua música com uma produção de hologramas realmente criativa e única que apresentará sua música a uma nova geração de fãs e permitirá a tantos que gostavam de sua música quando ele ainda era vivo a experimentá-la mais uma vez. Nós tínhamos essa ideia por muitos anos e depois de nos encontrarmos com a equipe da Eyellusion, sabíamos que eram os parceiros certos para fazer isso se tornar realidade.”
A Eyellusion “ressuscitou” o ex-vocalista do Black Sabbath Ronnie James Dio, morto em 2010, em duas oportunidades, ano passado na Alemanha e este ano nos EUA, que funcionaram a ponto da viúva de Dio, Wendy, ter confirmado uma turnê com o holograma do falecido, chamada de Dio Returns, que começará no final deste ano. O resultado funciona melhor do que as experiências anteriores com nomes como Tupac Shakur e Renato Russo, mas não deixa de ser meio mórbido.
A família de Zappa não se incomoda. “Não seria radical ter (a filha de Zappa) Moon cantando ‘Valley Girl’ com ele no palco? Ou ver Dweezil (outro filho de Zappa) lado a lado com nosso pai duelando solos de guitarras? Esse seria meu maior desejo e quero fazer essa celebração especial do legado de Frank a uma cidade perto de vocês. Mas como se isso não fosse suficiente em termos de coisas legais de Zappa, também estamos planejando uma versão em palco para Joe’s Garage: The Musical, com ninguém menos que o próprio Frank Zappa estrelando como The Central Scrutinizer”, comemorou Ahmed.
Isso seria bem interessante: o fantasma-holograma de Frank Zappa fazendo o papel do narrador e grande vilão de sua ópera rock Joe’s Garage, uma feroz crítica à indústria fonográfica. Mas fica a dúvida no ar para saber o que Zappa acharia de todo esse circo ao redor de sua imagem depois de sua morte. Ele certamente teria alguns comentários bem ácidos a fazer…
A turnê deverá ser anunciada para 2018.
Um hit dos Talking Heads e vários spoilers da terceira temporada de Twin Peaks.
Obrigado a quem misturou os dois. Dica da Ana.
Em turnê pela Europa com seu primeiro álbum lançado como Spiral Stairs, Doris & The Daggers lançado no início do ano, o ex-guitarrista do Pavement Scott Kannberg deixou escapar em uma entrevista a uma rádio italiana que seu grupo original pode voltar a se reunir no trigésimo aniversário da banda, em 2019: “Não chegamos a conversar de fato sobre isso, mas há uma conversa sobre nosso trigésimo aniversário em 2019 e a possibilidade de fazermos algo. Fiquem ligados!” O trecho em que Scott menciona uma possível volta do Pavement pode ser ouvido a partir do terceiro minuto no áudio abaixo:
https://soundcloud.com/radiocittadelcapo/intervista-a-scott-kannberg-spiral-stairs-ad-afa
Imagina isso…
Tatá Aeroplano e Bárbara Eugenia mostram seu disco feito em parceria ao vivo nesta quinta-feira, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui). Abaixo os dois comentam faixa a faixa este novo trabalho, que pode ser baixado tanto no site de um como do outro.
A sensação que o Acrílico de Nina Becker é coisa séria já havia se materializado no primeiro single, “Voo Rasante” – e essa sensação torna-se palpável no segundo single, “Despertador”, que ela lança em primeira mão no Trabalho Sujo. “‘Despertador’ é a única canção do disco que traz uma referencia mais direta à ideia de bossa-jazz e eu desejava que em algum momento isso aparecesse deliberadamente nesse disco”, ela explica sobre a nova canção e sobre o conceito do álbum. “Estávamos em Buenos Aires com a Orquestra Imperial e convidei o Kassin para fazer uma música no nosso dia de folga. Demorei para chegar no lugar onde havíamos combinado e quando cheguei a melodia já estava pronta, com a colaboração do Pedro Sá.”
“Despertador” reflete essa atmosfera cinquentista que Nina quis puxar para o disco, trazendo à tona a cultura transformadora do Brasil nos anos 50, da poesia concreta, da concepção arquitetônica de Brasília, de um novo cinema e da bossa nova. “A ideia de fazer o Acrílico surgiu quando fiz uma trilha em que me pediram para compor uma bossa-jazz contemporânea. Para essa gravação tive a oportunidade de montar uma banda com contrabaixo acústico, piano, bateria e guitarra e fiquei maravilhada com essa experiência. Estava prestes a começar a produção de outro disco, mas mudei meus planos, porque eu precisava fazer um álbum inteiro explorando a sonoridade dessa formação. Um trio com uma guitarra acoplada, trabalhando com linhas sobrepostas de piano”, explica a cantora. Essa sensação é traduzida também visualmente na estética do disco, como podemos ver nas fotos de divulgação e na capa de Acrílico, também mostrada em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“Segui com a ideia da bossa-jazz como uma projeção luminosa que banhasse o ambiente das novas canções que vinham surgindo. Uma luminosidade mais opaca ou mais translúcida conforme a natureza de cada uma. Quando já estava no meio do processo de formação de repertório, percebi que nenhuma das canções já compostas para o disco se apresentava naturalmente como uma bossa nova, estilo através do qual eu comecei a aprender a tocar violão, estudar música e cantar e que de alguma forma costuma aparecer nos meus trabalhos de forma difusa. Deixei de lado a preocupação que sempre tive com o anacronismo estilístico e mergulhei no conforto da minha cama macia, onde dedilhava meus primeiros ‘acordes-aranha’.”, ela continua.
Nina comenta sobre a letra de “Despertador”: “Ela fala do dia a dia como algo bonito e necessário de se viver plenamente em uma época em que tudo converge para a exposição midiática de uma vida idealizada, com um ritmo imposto por máquinas e gadgets eletrônicos, que atropela pequenas e preciosas coisas do cotidiano e faz com que passem despercebidas. A letra também coloca a ideia do amor como um filtro de proteção da alma pra barra pesada geral que estamos vivendo. Mas a crítica vem de uma forma leve, sem rancor, porque ‘Despertador’ é para ser uma música-abraço, aconchegante, ensolarada, no meio de tanto breu.”
O disco será lançado no mês que vem com shows na Casa Natural Musical (dia 19 de outubro), em São Paulo, e no Teatro Ipanema (dia 8 de novembro) no Rio.
Russo Passapusso não gostou que seu grupo não pode distribuir suas máscaras, marca registrada do BaianaSystem, durante o Rock in Rio, como gostaria – conversei com ele sobre isso como parte da cobertura que estou fazendo para o UOL no festival.










